Pedro Bloch (1914-2004)

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Biografia

Pedro Bloch foi um médico foniatra, roteirista, escritor, jornalista, dramaturgo e compositor nascido em Jitomir, na Ucrânia, no dia 17 de junho de 1914. Autor de cerca de 30 peças encenadas, algumas de incontestável popularidade. Elogiado por sua carpintaria teatral, ressalta valores humanistas revestindo-os com um jogo de cena melodramático, de inegável empatia com o grande público. Era primo do empresário Adolpho Bloch. Faleceu no Rio de Janeiro (RJ) em 2004.

Sua família deixou a Ucrânia e se instala na cidade do Rio de Janeiro quando Bloch ainda é criança. Aos 23 anos, formou-se na Faculdade Nacional de Medicina. Em parceria com Roberto Ruiz, escreve O Grande Alexandre, encenada em 1947 pela Companhia Déa-Cazarré, no Teatro Regina, Rio de Janeiro, e em 1948, no Teatro Boavista, em São Paulo.

Pedro Bloch atuou como diretor teatral do Pen Clube do Brasil, local de estreia de As Mãos de Eurídice, em 1950, seu primeiro grande sucesso como autor. O monólogo é protagonizado por Rodolfo Mayer, que se consagra no papel de Gumercindo Tavares, o que o faz manter o espetáculo em seu repertório em quase toda a sua carreira artística. A peça torna-se, posteriormente, um fenômeno mundial pela enorme quantidade de representações, nas quais se destacam intérpretes famosos como o espanhol Enrique Guitart e o italiano Marcello Moretti, do Piccolo Teatro di Milano. Na Inglaterra, a peça é produzida por Sean Connery. Nos Estados Unidos é levada com o título Conscience, em 1952, no Booth Theatre, na Broadway, com atuação de Maurice Schwartz.

A Camisola do Anjo, peça em co-autoria com Darcy Evangelista, dirigida por Esther Leão, no Teatro Rival, em 1950, conta a história de uma viúva recente, assediada por um novo pretendente. O marido volta à terra, como anjo, para perturbar seu sucessor. Em Os Inimigos Não Mandam Flores, estreada em 1951, no Teatro Serrador, com direção de Graça Mello, Bloch compõe um psicodrama vivido por um casal. Na França, as atrizes Edith Piaf, Juliette Greco e Marina Vlady, fazem-na conhecida como a peça dos divórcios, pois todas acabam por se divorciar no período dos ensaios.

Em 1951, Irene é montada pela Companhia Dulcina-Odilon e Um Cravo na Lapela é levada pelos Os Artistas Unidos, no Teatro Copacabana. No mesmo ano são representadas mais duas peças, ambas protagonizadas, com êxito, por Procópio Ferreira: Morre um Gato na China, na qual há uma cena em que o ator apaga o cigarro na sola do sapato, cumprindo à risca a indicação da rubrica no texto, e Esta Noite Choveu Prata, um monólogo que lhe dá a oportunidade de compor três tipos diferentes, unidos pela mesma história, o português Francisco Rodrigues, o maestro italiano Pietro Bonardi e o ator Camilo. Uma nova temporada da peça, realizada em 1957, no Teatro Serrador, acaba transformando o espetáculo no segundo carro-chefe de Procópio Ferreira, que totaliza mais de mil representações.

Eva Todor estreia A Mancha, com direção de Willy Keller, no Teatro Serrador, em 1952, ano em que Bloch emplaca outro sucesso, Dona Xepa, com Alda Garrido no papel-título. A peça lota o Teatro Rival por três temporadas consecutivas e acaba virando filme em 1959. Segundo Décio de Almeida Prado, Bloch foi desinibido comercialmente, “não tanto por amor à bilheteria”, pois como médico “não dependia do palco – mas porque seus limites, como pensador e como especialista em teatro, coincidiam exatamente com os do grande público. Ele nunca hesitou em compor peças sob medida para determinadas personalidades ou em imaginar situações carregadas de melodramaticidade, abrindo as comportas para o histrionismo latente em tantos atores, mesmo entre os maiores”.

Em 1955, a peça Leonora é montada pela Companhia Dulcina-Odilon e também vai para o cinema, com roteiro de Bloch, com título Leonora dos Sete Mares. Os estudos, que conclui na Escola Nacional de Música, possibilitam que o autor se dedique à composição de músicas para algumas de suas peças, entre elas Uma Flauta para o Negro – também conhecida como Mulher de Briga – dirigida por Delorges Caminha, em 1955. Para Soraia, Posto 2, compõe uma marcha-rancho com Ary Barroso. Encenada por Léo Jusi, em 1963, a peça trata dos sonhos e da realidade dos operários de uma construção.

