Andrea Tonacci (1944-2016)

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Biografia

Andrea Tonacci foi um cineasta, produtor e fotógrafo de documentários, ficções e filmes institucionais; um dos pesquisadores mais instigantes da linguagem audiovisual do cinema brasileiro nascido em Roma, na Itália, em 1944. Foi participante do Cinema Marginal, movimento ocorrido no Brasil na década de 70.

Tonacci migrou para o Brasil aos 9 anos de idade. Cursou engenharia e arquitetura, mas largou a faculdade no último ano quando decidiu trabalhar com cinema.

O primeiro curta data de 1965, Olho por Olho, filme que tem jovens zanzando de carro pelas ruas de São Paulo e falando sobre frivolidades.

Como cineasta brasileiro, Andrea Tonacci foi um dos pioneiros na utilização de equipamento de vídeo portátil no Brasil. Um dos pioneiros da linguagem do vídeo no Brasil, registrou shows históricos em São Paulo, como o de Miles Davis no Teatro Municipal, na década de 1970. Nesta mesma década, sua obra se aproxima cada vez mais do cinema documental. Daí nascem os mais famosos filmes de Tonacci, os clássicos do Cinema Marginal, como BlaBlaBlá (1968) e Bang Bang (1971).

Em meio à censura e a ditadura militar, realiza uma de suas obras que cutucam o regime, o curta BlaBlaBlá, de 1968. Nele, o ator Paulo Gracindo faz um ditador demagógico – o filme satiriza o discurso travestido de humanismo que saía da boca dos governantes militares da época.

Um dos marcos do cinema de invenção brasileiro, Bang Bang (1971), também conhecido pelas cenas em que o ator Paulo Cesar Pereio traja uma máscara de macaco. No filme, o ator interpreta um sujeito delirante que foge de tipos excêntricos.

Rodada em Belo Horizonte, a obra insólita pode ser interpretada como alegoria à falta de saídas diante do recrudescimento da ditadura. O filme foi exibido no Festival de Cannes.

Em 1975 dirige Jouez encore, payez encore (Interprete mais, ganhe mais), filmado em VT de meia polegada, preto e branco, e posteriormente ampliado para película em 16mm, durante a excursão internacional da encenação teatral da obra de Calderon de La Barca, Os autos sacramentais, produzida por Ruth Escobar e dirigida por Vitor Garcia em 1974. Em seguida, iniciou suas pesquisas com as culturas indígenas, em filmes como Guaranis do Espírito Santo (1979), Os Arara (1980) e Conversas no Maranhão.

No livro Serras da Desordem (reeditado em 2016 pela Azougue Editorial), o jornalista e cineasta Jairo Ferreira chega a a descrever o longa como um esplendor da forma, um vulcão de criatividade, e o compara a obras como Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha, e a O Bandido da Luz Vermelha, de Rogério Sganzerla.

Tonacci realizou entre 1977 e 1984 uma ampla documentação das culturas indígenas em vários estados brasileiros e em países da América do Sul, além dos Estados Unidos.

Nos anos 1990, dirigiu uma série de curtas e médias-metragens, em que se destacam Bienal Brasil Século XX, Theatro Municipal de São Paulo e Biblioteca Nacional.

Depois de um longo período de gestação, em 2006, lançou seu filme Serras da Desordem, que retoma sua experiência com grupos indígenas. Misturando registro documental e ficção, Serras da Desordem trata do dramático embate entre natureza e civilização e é um dos mais importantes filmes deste século. O filme lhe valeu o Kikito de melhor diretor no Festival de Gramado.

Retomando estudos e materiais realizados em meados da década de 1990 para um filme de ficção chamado Paixões que, por diversos motivos, não chegou a ser concluído. Em 2013, após nove anos sem filmar, Andrea Tonacci lançou seu último longa, Já Visto Jamais Visto, uma reflexão profunda sobre cinema e memória, num trabalho de montagem realizado em parceria com Cristina Amaral.

Para a obra, o italiano revisitou imagens capturadas ao longo de toda sua trajetória: viagens de família, bastidores de filmagens, cenas de suas produções e filmes que nunca chegaram a ser concluídos.

Restaurou 15 horas desse material graças a um edital vencido em 2012, após três tentativas fracassadas de inscrever novos projetos em mecanismos ­de financiamento.

Andrea Tonacci foi homenageado no começo deste ano pelos 50 anos de carreira no Festival de Tiradentes, que exibiu uma retrospectiva de seus filmes e abriu com Serras da Desordem, que havia estreado justamente nessa mostra dez anos antes. Na ocasião, ele contou que tinha pavor da página em branco e de colocar as suas ideias no papel, na forma de roteiro, e comparou o ato de fazer cinema com o xamanismo.

Porque você não está fazendo para o mal do mundo, explicou. Você está querendo para um equilíbrio do mundo. Uma percepção, uma compreensão. E ela não é sua, porque é um ritual público.

Faleceu, aos 72 anos, no dia 16 de dezembro de 2016. Andrea Tonacci lutava contra um câncer de pâncreas descoberto em maio de 2016. Tonacci deixou mulher e filho.

Filmografia

:: Filmografia como Diretor ::

2015 :: Já Visto Jamais Visto
2006 :: Serras da Desordem
1997 :: Biblioteca Nacional
1980 :: Os Arara
1979 :: Guaranis do Espírito Santo
1979 :: Discursos Canelas (Conversas no Maranhão)
1975 :: Jouez encore, payez encore
1971 :: Bang Bang
1968 :: Blablablá
1966 :: Olho por olho

Bibliografia

Livros:

CAETANO, Daniel (Org.). Serras da Desordem. Rio de Janeiro: Azougue Editorial, 2008.
FERREIRA, Jairo. Cinema de Invenção. Rio de Janeiro: Azougue Editorial, 2016.
FERREIRA, Jairo. Cinema de Invenção. : Limiar, 2000.
FERREIRA, Jairo. Cinema de Invenção. : Max Limonad/Embrafilme, 1986.

Internet:

CINEMATECA BRASILEIRA. http://www.cinemateca.gov.br/artigo/nota-de-falecimento-andrea-tonacci-1944-2016

FOLHA. Diretor do cinema marginal, Andrea Tonacci morre aos 72 em São Paulo. Disponível no endereço: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2016/12/1842230-diretor-do-cinema-marginal-andrea-tonacci-morre-em-sao-paulo.shtml

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