Darcy Ribeiro (1922-1997)

Compartilhe em suas Redes Sociais!
  • Twitter
  • Facebook
  • email
  • Google Reader
  • LinkedIn
  • BlinkList
  • Google Bookmarks
  • MSN Reporter
  • Myspace
  • Posterous
  • Tumblr
  • More
Print Friendly, PDF & Email

Biografia

Darcy Ribeiro foi um antropólogo, escritor e político brasileiro nascido na cidade de Montes Claros (MG) no dia 26 de outubro de 1922. É conhecido por seu foco em relação aos índios e à educação no país. Faleceu em Brasília no dia 17 de fevereiro de 1997.

Darcy Ribeiro nasceu em Montes Claros, cidade ao norte de Minas Gerais, filho de Reginaldo Ribeiro dos Santos e de Josefina Augusta da Silveira Ribeiro. Cursou a Faculdade de Medicina de Belo Horizonte entre 1939 e 1943. Nesse período, iniciou militância no Partido Comunista Brasileiro, então Partido Comunista do Brasil, militância da qual se afastaria nos anos seguintes.

Em 1944, matriculou-se na Escola de Sociologia e Política de São Paulo, por onde se graduou em 1946, com especialização em Etnologia. Nesse período, conheceu a romena Berta Gleiser, com quem esteve casado de 1948 até 1975. Ingressou no Serviço de Proteção aos Índios (SPI) em 1947, onde conheceu e colaborou com Cândido Mariano da Silva Rondon (Marechal Rondon), então presidente do Conselho Nacional de Proteção ao Índio. Como parte de suas atividades nesse órgão, passou longos períodos entre comunidades indígenas, como os índios Kadiwéu, no sul do Mato Grosso, e os índios Urubu-Kaapor, na floresta amazônica. Essas expedições renderam diversos livros e artigos, entre eles o livro Religião e Mitologia Kadiwéu, que lhe valeu o Prêmio Fábio Prado, concedido pela União de Literatura de São Paulo em 1950. Assumiu a direção da Seção de Estudos do SPI em 1952, com apoio do Marechal Rondon. Por sua iniciativa foi inaugurado, em 1953, o Museu do Índio, reconhecido pela UNESCO como o primeiro museu do mundo com objetivo de quebrar o preconceito contra o indígena e de difundir sua cultura. Nesse museu organizou, em 1955, o primeiro curso de pós-graduação em antropologia cultural realizado no Brasil. Em parceira com os irmãos Orlando e Claudio Villas-Boas elaborou o projeto de criação do Parque Indígena do Xingu.

Entre os anos 1953 e 1955, lecionou etnologia brasileira na Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas. Em 1956, Darcy pediu exoneração do SPI alegando, em seu pedido, e em cartas escritas aos amigos, não poder compactuar com os escândalos a que o órgão estava sendo acusado e a inoperância do governo para moralizá-lo. Em 1954, a convite da Organização Internacional do Trabalho (OIT), viajou a Genebra para colaborar como especialista em estudo sobre os povos indígenas de todo o mundo. No ano seguinte, passou a integrar equipe responsável pela elaboração das diretrizes do setor educacional do governo federal do presidente Juscelino Kubitschek. Nessa tarefa, atuou em proximidade com o pedagogo Anísio Teixeira, que iria designá-lo para chefe da Divisão de Estudos Sociais do Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais, em 1957. Nessa época, integrava também o corpo docente da Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil (atual Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro), onde era responsável pelas cadeiras de etnologia brasileira e língua tupi-guarani.

Em 1959, através de decreto presidencial, foi encarregado de coordenar o projeto da Universidade de Brasília. Foi seu primeiro reitor, em 1961. Tornou-se, em seguida, ministro da Educação no governo João Goulart e logo depois chefe do Gabinete Civil da Presidência da República. Com o movimento político-militar que depôs o presidente da República em abril de 1964, foi destituído de seus direitos políticos e demitido de seu cargo de professor da Universidade do Brasil pelo Ato Institucional nº 1 (AI-1).

Nos primeiros dias de abril, Darcy deixou o Brasil, exilando-se no Uruguai. Nesse país, lecionou antropologia na Universidade da República Oriental do Uruguai, em Montevidéu, até 1968. Também desenvolveu uma série de trabalhos relacionados com o sistema universitário, como o Seminário de Reforma da Universidade da República e a organização da Enciclopédia de Cultura do Uruguai. Ainda em 1968, Darcy Ribeiro retornou ao Brasil, atraído pela anulação pelo Supremo Tribunal Federal dos processos judiciais que lhe eram movidos. No entanto, com a edição do Ato Institucional nº 5, em 13 de dezembro, Darcy Ribeiro foi preso e indiciado sob a acusação de infringir a Lei de Segurança Nacional. Permaneceu detido em unidade da Marinha até setembro do ano seguinte, quando afinal foi julgado, absolvido e aconselhado a retirar-se novamente do país.

