Alberto Shatovsky

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Biografia

Sinônimo de “cinema de arte”, conceito que ajudou a popularizar no Rio de Janeiro dos anos 1950, ao fundar as primeiras salas de exibição comercial do Brasil dedicadas com exclusividade a filmes autorais, Alberto Shatovsky vai comemorar seus 80 anos entre os movimentos tridimensionais de “Pina”, de Wim Wenders, nesta quarta-feira. Às 19h, o Estação Vivo Gávea projeta o documentário sobre a coreógrafa alemã numa sessão para convidados. Mais do que uma homenagem ao crítico, exibidor e hoje consultor de programação do Grupo Estação, a projeção será um tributo à evolução da cinefilia no país.

Em 1959, ao fundar com o crítico Ely Azeredo e o divulgador Osvaldo Leite Rocha a Temporada Cinema de Arte Mesbla, no Passeio, Shatovsky tornou-se um pioneiro na difusão de uma linhagem de filmes mais preocupada com a invenção do que com bilheteria.

— Uns cinco meses depois do cinema na Mesbla, no Passeio, Ely, Osvaldo e eu criamos o Alvorada, no Posto 6. Abrimos com “Um homem tem três metros de altura”, com John Cassavetes e Sidney Poitier. Durante muito tempo, íamos regularmente à antiga garagem da Viação Cometa, na Tijuca, resgatar latas de filmes japoneses que chegavam de ônibus de São Paulo, porque só passavam nas salas do bairro da Liberdade, para a colônia nipônica — lembra Shatovsky, cujo aniversário é amanhã.

Cria do Alvorada, Fabiano Canosa, que programou o Cine Paissandu nos anos 1960 e $carreira nos EUA à frente do Public Theatre, em Nova York, diz que o trabalho de Shatovsky revolucionou o padrão nacional de exibição. “Antes do que Shatovsky, Osvaldo e Ely fizeram, os filmes de arte, pouco difundidos pelas distribuidores, eram relegados aos ditos “cinemas poeiras”, salas de segunda categoria. Graças ao Shatovsky e seu Alvorada, os cariocas conheceram cineastas como Kenji Mizoguchi e seu ‘Contos da lua vaga'” — lembra Canosa.

Na quarta, durante a festa no Estação Vivo Gávea, virão à tona recordações de outro marco da cultura cinematográfica carioca: o extinto Cinema 1. Localizado na Avenida Prado Júnior, em Copacabana, ele foi fundado por Shatovsky em 1972, onde antes funcionava o Cine Paris Palace.

“Apenas num sábado, o Cinema 1 contabilizou 3,2 mil pagantes” — conta Shatovsky.

Até 1977, quando se retirou da sala, ele foi responsável por exibições para um público que disputava a tapa cada uma das 600 poltronas do Cinema 1.

Shatovsky orgulha-se de ter projetado clássicos do sueco Ingmar Bergman, como “O sétimo selo”, de 1957, e de ter exibido por dez semanas seguidas “Pele de asno” (1970), do francês Jacques Demy.

“Fizemos do Cinema 1 um reduto para o que hoje seria o cinema independente. Conosco, São Bernardo, de Leon Hirszman, ficou dez semanas em cartaz. Um dia, exibi um filme de um diretor estreante, sobre um caminhoneiro que perseguia um caixeiro viajante. A distribuidora não apostava nele. O filme era “Encurralado”, e o tal estreante era Spielberg. Foi um sucesso” — lembra Shatovsky, que em 1970 dirigiu o documentário “Brasil bom de bola”.

Antes de exibir filmes, Shatovsky apresentou noticiários de rádio sobre o audiovisual, como “Falando de cinema”, da Rádio MEC, produzido por Fernando Torres, com Fernanda Montenegro na locução. “Quando fomos fazer teatro em São Paulo, convidamos o Alberto para o nosso lugar. Ótima escolha. Ele é um animador cultural” — elogia Fernanda. — Alberto vive cinema.

Ely Azeredo diz que Shatovsky analisa o comportamento de seu público: “Apaixonado pela linguagem do cinema, ele tem um olho extraordinário para avaliar em que área da cidade um filme se encaixa melhor”.

Em tempos de download e pirataria, Shatovsky lamenta o sumiço dos jovens das salas: “o cinemão sobrevive, mas o filme independente perde com o ato de baixar filmes, literalmente uma baixaria.”

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