Gilberto Gil

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Biografia

Gilberto Passos Gil Moreira, em arte mais conhecido como Gilberto Gil, é um Compositor, Cantor, Instrumentista e intelectual brasileiro nascido na cidade de Salvador (BA) no dia 26 de junho de 1942.

Até os nove anos de idade viveu com o pai, o médico José Gil Moreira, e a mãe, a professora primária Claudina, na cidade de Ituaçu, no interior da Bahia, para onde foi com vinte dias de nascido. De volta a Salvador, foi morar na casa de sua tia Margarida, e passou a freqüentar a Academia Regina, onde teve aulas de acordeom.

Estudou o instrumento por quatro anos, tendo neste período formado o grupo Bando Alegre com colegas do colégio Nossa Senhora da Vitória, onde estudava. Mais tarde, formou também o grupo Os Desafinados. Freqüentou programas da Rádio Excelsior, onde se reuniam acordeonistas nordestinos. Lá conheceu Sivuca e Hermeto Pascoal. Em 1961, foi presenteado por sua mãe com um violão, instrumento que veio a executar com muita personalidade. Teve como influência musical as canções típicas do sertão baiano, como as cantorias dos cegos e violeiros de feiras e os dobrados tocados pelas bandinhas em festas religiosas.

Os discos de Francisco Alves, Orlando Silva, Dorival Caymmi e Luiz Gonzaga, transmitidos pelo serviço de alto-falantes, típicos em cidades interioranas, também faziam parte de seu universo sonoro. Mais tarde, passou a ouvir também Garoto, Johnny Alf, Lúcio Alves, além de João Gilberto, divisor de águas na vida musical de muitos dos grandes nomes da MPB: “Quando o João Gilberto apareceu, eu disse: ‘Taí o que eu queria’. E entrei na bossa nova com ele.” (Encarte do disco “Gilberto Gil”, da série “História da MPB – grandes compositores” – Abril Cultural).

Paralelamente à música, prestou vestibular e ingressou no curso de Administração de Empresas. Formou-se em 1964, pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), ano em que se casou com Belina, com quem teve as filhas Nara Gil e Marília. Seu primeiro emprego foi na Alfândega, em Salvador. Logo após sua formatura, foi morar em São Paulo, onde passou a trabalhar na multinacional Gessy-Lever. Nos fins de semana cantava no Bar Bossinha, complementando seu salário com os 30 cruzeiros ganhos por noite.

