Ferreira Gullar (1930-2016)

Compartilhe em suas Redes Sociais!
  • Twitter
  • Facebook
  • email
  • Google Reader
  • LinkedIn
  • BlinkList
  • Google Bookmarks
  • MSN Reporter
  • Myspace
  • Posterous
  • Tumblr
  • More
Print Friendly, PDF & Email

Biografia

FOTO Ferreira GullarJosé Ribamar Ferreira, em arte mais conhecido como Ferreira Gullar, foi um escritor, poeta, roteirista, teatrólogo e locutor brasileiro nascido em São Luís (MA), em 10 de setembro de 1930. Tratava-se de um dos mais importantes literatos da história da literatura brasileira. Ferreira Gullar passeou por vários campos da expressão poética, literária e crítica, quase sempre com um forte tom político. Avesso a rotulações binárias, usualmente se colocava no sentido contrário ao do poder em questão.

Seu primeiro livro, depois renegeado pelo autor, foi Um Pouco Acima do Chão, em uma edição de autor em 1949. Cinco anos depois, veio A Luta Corporal, este já com os primeiros esboços da poesia esteticamente ambiciosa em que ele trabalharia incansavelmente até Em Alguma Parte Alguma e Bananas Podres, dois de seus livros mais recentes.

Ele estava com os irmãos Augusto de Campos e Haroldo de Campos na Exposição Nacional de Arte Concreta, em 1956, considerada o marco inicial do movimento concretista, expressão poética fundamental do século 20. Porém a contribuição foi breve: em fevereiro do ano seguinte, Gullar publicou um artigo no Suplemento Dominical do Jornal do Brasil questionando as teses do movimento, e o rompimento viria em seguida.

A disputa entre concretos e neoconcretos sempre ocupou um campo mais ou menos nebuloso entre a intelectualidade, mas os ecos, que influenciaram muitas das expressões artísticas nacionais desde os anos 1960, chegaram até 2015, quando Augusto de Campos e Ferreira Gullar trocaram cartas agressivas pelo Jornal Folha de S.Paulo.

Em 1976, ele lançou seu trabalho mais célebre, o Poema Sujo – cem páginas de poesia na sua mais alta expressividade política. Símbolo de resistência à ditadura, o poema chegou aos brasileiros primeiro por uma fita que pertencia a Vinicius de Moraes, trazida de Buenos Aires, onde Gullar estava exilado.

Colecionador de prêmios, Gullar venceu o Prêmio Machado de Assis da Biblioteca Nacional, em 2005, e o Prêmio Camões, o mais importante da língua portuguesa do mundo, em 2010. Era membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) desde 2014 — depois de anos dizendo que esta honraria ele não aceitaria.

Ferreira Gullar não poderia passar incólume nosso cinema. Ele não realizou filmes mas o marcou atrás e à frente das câmeras. Nas telas, Gullar é sobretudo uma voz. Como narrador, ele colaborou com marcantes documentários de mestres do Cinema Novo, no auge e mesmo após o movimento. A aspereza sonora de seu timbre, temperado pela experiência como radialista na juventude em sua São Luis natal, rimava com a aridez das imagens.

Apenas para Leon Hirszman (1938-1987), seu colega de CPC, fez a locução de Maioria Absoluta (1964), da trilogia Cantos do Trabalho (1976), do primeiro e do terceiro episódios (ao lado de Vanda Lacerda) de Imagens do Inconsciente (1986) e do póstumo ABC da Greve (1979/1990). Para Joaquim Pedro de Andrade (1932-1988), emprestou a voz em Brasília, Contradições de uma Cidade Nova (1967) e O Aleijadinho (1978). Eduardo Escorel divide com ele a narração de seu Chico Antônio, Um Herói com Caráter (1984).

Mas é com nada menos que Cabra Marcado para Morrer (1964/1984), de Eduardo Coutinho (1933-2014), não por coincidência montado por Escorel, que se deu a mais crucial colaboração cinematográfica de Gullar. Sua participação como um dos narradores do filme, ao lado do próprio Coutinho e de Tite de Lemos, fecha um círculo iniciado na concepção mesma do projeto original.

Rompendo com sua poesia radical do final dos anos 1950, Gullar abraçou a poesia militante no começo de 1960, quando se engajou no CPC à convite do dramaturgo Oduvaldo Vianna Filho (1936-1974). Incentivado por Vianinha, escreveu então seu primeiro poema de cordel engajado, João Boa-Morte, Cabra Marcado Pra Morrer (1962), sobre o assassinato do líder camponês João Pedro Teixeira (1918-1962).

Vianinha não escreveu a peça sobre o mesmo assunto combinada com Gullar, mas Coutinho, então um jovem cineasta militante no CPC, arregaçou as mangas para desenvolvê-lo num filme de ficção, o segundo projeto cinematográfico do centro na sequência do longa de episódios Cinco Vezes Favela (1963).

Com a aquiescência de Gullar, o filme emprestaria o entrecho e parte do título do cordel, sendo batizado Cabra Marcado Para Morrer. A eclosão do golpe militar de 1964 interrompeu as filmagens e apenas no começo dos anos 1980, Coutinho retrabalharia o material bruto preservado para dar origem, nas palavras de Gullar, a um filme sobre o filme que não pôde ser feito – e sobre o impacto devastador da repressão política sobre o destino de Elizabeth Teixeira, viúva de João Pedro, e de seus filhos. O resto é história.

Neste dilacerante 2016, Ferreira Gullar imantou o documentário de Walter Carvalho sobre o poeta Armando de Freitas Filho ao discutir poesia com o retratado em Manter a Linha da Cordilheira Sem o Desmaio da Planície, lançado na competição do Festival É Tudo Verdade. Sua estreia comercial, no próximo ano, fortalecerá a celebração fílmica gullariana em andamento em dois projetos.

