Cinematográfica Maristela

Compartilhe em suas Redes Sociais!
  • Twitter
  • Facebook
  • email
  • Google Reader
  • LinkedIn
  • BlinkList
  • Google Bookmarks
  • MSN Reporter
  • Myspace
  • Posterous
  • Tumblr
  • More
Print Friendly, PDF & Email

Histórico

A Companhia surgiu em 1950 a partir do empreendedorismo de Mário Audrá Junior, o Marinho, filho de uma rica família paulistana, do ramo da indústria têxtil, que sonhava em ser um produtor de cinema naqueles anos em que o neorrealismo italiano seduzia as plateias em todo o mundo.

A Cinematográfica Maristela foi criada em São Paulo em 1950, tendo à frente o produtor Mário Audrá (filho de um industrial) e num contexto de uma grande cidade latina do pós-guerra, impulsionada pela indústria, vivendo um intenso e definitivo movimento cultural em vários setores. Mário Audrá tinha como companheiros de projeto nomes como Ruggero Jacobi, Carlos Alberto Porto e Mario Civelli.

Por força do hábito (do preconceito), a Maristela ficou bem conhecida nos meios do cinema como a prima-menor da Vera Cruz, a produtora que de certo modo seguia o modelo industrial hollywoodiano. A Vera Cruz produziu e durou mais. Mas a Maristela tem uma produção que é uma ilha fértil na história do cinema brasileiro. Seus estúdios se localizavam no bairro de Jaçanã e lá atuaram centenas de atores e técnicos, nomes como Alberto Cavalcanti rodando o seu primeiro filme no Brasil; Procópio Ferreira, Ana Esmeralda, Henriette Morineau, os fotógrafos, os diretores Ruggero Jacobi (sócio da empresa), Tonia Carrero, Odete Lara, Jayme Costa, Nydia Licia.

A propósito de todo empenho, obstáculos, sucessos e fracassos, a Maristela ainda tem muito o que ensinar. Claro que a partir de seus filmes, mas também de sua história, lembrada numa frase conclusiva pelo próprio produtor Mário Audrá em seu livro Memórias de um Produtor: “Com o sucesso da Maristela, volto a afirmar, o cinema brasileiro teria tomado outros rumos. Embora esteja minha insistente afirmativa possa parecer pretensiosa, a verdade é que ela está fundamentalmente baseada em fatos concretos. O sucesso da Maristela em sua primeira fase iria incentivar os produtores independentes a realizarem seus filmes em nossos estúdios, e assim certamente eliminaria uma praga que sempre existiu no cinema brasileiro e que perdura até hoje, sem cuja superação o cinema jamais terá uma existência autosustentada, a descaracterização da função do produtor”.

A Maristela realizou ainda filmes de talentos como Nelson Pereira dos Santos, Luiz Sérgio Person e Roberto Santos. Durou apenas oito anos, mas deixou um legado que está sendo retomado não só com essa retrospectiva, mas novos projetos, inclusive de produções.

Recentemente seus filmes foram restaurados e em cópias novas. A Maristela ficou marcada por realizar filmes que nem eram extremamente soltos como na chanchada nem deliberadamente voltados para a sofisticação, como se reconhece na história da Vera Cruz. E deixou um patrimônio e um conhecimento. Abaixo, sinopses e horários de exibição dos filmes.

Filmes Produzidos

Presença de Anita (Ruggero Jacobi, 1950).
Estrelando as atrizes Antoinette Morineau (filha) e Henriette Morineau (mãe), é um drama psicológico baseado no mesmo livro de Mário Donato que também foi adaptado posteriormente na minissérie da Rede Globo, com Mel Lisboa.

Suzana e o Presidente (Ruggero Jacobi, 1950).
Comédia romântica cuja trama gira ao redor de moças que trabalham fora de casa numa época em que isso ainda era algo pouco frequente. O filme ainda traz imagens raríssimas do jogador da seleção brasileira de futebol e inventor da “bicicleta”, Leonidas da Silva, o “Diamante Negro”.

Meu destino é pecar (Manuel Peluffo, 1951).
Primeira adaptação para o cinema de uma obra do dramaturgo Nelson Rodrigues, esse filme leva às telas o folhetim em que ele assinava com o pseudônimo Suzana Flag. O filme foi uma co-produção internacional com o México, sendo dirigido por um diretor mexicano.

O Comprador de fazendas (Alberto Pieralisi, 1951)
Adaptação de um conto de Monteiro Lobato que traz como protagonista o grande astro Procópio Ferreira. A música da trilha-sonora foi composta pelo rei do baião, Luiz Gonzaga, que a interpreta no filme.