Eles se conheceram em 1963. No ano seguinte, ao lado de Maria Bethânia, Gal Costa, Tom Zé e outros, apresentou o show “Nós, por exemplo”, dirigido por Caetano Veloso. Esse show representou um marco histórico, pois pela primeira vez reuniu o núcleo que futuramente viria a ser conhecido como Doces bárbaros. Ainda em 1964, realizou, com o mesmo grupo, o espetáculo “Nova bossa velha e velha bossa nova” e apresentou o show individual “Inventário”, com direção de Caetano Veloso. Em 1965, ao lado de Maria Bethânia, Gal Costa, Caetano e Tom Zé, participou do espetáculo “Arena Canta Bahia”, dirigido por Augusto Boal, no TBC (antigo Teatro Brasileiro de Comédia) em São Paulo. No ano seguinte, dividiu o palco do Teatro Opinião com Vinícius de Morais e Maria Bethânia, no show “Pois é”. Também nesse ano, quando ainda trabalhava na Gessy-Lever, gravou seu primeiro compacto pela RCA-Victor, contendo suas composições “Procissão” e “Roda”. Em 1967, gravou seu primeiro LP, “Louvação”, pela Philips. Foi neste ano que optou definitivamente pela música, abandonando o emprego. Nessa época, separou-se de sua primeira esposa. Suas composições foram se tornando conhecidas e ganharam interpretações de grandes estrelas da MPB, como Elis Regina, que então comandava o programa “O Fino da Bossa”, transmitido pela TV Record de São Paulo. “Roda” tornou-se um grande sucesso na voz da cantora. Foi convidado a participar diversas vezes desse programa, onde interpretou as composições “Procissão”, “Eu vim da Bahia” e “Viramundo”. As composições “Roda” e “Viramundo” fizeram parte da trilha sonora dos filmes de mesmo nome, com direção de Sérgio Moniz e Geraldo Sarno, respectivamente. Foi com a interpretação de Elis que se classificou em quinto lugar no II Festival de Música Popular Brasileira, promovido pela TV Record em 1966, com a música “Ensaio geral”. Um ano depois, obteve a segunda classificação no mesmo festival, desta vez com “Domingo no parque”, interpretada pelo autor ao lado do grupo “Os Mutantes”, com arranjo de Rogério Duprat. Neste mesmo festival, Caetano Veloso obteve a quarta colocação com “Alegria, alegria”. Os amigos baianos, através de suas composições, davam início ao Tropicalismo, movimento que apresentou uma nova concepção estética, pela qual era possível misturar “o berimbau às guitarras elétricas dos irreverentes Mutantes”. O marco deste movimento foi o LP “Tropicália ou Panis et Circensis”, lançado em 1968 pela Philips, com Gil, Caetano, Gal Costa, Torquato Neto, Capinam, Tom Zé, Rogério Duprat e Nara Leão. A faixa “Geléia geral”, música composta em parceria com o letrista Torquato Neto, teve especial destaque por representar “uma síntese dos cânones do próprio movimento tropicalista, além de ser um modelo de seu contorno poético” (Jairo Severiano em “A Canção no Tempo”, p.125). Ainda em 1968, inscreveu-se no “Festival Internacional da Canção”, com a música “Questão de ordem”, porém não chegou a se classificar. Neste mesmo festival, Caetano foi vaiado ao apresentar “É proibido proibir”, e fez o célebre discurso de repúdio ao júri que chegou a ser lançado em disco. Neste mesmo ano, participou do IV Festival de Música Popular Brasileira com “Divino maravilhoso”, em parceria com Caetano Veloso. Interpretada por Gal Costa, obteve o terceiro lugar no evento. Em seguida, a dupla foi convidada pela TV Tupi de São Paulo para apresentar o programa de televisão “Divino Maravilhoso”, que ficou no ar por pouco tempo. Anteriormente, em 1967, já havia sido contratado pela TV Excelsior de São Paulo para fazer o “Ensaio Geral”, programa também de curta duração. Neste período, o Brasil passava por um dos momentos políticos mais difíceis de toda a sua história. No fim de 1968, foi decretado o AI-5, que, entre outros danos, cerceou a liberdade de expressão. No dia 27 de dezembro de 1968, Gil foi preso junto com Caetano Veloso sob o pretexto de desrespeito ao hino e à bandeira do Brasil. Foram levados para o quartel do exército de Marechal Deodoro, no Rio de Janeiro, permanecendo detidos por dois meses. Em fevereiro de 1969 foram soltos, porém em regime de confinamento, seguindo para Salvador. Nos dias 20 e 21 de julho, junto com Caetano, apresentou o show de despedida, antes de embarcarem com suas esposas, as irmãs Sandra e Dedé Gadelha, para exílio na Inglaterra. A realização do show só foi permitida devido à necessidade de arrecadar fundos para as passagens e a estadia nos primeiros meses de exílio. Fixaram-se em Londres, no bairro Chelsea. O espetáculo de despedida do Brasil transformou-se, três anos mais tarde, no disco “Barra 69”. Antes de seguir para o exílio, compôs “Aquele abraço” que, segundo o historiador Jairo Severiano, é sua composição mais executada. A música foi premiada com o Golfinho de Ouro, conferido pelo Museu da Imagem e do Som (MIS) do Rio de Janeiro, naquele ano. O autor, porém, recusou o prêmio, em artigo publicado pelo jornal “O Pasquim”, em que acusava os jurados do Conselho Superior de MPB, presidido pelo então diretor do MIS, Ricardo Cravo Albin, de conservadores. A partir deste episódio, sua vida sofre transformações: passa a cultivar uma alimentação macrobiótica e adere ao misticismo.

