Dôra Doralina (1982)

Sinopse

Em novembro de 1936 é atacada e destruída, na chapada de Araripe, no Município do Crato, a comunidade denominada “Caldeirão”. Um dos habitantes, ferido, consegue escapar embrenhando-se pelo interior do Estado. Já quase sem forças chega a uma fazenda, de nome Soledade, pertencente a uma viúva e sua filha Doralina. Doralina cuida do estranho forasteiro contra a vontade de sua mãe que ela chama de Senhora. Altiva, aristocrata, ainda jovem de aparência, Senhora exerce seus poderes absolutos sobre empregados e agregados. Doralina é casada com Laurindo, um agrimensor caça-dotes de personalidade frágil, que sempre toma o partido de Senhora. O acirramento desse conflito se dá justamente à proteção de Doralina ao velho forasteiro, de nome Delmiro, que passa a ser hostilizado por Laurindo. Os acontecimentos se precipitam: Doralina, grávida, aborta devido à tensão dos últimos dias; por casualidade Doralina vem saber de relações mais íntimas entre Senhora e Laurindo; em circunstâncias não muito bem explicadas, Laurindo é encontrado morto; certa da impossibilidade de continuar a conviver com sua mãe, Doralina abandona Soledade. Encontra acolhida numa trupe de teatro mambembe e com ela viaja pelo Brasil. A convivência com a companhia de teatro que tem sua máxima expressão em Brandini, empresário, ator, diretor, etc., aproxima Doralina de Charrel, uma jovem atriz, com idéias opostas às da companhia, mas que nela permanece por uma questão de sobrevivência. A entrada no Brasil na Segunda Grande Guerra precipita o retorno da trupe ao Rio de Janeiro. Tomam o caminho de São Francisco. Embarcam num navio-gaiola que os leva até Pirapora. Durante a viagem estreita-se ainda mais a amizade de Doralina e Charrel. A revelação das condições de vida das populações ribeirinhas: o contrabando florescente de matéria-prima para a indústria bélica alemã; o envolvimento emocional de Doralina com o Comandante do navio, que é uma das figuras centrais do esquema do contrabando; a agitação e a mobilização em favor da causa aliada, tumultuando o ambiente devido à existência de focos de rebeldia, cria nesta mulher uma nova consciência. Inexplicavelmente Charrel desaparece. As relações entre o Comandante e Doralina tornam-se mais profundas, comprometendo-se aquele a ficar no São Francisco até encontrar Charrel. Enquanto aguarda a transferência do Comandante para o Rio, Doralina se socorre dos amigos da trupe para sobreviver, embora receba, periodicamente, uma ajuda financeira do companheiro. Para sua surpresa, o Comandante chega ao Rio como prisioneiro. Depois de colocado em liberdade por seus amigos da polícia, também envolvidos em contrabando, a vida do casal começa a sofrer uma grande transformação no plano econômico, ao mesmo tempo em que afloram conflitos de ordem ideológica entre ambos, criando um desgaste no seu relacionamento. Há uma forte efervescência política na capital que culmina com o suicídio de Vargas. A mudança que ocorre no plano governamental afeta diretamente os interesses do grupo que até então dominava esse pequeno feudo de ações ilegais. Em virtude das desavenças com os novos comandos policiais que tornam para si as posições conquistadas pelo outro grupo, o comandante acaba mortalmente ferido, durante uma das suas últimas incursões pelo contrabando. Sozinha e impotente, Doralina não tem outra alternativa senão retornar à Soledade. A morte de sua mãe ocorrida há alguns anos, traz-lhe à lembrança a figura de seu pai; antes de falecer, devido a uma tuberculose crônica, teve um encontro com ela ainda menina, e lhe revelou todas as suas idéias sobre a maneira mais humana e justa de conduzir os destinos da fazenda. Doralina retorna à Soledade.