Brasileiros em Nova York, com Henriette Morineau, e Miquelina, com Alda Garrido, são montadas, respectivamente, pelos diretores José Maria Monteiro e Léo Jusi, em 1959. Segundo o crítico Yan Michalski: As comédias e os dramas de costumes de Pedro Bloch captam com certo dom de observação personagens e cacoetes do cotidiano carioca; e o grande público, na época do lançamento dos seus grandes êxitos, não se chocava com os aspectos piegas e novelescos da sua dramaturgia. Um dos seus textos mais enxutos é o ato único Procura-se uma Rosa, que em 1961, junto com peças homônimas de Vinicius de Moraes e Glaucio Gill, inaugurou o Teatro Santa Rosa, em Ipanema. As peças, cujo argumento fundamenta-se em uma notícia de jornal, são remontadas, em 1965, para outra inauguração, a do Teatro Miguel Lemos, em Copacabana.

Sorriso de Pedra, outro de seus monólogos, é interpretado por Henriette Morineau, no Teatro Dulcina, no Rio de Janeiro, em 1961, no Teatro Oficina, em São Paulo, em 1962. No Rio de Janeiro, Roleta Paulista estreia, em 1963, e Amor a Oito Mãos entra em cartaz em 1964 ambas dirigidas por Fábio Sabag.

Encenada em 1966, por João Bethencourt, Os Pais Abstratos aborda os conflitos entre os jovens e seus pais. Em 1967, estreia na capital mineira O Pecado Imortal, com direção de Carlos Alberto, que contracena com Yoná Magalhães. Depois de assistir ao mesmo espetáculo, em 1968, no Teatro Serrador, Yan Michalski constata uma nova fase no trabalho autoral de Pedro Bloch: Dentro dos seus limites de passatempo, a comédia – bastante pouco cômica, diga-se de passagem – é de uma respeitável eficiência e comprova um domínio extremamente seguro dos instrumentos de trabalho que Pedro Bloch alcançou agora como dramaturgo-artesão. Não hesito mesmo em afirmar que poucos autores brasileiros seriam, hoje em dia, capazes de criar uma peça tão bem feita, construída com tanta firmeza, apoiada em tantos efeitos eficientes e valorizada por um diálogo tão espontâneo e vivo. Por outro lado, Pedro Bloch confirma aqui uma tendência que já havíamos sentido em Os Pais Abstratos: um estilo mais seco e contido, um esforço no sentido de evitar ou pelo menos dosar mais cuidadosamente, o sentimentalismo óbvio, o mau gosto e o sensacionalismo fácil que invalidaram em grande parte muitas de suas peças anteriores.

LSD e O Contrato Azul, duas peças curtas, apresentadas sequencialmente em dois atos, são dirigidas por Antonio do Cabo, em 1970. LSD tem seu título vetado pelo Juizado de Menores, por fazer menção subliminar às drogas. Bloch se recusa a mudar o título. Sua intenção é discutir o uso de drogas como fuga dos problemas do mundo moderno. Diante da inflexibilidade das autoridades, encerra o assunto limitando-se a colocar três pontos de interrogação – ??? – no lugar do título original.

Dona Xepa volta ao palco, em 1974, protagonizada pela atriz Vanda Lacerda. A remontagem é mal recebida pela crítica, que a considera de nostalgia anacrônica e não justificada. Três anos depois, a peça é adaptada para a televisão. A novela consagra a atriz Yara Côrtes, no papel de Xepa. Em 1975, a peça Karla, Valeu a Pena?, dirigida por Maurício Sherman, retrata os modismos mal digeridos e a liberdade de costumes que aparentemente, segundo o autor, se apoderam da mentalidade da família burguesa.

Paralelamente ao seu reconhecido desempenho na dramaturgia, Pedro Bloch ficou famoso por sua atuação como médico foniatra. Escrevia livros científicos e infanto-juvenis e produzia roteiros para o cinema, a maioria baseados em textos seus para o teatro e assina colunas nas revistas Manchete, Pais&Filhos e no jornal O Globo. É também autor de outras peças, como A Xícara do Imperador, Um Anão Chora Baixinho, Casal em Crise e A Profissão do Demônio ou O Quarto Vagabundo.