De volta do exílio, lançou, em 1972, o LP “Expresso 2222”, pela Philips, no qual exibe sua habilidade violonística na faixa que dá nome ao disco. O LP incluiu, entre outras, a música de Gordurinha “Chiclete com Banana”, que fez bastante sucesso em sua interpretação. Em 1973, apresentou-se ao lado de Gal Costa no Midem, em Cannes, e no Olympia de Paris. No ano seguinte, realizou o show ” Temporada de verão”, apresentado na Bahia ao lado de Caetano Veloso e Gal Costa, lançado em disco pela Philips. Em junho de 1976, reuniu-se com Gal, Caetano e Maria Bethânia no elenco do espetáculo “Doces Bárbaros”, que estreou no Anhembi, em São Paulo, show que gerou o LP homônimo “Doces Bárbaros ao vivo”, lançado pela PolyGram. Junto ao grupo, saiu em turnê até dia sete de julho, quando foi preso em Florianópolis (SC), ao lado do baterista Chiquinho Azevedo, por porte de maconha. Ficou detido por pouco tempo, reintegrando-se em seguida ao grupo. No início de 1977, junto com Caetano, participou do 2º Festival Mundial de Arte e Cultura Negra, em Lagos, Nigéria. Sua primeira participação no famoso “Festival de Montreux”, na Suíça, foi em 1978, ano em que também se apresentou na capital argentina. Em 1979, fechando a trilogia dos “re”, iniciada com “Refazenda” (1975) e “Refavela” (1977), lançou o LP “Realce”, contendo a faixa “Não chore mais”, versão de “No Woman, no cry” (Bob Marley) e “Super-Homem – a canção”, músicas que tiveram grande sucesso e que fizeram do disco um dos mais vendidos de sua carreira. Em 1978, lançou ainda mais um “re”, o “Refestança”, ao lado de Rita Lee. Seu primeiro disco internacional, “Nightingale”, foi produzido por Sérgio Mendes e lançado, em 1979, nos Estados Unidos, onde apresentou-se em diversas cidades. Neste ano, excursionou ainda pela Alemanha e Áustria.

Em 1980, realizou show ao lado de Jimmy Cliff, com quem gravou um especial exibido pela TV Globo. Foi o primeiro negro a integrar o Conselho de Cultura da Bahia e recebeu, em 1981, da Câmara Municipal da cidade de São Paulo, um diploma de gratidão e a medalha Anchieta. Seu interesse pela política sempre foi grande, tendo sido eleito vereador em Salvador em 1988, ano em que lançou o livro O poético e o político, pela Editora Paz e Terra, escrito em parceria com Antônio Risério. Até os dias de hoje, é ativo militante do Partido Verde e criou a Fundação Onda Azul. Ainda na década de 1980, contratado da WEA, lançou os LPs “Luar” (1981), “Um Banda Um” (1982), “Extra” (1983), “Raça humana” (1984), “Dia Dorim Noite Neon” (1985) e “O Eterno Deus Mu Dança” (1989), entre outros. Compôs a trilha dos filmes “Quilombo” (1984), de Carlos Diégues, “Jubiabá” (1986), de Nelson Pereira dos Santos, e “Um trem para as estrelas” (1987), de Carlos Diégues. Em 1985, foi eleito, mais uma vez, para receber o prêmio Golfinho de Ouro do Governo do Estado do Rio de Janeiro e não só aceitou, como foi dirigido em seu espetáculo no Teatro Municipal pelo primeiro presidente do MIS, Ricardo Cravo Albin, em cuja administração o primeiro Golfinho havia sido por ele recusado.

