Domingos Vassallo Caruso (1886-1957)

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Biografia

Domingos Vassallo Caruso foi um empresário brasileiro, do setor de exibição cinematográfica, nascido em Juiz de Fora (MG) no dia 03 de outubro de 1886. Por sua grande atuação no setor de exibição no subúrbio carioca, era considerado o Rei dos Cinemas da Leopoldina. Faleceu em 24 de setembro de 1957.

Descendente de imigrantes, Domingos Vassallo Caruso era filho de Brás Caruso da Rosa e Caetana Maria Vassallo Caruso. Compunha, junto com seus irmãos Luiz Vassallo Caruso e Waldemar Vassallo Caruso, uma sólida carreira empresarial no setor cinematográfico, fazendo parte de diversos empreendimentos societários da Família Caruso.

Na vida pessoal, Domingos Vassallo Caruso constituiu família casando-se com Sarah Cavalcanti Caruso, tendo com ela os filhos: Nelson Cavalcanti Caruso, Anibal Cavalcanti Caruso, Diva Cavalcanti Caruso e Nair Cavalcanti França.

Foi no Largo da Penha que o cinema chegou aos leopoldinenses: era outubro de 1906 e, aproveitando um domingo de festas da Penha, o famoso empresário artístico Paschoal Segreto realizou ali a primeira projeção cinematográfica, em uma única exibição ao ar livre, bem diante do portão da Irmandade.

A partir de 1912, a Família Vassallo Caruso tornaram-se moradores do bairro de Brás de Pina, localizado na Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro, residindo na rua Etelvina nº 1, ocasião em que Domingos Vassallo Caruso começou a trabalhar incansavelmente, desde os 15 anos de idade, na Marcenaria Brasileira, localizada na rua da Constituição, nº 11.

O cinema, que já era então uma novidade em todo lugar, causou tamanho impacto no jovem morador Domingos Vassallo Caruso, que junto com seu avô, o velho Brás, decidiu trazer a novidade para a Leopoldina.

Por influência de seu pai, Domingos Vassallo Caruso abriu na Parada das Olarias, junto à linha do trem, dois cinemas, simultaneamente e na mesma rua (no centenário Caminho de Maria Angú), o Cine Olaria (através da firma Elísio, Caruso & Mota Ltda.), no mesmo local da extinta Loja de Ferragens Pharol de Olaria, inaugurado com muito pompa o Cinema-Theatro Oriente em 1921 e, no mesmo ano, adquiriu o Cinema Ideal, de Ramos, renomeando-o como Cinema Elegante, novamente alterando o nome para Cine Ramos, para inauguração do cinema-falado, em 1930.

A partir daí, Domingos Vassallo Caruso sua atividade de empresário de cinema cresceu e prosperou. Em terras leopoldinenses, o empresário fez-se presente estabelecendo seus cinemas em todas as estações: Cinema Penha, em 19/08/1923; Cine Paraíso (1928), como primeiro cinema falado; Cinema Santa Cecília (1937); Cine Teatro Brás de Pina (1937), com o filme Bonequinha de Seda estrelado por Gilda Abreu.

O Cine Rosário foi sua obra mais importante para glória cultural de Ramos, inaugurado em 1938, com 1.442 lugares, lançando o filme No Velho Chicago assistido por uma platéia de elite, suplantado apenas pelo Cinema Metro Passeio e Cine São Luiz. Primeiro no subúrbio na introdução do som estereofônico, o Cinema Santa Helena foi inaugurado em junho de 1942 e o grandioso Cinema São Pedro (1949), com 2.536 lugares.

Em julho de 1946, foi fundador, junto com outros exibidores independentes, da empresa Unida Filmes S.A., distribuidora cinematográfica fundada no Rio de Janeiro, que se destinaria a produzir e a distribuir filmes, num momento específico em que se estabeleceu um novo regulamento do Serviço de Censura de Diversões Públicas, que obrigava os cinemas lançadores a exibirem anualmente no mínimo três filmes nacionais de longa-metragem de ficção, classificados como de boa qualidade pelo Serviço de Censura. Além disso, reiterava que o preço mínimo de locação do filme de longa-metragem deveria ser de 50% da renda da bilheteria. Contudo, a empresa só passou a atuar no cinema brasileiro de forma mais efetiva a partir de janeiro de 1952.

Como tinha grande visão empresarial do setor exibidor, reiventou o mercado exibidor independente criando a Cinemas Unidos S/A, que se tornou uma grande rede de operação e consolidou seu poder econômico em relação aos outros grupos hegemônicos estrageiros que dominavam o setor. Assim, continuou suas expansões e consolidação no mercado inaugurando, entre outros, o luxuoso Cine Caruso Copacabana (1954) em plena Avenida N.S. de Copacabana, na altura do Posto 6.

Paralelamente, Domingos Vassalo Caruso não deixou de ter seus vínculos com sua terra natal, Juiz de Fora (MG), investindo grandes recursos, através de sua empresa a Exibidora Brasil América Ltda., na aquisição e término da construção do Cine Palace, cuja inauguração aconteceu em 1947. Sua atuação empresarial continuou acontecendo em Juiz de Fora, em julho de 1955, agora através da Cia. Central de Diversões, na abertura do Cine São Luiz, localizado à rua Halfeld, ao lado da Praça da Estação.

