Carlos Augusto Ribeiro Jr.

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Biografia

Freqüentador eventual do bate-papo na calçada do Café São Luiz, ancoradouro de diálogos felizes, o cineasta Augusto Ribeiro Júnior foi, segundo a boutade do poeta e crítico Jarbas Martins, o grande diretor dos filmes que não fez.

Homem cheio de sonhos e idéias, capaz de nos enredar a todos em sua utopia de criação de uma identidade cultural própria, produziu e dirigiu Boi de Prata, o segundo longa-metragem inteiramente rodado no Rio Grande do Norte.

Suas concepções estéticas, em parte influenciadas pelo cinema marginal dos anos sessenta, resultaram na criação dessa obra inspirada na mundivisão popular sertaneja. Filme alegórico sobre uma viagem interior que termina em sacrifício humano, como a rigor terá sido a própria vida de Augusto, em Boi de Prata ele captou, através de imagens de extraordinária plasticidade, o elemento mítico e fantasmagórico que permeia o imaginário coletivo de um povo fortalecido pela fé. Nesse filme ele alcança uma grandeza misteriosa e quase épica, apesar das afetações canastronas do ator principal, projeto de ator que não deu em nada, por faltar-lhe o principal – talento…

Personalidade lunar e alternante, transcendeu a influência de Glauber Rocha, revelando um cuidado artesanal incomum em produções regionais da época. Embora ainda preso à estética da precariedade, preoconizada pela arte do seu grande mestre, justificou assim o projeto por muito tempo acalentado de criação de um pólo cinematográfico no Rio Grande do Norte, idéia que não mereceu a simpatia dos nossos governantes, sempre perdulários e acríticos em seu apoio a picaretas adventícios.

Augusto morreu há mais de dez anos, no Ceará, quando filmava O Quinze, inspirado no famoso romance de Rachel de Queiroz. Como artista, tinha uma profunda compreensão do fenômeno cultural nordestino e procurou exprimi-lo através de uma sensibilidade que buscava mais do que a cor local—o elemento mítico. Ao contrário de muitos que demagogicamente se lambuzam de populismo, não dez do folclore o ganha-pão da sua arte forjada com inquietante pertinência.

Obcecado pela idéia de filmar Quando a Coluna Passou, de autoria ode Eulício Faria de Lacerda, quis convencer-me a aceitar o papel de Luís Carlos Prestes, que no filme teria a mesma idade que eu tinha na época, trinta e três anos, se não estou enganado. Acabei, dessa forma, sendo apresentado ao famoso cavaleiro da esperança, que aprovou a semelhança física existente entre nós.

Prestes recebeu-nos em seu quarto de hotel, às seis horas da manhã. Impecavelmente vestido, tinha a frescura de quem acabara de sair do banho. Conversamos um pouco sobre o Brasil que se libertava então dos anos de ditadura militar. Eu estava acompanhado de Jarbas Martins e de Salomão Gurgel, responsável pelo contato com o protocomunista, de passagem por Natal.

Durante vários meses, Augusto Ribeiro Júnior trabalhou na confecção do roteiro desse filme, extraído do romance de Eulício, testemunha ocular da história, sobre a passagem da famosa “Coluna Prestes” pelos estados da Paraíba e do Rio Grande do Norte. Apesar do carisma do cineasta, procurei resistir à idéia de tornar-me ator, especialmente porque, segundo exigência do roteiro, eu teria de tirar a roupa para atravessar a nado, em pleno inverno, um rio cheio.

Inquietante em sua capacidade de inventar ou descobrir coisas novas, Augusto pediu-me ainda nessa mesma época de esplêndido convívio e camaradagem que traduzisse um conto de Juan Bosch, ex-presidente da Guatemala, com quem há muito ele andara em negociações visando transformar esse relato tenso e conciso em um filme. Havia na história desse índio que parte em perseguição ao assassino da sua mulher qualquer coisa que me impressionara e que lembrava vagamente a atmosfera de um outro conto que eu traduzira para Exu (1985), uma bonita e bem editada revista patrocinada pela Fundação Casa de Jorge Amado.

Não tivesse Augusto Ribeiro Júnior desaparecido, numa idade em que o homem alcança a maturidade necessária à realização de uma obra perdurável, e o Rio Grande do Norte teria encontrado enfim o seu grande realizador no âmbito do cinema. Ou melhor, um criador que, partindo de uma herança comum, dispõe de uma linguagem capaz de traduzir apaixonadamente a experiência em termos universais.

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