Em 1990, foi condecorado pelo Ministro da Cultura da França com o título de Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras. Nesse mesmo ano, foi homenageado pelo X Prêmio Shell para Música Brasileira pelo conjunto de sua obra. Nos anos 1990, lançou o disco “Parabolicamará”, através do qual demonstrou estar “antenado” com os acontecimentos e desenvolvimentos tecnológicos mundiais: “De jangada leva uma eternidade/De saveiro leva uma encarnação/De avião o tempo de uma saudade/Pela onda luminosa leva o tempo de um raio/Tempo que levava Rosa pra arrumar o balaio”. O mesmo aconteceria em 1997, com o CD “Quanta”, no qual registrou a faixa “Pela Internet”, uma paródia ao “Pelo telefone”, música de Donga considerada o primeiro samba a ser gravado, onde diz “Que o chefe da polícia carioca avisa pelo celular/Que lá na praça Onze tem um vídeopôquer para se jogar”. Em 1993, lançou, com Caetano Veloso, o disco “Tropicália 2”, em comemoração aos 25 anos do Tropicalismo. No ano seguinte, lançou “Gilberto Gil unplugged”, no qual regravou de forma acústica grandes sucessos como “Refazenda”, “Realce”, “Expresso 2222”, “Aquele abraço” e “Palco”, entre outros, ao lado dos músicos Arthur Maia, Jorge Gomes, Celso Fonseca, Marcos Suzano e Lucas Santana. O disco foi gravado ao vivo e lançado também em vídeo. Nesse ano, foi homenageado pelo VII Prêmio Sharp de Música, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Ainda em 1994, reuniu-se com Caetano Veloso, Gal Costa e Maria Bethânia na quadra da escola de samba Mangueira para o show “Doces Bárbaros na Mangueira”, que comemorou os 18 anos dos Doces Bárbaros. Nesse mesmo ano, a escola os homenageou com o samba-enredo “Atrás da verde e rosa só não vai quem já morreu”, parafraseando o sucesso “Atrás do trio elétrico”. No dia primeiro de junho, os Doces Bábaros voltaram a se reunir no Royal Albert Hall, em Londres, com a participação da bateria da Mangueira, em espetáculo organizado por Bob Broughton, antigo presidente da Shell Brasil. Em 1997, lançou “Quanta” e, no ano seguinte, a versão ao vivo do show “Quanta gente veio ver”. O espetáculo foi apresentado em diversas cidades do norte ao sul do Brasil, seguindo em turnê pelo exterior, em apresentações em 27 cidades, entre abril e dezembro de 1997, para um público aproximado de 235.240 espectadores. O disco “Quanta” foi premiado com o Grammy na categoria World Music. Em 1999, a Universal Music lançou a caixa “Ensaio geral”, produzida por Marcelo Fróes, com 13 CDs que abrangem o período do artista na gravadora PolyGram, entre 1966 e 1977.

Em 2000, realizou seu primeiro trabalho ao lado de Milton Nascimento, o show e o CD “Milton e Gil”, lançado simultaneamente no Brasil, Europa e EUA. Nesse mesmo ano, lançou “Gilberto Gil e as canções de Eu, Tu, Eles”, contendo a trilha composta para o filme homônimo de Andrucha Waddington. A trilha foi baseada na obra de Luiz Gonzaga, forte referência em sua carreira, e contou também com duas canções originais para o filme: “O amor daqui de casa” e “Pegadas do amor”. O CD foi contemplado com o Disco de Ouro, pelas mais de 100.000 cópias vendidas.

Em 2001, gravou, na Feira de São Cristóvão, o CD “São João vivo”, lançado pela WEA Music. O disco registrou suas composições “De onde vem o baião”, “Lamento sertanejo (forró do Dominguinhos)” (c/ Dominguinhos), “Refazenda”, “Na casa dela” e “Toda menina baiana”, além de sua adaptação para “Madalena (entra em beco, sai em beco)” (Isidoro) e músicas de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, como “Asa branca”, “Qui nem jiló” e “Respeita Januário”, entre outras.

Em 2002, lançou o CD e DVD “Kaya N’Gan Daya”, gravado no Tuff Gong Sudios, em Kingston (Jamaica), no qual registrou 16 obras de Bob Marley. Nesse mesmo ano, estreou, no Canecão (RJ), a turnê mundial de lançamento do disco. Também em 2002, a WEA lançou a caixa “Palco”, produzida por Marcelo Fróes, com os 30 discos gravados pelo artista na Warner, entre 1975 e 2002, além de material inédito. No dia 25 de dezembro desse mesmo ano, apresentou o show “Kaya N’Gan Daya” na Rocinha (RJ), abrindo mão de seu cachê, com o propósito de angariar fundos para equipar a primeira Casa de Cultura da comunidade.

No dia 1 de janeiro de 2003, foi empossado como Ministro da Cultura do governo de Luís Inácio Lula da Silva. Nesse mesmo ano, lançou o CD “Kaya N’Gan Daya – ao vivo” registro do show realizado em 2002. Foi homenageado pela Academia Latina de Artes e Ciências da Gravação (LARAS) com o prêmio Grammy Latino, na categoria Personalidad do Ano 2003. Neste mesmo ano, apresentou-se na sede da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York, em homenagem às vítimas do ataque à sede da instituição em Bagdá, no qual perdeu a vida o diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello. A partir de abril, o show, que recebeu o nome de “Eletracústico”, foi apresentado em Barcelona, no Rock in Rio-Lisboa, em São Paulo e em cidades européias.