Para Bloch, só existe um gênero de teatro: o que se comunica intensamente com a plateia, o que extravasa o palco. […] Quem não alcança esse tipo de diálogo deveria adotar outro gênero menos implacável, pois o teatro é a exposição da alma nua aos olhos e critério de mil juízes. Gênero é circunstancial.

Faleceu no Rio de Janeiro (RJ) dia 23 de fevereiro de 2004, vítima de insuficiência pulmonar aguda, provocada por uma pneumonia.

Filmografia

:: Filmografia como Roteirista ::

1965 :: Crônica da Cidade Amada
1959 :: Dona Xêpa
1958 :: Meus Amores no Rio
1955 :: Leonora dos sete mares

:: Filmografia baseada em sua Obra ::

1964 :: Procura-se uma rosa

Publicações

Pai, me Compra um Amigo? (1977)
Fica na Tua Pai! (1990)
Amor, Transa Legal! (1984)
O Segredo Azul (1974)
O Som da Pesada (1978)
Miro Maravilha (1978)
Mãe, Cadê Meu Pai? (1983)
O Menino que Inventou a Verdade (1977)
Um Barco para a Lua (1984)
Lico Cara-de-Pau (1981)
Nesta Data Querida (1985)
Rafa, Bom de Bola (1983)
Vamos nessa, Amor? (1985)
A Pequena Fernanda (1998)
Chuta o Joãozinho pra Cá! (1978)
Me Dá uma Força, Gente! (1980)
Criança Diz Cada Uma! (1983)
Histórias Curiosas e Engraçadas de Gente Famosa (1980)
É Proibido Falar com Juninho (1983)
Essa Garota é Demais! (1991)
O Mistério de Irene (1984)
O Garotão (1987)
Três Peças Para Atores Jovens (1985)
O Menino Falou e Disse
Godó, o Bobo Alegre
Dito, o Negrinho da Flauta
A Turma da Paquera (1985)
Dicionário de Humor Infantil (1998)
Cara Nova ou Beleza Pura!
Arataca (Não é Passarinho!)
Bulunga, o Rei Azul
O Segredo de Taquinho (1984)
Pimbinha
Tim e Tom ou Tom e Tim
Samba no Pé (1999)
Arigatô (1984)
Bar Mitzvá: a Grande Festa de Marcelo (1985)
Chiquinho Pitomba (1991)
Bi, o Sorriso Perdido (1986)
Bena! Bena! Valeu a Pena?
Bebinho, o Fraco Abusado (1986)
Coração do Lado Esquerdo (1999)
Tininho, O Folgado
Teco-Teco, o Aviãozinho (1999)
O Velho Careta (1980)
Joca, Vergonha da Escola (1986)
Dona Xepa
As Mãos de Eurídice
Os Inimigos não Mandam Flores
Irene
O Problema / o Sorriso de Pedra (1961)
Deus é um Só (2004)
Criança Sabe das Coisas (1984)
Criança é Isso Aí (1980)
Essas Crianças de Hoje! (1970)
Dicionário de Anedotas
Um Pai de Verdade (2007)
Família em Preto e Branco (1983)
Figurinha Difícil
Seu Filho Fala Bem? (1967)
Falar é Viver
A Conquista da Fala (1982)
Essas Crianças Fabulosas
A Sabedoria da Criança (1998)
Você Tem Personaldiade? (1968)
Você Quer Falar Melhor? (1967)
Melhore sua Voz
Divulgando Problemas de Voz e Fala
Somos Todos os Responsáveis (1985)
Como Curar a Gagueira (1986)
Comunicação Oral da Criança e do Adulto (2002)

Bibliografia

Fontes de Referência

Livros:

BLOCH, Arnaldo. Os Irmãos Karamabloch. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.
PRADO, Décio de Almeida. O teatro brasileiro moderno. 2ª ed. São Paulo: Perspectiva, 1996.p.56.
MICHALSKI, Yan. Pedro Bloch. In: ______.PEQUENA Enciclopédia do Teatro Brasileiro Contemporâneo. Material inédito, elaborado em projeto para o CNPq. Rio de Janeiro, 1989.
MICHALSKI, Yan. Pecado Comercial. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 15 jun. 1968.
SANTOS, Nelson. O pecado imortal de Ioná e Carlos Alberto. Revista Manchete, Rio de Janeiro, 2 set. 1967.

Internet:

ENCICLOPÉDIA ITAÚ CULTURAL. http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa397530/pedro-bloch

HISTÓRIA DO CINEMA BRASILEIRO. http://www.historiadocinemabrasileiro.com.br/pedro-bloch/

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