Era uma vez… (2008)

Trailer

Assista acima o trailer oficial do filme disponibilizado no Youtube:

Sinopse

Era uma vez… conta a história de amor entre dois jovens de origem muito distinta. De, que mora na favela, e Nina, que mora em um bairro de classe média. Os dois são conhecidos na praia de Ipanema, e se apaixonam. Juntos, experimentam as alegrias, as emoções e os obstáculos de uma grande paixão, mas improvável.

Filme dirigido por Breno Silveira, com Thiago Martins, Vitoria Frate, Rocco Pitanga, Paulo César Grande. Comparação fácil e óbvia logo é feita ao ler a sinopse ou assistir às cenas que sucedem os agitados planos iniciais de Era uma Vez…: trata-se de uma espécie de Romeu e Julieta com o cenário carioca como pano de fundo. Porém, aqui não é a raiva entre as famílias que serve de obstáculo ao amor de dois jovens, e sim a condição social.

Dé (Thiago Martins) é um jovem morador do Morro do Cantagalo, que vende cachorro quente na praia. É silencioso admirador de Nina (Vitória Frate), a qual por vezes ilustra a janela de seu luxuoso apartamento em frente à praia, também em frente ao quiosque no qual Dé trabalha. Após breve retrospectiva da vida do rapaz, com a presença de elementos comuns e já sabidos que mostram dificuldades enfrentadas por quem cresce nas favelas, um fato engatilha a aproximação dos dois jovens. Dé protege a menina de um bando de garotos delinqüentes, quando ela, após terminar com seu namorado, corre sozinha em direção à areia, já pela noite. Em seguida, a maioria dos fatos encadeiam-se com certa previsibilidade, encaminhando-se para um final que pode ser considerado inesperado para os mais inocentes, mas que no fundo, não foge à linha que vamos traçando ao longo da obra. Esse desfecho chega a ser preconceituoso: há a validação da impossibilidade do amor condomínio-favela. A morte tão logo é apresentada, ela é fato aguardado; o veneno dos Capuleto e Montecchio surge sob formas fumegantes. Tal violência é a todo momento esperada como espécie de solução para a trama que vai sendo conjugada, e talvez a única surpresa advinda dessas cenas seja a extrema brutalidade com a qual a história se fecha (sendo que o final que foi para as telas é uma segunda opção; a primeira idéia fora considerada pungente demais e, mesmo já filmada, acabou sendo descartada). Choca, e, em seguida, causa um alívio, reforçando a idéia do preconceito.

O filme de Breno Silveira cativa e ganha a simpatia do espectador; recorre a mesma fórmula de seu primeiro longa-metragem, 2 Filhos de Francisco (2005). No entanto, alguma inovação falta ao enredo, e, talvez, uma idealização ocorra na elaboração da história. Nem toda tentativa de fabulação do dia-a-dia dos dois passa como mero truque: a primeira noite de amor do casal ganha um toque especial ao serem usados ângulos de câmeras diversos e uma doce trilha sonora embalando a situação. Já o costume ao cenário da favela, o foco intenso na disputa pelo comando do morro, e a cegueira da apaixonada menina rica chegam a ser um tanto quanto cansativos em certos momentos.

A fotografia é um ponto importante, de grande beleza nas cenas externas, com cores vivas e quentes que agradam aos olhos. A impressão de uma cidade quente não somente pelo sol que está sob ela, mas também por ser uma espécie de bomba-relógio, sempre pronta para uma eclosão, é bem extraída dessa competente direção fotográfica, encabeçada por Dudu Miranda.

Merece também atenção a trilha sonora, escolhida, composta e montada, em boa parte, com músicas cantadas em primeira pessoa, algo que sugere maior aproximação com uma realidade corrente de Dé (e talvez até um paralelo com o próprio ator que protagoniza, descoberto no morro, e ainda lá residente, conforme nos informa em depoimento, enquanto correm os créditos). Grandes nomes, como Marisa Monte, constam presença nessa trilha, e não decepcionam os ouvidos de quem assiste. A música, fruto também de grande pesquisa, envolve, encanta e conta parte da história, como faz Minha Rainha, composta por membro da Velha Guarda da Portela, canção a qual versa sobre o amor, da frustração à mudança de perspectiva.

Elenco

Thiago Martins …. Dé
Vitoria Frate …. Nina
Rocco Pitanga …. Carlão
Paulo César Grande …. Evandro
Rodrigo Alves …. Dé (criança)
Fernando Brito …. Beto
Cyria Coentro …. Bernardete

Ficha Técnica

Por trás dos filmes, além dos atores, dos figurinos, das câmeras, da arte, do som e de outros elementos mais facilmente perceptíveis na construção qualquer longa metragem, há também um verdadeiro exército de profissionais dedicados a viabilizar cada detalhe do intrincado quebra-cabeça artístico, operacional, logístico e financeiro da produção audiovisual.

Veja logo abaixo a equipe técnica de Era uma vez… (2008) que o portal História do Cinema Brasileiro pesquisou e agora disponibiliza aqui para você:

Direção: Breno Silveira
Roteiro: Patrícia Andrade
Produção: Breno Silveira e Pedro Buarque de Hollanda
Coprodutores: Daniel Filho e Luciano Huck
Produção Executiva: Eliana Soárez, Leonardo Monteiro de Barros, Luiz Noronha e Pedro Guimarães
Diretores de Fotografia: Dudu Miranda e Paulo Souza
Direção de Arte: Rafael Ronconi
Figurino: Cláudia Kopke
Montagem: Eduardo Hartung
Trilha Sonora Original: Berna Ceppas
Supervisão de Som: Alessandro Laroca
Mixagem: Armando Torres Jr.
Produção de Elenco: Ciça Castelo
Produtor Delegado: Marcos Tim França
Direção de Produção: Cecília Grosso
Direção Musical: Berna Ceppas
Maquiagem: Martín Macías Trujillo
Som Direto: Renato Calaça e Valeria Ferro
Empresa Produtora: Conspiração Filmes
Coprodução: Globo Filmes | Lereby | Sony Pictures
Distribuição: Columbia Tristar

Bibliografia

Fontes de Referência

ERA UMA VEZ – O FILME – SITE OFICIAL. http://www.eraumavezofilme.com.br/

GLOBO FILMES. http://globofilmes.globo.com/filme/eraumavez/

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