Saindo do país, fixou-se em Caracas, na Venezuela. Além de lecionar, passou a organizar o projeto de reforma da Universidade Central da República. Durante o ano de 1971, a convite do Presidente Salvador Allende, colaborou também com o governo da Unidade Popular, no Chile, onde também trabalhou como pesquisador do Instituto de Estudos Internacionais da Universidade do Chile. Transferiu-se para Lima, Peru, onde trabalhou em um projeto financiado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) até 1974, quando, com a iminência do término do contrato, dirigiu-se à Universidade do Porto, em Portugal, para negociar uma oportunidade de trabalho. Seguiu para Paris, onde tinha compromissos, e foi internado em clínica para tratamento de saúde. O diagnóstico – um tumor cancerígeno pulmonar – favoreceu a sua entrada no Brasil para a operação cirúrgica de emergência, onde permaneceu durante seis meses sob vigilância policial, até maio de 1975.

Em seguida, retornou ao Peru para finalizar suas atividades no projeto financiado pela OIT.Em 1976, retornou definitivamente ao Brasil, fixando-se no Rio de Janeiro. Nesse período, participou da XXIX Reunião Anual da SBPC, onde analisou o sistema educacional brasileiro e fez duras críticas ao Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral). Em sucessivas conferências a universidades brasileiras, denunciava como “falsa” a proposta de emancipação dos índios defendida pelo governo militar.

Em agosto de 1979, a Lei de Anistia favoreceu que ele fosse reintegrado ao Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde assumiu o cargo de diretor-adjunto do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais. Ainda esse ano, foi eleito membro do Conselho Diretor da Faculdade Latino Americana de Ciências Sociais (FLACSO) e recebeu, na Universidade de Paris V – Sorbonne, o título de Doutor Honoris Causa. Esse título lhe seria concedido por diversas outras universidades na Dinamarca, Uruguai, Venezuela e no Brasil.

Em 1980, ao lado de Leonel Brizola, ex-governador do Rio Grande do Sul, Darcy Ribeiro participou das articulações para a reorganização do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), partido do qual se aproximou na década de 1950. Perderam a legenda para Yara Vargas, que também a disputava e fundaram o Partido Democrático Trabalhista (PDT). Neste ano participou do Tribunal Russel, na Holanda, dedicado a julgar crimes cometidos contra os índios na América Latina, onde dedicou severas críticas à direção da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), órgão que sucedeu o SPI. Nesse período, casou-se com Cláudia Zarvos, com quem viveu por dez anos.

Em 1983, retornou à vida pública no estado do Rio de Janeiro, no governo de Leonel Brizola, acumulando as funções de vice-governador, Secretário de Ciência e Cultura, presidente da Fundação de Amparo às Pesquisas do Estado do Rio de Janeiro, presidente da Comissão Coordenadora de Educação e Cultura e chanceler da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Na Secretaria de Ciência e Cultura, formulou e coordenou a construção do Sambódromo, a criação da Casa França-Brasil e da Casa de Cultura Laura Alvim, bem como a reforma e o tombamento da Fundição Progresso, transformada em espaço cultural. No campo da preservação, promoveu o maior número de tombamentos de toda a história do Instituto de Preservação Estadual, incluindo aí bens móveis, imóveis e espaços naturais. O projeto mais ambicioso, no entanto, e ao qual a figura de ambos – Leonel Brizola e Darcy Ribeiro – ficaria definitivamente associada foi a criação dos Centros Integrados de Educação Pública (CIEPS). Ao todo, as duas gestões em que atuaram (1983-1986; 1991-1994) deixaram 506 escolas projetadas por Oscar Niemeyer.

Em 1987, logo após a derrota nas eleições para a qual concorreu como candidato a governador do estado do Rio de Janeiro, assumiu a Secretaria Extraordinária de Desenvolvimento Social do Estado de Minas Gerais, a convite do governador Newton Cardoso. Ao ser empossado no cargo, declarou que sua principal meta era a construção de mil CIEPs em todo o estado, ao longo dos quatro anos de governo. Em setembro do ano seguinte, no entanto, abandonou o cargo acusando o governo mineiro de não levar a sério o programa educacional, e passou a colaborar com o projeto cultural do Memorial da América Latina, em São Paulo, inaugurado em janeiro de 1989. Em outubro de 1990, foi eleito senador pelo Rio de Janeiro, na legenda do Partido Democrático Trabalhista.

