Helena Solberg

Biografia

Helena Solberg é uma cineasta, roteirista, produtora de cinema e atriz brasileira nascida no Rio de Janeiro (RJ) no ano de 1942. Como cineasta e produtora cinematográfica, tem uma carreira singular que completa cinco décadas e que foi aprofundada por mais de trinta anos nos EUA. Sua militância política e feminista, somada à experiência com o Cinema Novo brasileiro, resultou em uma cinematografia rara, atenta aos movimentos de sua época e engajada em modos de olhar e atuar no mundo.

Iniciou sua carreira como cineasta, lançando o curta em preto e branco, A Entrevista (1966). Neste, ao retratar a preparação de uma noiva para seu casamento, Helena Solberg tece uma reflexão sobre sua formação burguesa do Rio de Janeiro, e inaugura um traço marcante de seu trabalho: a conjugação entre documentário e ficção. O filme mostra apresenta entrevistas com moças da época enfocando assuntos como casamento, sexo e política, enquanto a imagem de uma noiva se preparando para o casamento é desmistificada pelo áudio das entrevistas.

Reconhecida por ser a única diretora mulher a participar do Cinema Novo brasileiro, trabalhou com Paulo Cezar Sarraceni (Capitu, 1968), Rogério Sganzerla (A Mulher de Todos, 1969) e Mário Carneiro (A Entrevista).

Na década de 70, do Brasil em tempos de ditadura militar, resolve residir nos Estados Unidos por cerca de 30 anos, onde vive um longo período de liberdade criativa, com produções que refletem sobre a presença da mulher na frente e atrás das câmeras, questionando temas de representação e autoria no ensejo da onda de teorização feminista que ganhava força naquela década.

Em terras norte-americanas, dirigiu várias produções. Sua primeira realização nos EUA condensa esses desejos: The Emerging Woman (1974), costurado coletivamente pelo grupo Women’s Film Project criado por Helena Solberg em Washington.

As duas produções seguintes compõem o que a pesquisadora Mariana Tavares chamou de Trilogia da Mulher, marcada pelo esforço em alinhavar reflexão social e experimentação na própria forma fílmica: A Dupla Jornada (The Double Day) (1975), que examina as condições da mão de obra feminina na Argentina, México, Venezuela e Bolívia, e Simplesmente Jenny (1977), que se dedica à vivência de três jovens em um reformatório boliviano para adolescentes.

Seguiram-se, então: From the Ashes… Nicaragua Today (1982), que ganhou o National Amy Award; Home of the Brave (1986), vencedor do Blue Ribbon Award, no American Film Festival; The Brazilian Connection (1989); The Forbiden Land (1990), vencedor do Bronze Apple Award, no National Educational Film Festival.

Tomando como tema as problemáticas das relações políticas entre Estados Unidos e América Latina, na segunda frente de investigação de seu cinema, Helena dirige e produz seis documentários politicamente engajados. Abarcando do final dos anos 1970 ao começo da década de 1990, as produções analisam a ação da política externa dos EUA em apoio às ditaduras latino-americanas nos anos 1980 e a capacidade de mobilização civil frente a regimes totalitários. Dentre eles está o aclamado Das Cinzas: Nicarágua Hoje (1982), sobre a Revolução Sandinista vista sob o olhar de uma família, vencedor de um Prêmio Emmy em 1983.

Morando no exterior, Helena Solberg dirigiu diversos filmes para canais de televisão internacionais, como HBO, PBS, Channel 4, Radiotelevisão Portuguesa (RTP), National Geographic Channel, entre outros.

Em 1995, voltando ao Brasil, Helena Solberg dirigiu Carmem Miranda: Banana Is My Business, uma mistura de documentário e ficção que narra a vida e a carreira de Carmen Miranda. A produção também dá voz a questões políticas, abordando o olhar estrangeiro sobre o Brasil da época. Lançado nos cinemas dos EUA e do Brasil, foi seu filme de maior reconhecimento internacional, sendo convidado a participar de inúmeros festivais e ganhando prêmios de Melhor Filme em cinco países, inclusive sendo vencedor dos prêmios de Melhor Filme pelo júri popular, da crítica e o especial do júri no Festival de Brasília. Além disso, levou o Gold Hugo Award de Melhor docu-drama no Festival de Chicago e foi selecionado entre os 10 melhores filmes de não-ficção pelo Andrew Sarris. Entre outros prêmios, também saiu vitorioso do Festival de Havana e de Uruguai. Banana Is My Business também foi transmitido nacionalmente nos EUA em rede de televisão.

