Dib Lutfi (1936-2016)

Biografia

FOTO Dib LutfiDib Lutfi foi um dos maiores Diretores de Fotografia e cinegrafistas que o ciema brasileiro já teve. Natural da cidade paulista de Marília, nasceu no dia 22 de setembro de 1936. Ao longo de mais de 40 anos, constituiu uma longa filmografia entre curtas, médias e longas.

Descendente de sírios, mudou-se para São Vicente, formando-se em Contabilidade. Depois, faz curso de técnico de rádio. Ao servir o exército, em 1954, desempenha a função de radiotelegrafista.

Nos anos 1950, já no fim da adolescência, mudou-se, com a família, para a cidade do Rio de Janeiro, então capital do país. Em 1957, através do irmão, o cantor e compositor Sérgio Ricardo (cujo nome verdadeiro é João Mansur Lutfi), consegue entrar, então, na TV Rio para fazer um curso de cinegrafista por três meses, ficando fascinado pelo enquadramento, movimento de câmera, etc. Acaba sendo efetivado como cinegrafista, começando a trabalhar em muitos programas como Preto no Branco, Noite de Gala, etc. Começa então a interessar-se pela fotografia, primeiro com uma câmera Leica e depois uma Rolleiflex.

Em 1961, fotografa seu primeiro filme: O Menino da Calça Branca (1961), curta-metragem dirigido pelo seu irmão Sérgio Ricardo, que possibilita Dib Lufti estrear como fotógrafo no cinema.

No ano seguinte, participa do seminário Documentário e Novas Técnicas de Filmagem, promovido pelo Itamaraty, ministrado pelo sueco Arne Sucksdorff, com quem trabalharia em seguida como assistente de câmera no longa-metragem Fábula – Minha casa em Copacabana (1964).

Neste seminário conhece inúmeros futuros cineastas como Arnaldo Jabor, Eduardo Escorel, Alberto Salvá, Domingos Oliveira. Todos ficam extasiados com os equipamentos trazidos pelo professor sueco, coisa que nunca tinham visto antes.

Do curso, resulta o filme-laboratório Marimbás, direção de Vladimir Herzog, em que faz a fotografia e câmera. Toda a equipe é chamada para participar do longa que Arne Sucksdorff estava fazendo, Uma Fábula em Copacabana e Dib faz a assistência de câmera.

Seu primeiro longa é Este Mundo é Meu (1963), também sob a direção do irmão e sua carreira deslancha, tornando-se um dos mais respeitados fotógrafos e câmeras do cinema brasileiro. Nunca quis dirigir, como outros colegas, preferindo fazer com perfeição seu trabalho de fotografia. Ficou conhecido no meio cinematográfico como a grua humana por suas notáveis habilidades com a câmera na mão e também admirado por sua simplicidade como pessoa e pelas qualidades de companheiro de equipe. Ao longo de mais de 40 anos, constitui longa filmografia entre curtas, médias e longas.

Graças a sua habilidade com a câmera na mão foi chamado por Glauber Rocha para operar a câmera de Terra em transe (1967). O lema do Cinema Novo uma câmera na mão e uma idéia na cabeça não teria sido o mesmo sem este cameraman e diretor de fotografia. Assim, assinando a fotografia ou operando a câmera, Dib Lufti soube dar forma a idéias de diretores como Nelson Pereira dos Santos, com quem fez Como era gosto o meu francês (1970), entre outros, Fome de amor (1968) e Azyllo muito louco (1970), ambos premiados com o Candango de Melhor Fotografia no Festival de Brasília, Arnaldo Jabor, para quem fotografou A Opinião Pública (1967), O casamento (1975) e Tudo bem (1978), também premiado em Brasília, e Ruy Guerra, em Os deuses e os mortos (1970), igualmente premiado em Brasília.

Trabalhou em ABC do amor (1967), de Eduardo Coutinho; Edu, coração de ouro (1967), de Domingos Oliveira; Os herdeiros (1970), Quando o carnaval chegar (1972) e Joanna francesa (1973), os três de Carlos Diegues; A lira do delírio (1978), de Walter Lima Jr. e Pra frente, Brasil (1982), de Roberto Farias, etc.

Em 1978, foi contratado pela TV Globo, para organizar as equipes de fotografia do programa Globo Repórter, com o objetivo de formar equipes que não só saibam manejar bem a câmera mas também tivessem bons conhecimentos de fotografia, para dar aos filmes do programa um tratamento fotográfico melhor, o mais próximo possível do cinema, inovando assim o sistema adotado convencionalmente pela TV. Além da TV Globo, trabalhou também na TV Manchete e TVE.

