Alexandre Veras

Biografia

FOTO Alexandre VerasAlexandre Veras Costa é um dos maiores influentes na cultura cinematográfica da capital Cearense. Entre outras produções, se destaca por As Vilas Volantes – O Verbo Contra o Vento, um grande documentário sobre as experiências de vida de famílias que vivem em pequenas vilas pesqueiras no Ceará e enfrentam o problema da movimentação das dunas que destroem casas e que acabam reestruturando a geografia do vilarejo onde residem. O documentário mostra, com o depoimento de pessoas que conhecem a vida da vila, a lembrança que o vento não apagou.

Ale, como é conhecido pelos íntimos, começou a se interessar por vídeo no ano de 1988, quando não existiam políticas públicas que favoreciam o segmento audiovisual em Fortaleza. Então a escapatória para as produções, na época, começaram a se concentrar na Casa Amarela, onde eram oferecidos pequenos cursos, mas que não possuíam uma infraestrutura adequada para a produção. Como hoje em dia, a maioria dos equipamentos eram caros, logo se tornavam inacessíveis, mas a tecnologia estava avançando e o uso das câmeras portáteis que filmavam em VHS, mais baratas, começaram a ser utilizadas e auxiliaram largamente no processo de realização das pequenas produções que estavam surgindo.

Os jovens que, então, estudaram na Casa Amarela, após se formarem, não conquistariam, ainda, o espaço desejado no mercado de trabalho, nas produtoras de grandes filmes, e tinham que se concentrar apenas em eventos, causando um grande descontentamento neste grupo de jovens cineastas.

Nesse contexto, em 1988, Violeta Arraes assume a Secretaria da Cultura do Estado do Ceará a qual possuía muito interesse no setor audiovisual. É implementada, então, pela primeira vez, políticas públicas que influenciam o cinema na região, levando professores de outros estados para Fortaleza, com o intuito de ministrarem oficinas de cinema. O plano durou apenas, aproximadamente, sete meses, e não durou muito para que fosse sentida, novamente, a carência de instituições para formação de profissionais na área.

Esse pequeno grupo de interessados no cinema, do qual Alexandre Veras fazia parte, reunido no Ceará queria a criação de um pólo de cinema na região. Foi quando Paulo Linhares, envolvido na criação do Instituto Dragão do Mar, famoso centro cultural de Fortaleza no passado, expôs seu projeto para a criação do pólo do audiovisual dentro deste Instituto. Mas este e outros projetos criados nunca foram concretizados. Era um sonho muito alto de se alcançar e o projeto não saiu do papel.

Logo após estes eventos, iniciou-se um apoio do governo para as produções dentro do Estado, onde todo o processo era facilitado, desde investimentos financeiros até o aluguel de locações, não obstante as produtoras continuassem concentradas, basicamente, nos estados do Rio de Janeiro ou de São Paulo. Esse acontecimento fez com que começasse a borbulhar expectativas de grandes produções. Mas, infelizmente, mais uma vez, essas idealizações não foram concretizadas. Para piorar o contexto, a saída de Paulo Linhares e a entrada de Nilton Melo Almeida na Secretaria da Cultura do Ceará, em 1998, quebrou com todas as expectativas do meio audiovisual no Estado.

Todavia, com a entrada de Silas de Paula na direção do Instituto Dragão do Mar, consegue-se criar um grande avanço para o cinema local. É ele, juntamente com esforços outros, uma das pessoas que fomenta o surgimento do primeiro edital voltado às artes em Fortaleza, e diretamente ligado ao audiovisual.

Cláudia Leitão assume então a Secretaria de Cultura e fecha o instituto do Dragão do Mar, onde continha a única formação continuada voltada ao audiovisual. Alexandre Veras acompanhado de outros interessados, descontentes com a decisão, participa da criação de um projeto de formação que é encaminhado à secretaria da Cultura e aceito, dando início aos primeiro trabalhos na Vila da Artes.

Alexandre atualmente é o coordenador da ONG Alpendre, uma casa cultural situada na Praia de Iracema onde, desde o início (7 de Dezembro de 1999), são mantidos encontros interdisciplinares envolvidos com as artes (dança, cinema, filosofia, etc.). Neste espaço aconteciam diversas manifestações artísticas, num tempo onde pouco se trabalhava a arte e pouco apoio do governo era oferecido. Foi realmente criado com a intenção de estabelecer um agitamento cultural em Fortaleza.

Destaque-se que, para se manter no início de sua criação, o Alpendre produzia diversos vídeos institucionais e de eventos, algo que hoje podem se dar ao luxo de deixar de lado por conta do respaldo que conseguiram alcançar e dos apoios conquistados, até porque vídeos publicitários nunca foram o foco da ONG, mas, numa dada época, foram essencial para a manutenção material do espaço. Entre os anos de 2000 a 2006, cursos de formação eram disponibilizados para a população.

No cenário audiovisual, hoje em dia, Alexandre destaca os trabalhos da produtora Alumbramento, que, de forma parecida com o que ocorreu com o Alpendre, surgiu por esforços de amigos em impulsionar as possibilidades de realização de vídeos e filmes na cidade de Fortaleza e que, atualmente, vem ganhando reconhecimento inclusive mundial por meio de suas produções.

Alexandre também comenta sobre a falta de organização dos interessados do audiovisual para os assuntos públicos relacionados ao cinema em Fortaleza, a falta de grupos unidos com o mesmo ideal. Com a criação do curso de Cinema e Audiovisual da UFC (Universidade Federal do Ceará), a cidade abre novas portas para este universo, criando-se bastantes expectativas para o futuro do audiovisual cearense.

Filmografia

:: Filmografia como Diretor ::

2013 :: Linz – Quando Todos os Acidentes Acontecem
2008 :: O Regresso de Ulisses
2007 :: Marahope 14/07
2005 :: As Vilas Volantes – O Verbo Contra o Vento

:: Filmografia como Montador ::

2000 :: Cebola Cortada

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