Abílio Pereira de Almeida (1906-1977)

Biografia

Abílio Pereira de Almeida foi um ator, cineasta, dramaturgo e produtor brasileiro nascido em São Paulo (RJ) no dia 26 de fevereiro de 1906. Formou-se em Direito pela Universidade de São Paulo (USP). Foi diretor da Companhia Cinematográfica Vera Cruz e é o autor nacional mais montado pelo Teatro Brasileiro de Comédia (TBC).

Advogado de renome em São Paulo, mas muito ligado às artes, no começo dos anos 40, participou da formação do EAD, com Alfredo Mesquita. É um vanguardista do teatro brasileiro, como um dos fundadores do TBC (Teatro Brasileiro de Comédia), não só como ator, mas principalmente como autor de textos. Como Dramaturgo, era identificado com a alta burguesia paulistana, classe que retratou em tom satírico na maioria de suas criações de comédia de costumes.

Participou como ator de montagens beneficentes de Alfredo Mesquita. Nascido em São Paulo, foi freqüentador da Livraria Jaraguá, é um dos fundadores do Grupo de Teatro Experimental (GTE), comandado por Mesquita, em 1943. Com essa equipe monta seu primeiro texto, Pif-Paf, em 1946, acumulando as funções de autor, diretor e ator. Essa experiência repete-se em 1948, na inauguração do TBC, com a primeira montagem de seu texto A Mulher do Próximo, na qual contracenou com Cacilda Becker. Como a anterior, essa peça enfocava os problemas do jogo e a desagregação dos costumes na alta burguesia.

A partir de 1949, fez parte ativa na organização do TBC, como diretor secretário e, igualmente, na Companhia Cinematográfica Vera Cruz, outra iniciativa sob os auspícios do empresário Franco Zampari. Isso talvez explique porque ele tenha sido o autor nacional mais presente no repertório da companhia da rua Major Diogo, responsável por alguns dos êxitos econômicos da empresa.

Entre essas criações destacam-se Paiol Velho, com direção de Ziembinski, em 1951; Santa Marta Fabril S.A., dirigido por Adolfo Celi, em 1955; e Rua São Luís, 27 – 8º Andar, em 1957. Na primeira, é enfocada a incapacidade da elite agrária em administrar seus bens; na segunda, a crise que acomete a “geração de 1932” frente às novas coordenadas político-sociais; e, na terceira – cujo título é o endereço de uma garçonnière – a velha e a nova geração encontram na dissipação dos costumes motivo para entreter suas vidas esvaziadas de sentido.

Sua peça Paiol Velho foi levada ao cinema pelo produtor Alberto Cavalcanti, com o nome de Terra é Sempre Terra (1951), na Companhia Cinematográfica Vera Cruz. É lá que participou, como ator, de diversos filmes, entre eles Caiçara (1950) e Ângela (1951).

Foi Abílio Pereira de Almeida quem lançou no cinema, em 1951, o cômico Mazzaropi, no filme Sai da Frente, e, a partir daí, dirige também com igual competência. Com a falência da Companhia em 1954, assume o seu comando, já como Cinematográfica Brasil Filmes, um truque para driblar os credores. Produziu filmes importantes como O Sobrado (1956) e Estranho encontro (1957), entre outros.

Abílio escreveu a maior parte de suas criações para fora do TBC. Moral em Concordata, cujo tema do adultério e da dissipação de costumes volta a reinar; é levada com sucesso em 1956 pelo Teatro Maria Della Costa (TMDC), com produção de Sandro Polloni. Em O Comício, de 1955, pela Companhia Nydia Licia-Sergio Cardoso, o autor lança-se sobre a corrupta vida de um candidato. Alô…36-5499, um pesado dramalhão, é montagem de Antunes Filho para o Pequeno Teatro de Comédia, em 1958. A peça tem montagem de grande sucesso na Argentina, onde recebe o nome de Deliciosamente Amoral.