Foi seis vezes premiado no Festival de Brasília e quatro vezes pelo Instituto Nacional de Cinema. Em 2003, fez a câmera de Harmada, de Maurice Capovilla, que tem direção de fotografia de Mário Carneiro. Voltou a trabalhar com Domingos Oliveira, fazendo a fotografia de Feminices (2004) e Carreiras (2006).

Fez ainda a fotografia de Vida e obra de Ramiro Miguez (2002), de Alvarina Souza Silva, e operou a câmera em 500 almas (2004), de Joel Pizzini e do documentário alemão Mein Freund, der Mörder (2006), de Peter Fleischmann.

Premiado por 16 vezes, sendo o primeiro em 1967, concedido pela Editora Civilização Brasileira, pela fotografia dos filmes A Opinião Pública, mas o que guardava com especial carinho é o Prêmio Humberto Mauro pela câmera de Terra em transe.

Faleceu no dia 26 de outubro de 2016.

Filmografia

:: Filmografia como Diretor de Fotografia ::

2011 :: Profana
2010 :: Noite de Cristais
2009 :: Reidy, a construção da utopia
2009 :: Alguém Tem que Honrar Essa Derrota!
2008 :: Juventude
2007 :: Castelar e Nelson Dantas no País dos Generais
2006 :: Mein Freund, Der Mörder (Alemanha)
2006 :: Remissão
2006 :: Carreiras
2004 :: Batuque na Cozinha (CM) (cofot. Batman Zavareze, André Vieira e Anna Azevedo)
2004 :: O Jaqueirão do Zeca (CM)
2004 :: Seo Chico, um retrato (cofot. Mário Carneiro)
2004 :: Feminices
2003 :: A Bala na Marca do Pênalti (CM)
2002 :: As Vozes da Verdade (CM)
2002 :: Parias (CM)
2002 :: Vida e obra de Ramiro Miguez
2001 :: Eu Sou o Servo (CM)
2001 :: Samba (MM) (cofot. Reynaldo Zangrandi e Gustavo Hadba)
2001 :: O Jeito Brasileiro de Ser Português (CM)
1999 :: Celebração – Cem Anos de Cinema (CM) (cofot. Pedro Farkas e Toca Seabra)
1998 :: Retrato Falado do Poeta Castro Alves
1996 :: Povos Unidos II (CM)
1995 :: Entusiasmo e Fome (CM) (cofot. Pedro Farkas)
1994 :: Dente por Dente (CM)
1993 :: Oceano Atlantis (cofot. Pedro Farkas)
1992 :: A Serpente
1992 :: As Andorinhas (CM)
1991 :: Olhos, Luz e Espelho (CM)
1991 :: Povos Unidos (CM)
1991 :: Vai Trabalhar Vagabundo II – a Volta (cofot. Edgar Moura)
1991 :: O Fio da Memória (Fotografia Adicional)
1990 :: Isto é Noel, Brasil (CM)
1987 :: Der Al Capone Von Der Pfalz (Alemanha) (cofot. Peter Fleischmann e Klaus Müller-Laue)
1984/1996 :: Bahia de Todos os Sambas (cofot. Tonino Nardi e Luiz Carlos Saldanha)
1983 :: Aguenta Coração
1982 :: Pra frente, Brasil
1980 :: Estrelas de Papel (CM)
1981 :: Memória de São Luis e Alcântara (CM)
1978 :: A Lira do Delírio
1978 :: Theodorico – O Imperador do Sertão
1978 :: Tudo bem
1978 :: Ponto das Ervas (CM)
1978 :: Teodorico, o Imperador do Sertão (MM)
1978 :: Samba da Criação do Mundo (cofot. Peter Sova)
1977 :: Daniel, Capanga de Deus (cofot. Chico Botelho)
1977 :: Costinha e o King Mong
1976 :: O Jogo da Vida
1976 :: A Nudez de Alexandra (Un Animal Doué de Déraison)
1976 :: Crueldade Mortal (cofot. Hélio Silva)
1975 :: As Aventuras de um Detetive Português
1975 :: Nem os Bruxos Escapam
1975 :: Noel Nutels (CM)
1975 :: O Casamento
1974 :: O Azarento, um homem de sorte
1974 :: Cinema Íris (CM)
1974 :: A Noite do Espantalho
1973 :: A Noite do Espantalho
1973 :: Joanna Francesa
1973 :: Azarento, Um Homem de Sorte
1973 :: Os Condenados
1972 :: Arte Popular (MM)
1972 :: Os Sinos de Baviera (ou A Desgraça) Das Unheil (Alemanha/França)
1972 :: Quem é Beta? (Pas de Violence entre Nous) (Brasil/França)
1972 :: Quando o Carnaval Chegar
1972 :: Procura-se uma Virgem
1972 :: Sob o Signo de Aquário (CM)
1972 :: Viver de Morrer
1971 :: Alimentação (MM)
1971 :: Frei Ricardo Pilar (CM) (cofot. José Antonio Ventura)
1971 :: Origem do Negro no Brasil (MM)
1971 :: Viagem ao Xingu (CM)
1970 :: Juliana do Amor Perdido
1970 :: Azyllo Muito Louco
1970 :: Catástrofe (CM)
1970 :: Como Era Gostoso o meu Francês
1970 :: É Simonal
1970 :: Festival do Rio (CM)
1970 :: Kimel (CM)
1970 :: Os Deuses e os Mortos
1970 :: Quatro contra o Mundo (episódio: O Menino da Calça Branca)
1970 :: Os Herdeiros
1970 :: Som e Forma (CM) (cofot. Juarez Dagoberto da Costa, Rogério Noel e Joaquim Assis
1970 :: Terra dos Brasis (MM)
1969 :: Copacabana me Aterra (CM) (cofot. Edson Santos)
1969 :: As duas faces da moeda
1968 :: Domingo no Parque (CM)
1968 :: Fome de Amor
1968 :: Jardim de Guerra
1968 :: Os Marginais
1968 :: Juliana do Amor Perdido
1967 :: Carnaval Barra Limpa
1967 :: ABC do Amor (Episódio: O Pacto)
1967 :: A Opinião Pública
1967 :: Edu, coração de ouro
1966 :: Fala Brasília (CM)
1966 :: Cruzada ABC (CM)
1966 :: Oitava Bienal de São Paulo (CM)
1965 :: O Aleijadinho (CM)
1964 :: Esse mundo é meu
1962 :: Marimbás (CM)
1961 :: O Menino da Calça Branca (CM) (episódio do longa Quatro Contra o Mundo)