Ao lado de sua atividade como senador, colaborou com a segunda administração de Leonel Brizola no estado do Rio de Janeiro, então reconduzido ao governo. Licenciou-se da função legislativa para assumir durante um período a Secretaria Estadual Extraordinária de Programas Especiais, que deu continuidade ao Programa Especial de Educação iniciado no governo anterior.

Suas ideias de identidade latino-americana influenciaram vários estudiosos latino-americanos posteriores. Como Ministro da Educação do Brasil realizou profundas reformas que o levou a ser convidado a participar de reformas universitárias no Chile, Peru, Venezuela, México e Uruguai, depois de deixar o Brasil devido ao golpe militar de 1964.

Falar de Darcy Ribeiro apenas como educador seria insuficiente. A proliferação de ideias e o ímpeto para concretizar projetos fizeram dele mais do que um intelectual, um realizador.

Darcy começa sua vida profissional como antropólogo do Serviço de Proteção aos Índios, onde cria o Museu do Índio e, em parceria com os irmãos Villas-Boas, formula o Parque Indígena do Xingu. No mesmo período, conhece e se casa com Berta Gleizer, que se tornaria uma grande parceira intelectual. Posteriormente, ingressa na área educacional e formula o projeto de criação da Universidade de Brasília.

Sua trajetória sempre esteve próxima às lideranças dos Governos, o que tornou inevitável seu ingresso na vida política: foi ministro da Educação e ministro-chefe da Casa Civil durante o governo de João Goulart; vice-governador do Rio de Janeiro em 1982, secretário de Cultura e coordenador do Programa Especial de Educação; Senador da República de 1991 até sua morte, em 1997.

Durante seu exílio em diversos países da América Latina atuou como pesquisador, professor e reformador de universidades. Nesse período, iniciou uma intensa produção de livros que o transformou em um dos imortais da Academia Brasileira de Letras (ABL), onde viria a ocupar a cadeira 11 em 1993. Nos últimos anos de vida surpreendeu com sua produção de poemas.

Sua produção na área da educação e da cultura deixou marcas no país: criou universidades, centros culturais e uma nova proposta educativa com os Centros Integrados de Educação Pública, os Cieps, além de deixar inúmeras obras traduzidas para diversos idiomas.

Como senador, seu principal projeto foi a elaboração da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, batizada como Lei Darcy Ribeiro. Foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras em 1992, ocupando a cadeira de nº 11. Em 1996, já gravemente doente, buscou realizar projetos aos quais vinha se dedicando há muitos anos e criou a Fundação Darcy Ribeiro com objetivo de garantir-lhes continuidade.

Além de antropólogo e político, era também escritor. Manteve colunas no Jornal do Brasil e no Estado de São Paulo. Publicou dezenas de artigos em revistas acadêmicas e livros sucessivamente reeditados em diversos idiomas. Darcy Ribeiro faleceu em 17 de fevereiro de 1997.

Publicações

Etnologia:
Culturas e línguas indígenas do Brasil. : , 1957.
Arte plumária dos índios Kaapo. : , 1957.
A política indigenista brasileira. : , 1962.
Os índios e a civilização. Petrópolis: Vozes, 1970.
Uira sai à procura de Deus. : , 1974.
Uirá sai à procura de Deus: Ensaios de Etnologia e Indigenismo. São Paulo: Global Editora, 2016.
Configurações histórico-culturais dos povos americanos. : Civilização Brasileira, 1975.
Suma etnológica brasileira. : , 1986. (colaboração; três volumes).
Diários índios: os urubus-kaapor. : Companhia das Letras, 1996.

Antropologia:
O processo civilizatório: etapas da evolução sócio-cultural. : , 1968.
O processo civilizatório: etapas da evolução sócio-cultural. : , .
As Américas e a civilização: processo de formação e causas do desenvolvimento cultural desigual dos povos americanos. : , 1970.
As Américas e a civilização: processo de formação e causas do desenvolvimento cultural desigual dos povos americanos. : Companhia da Letras, 2007.
O dilema da América Latina: estruturas do poder e forças insurgentes. Petrópolis: Vozes, 1978.
Os brasileiros: teoria do Brasil. Petrópolis: Vozes, 1972.
Teoria do Brasil. : Civilização Brasileira, .
Teoria do Brasil. : , .
Teoria do Brasil. São Paulo: Global Editora, 2013.
Os índios e a civilização: a integração das populações indígenas no Brasil moderno. : , 1970.
The culture: historical configurations of the American peoples. : , 1970. (edição brasileira em 1975).
O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. : , 1995.
O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. São Paulo: Global Editora, 2015.