Em sua mais recente fase, Helena Solberg aponta para novos rumos para sua carreira. Em 2004, Helena Solberg dirigiu Vida de Menina, baseado no diário de Helena Morley, marca a estreia da realizadora na direção de uma adaptação ficcional. O filme foi o grande vencedor do Festival de Gramado de 2004, com prêmios de Melhor Filme, Fotografia, Direção de Arte, Roteiro e Música. Em 2005, ganhou o prêmio de melhor filme pelo público no Festival do Rio. E Ludmila Dayer, que atuou como protagonista, ganhou o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Natal, em 2006.

Em seguida, Helena Solberg dirigiu e co-roteirizou Palavra (En)Cantada (2009), no qual realiza uma viagem histórica pelas relações entre música popular e poesia brasileira, com depoimentos de grandes nomes da nossa cultura. Sucesso de crítica e público, o documentário ganhou o prêmio de Melhor Direção no Festival do Internacional Rio 2008 e foi o filme do gênero mais assistido nos cinemas brasileiros no ano.

Seu filme A Alma da Gente (2013), codirigido com David Meyer, enfoca a ausência do estado através de um grupo de dança na Favela da Maré. Retomando com força a pauta feminista, em 2017, realiza o longa Meu Corpo Minha Vida, e levanta a bandeira de uma das discussões mais atuais nos contextos sociais e políticos do país: a descriminalização do aborto.

De 03 a 22 de abril de 2018, trazendo à luz temáticas sobre o feminino, conflitos políticos históricos e aventurando-se pela ficção, em sua singular trajetória, Helena Solberg terá 17 filmes exibidos integralmente em retrospectiva inédita, através da Mostra Helena Solberg, patrocinada pelo Banco do Brasil, em Brasília, com curadoria de Carla Italiano e Leonardo Amaral, e produção da Associação Filmes de Quintal. Em tempos de ênfase no papel e atuação feminina no mercado do cinema, a mostra terá exibições comentadas por pesquisadores especialistas e uma Aula Magna com a cineasta, além de debates, no Centro Cultural Banco do Brasil Brasília.

Filmografia

:: Filmografia como Diretora ::

2017 :: Meu corpo minha vida
2013 :: A Alma da Gente (Codir. David Meyer)
2009 :: Palavra (En)Cantada
2004 :: Vida de Menina
1997 :: Brasil em cores vivas (Brazil in living colours)
1994 :: Carmen Miranda: Bananas Is My Business
1990 :: A Terra Proibida (The Forbidden Land)
1986 :: Terra dos Bravos (Home of the Brave)
1985 :: Retrato de um terrorista
1983 :: Chile: By Reason or By Force (Chile: pela razão ou pela força)
1983 :: A Conexão Brasileira (The Brazilian Connection)
1982 :: From the ashes… Nicaragua today (Das Cinzas… Nicarágua Hoje)
1977 :: Simplesmente Jenny
1975 :: The double day (A DUPLA JORNADA)
1974 :: A Nova Mulher (The Emerging Woman)
1970 :: Meio-Dia/strong>
1966 ::
A entrevista

:: Filmografia como Roteirista ::

2009 :: Palavra (En)Cantada
1994 :: Carmen Miranda: Bananas Is My Business

:: Filmografia como Produtora Executiva ::

1994 :: Carmen Miranda: Bananas Is My Business

:: Filmografia como Atriz ::

1968 :: Capitu

Prêmios

:: Prêmio de Melhor Direção no Festival do Internacional Rio pelo filme Palavra (En)Cantada
:: Prêmio do National Emmy Award para From the ashes… Nicaragua today (Das Cinzas… Nicarágua Hoje)

Bibliografia

Fontes de Referência

Livros:

TAVARES, Mariana. Helena Solberg: do cinema novo ao documentário contemporâneo. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2014.

Internet:

ABRACI-RJ – Associação Brasileira de Cineasta do Rio de Janeiro – http://www.abracirj.org.br/
HISTÓRIA DO CINEMA BRASILEIRO. Helena Solberg. Disponível no endereço: http://www.historiadocinemabrasileiro.com.br/helena-solberg/
FILMEB. Helena Solberg. Disponível no endereço: http://www.filmeb.com.br/

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