Diretor dos dois principais retratos gravados do amigo, O Canto e A Fúria – Ferreira Gullar (1994) e Ferreira Gullar – A Necessidade da Arte (2005), Zelito Viana já tem rodado um documentário sobre ele em longa-metragem. Haveria ainda uma versão em longa-metragem da telessérie Há Muitas Noites na Noite (TV Brasil, 2015) realizada por Sílvio Tendler a partir da obra-prima do poeta, Poema Sujo (Companhia das Letras, 2016), seu uivo memorialista escrito em 1975 durante o exílio.

Faleceu na manhã do dia 04 de dezembro de 2016, no Rio de Janeiro, aos 86 anos. Ferreira Gullar estava internado no Hospital Copa D’Or, na Zona Sul do Rio com um quadro de insuficiência respiratória e pneumonia, apontada como a causa da morte.

Gullar deixou esposa, dois filhos e oito netos.

Filmografia

:: Filmografia como Locutor/Narrador ::

1991 :: O Fio da Memória
1986 :: Imagens do Inconsciente
1984 :: Chico Antônio, Um Herói com Caráter
1984 :: Cabra Marcado para Morrer
1979 :: ABC da Greve
1978 :: O Aleijadinho
1976 :: Cantos do Trabalho
1967 :: Brasília, Contradições de uma Cidade Nova
1964 :: Maioria Absoluta

:: Filmografia como Roteirista ::

1971 :: Em Família

:: Filmografia como Ator ::

1970 :: Os Herdeiros
1968 :: A Vida Provisória

:: Filmografia como Ele Mesmo ::

2016 :: A Arte Existe Porque a Vida Não Basta!
2016 :: Manter a Linha da Cordilheira Sem o Desmaio da Planície
2014 :: A Vida Não Basta!
2015 :: Há muitas noites na noite
2012 :: Dossiê Jango
2009 :: Utopia e Barbárie
2007 :: A Paixão segundo Callado
2007 :: Oscar Niemeyer – A Vida é um sopro
2005 :: Ferreira Gullar – A Necessidade da Arte
2005 :: Vinícius
1997 :: À meia noite com Glauber Rocha
1994 :: O Canto e A Fúria – Ferreira Gullar

Publicações

GULLAR, Ferreira. A alquimia na quitanda: artes, bichos e barulhos nas melhores crônicas do poeta. São Paulo: Três Estrelas, 2016.
GULLAR, Ferreira. Bananas Podres. : , .
GULLAR, Ferreira. AYALA, Walmir (Org.). Poemas Escolhidos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015.
GULLAR, Ferreira. Autobiografia poética. Autêntica, 2015.
GULLAR, Ferreira. Na Vertigem do dia. Rio de Janeiro: José Olympio, 2013.
GULLAR, Ferreira. Toda poesia. Rio de Janeiro: José Olympio, 2010.
GULLAR, Ferreira. Em alguma parte alguma. : , 2010.
GULLAR, Ferreira. Em Alguma Parte Alguma. : , .
GULLAR, Ferreira. Rabo de Foguete: Anos de Exílio. : Revan, 2010.
GULLAR, Ferreira. Rabo de Foguete: Anos de Exílio. : Revan, 1998.
GULLAR, Ferreira. Poema Sujo. São Paulo: Companhia das Letras, 2016.
GULLAR, Ferreira. Poema sujo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1976.
GULLAR, Ferreira. Crime na flora. Rio de Janeiro: José Olympio, .
GULLAR, Ferreira. Dentro da Noite Veloz. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1975.
GULLAR, Ferreira. Vanguarda e Subdesenvolvimento. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978. 2ª Ed.
GULLAR, Ferreira. Vanguarda e Subdesenvolvimento. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1969.
GULLAR, Ferreira. Por Você, Por Mim. Rio de Janeiro: Edição SPED, 1968.
GULLAR, Ferreira. A luta corporal. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1975. 3ª Ed.
GULLAR, Ferreira. A luta corporal. 2ª Ed. acrescida de Novos Poemas. Rio de Janeiro: José Álvaro Editor, 1966.
GULLAR, Ferreira. Cultura Posta em Questão. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1965.
GULLAR, Ferreira. Cultura Posta em Questão. Rio de Janeiro: Edição Universitária, 1964.
GULLAR, Ferreira. Quem matou Aparecida?. Rio de Janeiro: CPC-UNE, 1962.
GULLAR, Ferreira. João Boa-Morte, Cabra marcado pra morrer. Rio de Janeiro: CPC-UNE, 1962.
GULLAR, Ferreira. Teoria do Não-Objeto. Rio de Janeiro: Edição SDJB, 1959.
GULLAR, Ferreira. O Formigueiro. : Autêntica, 2015.
GULLAR, Ferreira. O Formigueiro. : , 1955.
GULLAR, Ferreira. A luta corporal. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 1954.
GULLAR, Ferreira. Um Pouco Acima do Chão. Rio de Janeiro: Edições Espaço, 1958.
GULLAR, Ferreira. Um Pouco Acima do Chão. São Luís: Edição do Autor, 1949.

Compartilhe em suas Redes Sociais!
  • Twitter
  • Facebook
  • email
  • Google Reader
  • LinkedIn
  • BlinkList
  • Google Bookmarks
  • MSN Reporter
  • Myspace
  • Posterous
  • Tumblr
  • More

Sobre História do Cinema Brasileiro

Site do História do Cinema Brasileiro.