Amácio Mazzaropi (1912-1980)

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Biografia

FOTO Amacio Mazzaropi 03Amácio Mazzaropi foi um Ator, humorista, produtor, roteirista e cineasta brasileiro nascido no ano de 1912. Foi o principal responsável pela popularização do humor típico do interior de São Paulo por todo o Brasil.

Filho de Bernardo Mazzaroppi, imigrante italiano e Clara Ferreira, portuguesa, com apenas dois anos de idade sua família muda-se para Taubaté, no interior de São Paulo. O pequeno Amácio Mazzaropi passa longas temporadas no município vizinho de Tremembé, na casa do avô materno, o português João José Ferreira, exímio tocador de viola e dançarino de cana verde. Seu avô também era animador das festas do bairro onde morava, às quais levava seus netos que, já desde cedo, entram em contato com a vida cultural do caipira, que tanto inspirou Mazzaropi.

Em 1919, sua família volta à capital e Mazzaropi ingressa no curso primário do Colégio Amadeu Amaral, no bairro do Belém. Bom aluno, era reconhecido por sua facilidade em decorar poesias e declamá-las, tornando-se o centro das atenções nas festas escolares. Em 1922, morre o avô paterno e a família muda-se novamente para Taubaté, onde abrem um pequeno bar. Mazzaropi continua a interpretar tipos nas atividades escolares e começa a frequentar o mundo circense. Preocupados com o envolvimento do filho com o circo, os pais mandam Amácio aos cuidados do tio Domenico Mazzaroppi em Curitiba, onde trabalha na loja de tecidos da família.

Já com quatorze anos, regressa à capital paulista ainda com o sonho de participar em espetáculos de circo e, finalmente, entra na caravana do Circo La Paz. Nos intervalos do número do faquir, Mazzaropi conta anedotas e causos, ganhando uma pequena gratificação. Sem poder se manter sozinho, em 1929, Mazzaropi volta a Taubaté com os pais, onde começa a trabalhar como tecelão, mas não consegue se manter longe dos palcos e atua numa escola do bairro.

Com a Revolução Constitucionalista de 1932, segue-se uma grande agitação cultural e Mazzaropi estreia em sua primeira peça de teatro, chamada A herança do Padre João. Já em 1935, consegue convencer seus pais a seguir turnê com sua companhia e a atuarem como atores. Até 1945, a Troupe Mazzoropi percorre muitos municípios do interior de São Paulo, mas não há dinheiro para melhorar a estrutura da companhia.

Com a morte da avó materna, Dona Maria Pita Ferreira, Mazzaropi recebe uma herança suficiente para comprar um telhado de zinco para seu pavilhão, podendo assim estrear na capital, com atuações elogiadas por jornais paulistanos. Depois, parte com a companhia em turnê pelo Vale do Paraíba. A grave situação de saúde de seu pai complica a situação financeira da companhia de teatro e, em 8 de novembro de 1944, falece Bernardo Mazzaroppi.

Dias após a morte de seu pai, estreia no Teatro Oberdan ao lado de Nino Nello, sendo ator e diretor da peça Filho de sapateiro, sapateiro deve ser, acolhida com entusiasmo pelo público.

Em 1946, convidado por Dermival Costa Lima (da Rádio Tupi), estreia o programa dominical Rancho Alegre, encenado ao vivo no auditório da rádio no bairro do Sumaré e dirigido por Cassiano Gabus Mendes. Em 1950, este mesmo programa estreou na TV Tupi, mas agora contava com a coadjuvação dos atores João Restiffe e Geny Prado. Mazzaropi tinha um hobby, gostava de cantar Valsa, MPB e Seresta com os seus amigos.

Convidado por Abílio Pereira de Almeida e Franco Zampari, Mazzaropi estreia seu primeiro filme, intitulado Sai da Frente, em 1952, rodado pela Companhia Cinematográfica Vera Cruz, onde filmaria mais duas películas. Com as dificuldades financeiras da Companhia Cinematográfica Vera Cruz, Mazzaropi faz, até 1958, mais cinco filmes por diversas produtoras.

Naquele mesmo ano, vende sua casa e cria a PAM Filmes (Produções Amácio Mazzaropi). O primeiro filme da nova produtora é Chofer de Praça, que agora passa não só a produzir, mas distribuir as películas em todo o Brasil. Em 1959 é convidado por José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o famoso Boni, na época da TV Excelsior de São Paulo, a fazer um programa de variedades que fica no ar até 1962. Neste mesmo ano começa a produzir um de seus filmes mais famosos, o Jeca Tatu (1959), que vai aos cinemas no ano seguinte.

Em 1961, Mazzaropi adquire uma fazenda onde inicia a construção de seu primeiro estúdio de gravação, que produzirá seu primeiro filme em cores, Tristeza do Jeca, que também será o primeiro filme veiculado na televisão pela TV Excelsior e a ganhar prêmios para melhor ator coadjuvante, Genésio

Entre seus filmes, estão ainda O Vendedor de Linguiça (1962), Casinha Pequena (1963) e Meu Japão Brasileiro (1965).