Além dos cinemas, Domingos Vassalo Caruso mantinha grande atuação social nos subúrbios da Leopoldina, sendo considerado um benfeitor local. Foi também tesoureiro da CBD e Presidente do Centro Pró-melhoramentos dos Subúrbio da Leopoldina. Viveu ali por muitos anos, devendo muito aqueles subúrbios a sua atuação pelos melhoramentos de bairros, como calçamento de ruas e muitos outros benefícios. Foi Presidente do Bonsucesso Futebol Clube, onde doou cinqüenta mil cruzeiros (dinheiro da época) ao clube para a construção do estádio, quantia então elevada, tendo, também durante o tempo de construção autorizado as obras. Além de ter assumido a Presidência do Conselho Deliberativo do Bonsucesso F.C., foi membro do Conselho Nacional de Desportos. Afilhado de Antônio Carlos, por duas vezes foi candidato a deputado classista.

Em 31 de maio de 1950, por ocasião das comemorações do Centenário da Cidade de Juiz de Fora, Domingos Vassalo Caruso, junto com Automóvel Clube de Juiz de Fora e do então Prefeito Dilermando Cruz, incentivou e promoveu a Corrida do Centenário – importante evento automobilístico que envolveu dezenas de automóveis que correram num circuito singular: as ruas do centro da cidade.

O Rei dos Cinemas da Leopoldina, Domingos Vassallo Caruso faleceu no dia 24 de setembro de 1957, aos 71 anos, quase às vésperas da comemoração de seu aniversário. Seu corpo foi enterrado no Cemitério de São Francisco Xavier, no Rio de Janeiro.

Por motivo de pesar, no dia seguinte de seu falecimento, a Cia. Central de Diversões comunicou, em grande anúncio nos jornais, que não haveria sessões em nenhuma de suas salas.

Bibliografia

Livros:

CRUZ, Henrique. Os subúrbios cariocas no regime do Estado Novo. Rio de Janeiro: DIP, 1942.
FERRAZ, Talitha. A Segunda Cinelândia Carioca. 2.ed. Rio de Janeiro: Mórula, 2012.
GONZAGA, Alice. Palácios e Poeiras: 100 anos de cinema no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Ministério da Cultura, Funarte, Record, 1996.
Guia Ramos, Olaria & Penha. Coleção Bairros do Rio. Rio de Janeiro: Editora Fraiha, .

Artigos/Monografias:

CAIAFA, Janice; FERRAZ, Talitha. Comunicação e sociabilidade nos cinemas de estação, cineclubes e multiplex do subúrbio carioca da Leopoldina. Galáxia (PUCSP), Vol. 12, p. 127-140, 2012.
FERRAZ, Talitha Gomes. Construção de Sociabilidades e Memórias da Tijuca: O caso dos extintos cinemas da Praça Saens Peña e as atuais formas de espectação cinematográfica no bairro. 2009. 218 f. Dissertação (Mestrado em Comunicação e Cultura) – Escola de Comunicação, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.
MELO, Luis Alberto Rocha. Cinema independente no Brasil: anos 1950. In: HAMBURGER, Esther (org.); SOUZA, Gustavo (oeg.); MENDONÇA, Leandro (oeg.); AMANCIO, Tunico (oeg.). Estudos de Cinema. São Paulo: Annablume/Fapesp/Socine, 2008. p. 377-381. (Estudos de Cinema – Socine, IX).
MELO, Luis Alberto Rocha. A Unida Filmes S.A. e a formação de um circuito independente. In: SOUZA, Gustavo et all (orgs). XIII Estudos de Cinema e Audiovisual – Socine. Vol.2. São Paulo: Socine, 2012.
NETO, Gilberto Faúla Avelar. Sociabilidade e imaginário urbano de Juiz de Fora um olhar sobre o Cinema São Luiz. Monografia apresentada ao curso de Comunicação Social, Jornalismo, da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora, como requisito parcial para obtenção do grau de bacharel. Orientadora: Profa. Dra. Christina Ferraz Musse. Juiz de Fora: FACOM-UFJF. 2016.

Periódicos:

CINE REPORTER. Duas forças que se unem em prol do cinema nacional. 12 de setembro de 1953.
Destaque, o adeus. In: O GLOBO. Rio de Janeiro, 25 de set. 1957.
Domingos Vassallo Caruso – Missa de 7º Dia. In: Correio da Manhã. Rio de Janeiro, 02 de out. 1957.
Estádio Vassallo Caruso. Revista do Bonsucesso. Junho, 1948.

Internet:

ACERVO RUBRO ANIL. Disponível no endereço: http://acervorubroanil.blogspot.com.br/2013/11/o-estadio-vassalo-caruso-revista-do.html. Acesso em: 23 de maio de 2017.
FERRAZ, Talitha Gomes. ‘Cinemas de estação’ do circuito Caruso no subúrbio da Leopoldina. In: Encontro Socine, 17., 2013, Florianópolis. Anais. Disponível em http://www.socine.org.br/anais/2013/interna.asp?cod=327. Acesso em: 30 jan. 2015.
GROIA, Franco. Nelson Cavalcanti Caruso. In: HISTÓRIA DO CINEMA BRASILEIRO. Disponível no endereço: http://www.historiadocinemabrasileiro.com.br/domingos-vassallo-caruso/

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Sobre Franco Groia

Criador e Editor do Portal História do Cinema Brasileiro. Professor Universitário na Univerdade Salgado de Oliveira (UNIVERSO) - Campus Juiz de Fora (MG). Pesquisador Cinema Brasileiro, espectação e mercado audiovisual. email: francogroia@gmail.com