Franco Zampari (1989-1966)

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Biografia

FOTO Franco ZampariFranco Zampari foi um Produtor cinematográfico e teatral italiano nascido em Nápoles no ano de 1898. Fundador e diretor administrativo do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), a companhia estável de maior projeção dos anos 1950, conjunto que solidifica os princípios do teatro moderno brasileiro. Faleceu na cidade de São Paulo no ano de 1966.

O engenheiro Franco Zampari vem para o Brasil em 1922, aqui se casando com Débora Prado Marcondes, advinda de família tradicional paulista. Começa a dirigir algumas empresas do grupo e, em pouco tempo, está integrado à vida intelectual da cidade. Fervoroso admirador do teatro, resolve escrever e montar nos jardins de sua casa a comédia A Mulher de Braços Alçados, fazendo armar palco e acomodações para 400 pessoas. O evento, tornado notório, desperta a atenção dos amadores da cidade, que começam a prestigiá-lo.

Verificando que a cidade não dispunha de teatros em número suficiente para albergar as melhores produções da época, nascidas exatamente dos amadores, Zampari dispõe-se a construir um teatro. Segundo Aldo Calvo, outro engenheiro seu amigo, “ele queria um teatro em estilo veneziano, construído no Morumbi”. Mais realistas, os amadores encontram um velho edifício na Rua Major Diogo, no bairro do Bexiga ou Bela Vista que, em quatro meses, passa por uma reforma total, sendo aparelhado com a mais moderna infra-estrutura de carpintaria, iluminação e palco. Aberto em 11 de outubro de 1948, com o monólogo La Voix Humaine, de Jean Cocteau, declamado em francês por Henriette Morineau, e A Mulher do Próximo, de Abílio Pereira de Almeida, o TBC, passa a abrigar as produções amadoras disponíveis.

Muito cedo Zampari verifica que apenas em regime amador o teatro não teria futuro. Razão pela qual ele banca a instituição da companhia profissional, contratando os mais talentosos entre os amadores e importando o diretor italiano Adolfo Celi, que se encontrava na Argentina, para iniciar as atividades. O conjunto profissionalizado entra em cena com Nick Bar… Álcool, Brinquedos, Ambições, de William Saroyan, em 1949.

No mesmo ano, Alfredo Mesquita transfere a Escola de Arte Dramática (EAD), criada no ano anterior, para um andar superior do edifício; sendo igualmente aberto o Museu de Arte Moderna (MAM), este com Ciccillo Matarazzo à frente, noutro local. Em 1950, é inaugurada a Companhia Cinematográfica Vera Cruz, com Zampari capitaneando a iniciativa. Essas iniciativas são um bloco de empreendimentos, que visam atualizar e reciclar a cultura paulistana. O TBC e a Vera Cruz são geridos por sociedades de ações, comportando um conselho administrativo; mas obedecem, de fato, às atuações de seus idealizadores.

O TBC mostra-se um trunfo e, rapidamente, ganha vida própria, albergando um vasto repertório. Para dar conta das inúmeras produções, Zampari importa novos diretores, tais como Ruggero Jacobbi, Flaminio Bollini, Luciano Salce. Em 1955, entusiasmado com o sucesso e na expectativa de abrir novas frentes, inaugura uma sala no Rio de Janeiro, além de excursionar por várias capitais do país.

Os primeiros sinais de crise surgem em torno de 1956. Ou porque algumas produções são muito caras e não propiciam retorno; ou porque alguns integrantes, descontentes com a falta de oportunidades internas, resolvem seguir carreiras independentes. Em 1955, saem Sergio Cardoso e Nydia Licia; em 1956, Paulo Autran, Adolfo Celi e Tônia Carrero; e, noutra direção, Cacilda Becker, Walmor Chagas e Cleyde Yáconis; em 1957, Fernanda Montenegro, Fernando Torres e Gianni Ratto.

Apesar da crise, recebe em 1958 os prêmios Saci e Associação Paulista de Críticos Teatrais (APCT), pelos dez anos do TBC; recebendo, no mesmo ano, o Título de Cidadão Paulistano e a Taça de Ouro do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo.

A Vera Cruz, por outro lado, sorve os lucros do TBC. De modo que, em 1958, sofrendo um espasmo cerebral, segundo notícias da época, Zampari afasta-se do teatro. A crise financeira é contornada com a solicitação de uma ajuda financeira ao Estado. Zampari retorna à direção do teatro mas, em 1960, combalido, passa definitivamente a direção à Sociedade Brasileira de Comédia, administradora jurídica do empreendimento, entregando a direção artística a Flávio Rangel, o primeiro diretor brasileiro a assumi-la. Recolhido e vendo os amigos se afastarem, Franco Zampari morre quase abandonado em 1966, tendo perdido sua imensa fortuna no TBC e na Vera Cruz.

Sobre sua importância para a cena nacional, declara Miroel Silveira, o amigo e fundador da Escola de Arte Dramática: “Ninguém que não tenha vivido naquele tempo em São Paulo pode imaginar o clima de euforia teatral que havia em relação ao TBC. O público era enorme. […] Foi a maravilha que devemos indiscutivelmente a Franco Zampari. Ele, a despeito de sua imensa fortuna, não tinha o menor interesse pela bilheteria, somente o nível artístico dos espetáculos empolgava a ele. Seu maior sonho era reunir todo o teatro nacional em um grande truste controlado por ele, com dezenas de elencos atuando simultaneamente em São Paulo, no interior paulista, no Rio de Janeiro e em todo o Brasil. Ele quase conseguiu isso, no entanto sonhou alto demais. […] É ao Franco que nós devemos o grande teatro que houve neste período em São Paulo. Além dele, Ziembinski e Paschoal Carlos Magno são nomes que nunca devem ser omitidos quando se fala do teatro brasileiro”.

Bibliografia

Livros:

MESQUITA, Alfredo. Depoimento. In: DEPOIMENTOS II. Rio de Janeiro: Serviço Nacional de Teatro, 1977. p. 29.

VANNUCCI, Alessandra. Missão Italiana: Histórias de uma Geração de Diretores Italianos no Brasil. São Paulo: Perspectiva, 2014.

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