Elenco

Vera Fischer
Perry Salles
Cleyde Yaconis
Jofre Soares
Fregolente
Otávio Augusto
Julia Miranda
Jorge Cherques
Freire, Gracinda
Martins, Chico
Cresta, Isolda
Mehler, Miriam
Tornaghi, Eduardo
Etty Fraser
Carvalho, Rafael de
Oiticica, Sonia
Luiz, Lutero
Toledo, Marcos
Antonieta, Maria
Alencar, Paulo
Neubauer, Mary
Guilherme, José
Falcão, Lourdes
Cassiano, José
Magno, Milda
Andrade, Rômulo
Cardoso, Elizabeth
Falcão, João
Martins, Beu Geolino
Vieira, Agenor
Marques, Francisco
Cerqueira, Paulo
Caboclinhos de São Romão

Ficha Técnica

Por trás dos filmes, além dos atores, dos figurinos, das câmeras, da arte, do som e de outros elementos mais facilmente perceptíveis na construção qualquer longa metragem, há também um verdadeiro exército de profissionais dedicados a viabilizar cada detalhe do intrincado quebra-cabeça artístico, operacional, logístico e financeiro da produção audiovisual.

Veja logo abaixo a equipe técnica de Dôra Doralina (1982) que o portal História do Cinema Brasileiro pesquisou e agora disponibiliza aqui para você:

Direção: Perry Salles
Argumento: Perry Salles e Miguel Pereira
Roteiro: Perry Salles e Miguel Pereira
Diálogos adicionais: Don Marquis
Estória Baseada no romance Dora Doralina, de Rachel de Queiroz
Direção de produção: Miranda, Otávio de; Cozer, Reinaldo
Produção executiva: Pitanga, Adnor; Venchimol, Rita
Assistência de produção: Braga, Moacir; Augusto, José; Rangel, Zenaide; Sena, Ira di
Assistência de direção: Miguel Pereira
Continuidade: Vital, Afranio
Direção de fotografia: Edson Santos
Assistência de câmera: Cezar Elias
Efeitos especiais de fotografia: José, Geraldo
Fotografia de cena: Harding, Paulo
Eletricista: Finizola, Wedmildon; Guimarães, Geraldo
Maquinista: Cunha, Moacir Estevão da
Som direto: Carlos, José; Guilherme, M.; Frade, J.
Mixagem: Riva, Carlos de la
Montagem: Caldas, Manfredo
Figurinos: Chada, Paulo; Maia, Arthur
Cenografia: Chada, Paulo; Maia, Arthur
Programação visual: Donner, Hans; Trenker, Sylvia
Assistencia de cenografia: Gomes, Danilo
Cabelereiro: Carlos, Antonio
Maquiagem: Oliveira, Josefina de
Música (Genérico): Siqueira, José
Companhia Produtora: Labirinto Produções Artísticas Ltda.
Companhia Co-produtora: Embrafilme – Empresa Brasileira de Filmes S.A.
Companhia Distribuidora: Embrafilme – Empresa Brasileira de Filmes S.A.

Dados adicionais de música
Orquestra: Orquestra de Câmara do Brasil;

Orquestra: Orquestra Sinfônica da Rádio de Leipzig

Regente Maestro: Siqueira, José

Locação: Quixeramobim – CE; Vale do São Francisco; Pirapora – MG

Biliografia

Livros:

QUEIROZ, Rachel de. Dora Doralina. : , .

Fontes utilizadas:
CB/Ficha Filmográfica
CB/FIBRA
Press-release
Concine/82*
Guia de Filmes, 82
O Globo, 04.07.1982, p. 10
Visão, 22.11.1982, p. 102
Jornal da Tela, n. 4
Folha da Tarde, 10.12.1979
Internationale Film Fest Berlin, 1983
CB/EMB-110.1/00401

Fontes consultadas:
Embrafilme/Lista 82
O Globo, 12.09.1982, p. 10
Folha da Tarde, 17.06.1980, p. 20
ACPJ/II

Observações:
O Globo de 12.09.1982 informa que as filmagens ocorreram entre fevereiro e maio de 1978.
Folha da Tarde de 10.12.1979 informa que o filme será lançado em janeiro.
Folha da Tarde de 17.06.1980 indica o ano de 1980 acrescentando a informação: em fase de sonorização.
ACPJ/II aponta 1978 como ano de produção; como companhia produtora; e Cinedistri S.A. como distribuidora. Informa, também, Fortaleza – CE e Rio São Francisco como locais de filmagem.
Exibido no Internationale Film Fest Berlin, 1983 – DE.
CB/EMB-110.1/00401 informa que o projeto foi encaminhado, em 1977, à Embrafilme com pedido de coprodução pela empresa Relevo Produções Cinematográficas Ltda. Em dezembro do mesmo ano, a Scorpius Produções Cinematográficas assume a realização do filme. Conforme contrato de 08.01.1982, a Scorpius Produções Cinematográficas cede os direitos do filme à empresa Labirinto Produções Artísticas.

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