Carlos Alberto Prates Correia

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Biografia

Carlos Alberto Prates Correia é um cineasta brasileiro. Nasceu na cidade de Montes Claros, norte de Minas Gerais, em 1941.

Carlos Alberto Prates Correia foi um dos maiores pioneiros de uma certa “retomada” da produção audiovisual no Estado em Belo Horizonte, a partir do final dos anos 60, especialmente com a fundação do Centro Mineiro de Cinema Experimental (Cemice), que se tornou um certo agrupamento de profissionais dispostos a fazer filmes.

Apesar de, em 1966, ter se mudado para o Rio de Janeiro (como tantos outros cineastas daquela época, em busca de melhores oportunidades), Prates nunca deixou de fazer um cinema essencialmente firmado na própria terra, com forte carga poética e dramatúrgica que o tornou autor genuíno dentro do cenário brasileiro.

Carlos Alberto Prates Correia dirigiu seis longas-metragens e dois curtas em 40 anos de carreira. Produção relativamente pequena, mas de grande significado – do que se destaca seu filme mais conhecido e premiado, Cabaret Mineiro, e a elogiada adaptação de Guimarães Rosa Noites do Sertão.

Carlos Alberto cresceu em Montes Claros e se mudou jovem para Belo Horizonte, onde começou a trabalhar como crítico de cinema no jornal Diário de Minas, experiência que durou apenas seis meses. O diretor iniciou sua carreira cinematográfica em 1965, como responsável pela continuidade no longa-metragem O Padre e a Moça, de Joaquim Pedro de Andrade. A película foi filmada em Diamantina e São Gonçalo do Rio das Pedras, no interior de Minas Gerais. Logo após as filmagens, Carlos Alberto fundaria, com outros amigos aficionados por cinema, o CEMICE, Centro Mineiro de Cinema Experimental.
O primeiro filme produzido pelo CEMICE foi o curta-metragem O Milagre de Lourdes, de Carlos Alberto, também em 1965. O filme, passado no bairro da Lagoinha, em Belo Horizonte, contava as peripécias de um padre que, fugindo de uma multidão enfurecida por causa de suas supostas vigarices na venda de uma rifa, vai se refugiar por engano em um bordel. Em 1966, o diretor se mudaria para o Rio de Janeiro, para ficar mais perto dos órgãos de governo responsáveis por fomentar o cinema e dos outros cineastas em atividade, em busca de melhores oportunidades de trabalho. Em 1968 ele dirigiria um dos episódios do filme Os marginais, chamado “Guilherme”, contando no elenco com o ator Paulo José. No ano seguinte trabalharia de novo com Joaquim Pedro de Andrade, como assistente de direção em Macunaíma.

No ano de 1970, realizou o seu primeiro longa, o pouco visto Crioulo Doido, filmado na cidade histórica de Sabará, próxima a Belo Horizonte. O filme foi um dos poucos no cinema brasileiro a ter como protagonista um ator negro, Jorge Coutinho, combinando, como o diretor afirmou em entrevista ao programa “Cadernos de Cinema”, “racismo com ascensão social citando Os Contos da Lua Vaga” (obra-prima do diretor japonês Kenji Mizoguchi). Crioulo Doido narrava o “projeto racista” de Estela e do Amigo da Família para enlouquecer o alfaiate Felisberto (conhecido em sua cidade pelo tino comercial) e tomar o seu dinheiro. Deixando claras as bases do cinema que realizaria nos anos seguintes, Prates produziu a sua Minas Gerais com enquadramentos simples e efetivos, uma fotografia de alto contraste em preto e branco, “decupagem de cinema mudo”, atuações por vezes caricatas, por vezes ternas, enredo picaresco, além de uma trilha sonora irônica, que emergiu desde o início de sua obra como parte constituinte do conjunto audiovisual.

Depois deste filme, Carlos Alberto trabalhou como produtor para Joaquim Pedro, em Os Inconfidentes (1972) e Guerra Conjugal (1974), para Hugo Carvana em Vai trabalhar Vagabundo (1973) e para Carlos Diegues em Quando o carnaval chegar (1972) e Joana Francesa (1975). Em 1976 rodaria o seu segundo longa, Perdida, uma saga popular vivida por uma mulher presa entre o subemprego e a prostituição, filme ganhador de vários prêmios (ver relação de prêmios abaixo). No final da década de 1970 continuaria a trabalhar como produtor, desta vez para Oswaldo Caldeira em Ajuricaba (1977) e novamente para Hugo Carvana em Se Segura Malandro (1978). Em 1978 filmou o curta-metragem Bem atrás da câmera, um semidocumentário sobre o processo de produção no cinema.