Romances:
Maíra. : , 1976.
Maíra. São Paulo: Global Editora, 2014.
O Mulo. : Nova Fronteira, 1981.
O Mulo. Rio de Janeiro: Record, 1998.
O Mulo. São Paulo: Global Editora, 2014.
Utopia selvagem. : Nova Fronteira, 1982.
Utopia selvagem. São Paulo: Global Editora, 2014.
Migo. : Salamandra, 1988.
Migo. São Paulo: Global Editora, 2014.

Ensaios:
Kadiwéu: ensaios etnológicos sobre o saber, o azar e a beleza. : , 1950.
Configurações histórico-culturais dos povos americanos. : , 1975.
Sobre o óbvio: ensaios insólitos. : , 1979.
Aos trancos e barrancos: como o Brasil deu no que deu. : , 1985.
América Latina: a pátria grande. : , 1986.
America Latina: a pátria grande. Rio de Janeiro: Fundação Darcy Ribeiro, 2013.
América Latina: a pátria grande. São Paulo: Global Editora, 2017.
Testemunho. : , 1990.
A fundação do Brasil: 1500/1700. : , 1992. (colaboração)
Noções de coisas. : , 1995.
Noções de coisas. São Paulo: Global Editora, 2014.
Ensaios Insólitos. : , .
Ensaios Insólitos. Rio de Janeiro: Fundação Darcy Ribeiro, 2013.
Ensaios Insólitos. São Paulo: Global Editora, 2015.
A América Latina existe?. Brasília: Editora UnB, 2010.
O Brasil como problema. : , 1995.
O Brasil como problema. São Paulo: Global Editora, 2015.
O Brasil como problema. Brasília: Editora UnB, 2010.
Lembrando de mim. Brasília: Editora UnB, 2010.
Revivendo o que vivi. Brasília: Editora UnB, 2010.
Falando dos índios. Brasília: Editora UnB, 2010.
Vida, minha vida. Brasília: Editora UnB, 2010.
Meus índios, minha gente. Brasília: Editora UnB, 2010.
Jango e eu. Brasília: Editora UnB, 2010.
Golpe e exílio. Brasília: Editora UnB, 2010.
A volta por cima. Brasília: Editora UnB, 2010.

Educação:
Plano orientador da Universidade de Brasília. : , 1962.
A universidade necessária. : , 1969.
A universidade necessária. : Paz e Terra, .
Propuestas: acerca da la renovación. : , 1970.
Université des Sciences Humaines d’Alger. : , 1972.
La universidad peruana. : , 1974.
UnB: invenção e descaminho. : , 1978.
Nossa escola é uma calamidade. : Salamandra, 1984.
Universidade do terceiro milênio: plano orientador da Universidade Estadual do Norte Fluminense. : , 1993.
Universidade para quê? : , .

Memórias:
Tempos de turbilhão: Relatos do Golpe de 64. São Paulo: Global Editora, 2014.

Bibliografia

Livros:

FUNDAÇÃO DARCY RIBEIRO. Inventários dos Arquivos pessoais de Darcy e Berta Ribeiro. Rio de Janeiro: Fundação Darcy Ribeiro, .
MOREIRA, João Paulo Aprígio. Darcy Ribeiro: entre a Historia e a Antropologia. : Editora Prismas, .
VAZ E SILVA, Neusa. Teoria da Cultura de Darcy Ribeiro. : Nova Harmonia, .
VAZ, Toninho. Darcy Ribeiro: Nomes que honram o Senado. Brasília: Ed. Senado, 2005.

Internet:

FUNDAÇÃO DARCY RIBEIRO. http://www.fundar.org.br/

Compartilhe em suas Redes Sociais!
  • Twitter
  • Facebook
  • email
  • Google Reader
  • LinkedIn
  • BlinkList
  • Google Bookmarks
  • MSN Reporter
  • Myspace
  • Posterous
  • Tumblr
  • More

Sobre História do Cinema Brasileiro

Site do História do Cinema Brasileiro.