Arruda, e melhor canção.

Cinco anos mais tarde, lança o filme O Corintiano, recorde de bilheteria do cinema nacional. Em 1972, é recebido pelo então Presidente da República, o General Emílio Garrastazu Médici, ao qual pede mais apoio ao cinema brasileiro. Em 1974, roda Portugal… Minha Saudade, com cenas gravadas no Brasil e em Portugal.

No ano seguinte, começa a construir em Taubaté um grande estúdio cinematográfico, oficina de cenografia e um hotel para os atores e técnicos. A partir de então, produz e distribui mais cinco filmes até 1979.

Seu 33º filme, Maria Tomba Homem, nunca seria terminado. Infelizmente, em 1980, depois de 26 dias internado, Mazzaropi morre vítima de um câncer na medula óssea, aos 69 anos de idade, no hospital Albert Einstein de São Paulo. Foi enterrado na cidade de Pindamonhangaba, no mesmo cemitério onde seu pai já repousava. Nunca se casou, mas deixou um filho adotivo, Péricles Mazzaropi.

Em 1994, é inaugurado o Museu Mazzaropi, localizado na mesma propriedade dos antigos estúdios, recolhendo a história da carreira de um dos maiores nomes do cinema, do teatro e da televisão brasileiros. Foi somente na década de 1990 que a cultura brasileira começou a ver de uma outra óptica a obra de Mazzaropi, que durante sua vida sempre foi duramente atacado (ou ignorado) pela crítica e pela intelectualidade.

Filmografia

:: Filmografia como Ator ::

:: Maria Tomba Homem (não concluído)
1980 :: O Jeca e a égua milagrosa
1979 :: A banda das velhas virgens
1978 :: Jeca e seu filho preto
1977 :: Jecão, um Fofoqueiro no Céu
1976 :: Jeca contra o Capeta
1975 :: O Jeca Macumbeiro
1974 :: Portugal… Minha Saudade
1973 :: Um Caipira em Bariloche
1972 :: O Grande Xerife
1971 :: Betão Ronca Ferro
1969 :: No Paraíso das Solteironas
1969 :: Uma pistola para Djeca
1967 :: O Jeca e a Freira
1966 :: O Corintiano
1965 :: O Puritano da Rua Augusta
1965 :: Meu Japão Brasileiro
1964 :: O Lamparina
1963 :: Casinha Pequenina
1962 :: O Vendedor de Lingüiça
1961 :: Tristeza do Jeca
1960 :: Zé do Periquito
1960 :: As Aventuras de Pedro Malasartes
1959 :: Jeca Tatu
1958 :: Chofer de Praça
1957 :: O Noivo da Girafa
1956 :: Fuzileiro do Amor
1956 :: O Gato de Madame
1956 :: Chico Fumaça
1955 :: A carrocinha
1954 :: Candinho
1952 :: Sai da frente
1952 :: Nadando em dinheiro

:: Filmografia como Produtor ::

1978 :: Jeca e seu filho preto
1973 :: Um Caipira em Bariloche

:: Filmografia como Diretor ::

1980 :: Jeca e a égua milagrosa
1973 :: Um Caipira em Bariloche
1960 :: As Aventuras de Pedro Malasartes

:: Filmografia como Roteirista ::

1980 :: Jeca e a égua milagrosa
1973 :: Um Caipira em Bariloche

:: Filmografia como ele mesmo ::

2013 :: Mazzaropi

Bibliografia

Fontes de Referência:

Livros:

. Mazzaropi: a imagem de um caipira. São Paulo: Sesc, 1994.

BUENO, Eva Paulino. O artista do povo: Mazzaropi e Jeca Tatu no cinema do Brasil. Maringá: Editora da Universidade Estadual de Maringá, 1999.

DUARTE, Paulo. Mazzaropi: uma antologia de risos. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.

FRESSATO, Soleni Biscouto. Caipira sim, trouxa não: representações da cultura popular no cinema de Mazzaropi. Salvador: EDUFBA, 2011.

MATOS, Marcela. Sai da Frente! – A Vida e a Obra de Mazzaropi. São Paulo: Desiderata, 2010.

PARAIBUNA, Zé. 100 Anos depois: A História de Mazzaropi. : , .

PEREIRA, Jesana Batista. Mazzaropi em Um Pícaro na pátria de Jeje de Exu. : EDUNIT, .

ROCHA, Glauber. Revisão crítica do cinema brasileiro.

TOLENTINO, Célia Aparecida Ferreira. O Rural no Cinema Brasileiro. São Paulo: Unesp, 2001.

VALVANO, Thaís. O Jeca Coronel, Mazzaropi e a invenção do caipira paulista nas telas do cinema. : Multifoco, .

Internet:

MUSEU MAZZAROPI. Disponível no endereço: http://www.museumazzaropi.com.br/. Acesso em: 28 de set. de 2011.

WIKIPEDIA. Disponível no endereço: http://pt.wikipedia.org/wiki/Amácio_Mazzaropi. Acesso em: 28 de set. de 2011.

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