Gilda Abreu (1904-1979)

Biografia

Gilda de Abreu, em arte também conhecida como Gilda Abreu, foi uma cineasta e atriz nascida em Paris, na França, no dia 23 de setembro de 1904.

Filha da cantora Nícia Silva de Abreu, Gilda de Abreu veio para o Brasil com quatro anos, quando os pais ali passavam férias, para ser batizada e registrada no Consulado brasileiro.

Em 1914, com a Primeira Guerra Mundial, a mãe, que cumpria periodicamente contratos na Europa, instalou-se definitivamente no Rio de Janeiro. Filha de artistas, aos 18 anos começou a estudar canto com a própria mãe, que se havia dedicado ao ensino, revelando-se excelente soprano ligeiro. Formou-se no Instituto Nacional de Música.

Já como cantora lírica, fez concertos e apresentar-se em festas de caridade. Em 1933, estreou no Teatro Recreio com a peça musicada A Canção Brasileira, de Luiz Iglesias e Miguel Santos. Seguem-se então, entre outras, A Casa Branca, de Freire Júnior; A Cantora do Rádio, de Miguel Santos; e Jurity, de Viriato Correia e Chiquinha Gonzaga. Nessa época, conheceu o cantor Vicente Celestino, com quem se casa (em 1933 e com quem vive até a morte deste, em 1968), e forma uma companhia que se apresenta em todo o País.

Em 1934, canta no espetáculo Lúcia de Lammermmor, de Gaetano Donizetti, no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro.

Em 1935, estreou no cinema como atriz, no filme Bonequinha de Seda (1936). Antes de se tornar diretora, Gilda de Abreu foi atriz, romancista, autora teatral e de radionovelas. Em 1946, estreou como diretora, no filme O Ébrio (1946), ao lado do seu marido. O filme é estrondoso sucesso de público, consagrando-a. Fez apenas seis filmes, três como atriz (como Pinguinho de gente) e três como diretora, como Coração materno (1949).

Principiou a cantar em festas de caridade e concertos, chegando a interpretar em 1920 (ano em que conheceu Vicente Celestino), no Teatro Municipal, do Rio de Janeiro, as óperas Les Contes d’Hoffmann, de Jacques Offenbach (1819-1880), Il Barbiere di Siviglia, de Gioacchino Rossini (1792-1868) e Lakmé, de Léo Delibes (1836-1891).

Em 1933 iniciou suas atividades no teatro musicado, participando da opereta A canção brasileira, de Luís Iglésias, Miguel Santos e Henrique Vogeler, trabalhando ao lado de Vicente Celestino, no Teatro Recreio, do Rio de Janeiro, com quem casou cinco meses após a estréia e passou a trabalhar em estreita colaboração. Ainda em 1933 escreveu todo um ato da opereta A princesa maltrapilha, levada à cena no mesmo ano. Em 1935, estrelou o filme de Oduvaldo Viana Bonequinha de seda, baseado na valsa de mesmo nome, de sua autoria, um dos sucessos de Vicente Celestino. Nesse ano, compôs a opereta Aleluia, estreada em 1939, no Teatro Carlos Gomes, do Rio de Janeiro.

Em 1937 fez o filme Alegria, que não teve grande repercussão. Em 1942, escreveu a letra das canções Mestiça (música de Ary Barroso) e Ouvindo-te (música de Vicente Celestino). Até 1944, esteve ligada a uma companhia de operetas, da qual Vicente também fazia parte, que realizou excursões por todo o Brasil. Em 1946 escreveu o roteiro e dirigiu o filme O ébrio, também inspirado em outra composição de sucesso do marido, que atuava no papel-título.

Em 1949, escreveu o roteiro e dirigiu o filme Pinguinho de gente e, em 1951 escreveu o roteiro, dirigiu e interpretou o papel principal do filme Coração materno, título de outro grande sucesso de Vicente Celestino. Em 1950 compôs com Vicente Celestino e Ercole Varetto a opereta A patativa, e escreveu com Luís Iglésias o libreto da opereta Olhos de veludo (música de Vicente Celestino).

Na década de 70, dedicou-se ao CANS (Cultura Artística Nícia Silva), entidade que fundou, em homenagem à mãe.

Como Autora de vários livros infantis e romances, publicou também A vida de Vicente Celestino, São Paulo, 1946. Em 1977, dirigiu o documentário curto Canção de Amor, sobre a vida e a carreira de Vicente Celestino.

Cantora, compositora, escritora, cineasta e atriz, Gilda de Abreu faleceu aos 74 anos de idade, no Rio de Janeiro (RJ), no dia 04 de junho de 1979.

Em 1994, Lúcia Murat dirigiu o curta As Precursoras sobre a obra de Gilda de Abreu e Carmen Santos.

Filmografia

:: Filmografia como Diretora ::

1977 :: Canção de Amor (CM)
1949 :: Coração Materno
1949 :: Pinguinho de Gente
1946 :: O ébrio

:: Filmografia como Atriz ::

1949 :: Coração Materno
1937 :: A Alegria (Inacabado)
1936 :: Bonequinha de Seda

:: Filmografia como Ela Mesma ::

1978 – Mulheres de Cinema (CM)
1973 – Folia (CM)

Publicações

ABREU, Gilda. A Vida de Vicente Celestino. : , .
ABREU, Gilda de. Minha vida com Vicente Celestino. São Paulo: Batterfly, 2003.

Bibliografia

:: Fontes de Referência ::

Livros:

RAMOS, Fernão Pessoa; MIRANDA, Luiz Felipe (Org.). Enciclopédia do Cinema Brasileiro. São Paulo: Editora Senac, 2004.
SILVA NETO, Antonio Leão da. Astros e estrelas do cinema brasileiro. 2. ed. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2010.

Internet:

SITE NOSTALGIA. http://www.nostalgiabr.com/biografias/gildaabreu.htm

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