Em 2004, o show “Eletracústico” foi apresentado no Canecão (RJ), com a participação de Sérgio Chiavazolli (guitarra), Marcos Suzano (percussão e instrumentos eletrônicos), Gustavo Di Dalva (percussão) e Cícero Assis (acordeom e teclados). Nesse mesmo ano, foi lançada nova edição, revista e ampliada de “Gilberto Gil: todas as letras” (Companhia das Letras).

Em 2005, foi contemplado com o Polar Music Prize, prêmio concedido pelo governo sueco, conhecido como um Nobel informal da música, sendo o primeiro latino-americano a receber a honraria, já conferida a Paul McCartney, Bob Dylan, BB King e Ray Charles. Nesse mesmo ano, recebeu as insígnias de Grande Oficial da Legião de Honra, a mais alta condecoração outorgada pelo governo francês.

Participou, em 2007, da gravação ao vivo do projeto “Cidade do Samba” (CD e DVD), de Zeca Pagodinho e Max Pierre, apresentado por Ricardo Cravo Albin, interpretando em dupla com Marjorie Estiano “Chiclete com banana” (Gordurinha e Almira Castilho). Ainda nesse ano, fez turnê internacional com o espetáculo “Banda Larga”, passando por Marrocos, Suíça, Finlândia, Espanha, Itália, Portugal, França e Açores, apresentando o show, na volta ao Brasil, no Circo Voador (RJ).

Em 2008, o portal de vídeos YouTube lançou o “Canal de Gilberto Gil”, o primeiro dedicado a um artista da América Latina, contendo shows, entrevistas, cenas de camarim e depoimentos de outros artistas. Nesse mesmo ano, lançou o CD “Banda Larga Cordel”, produzido por Liminha. No repertório, suas canções “Os pais” e “Outros viram”, ambas em parceria com Jorge Mautner, “Despedida de solteira”, “Não grude, não”, “Samba de Los Angeles”, “La Renaissance Africaine”, “Olho mágico”, “Não tenho medo da morte”, “Amor de Carnaval”, “Gueixa no tatame”, “A faca e o queijo”, “Canô”, “Máquina de ritmo”, “O oco do mundo” e a faixa-título, além de “Formosa” (Baden Powell e Vinicius de Moraes).

Em 2009, apresentou, no Espaço Tom Jobim (RJ), o “Concerto de cordas”, ao lado de seu filho Bem Gil e do violoncelista Jaques Morelenbaum. Ao lado dos dois músicos, levou “The String Concert” para uma turnê pela Europa (Noruega, Portugal, França, Bélgica, Inglaterra, Alemanha e Itália). Ainda em 2009, lançou o CD/DVD “BandaDois”, gravado no Teatro Bradesco (SP), com direção de Andrucha Waddington, tendo a seu lado os filhos Bem Gil (violão, pandeiro e tamborim) e José Gil (baixo). No repertório, três canções inéditas de sua autoria: “Das duas, uma”, que compôs para o casamento de sua filha Maria; “Quatro coisas”; e “Pronto pra preto”, apresentada no Back2Black Festival. E ainda clássicos de seu repertório, entre os quais “Amor até o fim”, em duo com Maria Rita, lançada na voz de Elis Regina nos anos 1960 e nunca gravada por ele.