Em 1980, dirigiu a película “etílica-musical” (como o próprio Carlos Alberto qualificou) Cabaret Mineiro, fábula estrelada pelo ator Nelson Dantas em suas andanças pelo interior de Minas Gerais com o cantador Antônio Rodrigues, o “amigo americano” interpretado por Helber Rangel e mulheres marcantes, como Salinas (Tamara Taxman) e Avana (Tânia Alves). O imaginário erótico e musical associado ao norte de Minas era temperado pela marujada de Montes Claros, a dança do Grupo Corpo, a literatura de Guimarães Rosa, as modas de Zezinho da Viola, poemas de Drummond, sambas de Noel, a voz e o instrumental de Tavinho Moura, cachoeiras entre as montanhas, aromas de pequi e “os cafés com biscoitos de fogão, broas e bolos de arroz”, em uma combinação irônica e onírica. A idéia do autor, como ele mesmo declarou, era usar a sua “voz cinematográfica” para relembrar as canções que aprendeu na sua juventude em Montes Claros. O filme ganhou os principais prêmios do Festival de Gramado de 1981, entre eles os de Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Fotografia (Murilo Salles), Melhor Ator (Nelson Dantas), Melhor trilha sonora (Tavinho Moura) e Melhor atriz coadjuvante (Tânia Alves). Ganhou ainda o prêmio de Melhor Fotografia no Festival de Brasília.

Após este filme, realizou Noites do Sertão, com a produtora Grupo Novo de Cinema. A película é uma adaptação da novela Buriti, de Guimarães Rosa, publicada no livro Corpo de Baile. O universo roseano foi retratado com grande delicadeza e rigor de enquadramento, com a fidelidade ao livro garantida pela narração de alguns trechos. Para o diretor, o principal problema era não poder transpor para o cinema “o cheiro da terra molhada, das flores” da terra mineira, era não poder concretizer totalmente em filme as suas memórias.

No final da década de 1980, Prates filmou o longa Minas-Texas, sob o pseudônimo de Charles Stone (alcunha dada pelos primos, porque ele “só falava em cinema”), também nome de um personagem que ele mesmo interpretou em Perdida. O enredo girava em torno da relação tumultuada entre a romântica Januária, encarnada por Andréa Beltrão, e o peão de rodeio Roy Pereira, vivido por José Dumont.

Depois de Minas-Texas Carlos Alberto parou de filmar e voltaria a apresentar uma produção própria apenas em 2007, o semidocumentário Castelar e Nelson Dantas no País dos Generais, uma colagem de filmes e depoimentos que faz uma crônica da sua geração de cinéfilos e realizadores mineiros. Dessa vez ele assina seu filme como Carlos Prates, denominação que, segundo o diretor, “gasta menos tinta e é nome de bairro em Belo Horizonte”. Prates declarou ao jornal mineiro O Tempo, na época do lançamento desse balanço de sua carreira, que ainda pode vir a filmar um roteiro inédito, a película A Vida é Morte ou Dinheiro, que teve alguns elementos usados em Castelar. Ele acabou de restaurar e reeditar os seus filmes e uma caixa de DVDs com o resultado deste esforço deverá ser lançada em breve.

Carlos Alberto Prates Correia é um dos mais importantes diretores do cinema praticado no Brasil e construiu uma saga cinematográfica original, informada e criativa, em um movimento transcultural que reinventou, fellinianamente e pratescorreiamente, uma Minas Gerais idiossincrática e fugaz.

Figura reclusa, alheio a entrevistas, badalações e fotografias, Prates raramente falou com a imprensa em todo esse tempo.

Filmografia

:: Filmografia como Diretor ::

1989 :: Minas-Texas
1984 :: Noites do Sertão
1980 :: Cabaret Mineiro
1976 :: Perdida
1970 :: Crioulo doido

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