Para a companhia de Dercy Gonçalves escreve duas encomendas: Dona Violante Miranda, em 1958, e Os Marginalizados, em 1971. Seu texto Em Moeda Corrente do País, um dos poucos dramas, é levado à cena com sucesso pelo Teatro Cacilda Becker (TCB), em 1960, centrado sobre a corrupção que atinge um funcionário público.

Com produção do próprio autor são encenados: O Bezerro de Ouro, em 1961; Círculo de Champagne, em 1964; Licor de Maracujá, em 1966; Clube da Fossa, em 1968; e o espetáculo para o público infantil Independência ou Morte, em 1972.

Ele deixa inédito Os Donos da Verdade, uma crítica ao “poder jovem” que emerge em 1968 e um inacabado livro de memórias, denominado Confissões de Um Anjo de Guarda.

Segundo observações do crítico Yan Michalski, Abílio é um “autor polêmico, geralmente combatido pela crítica e bem-sucedido na bilheteria. Abílio escrevia quase sempre sobre a burguesia paulistana, da qual era um ilustre representante. Sua familiaridade com a sua própria classe social é um elemento-chave das suas comédias, sob forma de observações críticas pertinentes, pitorescas e comunicativas, mas prejudicadas por um forçado espírito de moralismo, e visando em geral – e freqüentemente com sucesso – a uma repercussão de escândalo, o que condenava a sua dramaturgia a uma evidente superficialidade. Por outro lado, o alcance eminentemente local da sua temática fez com que a maioria das suas peças fosse montada e consumida exclusivamente em São Paulo. Mas Paiol Velho – que teve uma versão cinematográfica intitulada Terra é Sempre Terra e Santa Marta Fabril S. A. – que já nos anos 80 serviu de base a uma minissérie de televisão – contêm qualidades que, se tivessem sido cultivadas e exploradas mais a fundo, poderiam ter conduzido o inegável instinto teatral do autor a resultados de uma dimensão que a sua dramaturgia, apesar da sua momentânea popularidade, não conseguiu alcançar”.

Foi Abílio Pereira de Almeida quem lançou Mazzaroppi; e seus textos, que se destacaram por retratar a hipocrisia da sociedade paulistana (Moral em concordata, 1959; O Sobrado, 1956; e Estranho encontro, 1957, foram um dos melhores filmes brasileiros dos anos 1950.

Infelizmente, por motivos até hoje desconhecidos, Abílio Pereira de Almeida suicida-se no dia 12 de maio de 1977, aos 71 anos de idade, em São Paulo (SP).

Em 2006, ano em que ele completaria cem anos de nascimento, foi homenageado pelo diretor Silnei Siqueira com uma nova montagem de Moral em Concordata.

Filmografia

:: Filmografia como Ator ::

1972 :: Independência ou Morte
1972 :: O Grito (CM)
1954 :: Candinho
1953 :: Sinhá Moça
1952 :: Appassionata
1952 :: Tico-Tico no Fubá
1951 :: Terra é Sempre Terra
1951 :: Ângela
1950 :: Caiçara

:: Filmografia como Diretor ::

1954 – Candinho
1952 – Nadando em Dinheiro
1951 – Sai da Frente
1950 – Ângela

:: Filmografia como Produtor ::

1962 :: Copacabana Palace
1959 :: Moral em concordata
1957 :: Estranho encontro
1956 :: O Sobrado

:: Filmografia como Roteirista ::

1959 :: Moral em concordata

:: Filmografia como Produtor de Decoração ::

1962 :: Copacabana Palace

Bibliografia

Fontes de Referência

Livros:

MICHALSKI, Yan. Abílio Pereira de Almeida. In: __________. Pequena Enciclopédia do teatro Brasileiro Contemporâneo. Material inédito, elaborado em projeto para o CNPq. Rio de Janeiro, 1989.
SILVA NETO, Antonio Leão da. Astros e estrelas do cinema brasileiro. 2. ed. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2010.

Internet:

ITAÚ CULTURAL. http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_teatro/index.cfm?fuseaction=personalidades_biografia&cd_verbete=683
WIKIPEDIA. http://pt.wikipedia.org/wiki/Ab%C3%ADlio_Pereira_de_Almeida

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