Em 2010, apresentou-se no Vivo Rio com o show”Banda dois”, ao lado de Bem Gil e com a participação especial de Jaques Morelenbaum. Nesse mesmo ano, lançou o CD “Fé na Festa”, contendo suas canções “Norte da saudade” (c/ Perinho Santana e Moacyr Albuquerque), “São João carioca” (c/ Nando Cordel), “Lá vem ela” (c/ Vanessa da Mata), “O livre-atirador e a pegadora”, “Assim, sim”, “Estrela azul do céu”, “Marmundo”, “Vinte e seis”, “Não tenho medo da vida” e a faixa-título, além de “Maria minha” (Targino Gondim e Eliezer Selton)”, “Aprendi com o rei” (João da Silva) e “Dança da moda” (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira). O disco teve show de lançamento ao ar livre na Quinta da Boa Vista (RJ), pelo projeto “São João Carioca”, uma parceria da Globo Rio com a GG Produções, de Flora Gil, e da Espiral, de Letícia Monte. Ainda em 2010, o selo Discobertas lançou o CD duplo “Gilberto Gil – Retirante”, reunindo gravações raras do cantor e compositor. No primeiro CD, “Primeiras gravações”, constam 13 canções retiradas de compactos editados entre 1962 e 1966 – “Povo petroleiro”, “Coça Coça Lacerdinha”, “Serenata do teleco-teco”, “Maria Tristeza”, “Vontade de amar”, “Meu luar, Minhas canções”, “Decisão – Amor de Carnaval”, “Vem, Colombina”, “Procissão”, “Roda”, “Iemanjá”, “Ensaio Geral – versão compacto” e “Minha Senhora” -, e ainda um registro amador feito em 1972 pela equipe da revista “Bondinho” da música “Felicidade vem depois”, composição de 1962. O segundo CD, “Demo para Arlequim”, reproduz uma fita demo gravada no início de 1966 na editora musical Arlequim, em São Paulo, com as faixas “Me diga, moço”, “Rancho da Rosa Encarnada”, “Vento de Maio”, “Ensaio Geral”, “Rancho da Boa Vinda”, “Serenata de teleco-teco”, “Meu choro pra você”, “Beira-mar”, “Zabelê”, “Minha Senhora”, “Ninguém dá o que não tem”, “Decisão – Amor de Carnaval”, “Antigamente”, “Maria – Me perdoe, Maria”, “Iemanjá”, “A última coisa bonita, “Retirante” e “Cantiga”, todas no formato voz e violão. Nesse mesmo ano, fez palestra no POP (Pólo de Pensamento Contemporâneo), no Rio de Janeiro, tendo como condutor o jornalista Hugo Sukman. O CD “Fé na festa” foi apontado como um dos 10 Melhores Discos de 2010 do jornal ”O Globo” na edição de 28 de dezembro de 2010.

Em 2011, participou, como convidado da Orquestra Imperial, do “Tributo a Jorge Mautner”, realizado no Circo Voador (RJ). Nesse mesmo ano, numa parceria do Instituto Cultural Cravo Albin com o selo Discobertas, foi lançado o box “100 Anos de Música Popular Brasileira”, contendo quatro CDs duplos, com áudio restaurado por Marcelo Fróes da coleção de oito LPs da série homônima produzida por Ricardo Cravo Albin, em 1975, com gravações raras dos programas radiofônicos “MPB 100 ao vivo” realizadas no auditório da Rádio MEC, em 1974 e 1975. O compositor participou do volume 6 da caixa, com suas canções “Roda” (c/ João Augusto), na voz de Rosana Toledo, “Procissão” (c/ Edy Star), na voz de Pery Ribeiro, e “Preciso aprender a só ser”, na voz de Rosana Toledo.

Em 2012, gravou depoimento à posteridade no Museu da Imagem e do Som, no Rio. Participaram da entrevista Rosa Maria de Araújo, presidente do MIS, Jorge Mautner, Carlos Rennó, Hermano Vianna e Marcelo Fróes. Nesse mesmo ano, apresentou-se à frente da Orquestra Petrobras Sinfônica, regida pelos maestros Jaques Morelenbaum e por Carlos Prazeres, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, como parte das celebrações do seu 70º aniversário. O espetáculo foi registrado para lançamento em DVD. Nesse mesmo ano, lançou, em parceria com Elba Ramalho, o CD gravado ao vivo “São João carioca”, com as faixas “Olha pro céu” (Luiz Gonzaga e José Fernandes), “Procurando tu” (Antonio Barros e J. Luna), “Esperando na janela” (Targino Gondim, Manuca Almeida e Raimundinho do Acordeom), “Cajuína” (Caetano Veloso) e “Eu só quero um xodó” (Dominguinhos e Anastácia), entre outras. Ainda em 2012, foi lançado o CD “Especial Ivete, Gil e Caetano”, registro do programa homônimo realizado pela Rede Globo no ano anterior. O disco foi contemplado com o Grammy Latino, na categoria Melhor Álbum de Música Popular Brasileira na 13ª edição do prêmio.

