Leon Hirszman (1937-1987)

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Biografia

Leon Hirszman foi um importante cineasta brasileiro, um dos expoentes do Cinema Novo, nascido no Rio de Janeiro, no dia 22 de novembro de 1937 e falecido na mesma cidade no dia 16 de setembro de 1987.

Ainda estudante de Engenharia iniciou suas atividades em cineclubes e ligou-se a Augusto Boal, Gianfrancesco Guarnieri e Oduvaldo Viana Filho. Começou suas atividades cinematográficas junto com sua vigorosa e consistente militância política, no movimento estudantil no Rio de Janeiro, tendo sido um dos fundadores do CPC – Centro Popular de Cultura, da União Nacional dos Estudantes (UNE).

Foi no CPC que ele realizou sua primeira produção, o curta Pedreira de São Diogo, um dos cinco episódios do filme “Cinco vezes favela”, lançado em 1962. Seu primeiro longa de ficção foi uma adaptação de Nelson Rodrigues, A Falecida, estrelada por Fernanda Montenegro e Ivan Cândido e que já versava sobre um dos temas caros a Leon: a alienação das classes populares.

Documentarista e autor de ficção, em sua obra figuram os documentários Nelson Cavaquinho, Megalópolis, Ecologia e Sexta-feira da Paixão, Sábado de aleluia. Em 1971, ele realiza o longa-metragem São Bernardo, baseado na história homônima de Graciliano Ramos, que apesar do enorme sucesso de crítica, não conseguiu se transformar em sucesso de público.

Ainda na década de 1970 filmou os importantes documentários Cantos do trabalho no campo em 1976, o longa-metragem Que país é esse? em 1977, Rio, carnaval da vida em 1978 e realizou o longa ABC da greve, sobre o movimento operário da região do ABC paulista.

Em 1981, recebeu a consagração de público e crítica e o Leão de Ouro do Festival de Veneza com o filme Eles não usam black-tie, adaptação da peça teatral de Gianfrancesco Guarnieri, que escreveu com Leon o roteiro e os diálogos do filme. Gianfrancesco Guarnieri também trabalhou como ator no filme fazendo o papel de Otávio, o pai, militante e corajoso, que entra em conflito com o filho Tião (Carlos Alberto Riccelli), dividido entre suas aspirações por uma vida pequeno-burguesa ao lado da noiva Maria (Beth Mendes) e as exigências do movimento grevista. Guarnieri compôs com Fernanda Montenegro (genial no papel de Romana, mulher de Otávio), um dos momentos de maior expressividade do cinema: a cena em que ambos, desolados por causa da ruptura com o filho e pela morte do amigo Bráulio (Milton Gonçalves), se põem a catar feijão.

“Eles não usam black-tie” recebeu outros importantes prêmios como: Grande Prêmio Coral Negro no 3º Festival Internacional do Novo Cinema Latino-Americano, em 1981; Grande Prêmio do Festival dos Três Continentes e Espiga de Ouro do Festival Internacional de Vallodolid, também em 1981, alem do Prêmio Air France de 1982.

Leon Hirszman teve um papel extremamente importante na afirmação do cinema brasileiro e deixou vários textos onde se pode ler agudas reflexões sobre as condições da produção cinematográfica no Brasil, o mercado nacional e sua respectiva legislação de proteção, a Embrafilme, as correntes de criação cinematográfica e o cinema político.

Leon morreu vítima de AIDS que ele contraiu durante uma transfusão de plasma sanguíneo, depois de quase um ano de tratamento, deixando três filhos: Irma, Maria e João Pedro, uma corajosa companheira, Cláudia Fares Menhem e uma imensa e incurável saudade entre seus muitos amigos, acostumados a receber dele montanhas de afeto e sabedoria.

A obra de Leon Hirszman vem sendo restaurada digitalmente e relançada em DVD pela Videofilmes.

Filmografia

:: Filmografia como Diretor ::

:: Bahia de Todos os Sambas (interrompido em 1984) – codireção (com Paulo Cesar Saraceni)
:: Imagens do Inconsciente (1983-86) – roteiro, baseado em texto de Nise da Silveira, e direção.
1981 :: Eles não Usam Black-tie – roteiro (com Gianfrancesco Guarnieri) e direção
1979 :: ABC da Greve (1979-1990|90) – roteiro e direção
1977 :: Que País é Este? – roteiro (com Zuenir Ventura) e direção
1977 :: Rio, Carnaval da Vida – roteiro (com Sérgio Cabral) e direção
1982 :: Partido Alto – roteiro e direção
1976 :: Cantos do Trabalho: Cacau
1976 :: Cantos do Trabalho: Cana-de-açúcar
1975 :: Cantos do Trabalho: Mutirão
:: Cinema Brasileiro: Mercado Ocupado (1975-1995|95) – roteiro e direção
1973 :: Megalópolis – direção
1972 :: Ecologia
1972 :: São Bernardo – roteiro e direção
1969 :: Nelson Cavaquinho
1967 :: Garota de Ipanema – roteiro (com Eduardo Coutinho) e direção
1965 :: A Falecida – roteiro (com Eduardo Coutinho) e direção
1964 :: Sexta-feira da Paixão, Sábado de Aleluia
1964 :: Maioria Absoluta
1962 :: Pedreira de São Diogo – roteiro e direção
1959 :: A Mais-Valia Vai Acabar, Seu Edgar (1959-1960|60) – colagem de filmes usada na peça de Oduvaldo Vianna Filho.

:: Filmografia como Roteirista ::

:: Imagens do Inconsciente (1983-86) – roteiro, baseado em texto de Nise da Silveira
1981 :: Eles não Usam Black-tie
1979 :: ABC da Greve (1979-1990|90)
1977 :: Que País é Este?
1977 :: Rio, Carnaval da Vida
1982 :: Partido Alto
:: Cinema Brasileiro: Mercado Ocupado (1975-1995|95)
1972 :: São Bernardo
1967 :: Garota de Ipanema – roteiro (com Eduardo Coutinho)
1965 :: A Falecida – roteiro (com Eduardo Coutinho)
1964 :: Maioria Absoluta
1962 :: Pedreira de São Diogo

:: Filmografia como Produtor Executivo

1970 :: A Vingança dos 12

Prêmios

:: Prêmio Especial do Júri para Leon Hirszman pelo seu trabalho em Eles não Usam Black-tie no Festival de Veneza.
:: Prêmio FIPRESCI para Leon Hirszman pelo seu trabalho em Eles não Usam Black-tie no Festival de Veneza.
:: Prêmio Especial do Júri para Leon Hirszman pelo seu trabalho em Eles não Usam Black-tie no Festival de Cannes.
:: Prêmio Espiga de Ouro para Leon Hirszman pelo seu trabalho em Eles não Usam Black-tie no Festival de Valladolid, Espanha.
:: Prêmio Grand Coral para Leon Hirszman pelo seu trabalho em Eles não Usam Black-tie no Festival de Havana, Cuba.

Bibliografia

Livros:

SALEM, Helena. Leon Hirszman: o navegador das estrelas. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 1997.

Internet:

SITE OFICIAL. http://www.leonhirszman.com.br/

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