LIVRO – Cine Pathé

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Sinopse

Para viver intensamente os filmes, o melhor mesmo era assistir a eles em uma sala de cinema de verdade, no centro da cidade ou nos bairros. Todas tinham o mesmo ritual: a sala escurecendo ao som de uma envolvente melodia, e uma pesada cortina se abrindo para que a tela branca no centro do palco recebessse o feixe de luz que dominava o olhar do espectador durantes duas horas. Mas cada cinema tinha sua música. A do Cine Pathé era ‘A Lenda da Montanha de Cristal'”.

Em Cine Pathé, Celina Albano faz um maravilhoso passeio não só pela história deste cinema, inaugurado no dia 8 de maio de 1948, mas também pela história da produção cinematográfica nacional e mundial da segunda metade do século XX, pelos cinemas de bairro que pipocaram naquela época e pela própria Savassi.

“O requinte de suas instalações o diferenciava dos outros cinemas de bairro: sala de 1.000 lugares com poltronas confortáveis, equipamentos sofisticados, além da tela luminosa Westrec, considerada a mais perfeita em termos de visibilidade e projeção. O filme de estréia foi Devoção, um típico melodrama de Hollywood, produzido pela Warner Brothers”. Começava, assim, “uma história de amor de gerações de belo-horizontinos com um cinema de bairro, o cine Pathé”.

São tantas as histórias e fatos inusitados que ali ocorreram, que merecia um filme. No dia 22 de fevereiro de 1953, por exemplo, “os freqüentadores do Pathé organizaram um movimento de protesto contra o aumento de 80 centavos no preço do ingresso. Uma demonstração da importância que o cinema representava no lazer dos moradores do bairro dos Funcionários”.

O Cine Pathé era também o alvo predileto das brincadeiras das turmas da região: “pular o muro da Rua Alagoas para não pagar ingresso; subir na laje da fachada para jogar baralho; trocar os letreiros dos filmes em cartaz, criando títulos irreverentes como A Carga da Brigada Ligeira para A Ligeira Briga da Cagada, O Jardim Encantado por Jacinto na Merda ou As Pupilas do Senhor Reitor por As Putas do Senhor Rei. Uma brincadeira que ficou na história dessa rapaziada foi a do dia do ‘foguetório’ de bombinhas no cigarro. O barulho foi tão assustador que provocou o nascimento do filho do famoso goleiro do Atlético, Kafunga. Ele estava no cinema com sua esposa e teve que levá-la direto para a maternidade”.

Ao longo de 50 anos, “grandes sucessos de bilheteria foram exibidos na sua tela: O Egípcio, baseado no best seller do escritor Mika Waltari, com Edmund Purdon, Jean Simmons, Gene Tierney e Victor Mature; O Pecado Mora ao Lado, de Billy Wilder, com Marilyn Monroe em uma de suas cenas mais famosas, a do vestido branco esvoaçando no ar de um bueiro em Nova York; a superprodução de Cecil B. de Mille, O Maior Espetáculo da Terra, com Cornel Wilde, Gloria Graham e James Stewart; 20 Mil Léguas Submarinas, da obra de Júlio Verne, com Kirk Douglas; Melodia Imortal, a lacrimejante história do músico Eddie Duchin, com Tyrone Power e Kim Novak; O Homem Que Sabia Demais, o eletrizante thriller de Alfred Hitchcock, com James Stewart e Doris Day; e as sensacionais acrobacias de Burt Lancaster, Gina Lolobrigida e Tony Curtis, em Trapézio”.

A onda de fechamento das salas dos cinemas de bairro da década de 80 não atingiu o Cine Pathé. Após quase duas décadas resistindo e “depois de meio século fabricando sonhos, proporcionando momentos alegres e tristes, exibindo em sua tela obras-primas e malditas, sucessos e fracassos de público, suas portas pantográficas foram fechadas no dia 18 de abril pelos herdeiros de Antônio Luciano, o maior proprietário de cinemas de Minas Gerais”. Hoje o cinema permanece fechado e em suas instalações funciona um estacionamento.

Autora

Maria Celina Pinto Albano, nascida em Belo Horizonte, é doutora em Sociologia. Ainda na infância, no bairro dos Funcionárioos, viu surgir O Cine Pathé e com ele uma grande paixão pelo cinema, tendo, mais tarde, se tornado crítica do jornal Estado de Minas. Professora da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG, secretária de Cultura de Minas Gerais e do município de Belo Horizonte, é especialista em políticas públicas. Em suas pesquisas, sempre privilegiou temas relacionados com o espaço urbano e a cultura.

Ficha Técnica

Título: Cine Pathé
Coleção: BH: A cidade de cada um
Autora: Maria Celina Pinto Albano
Editora: Conceito Editorial
Ano da Edição: 2008
ISBN:

Fonte: http://www.bhdecadaum.com.br/

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