Em 2013, foi indicado ao Prêmio da Música Brasileira em duas categorias: Melhor Cantor/MPB e Melhor Álbum/MPB, pelo CD “Concerto de cordas & Máquinas de ritmo”, produzido por Jaques Morelenbaum. Foi indicado também na categoria Finalistas – Especiais, pelo DVD “Concerto de cordas & Máquinas de ritmo”, dirigido por Andrucha Waddington. Nesse mesmo ano, foi lançado o livro “Cultura pela palavra – Coletânea de artigos, entrevistas e discursos dos ministros da Cultura 2003-2010” (Editora Versal). Organizado por Armando Almeida, Maria Beatriz Albernaz e Maurício Siqueira, o livro contem artigos assinados e discursos proferidos, além de entrevistas concedidas a jornais brasileiros e estrangeiros pelo compositor, quando Ministro da Cultura, e por seu sucessor, Juca Ferreira. Ainda em 2013, foi lançado o livro “Gilberto Gil bem perto”, de autoria da jornalista Regina Zappa, com noite de autógrafos na Livraria da Travessa (RJ) com a presença do biografado. Nesse mesmo ano, recebeu indicação à 14ª edição do Grammy Latino, nas categorias Melhor Álbum MPB, pelo CD “Concerto de Cordas & Máquinas de Ritmo”, e Melhor Canção Brasileira, pela música “Eu descobri”. Também em 2013, recebeu indicação à 14ª edição do Grammy Latino, nas categorias Melhor Álbum MPB, pelo CD “Concerto de Cordas & Máquinas de Ritmo”, e Melhor Canção Brasileira, pela música “Eu descobri”.

Em 2014, foi lançado o disco “Gilberto Gil & Gal Costa – Live in London”, inédito registro de um show de novembro de 1971. Encontrada por acaso, a gravação gerou um cd duplo com 18 faixas, dentre as quais as nove primeiras trouxeram Gal ao violão e Gil nos vocais. As outras são interpretações de Gil com a banda formada pelo baixista Bruce Henry, pelo percurssionista Chiquinho Azevedo e pelo baterista Tutty Moreno.

O show aconteceu no Centro Estudantil da City University, na Inglaterra, durante o exílio de Gil e Caetano.

Também no mesmo ano participou do disco “Caymmi centenário”, em homenagem a Dorival Caymmi e dirigido por Dori Caymmi e Mário Adnet. Ao lado de Nana e Danilo Caymmi, Chico Buarque e Caetano Veloso, regravou três músicas do compositor: “Samba da minha terra”, “Rosa morena” e “O que é que a baiana tem”, na qual dividiu os vocais com Caetano e Chico.

No mesmo ano, saiu o disco-homenagem “Gilbertos samba”, uma compilação de 10 faixas do repertório de João Gilberto acrescidas de duas inéditas, uma delas em homenagem a ele. Algumas músicas (dentre elas algumas composições suas) que se tornaram clássicos na voz de João Gilberto, tais como “Doralice”, “Desafinado”, “Eu vim da Bahia” e “Pato”, foram regravadas e ganharam novos arranjos.

Lançado pela Sony e com produção de Moreno Veloso, o CD marcou um mergulho de Gilberto Gil na bossa nova e na carreira de João Gilberto.

Já no fim de 2014, o CD virou o show “Gilbertos Samba – ao vivo”. Às músicas do disco somaram-se títulos como “Rosa morena”, “Ladeira da preguiça”, “Mancada”, “Rio, eu te amo” e “Máquina de ritmo”. Domenico Lancellotti, Bem Gil e Mestrinho, músicos da banda, tiveram passe livre para sugerir títulos para o repertório.

Dirigido por Andrucha Waddington, o show virou um CD duplo com 21 faixas, 11 a mais que o CD original, e um DVD homônimos.

Em 2015, ao lado de Caetano Veloso, estreou a turnê “Dois amigos, um século de música”. Com apresentações em diversas cidades do mundo, os shows marcaram a comemoração aos 50 anos de carreira dos músicos e à amizade entre eles. Amsterdã foi o palco da primeira apresentação, no Concertgebouw. Mas o show em Israel foi o mais polêmico, uma vez que virou motivo de debate entre os que sugeriam que Tel Aviv deveria ser excluída da turnê por causa do conflito Palestina-Israel.

