Cinema São Luiz – Juiz de Fora – MG

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Histórico

O Cinema São Luiz, mais conhecido como Cine São Luiz, foi uma importante sala de cinema de rua da cidade de Juiz de Fora (MG), localizado na parte baixa da rua Halfeld, número 213. Funcionou entre os anos de 1959 a 2007. Em sua fase final, como sala de exibição, ficou mais conhecido como o cinema pornográfico da cidade.

Em 1959, com capacidade de 816 espectadores, foi inaugurado o Cinema São Luiz, onde eram exibidos grandes lançamentos nacionais da sétima arte. Na década de 1980, porém, a sala tornou-se um reduto de produções pornográficas e a cidade perdeu mais um belo espaço de lazer e cultura. O prédio onde abrigava o Cinema São Luiz, na verdade, é mais antigo do que a própria atividade cinematográfica a em que funcionava no local.

Tombado pelo patrimônio histórico, seu alvará de construção foi emitido em 1937, e seu proprietário era Luiz Cristóvão Dias. No ano de 1954, a Companhia Central de Diversões entra com projeto de modificação no primeiro andar do prédio, utilizado anteriormente como lojas comerciais, transformando-se definitivamente em cinema; sendo aprovado na data 14 de julho do mesmo ano. A prefeitura concede o habite-se à nova atividade no dia 07 de janeiro de 1955.

O Cinema São Luiz ficava situado na rua Halfeld, número 213-A e 213-B. Antigamente, era freqüentado pela alta sociedade juizforana e exibiu várias mostras de cinema-arte.

No dia 30 de julho de 1975, a Companhia Cinematográfica Franco-Brasileira, empresa sediada no Rio de Janeiro, que possuia e administrava outros cinemas na cidade (como o Cinema Excelsior), compra o imóvel pelo valor de 400.000 cruzeiros dos proprietários Maria Amélia Lamas Dias, Maria de Lourdes Cristovão Guimarães, Gabriel Ribeiro Guimarães, Erothides Dias Ladeira e Mario Hugo Ladeira.

O cinema possuía um único piso com 816 poltronas revestidas a couro legítimo, mantendo a sua decoração original. A prefeitura declarou o tombamento do prédio do edifício do Cinema São Luiz no dia 06 de julho de 1999, colocando-o como um importante elemento arquitetônico do complexo compreendido em torno da Praça da Estação. Todas as construções edificadas entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX, montam um cenário em que a história tem continuidade nas décadas posteriores, até os anos 40, com construções Art-Déco. O estilo Art-Déco de sua construção negava a utilização exagerada da ornamentação, sustentando massas puras e limpas de concreto. A racionalidade das formas, refletida no emprego das linhas geometrizadas é sua característica mais marcante. Nota-se uma influência da cultura indígena na Praça João Penido, conhecida como Praça da Estação, a linguagem Déco é contada desde os primeiros edifícios ecléticos, refletindo a evolução pela qual passou a cidade naquele período de tempo. O edifício do Cinema São Luiz, apesar de não pertencer ao ecletismo, como na maioria das construções da praça, é peça fundamental no conjunto desses monumentos, pois mantém a mesma linguagem característica de suas arquiteturas: ascendência provocada pela utilização dos diversos elementos verticais (o que amplia sua perspectiva e acentua sua monumentalidade); a manutenção do sistema na composição, permitindo perfeita harmonia de proporções; a divisão vertical em segmentos realizada não mais por elementos ornamentais, mas pelo próprio volume da construção; e, finalmente, o destaque dado ao segmento central (através da utilização de balcões curvos – projetados em balanço) e o respeito ao esquema tradicional de implantação (com as paredes laterais sobre os limites do lote e fachada alinhada à via pública).

A partir de meados da década de 1980, o cinema começou a passar somente filmes de gênero erótico e pornográfico, chegando a passar inclusive alguns clássicos do gênero pornô como: Império dos sentidos; Garganta profunda, Coisas eróticas e Contos eróticos. Nesta sua fase decadente, o horário de funcionamento era de 14h30 às 20h.

O número de empregados, ao final de sua vida como sala exibidora, era de apenas seis funcionários. Segundo um ex-gerente do cinema, apesar de tudo ele dava lucro mesmo não tendo grande número de freqüentadores.

Bibliografia

:: Referências Bibliográficas ::

Livros:

MUSSE, Christina Ferraz; AVELAR NETO, Gilberto Faúla; HENRIQUES, Rosali Maria Nunes. Os Cinemas de Rua de Juiz de Fora: memórias do Cine São Luiz. Juiz de Fora: Funalfa, 2017.
NICOLINE, Humberto. JF Anos 80: fotografias. Juiz de Fora: Edições Funalfa, 2009.

Internet:

BLOG MARIA DO RESGUARDO. http://www.mariadoresguardo.com.br
FAÚLA, Gilberto. A inauguração do Cinema São Luiz. Disponível em: https://pesquisafacomufjf.wordpress.com/2015/11/04/a-inauguracao-do-cinema-sao-luiz/. Acesso em: 29 nov. 2015.
PERRONE, Ronald. Especial Don Siegel #7: Rebelião no presídio. Disponível em: https://demmentia.wordpress.com/2015/03/31/especial-don-siegel-7-rebeliao-no-presidio-riot-in-cell-block-11-1954/. Acesso em: 03 nov. 2015.

Artigos Científicos:

FERRAZ, Thalita. Construção de sociabilidades e memória na Tijuca: o caso dos extintos cinemas da Praça Saens Peña e as atuais formas de espectação cinematográfica no bairro. 6º Congresso SOPCOM. Rio de Janeiro, 2009.

Monografias:

AVELAR NETO, Gilberto Faúla. Sociabilidade e imaginário urbano de Juiz de Fora: um olhar sobre o Cinema São Luiz. 2016. 115 f. Monografia (Bacharelado em Comunicação Social) – Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, 2016.

Jornais e Periódicos:

DIARIO MERCANTIL. Entregue ao público mais uma moderna casa de projeções. Jornal Diário Mercantil. Juiz de Fora, 17 jul. 1955, p. 07.
_______. Longas discussões sobre o caso dos cinemas. Jornal Diário Mercantil. Juiz de Fora, 27 maio 1955, p.1.

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Sobre Franco Groia

Criador e Editor do Portal História do Cinema Brasileiro. Professor Universitário na Univerdade Salgado de Oliveira (UNIVERSO) - Campus Juiz de Fora (MG). Pesquisador Cinema Brasileiro, espectação e mercado audiovisual. email: francogroia@gmail.com