Simão, o caolho (Alberto Cavalcanti, 1952).
Primeiro filme dirigido no Brasil pelo grande diretor Alberto Cavalcanti, o único brasileiro que possuía renome no cinema internacional por sua participação nos movimentos do cinema poético francês e no documentarismo inglês. Trata-se de uma comédia de costumes misturada com sátira política que se tornou um clássico do cinema brasileiro. Estrelado pelo grande cômico Mesquitinha.

Mãos sangrentas (Carlos Hugo Christensen, 1955)
Co-produção com Argentina e México dirigido pelo argentino Carlos Hugo Christensen, que realizou outros importantes filmes no país. Trata-se da dramatização da fuga real de detentos do presídio da Ilha de Anchieta, ao largo de Ubatuba. O filme provocou grande impacto por seu realismo e violência, sendo exibido no prestigiado Festival de Veneza. No elenco, a atriz Tônia Carreiro no auge de sua beleza.

Quem matou Anabela? (Didier Hamza, 1956)
Em uma trama no estilo dos romances de Agatha Christie, um policial tenta desvendar a morte da belíssima Anabela interrogando os diversos moradores de uma pensão. O filme estrela a atriz e dançarina Ana Esmeralda, que desempenha diferentes versões para a personagem principal. Esse longa-metragem também marca o único encontro nas telas entre os astros Procópio Ferreira e Jaime Costa.

A Pensão de Dona Stela (Alfredo Palácios, Ference Fekete, 1956)
Comédia musical baseada em peça de grande sucesso que se revela uma verdadeira e deliciosa chanchada paulista. Ao invés do samba de compositores cariocas, destacam-se as composições do mestre Adoniran Barbosa, que atua também como ator.

Getúlio, glória e drama de um povo (Mário Audrá Jr., 1956)
Documentário que se utiliza de imagens de arquivo para contar a trajetória pessoal e política de Getúlio Vargas pouco após o seu trágico suicídio. Valioso documento histórico que revela o fascínio provocado pelo “pai dos pobres” e que esse filme retratou em seu auge.

Arara vermelha (Tom Payne, 1957)
Baseado em romance de José Mauro Vasconcelos, é um drama violento e realista em que fugitivos lutam pela posse de uma pedra preciosa. Filmado em locações reais em aldeias indígenas, o longa-metragem traz no elenco os astros Anselmo Duarte e Odete Lara.

Casei-me com um xavante (Alfredo Palácios, 1957).
Homem branco sobrevive a acidente aéreo no Alto Xingu e acaba indo viver junto aos índios. Uma expedição vai resgatá-lo, resultando em cenas divertidas e muitas risadas. O futuro diretor Luis Sérgio Person colaborou no roteiro e participa como ator.

Vou te contá (Alfredo Palácios, 1958)
Comédia popular realizada no último ano de vida da Maristela que conta com a presença do músico Chocolate. A história se passa numa boate muito original, dando origem a cenas hilariantes e obviamente a muitas músicas. Filme essencial para o estudo da “chanchada paulista”.

O canto do mar (Alberto Cavalcanti, 1953)
No litoral nordestino, que acolhe migrantes do sertão à espera de viagem para o Sul, o drama de uma família em desestruturação devido a problemas financeiros e psicológicos motivados pela miséria.

A Mulher de verdade (Alberto Cavalcanti, 1954)
Uma enfermeira se passa por solteira quando na verdade leva uma vida dupla e é casada com dois homens, um pobre e outro rico. No elenco o comediante Colé.

O Cinema Nacional em Marcha (Jacques Deheinzelin, 1951)
Documentário que retrata uma visita aos estúdios da Cinematográfica Maristela, desvendando para o público os mistérios que envolvem a realização de um filme. São mostrados os equipamentos de fotografia e som, os depósitos de negativos, a produção dos cenários, os sets de filmagens, os camarins e salas de maquiagens, até os escritórios e a sala de projeção.

Ana (Alex Viany, 1955)
Escrito por Jorge Amado, o filme trata da migração de retirantes nordestinos e a exploração a que eles estão sujeitos através de história de Ana, que viaja num pau-de-arara em busca de uma vida melhor.

Bibliografia

Livros:

AUDRÁ, Mário. Memórias de um Produtor.

BARRO, Máximo. Caminhos e Descaminhos do Cinema Paulista a Década de 50. São Paulo: Centro Pesquisadores de Cinema, 1997.

Internet:

BRASILIAGENDA. http://www.brasiliagenda.com.br/control/noticia_detalhe.php?not_id=925

Compartilhe em suas Redes Sociais!
  • Twitter
  • Facebook
  • email
  • Google Reader
  • LinkedIn
  • BlinkList
  • Google Bookmarks
  • MSN Reporter
  • Myspace
  • Posterous
  • Tumblr
  • More

Sobre História do Cinema Brasileiro

Site do História do Cinema Brasileiro.