:: Filmografia como Operador de Câmera ::

2006 :: Mein Freund, der Mörder
2004 :: 500 almas
2004 :: Feminices
2003 :: Kuxa Kanema: O Nascimento do Cinema
2002 :: Harmada
1982 :: Pra frente, Brasil
1978 :: A lira do delírio
1978 :: Theodorico – O Imperador do Sertão
1978 :: Tudo bem
1975 :: O casamento
1974 :: O Azarento, um homem de sorte
1973 :: Joana francesa
1972 :: Quando o carnaval chegar
1970 :: Como era gosto o meu francês
1970 :: Os herdeiros
1970 :: Os deuses e os mortos
1970 :: Azyllo muito louco
1968 :: Fome de amor
1967 :: A Opinião Pública
1967 :: ABC do amor
1967 :: Edu, coração de ouro
1967 :: Terra em transe
1965 :: O Desafio
1965 :: Society em baby-doll
1961 :: O Menino da Calça Branca

:: Filmografia como Assistente de Câmera ::

1964 :: Fábula – Minha casa em Copacabana

:: Filmografia como Ele Mesmo ::

2007 :: Iluminados
2005 :: A câmera de Dib Lutfi
1997 :: Dib – O Fotógrafo do Cinema Novo

Bibliografia

:: Fontes de Referência ::

Livros:

ALMEIDA, Paulo Sérgio; OLIVEIRA, José Maria de. (org.). Quem é Quem no Cinema. Rio de Janeiro: Iluminuras, 2003.
PACE, Eliana. Sérgio Ricardo: canto vadio. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, .
SILVA NETO, Antonio Leão da. Dicionário de fotógrafos do cinema brasileiro. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2010.

Internet:

FACEBOOK. Dib Lutfi. Disponível no endereço: https://www.facebook.com/dib.cinema/. Acessado em: 23 de maio de 2017.
FILME B. Dib Lutfi. Disponível no endereço: http://www.filmeb.com.br/
HISTÓRIA DO CINEMA BRASILEIRO. Dib Lutfi. Disponível no endereço: http://www.historiadocinemabrasileiro.com.br/dib-lutfi/

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