Cinema Icaraí – Niterói – RJ

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Cinema Icarai - 1946

Retombado, pelo Governador do Estado, o Cinema Icaraí (c.1956) em Niterói-RJ. Tombado em 2001, e destombado em 2006 pela Câmara de Vereadores, a obra – em estilo Art Déco – conforma, com a atual Reitoria da UFF – antigo Cassino Hotel Balneário Icarahy –, um importante conjunto arquitetônico. Com quatro pavimentos, o edifício abriga apartamentos residenciais e a sala de exibição, para 811 espectadores.

O projeto original do Cassino (c.1939) é do arquiteto Luiz Fossati que também assinou o famoso Trampolim da Praia de Icaraí (1936-37), em concreto armado, e o Cassino Hotel Quitandinha, em Petrópolis (a.1940).

Construído na década de 30 quando o Cassino Icaraí ainda funcionava, o Cinema Icaraí sempre foi uma referência na minha vida. Todas as vezes que passava pela Praia de Icaraí de ônibus voltando da escola lembrava-me de conferir que filme estava passando.

Encontrei essa foto acima de 1946 quando o cinema era ainda jovem com menos de dez anos de construído, o ano em que o Presidente Dutra resolvera fechar os Cassinos no Brasil deixando desempregados centenas de músicos e cantores.

Reparem à direita da foto que o Edifício Álvares de Azevedo, na esquina desta rua com a praia, ainda estava na fundação.

Fiquei curioso a respeito do que estava passavando na época e dei uma pesquisada. Trata-se do filme Devoção, de Curtis Bernhardt com Ida Lupino e Olivia de Haviland. Abaixo o pôster usado na publicidade do filme.

Desde agosto de 1907, funcionava ao ar livre no Jardim Icaraí, hoje praça Getúlio Vargas, o Cinematógrapho Icarahy, que utilizava energia elétrica cedida gratuitamente da Cia. Cantareira e Viação Fluminense.

Em 30 de setembro de 1916 em uma bem montada casa no local do atual Cinema Icaraí começaram as exibições – com os filmes “O crime da meia noite” e “Uma causa célebre”.

O prédio atual foi construído nas décadas de 30/40 dá seguimento à tradição de exibições de filmes no local. Ele compõe um importante reduto artístico da cidade inserido na vida cultural de Niterói juntamente com a Reitoria da UFF, que abriga o Centro de Artes (Galeria de Arte, Fotografia, Espaço Livre, Cinema, Orquestra Sinfônica Nacional e Teatro).

É um dos últimos prédios em nossa cidade com traços da influência da arquitetura Art Déco, muito utilizado nos tempos áureos do cinema americano de Hollywood, além de testemunhar o desenvolvimento urbano de Niterói.

O Cinema Icaraí é testemunha da construção de uma capital cultural e política para o Estado do Rio de Janeiro e marca arquitetonicamente essa história.

Considerando ainda a afeição que os niteroienses, de diversas gerações, possuem pelo Cine Icaraí, o município através da Lei 1838/2001 promove o seu tombamento, preservando-se assim definitivamente a sua condição, uso e a Praça Getúlio Vargas acima citada.

Foto do Cinema Icarai - 2008

No entanto, em 2005, o Conselho Municipal de Proteção do Patrimônio Cultural – CMPC – em reunião com representantes do Grupo Severiano Ribeiro, proprietário do imóvel e do cinema á época, toma ciência de que este não deseja mais manter o cinema aberto por questões comerciais, em especial a disputa com os espaços de cinema Multiplex.

Nesse sentido, em negociação, o CMPC flexibilizou o interior do prédio de modo a permitir a construção de mais salas, tornando o cinema viável economicamente.

Mas mesmo assim, a graças ao lobby da indústria imobiliária, deixando de fora o CMPC das decisões, foi promulgada a Lei 2381, em agosto de 2006, que “destomba” parcialmente o Cinema Icaraí ao preservar apenas a fachada frontal do prédio e permite a construção de um edifício de 14 andares de apartamentos, o que desfigura o prédio, além disso, passa a entender como cultura lan house e outros tipos de lojas.

A Prefeitura Municipal de Niterói vetou o Projeto de Lei de destombamento e o Conselho Municipal de Patrimônio Cultural deu parecer unânime o contrário.

Porém, a Câmara de Vereadores derrubou o veto do prefeito.

Desde então, os moradores do município têm realizado manifestações públicas em defesa do Cine Icaraí. Já são mais de oito mil assinaturas e praticamente todas as entidades do movimento social organizado estão nessa luta, o que demonstra uma vontade pública de ter de volta, sem descaracterização arquitetônica, o Cine Icaraí.

Mais do que isso, o Cine Icaraí é em nossa cidade um patrimônio cultural integral, entendido pelo valor arquitetônico e pelo seu uso como cinema. É a síntese de patrimônio imaterial e material, onde um enriquece e dá significado ao outro.

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