Enrique Diaz

Biografia

FOTO Enrique DiazEnrique Díaz Rocha, em arte mais conhecido como Enrique Diaz, é um ator de cinema, teatro e televisão, além de diretor e produtor teatral, nascido na cidade de Lima, no Peru, no dia 19 de setembro de 1967.

Enrique Diaz é radicado no Brasil. É filho de uma brasileira com um agrônomo e diplomata paraguaio, Juan Díaz Bordenave. Tem cinco irmãos, sendo um deles o ator Chico Díaz.

É um dos fundadores da Companhia dos Atores, que dirigiu desde 1990 até 2012, sua concepção do espetáculo tem como principais elementos a linha de interpretação dos atores, milimetricamente coreografada, além da pesquisa da intercessão entre teatro e vídeo. Prestigiado por suas concepções cênicas, vem sendo convidado para dirigir espetáculos e shows de artistas de primeira grandeza. Mantém sua carreira de intérprete ativa, alternando-se entre o teatro, cinema e televisão.

Entre 1982 e 1984, faz uma série de cursos livres de interpretação. Estréia como ator em teatro jovem, sob a direção de Carlos Wilson. Em 1984, por sua atuação em O Dragão Verde, texto e direção de Maria Clara Machado, recebe o Prêmio Mambembe de teatro infantil. No ano seguinte, atua em Linguagem do Silêncio, espetáculo de mímica moderna de Lina do Carmo e estréia no teatro adulto em Os Melhores Anos de Nossas Vidas, texto e direção de Domingos Oliveira. Em 1986, protagoniza Woyzeck, de Georg Büchner, direção de Moacyr Góes. Em 1989, atua em A Estrela do Lar, de Mauro Rasi, ao lado de Marieta Severo, com quem voltará a dividir o palco seis anos depois em A Torre de Babel, de Fernando Arrabal, com direção de Gabriel Villela.

Em 1988, dirige um espetáculo de forte caráter experimental, Rua Cordelier, Tempo e Morte de Jean Paul Marat, 1988, coletânea de textos de Georg Büchner, Heiner Müller e Peter Weiss, embrião do que desenvolve como encenador junto à Companhia dos Atores, grupo que realiza em média um novo trabalho a cada dois anos. Em 1991, Diaz recebe o Prêmio Molière pela direção de A Bao A Qu (Um Lance de Dados). O crítico do Jornal da Tarde, Alberto Guzik, observando o talento do jovem encenador, considera o espetáculo raro, inteligente, provocativo e bem realizado. Em 1992, o crítico Nelson de Sá considera a encenação de A Morta, de Oswald de Andrade (1890 – 1954), o melhor espetáculo em cartaz na cidade. Aimar Labaki escreve na revista Vogue: Sério, competente e bem-humorado, Diaz consegue a proeza de não ser impostado. Os anos 1990 já acharam a sua primeira cara. E ela é bem viva. Em Só Eles o Sabem, de Jean Tardieu, 1994, Diaz valoriza o jogo dos contrários proposto pelo texto. Segundo o crítico Macksen Luiz: A encenação de Enrique Diaz tem a leveza e a medida do humor proposto pela peça. O espetáculo explora a linguagem do melodrama com um tal rigor de construção que não deixa escapar o ritmo da montagem e sustenta o desenho cênico com total coerência.

Em 1995 e 1996, Melodrama, de Filipe Miguez, lhe vale cinco prêmios: Mambembe, Shell e Sharp, no Rio de Janeiro e em São Paulo. De 1995 a 1997, Enrique Diaz assume a direção artística do Teatro Ziembinski e, em 1998, do Espaço Cultural Sérgio Porto, ambos da Prefeitura do Rio de Janeiro. Em 1999, dirige Cobaias de Satã, de Filipe Miguez, e, no primeiro trabalho fora da companhia, As Três Irmãs, de Anton Tchekhov, produção de Maria Padilha. O crítico Macksen Luiz analisa a linguagem: A encenação de Enrique Diaz é radicalmente lúdica, na forma como brinca com o jogo de sentimentos que Tchekhov distribui pelo tempo das quatro estações. O diretor lança sobre o texto um sopro de humor, no sentido tchekhoviano (uma apreciação amargamente irônica das fraquezas humanas). (…) destila as personagens como se confrontasse aquilo que dizem com a ação que os impulsiona. (…) decompõe as cenas em quadros ágeis, nos quais os atores se desprendem da tensão dramática ensombreada para iluminar com tensão mais reticente a dramaticidade. (…) Do rendilhado de afetividades que Tchekhov tece com minúcia, Enrique Diaz retirou formas mais exuberantes de exposição, desprezando tudo aquilo que poderia ficar subentendido. (…) o diretor traz ao palco o espírito Tchekhoviano, mesmo que com um olhar nada complacente com os habitantes de um mundo de sombras.

Em 2000, o diretor monta O Rei da Vela, de Oswald de Andrade, procurando atualizar o texto, por meio da imagem e da música, e valorizar a comunicalibilidade da montagem. O crítico do Jornal do Brasil considera que este tratamento se interpõe à captação do espírito de O Rei da Vela como manifesto alegórico de um processo social em permanente decomposição.

Em 2001, estuda nos Estados Unidos em Saratoga Springs, no verão, e em Nova York, no outono, com Anne Bogart e SITI Company, trabalhando sobre as técnicas de treinamento de Tadashi Suzuki e a técnica de improvisação Viewpoints, advinda da dança moderna.

Enrique Diaz é casado com a atriz Mariana Lima, com quem tem duas filhas (Elena e Antonia).

Filmografia

2014 :: Não Pare na Pista – A Melhor História de Paulo Coelho …. Pai de Paulo Coelho
2013 :: Noites de Reis
2010 :: A Verdadeira História da Bailarina de Vermelho
2009 :: Moscou
2005 :: Casa de Areia …. Luís – 1919
2004 :: Redentor …. Morais
2002 :: A Janela Aberta
2002 :: Carandiru …. Gilson
2002 :: As Três Marias …. Zé das Cobras
2000 :: O auto da compadecida …. Capanga
1999 :: Outras Estórias
1998 :: Kenoma …. Jonas
1996 :: Como Nascem os Anjos …. Camarão
1994 :: Lamarca …. Motorista da Van
1990 :: O Quinto Macaco …. Mineiro
1988 :: O Mistério no Colégio Brasil
1985 :: Urubus e Papagaios

Bibliografia

Artigos:

GUZIK, Alberto. Citado em COMPANHIA dos Atores. Rio de Janeiro: Funarte / Cedoc. Dossiê Grupo Artes Cênicas.

LABAKI, Aimar. Citado em COMPANHIA dos Atores. Rio de Janeiro: Funarte / Cedoc. Dossiê Grupo Artes Cênicas.

GUZIK, Alberto. A Cia. dos Atores. In: Programa do espetáculo Cobaias de Satã. Rio de Janeiro, 7 de jun. 1998.

Periódicos:

LUIZ, Macksen. Tchekhov numa encenação radicalmente lúdica. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 18 jan. 1999.
LUIZ, Macksen. Versão morna da iconoclastia. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 12 fev. 2000.
LUIZ, Macksen. O teatro carioca nos anos 90. Sete Palcos, Coimbra, Portugal, n. 3, p. 28, set. 1998. Edição especial sobre o Teatro Brasileiro.

Internet:

ENCICLOPÉDIA ITAÚ CULTURAL. http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa18673/enrique-diaz/

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