No repertório, cerca de 26 canções que variavam de apresentação para apresentação, com exceção de dois pedidos trocados entre eles: “Marginália 2”, composta por ele em parceria com Torquato Neto e incluída no setlist por conta de um pedido especial de Caetano, e “Desde que o samba é samba”, de Caetano, solicitada pelo amigo: “Fiz questão de que ele incluísse “Desde que o samba é samba”, música dele que eu adoro. Mas não sou chegado a revelar o repertório antes do show, tira um grande elemento, que é a surpresa.”

A série de apresentações marcou o reencontro musical dos dois, que não tocavam juntos desde 1994, quando dividiram os palcos na turnê “Tropicália Duo”. Sobre os 21 anos que as separam, afirmou: “As mudanças foram sutis e naturais devido ao nosso amadurecimento, mas nossa afinidade segue intacta como sempre. Vejo Caetano mais leve e jovial do que nunca em seus últimos trabalhos”.

No mesmo ano, concorreu ao 26º Prêmio da Música Brasileira, na Categoria Especial, com o DVD “Gilberto Sambas – Ao vivo”, dirigido por Andrucha Waddington, e saiu vitorioso.

Continuando a série de apresentações de sua turnê ao lado de Caetano Veloso, fez show no Metropolitan, no RJ. Ainda no Rio, apresentou-se no Circo Voador, na Lapa, em mais um show lotado da turnê com Caetano Veloso.

Um dos shows da turnê foi gravado e deu origem ao disco “Dois amigos, um século de música” e a um DVD homônimo, lançados pela Som Livre. Das 29 faixas, clássicos como “Eu vim da Bahia”, “Expresso 2222”, “Tropicália”, “Back in Bahia”, “Se eu quiser falar com Deus”, “Desde que o samba é samba”, “Nossa gente”.

No fim do ano, o disco foi citado em duas listas de melhores do ano, a do jornal O Globo e a do jornalista Mauro Ferreira, do jornal O Dia.

Em janeiro de 2016, foi indicado ao 58º Grammy Awards, na categoria Melhor álbum de World Music, ao lado de Anoushka Shankar, Zomba Prision Project, Ladysmith Black Mambazo e Angelique Kidjo, grande vencedora da noite.

Foi casado ainda com Nana Caymmi e Sandra Gadelha, com quem teve os filhos Pedro Gil – que chegou a ser baterista da banda do pai, mas morreu prematuramente em acidente de automóvel no Rio de Janeiro em 1990 -, Preta Gil e Maria. Mais tarde, casou-se com Flora, para quem dedicou a música homônima, e que lhe deu os filhos Isabela, Bem e José Gil.

Em 2016, foi internado no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, para tratar uma insuficiência renal.

Bibliografia

Livros:

ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular BrasileiraCriação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Rio de Janeiro: Rio de Janeiro: Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006.
ALBIN, Ricardo Cravo. MPB: a história de um século. Rio de Janeiro: Funarte, 1998.
AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008. 3ª ed. EAS Editora, 2014.
CALADO, Carlos. Tropicália: a história de uma revolução musical. São Paulo: 34, 1997.
CHEDIAK, Almir. Songbook Gilberto Gil vol 1 e 2. Rio de Janeiro: Lumiar, 1992.
COHN, Sergio (Org.). Gilberto Gil. Rio de Janeiro: Azougue Editoral, 2007.
GIL, Gilberto e RISÉRIO, Antônio. O poético e o político. Editora Paz e Terra, 1988.
RENNÓ, Carlos. Todas as Letras. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.
REPPOLHO. Dicionário Ilustrado de Ritmos & Instrumentos de Percussão. Rio de Janeiro: GJS Editora, 2012. 2ª ed. Idem, 2013.
RISÉRIO, Antônio (org.). Expresso 2222. Editora Corrupio.
SEVERIANO, Jairo e HOMEM DE MELLO, Zuza. A canção no tempo vol. 2. São Paulo: Editora 34, 1998.
ZAPPA, Regina. Gilberto Gil bem perto. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2013.

Internet:

DICIONÁRIO CRAVO ALBIN DA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA. http://dicionariompb.com.br/gilberto-gil

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