Roberto Santos (1928-1987)

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Biografia

Roberto Santos Pinhanez, conhecido como Roberto Santos, foi um grande cineasta brasileiro. Nasceu em São Paulo/SP, em 1928 e faleceu no ano de 1987.

Assistente de direção, produtor, roteirista, professor e diretor, Roberto Santos era filho de pai espanhol Elói Pelagio de la Santíssima Trindade Pinhanez e Santos e mãe filha de italianos, Concheta Santos, tios e irmãos ligados ao movimento anarquista, nasceu no Brás, bairro paulistano de tradição nas lutas operárias. Seu pai era fotógrafo e retocador, e teve grande influência em sua formação.

Em 1950, ingressou nas faculdades de Filosofia e Arquitetura, abandonando-as posteriormente, “seduzido pelo projeto de seguir carreira no cinema, através de um curso oferecido pelo Centro de Estudos Cinematográficos de São Paulo, mantido pela Prefeitura, sob a coordenação de Alberto Cavalcanti”.

Conviveu com o grupo de Agostinho Martins Pereira, Nelson Pereira dos Santos, Galileu Garcia, Bráulio Pedroso, entre outros. Em função dos grandes estúdios sediado em São Paulo, a cidade vivia grande efervescência cinematográfica, o que gera debates sobre as questões estruturais do cinema brasileiro.

Em 1952, acontece o I Congresso Paulista do Cinema Brasileiro e a discussão girou em torno da produção e obras que refletissem a vida, os costumes os tipos do povo como alternativa aos filmes, distante da realidade brasileira realizadas pelos estúdios. Apresentado a Nelson Pereira dos Santos pelo fotógrafo Hélio Silva, a sintonia nas propostas de ambos, selou sólida amizade e trabalhos conjuntos. Trabalhou nos estúdios da Multifilmes, na Companhia Vera Cruz e na Brasil Filmes. Quando estes entraram em crise no final da década de 50, o cinema paulista também entrou em crise. Muitos profissionais voltaram para o Rio de Janeiro e outros, inclusive o Roberto, tentaram sobreviver.

Iniciou sua profícua carreira como assistente de direção: O Homem dos Papagaios (1953), de Armando Conto, O Craque e Chamas no Cafezal, de José Carlos Burle, ambos em 1954, Paixão de Gaúcho (1957), de Walter George Dürst, entre outros.

Roberto Santos foi roteirista de Gimba, Presidente dos Valentes (1963), de Flávio Rangel, Juliana do Amor Perdido (1969/70), de Sérgio Ricardo, O Predileto (1974), de Roberto Palmari, Ponto Final (1975) e Parada 88, Limite de Alerta (1977), ambos de José Anchieta Costa, entre outros.

Foi Montador de Subterrâneos do Futebol, de Maurice Capovilla e Viramundo, de Geraldo Sarno, ambos em 1964/65. Roteirista, co-produtor e produtor executivo de Bebel, Garota Propaganda (1967), de Maurice Capovilla, Um Sonho Brasileiro (1979), de Djalma Limongi Batista. Com a equipe de Moacyr Fenelon, participou da produção de Rio 40 Graus (1954/1955), de Nelson Pereira dos Santos. Dirigiu Usina Votuporanga, Bahia com H, Viadutos de São Paulo, todos de 1957.

Seu primeiro longa O Grande Momento (1957/58), realizado nos estúdios da Maristela, em regime de mutirão, estréia de Gianfrancesco Guarnieri e Milton Gonçalves. Viaje Bem e Primeira Chance (1963), Paralelos, (os documentários) Cooperativismo, Merenda Escolar, Caminhos e Águas, todos de 1963/64.

Roberto Santos teve na literatura uma grande aliada de filmes fundamentais na filmografia brasileira. A Hora e a Vez de Augusto Matraga (1965), baseada no conto de João Guimarães Rosa, interpretação visceral de Leonardo Vilar, música de Geraldo Vandré. É o Cinema Novo de novo na tela. Foi vencedor do I Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e representante do Brasil no Festival de Cannes em 1966. As Cariocas (3° episódio, 1966). A Desinibida do Grajaú, adaptação da história de Sérgio Porto, considerada até então a mais rigorosa crítica à televisão, como manipuladora de opinião pública, e O homem nu (1968), baseado no conto de Fernando Sabino, e refilmado por Hugo Carvana em 1996.

Com a repressão e as constantes ameaças às liberdades individuais, aceita o convite de Rudá de Andrade para dar aulas no recém-criado Curso de Cinema da USP (Universidade de São Paulo) e realiza A João Guimarães Rosa com alunos da ECA/USP (Escola de Cinema e Artes da Universidade de São Paulo), baseado no referido escritor e Embú, ambos em 1968/69.

A convivência com alunos e técnicos de cinema, o induz a um projeto original e ousado, a realização de um filme como se fosse uma revista. Vozes do Medo (1969/73), o título explicita a circunstância em que o país vivia. Sob sua coordenação e direção além de: Maurice Capovilla, Roman Stulbach, Hélio Leite de Barros, Mamoru Myao, Ruy Perotti, Plácido de Campos Jr. Aloysio Raulino, Gian Francesco Guarnieri, Cyro del Nero, Adilson Benini e Augusto Corrêa, o filme retrata a juventude paulistana de 1970: seus medos, angustias, incertezas, anseios sociais e filosóficos, focalizados em 14 episódios. Também foi produtor e fez a montagem final.

Escolhido pelo INC (Instituto Nacional de Cinema), para representar o Brasil no Festival de Berlin, foi interditado pela censura por quatro anos, até a posse do General Ernesto Geisel. Convidado por Walter Hugo Khouri, dirigiu Um Anjo Mau (1971), baseado no romance de Adonias Filho, Pedro Biag, (1973). Diante da censura sufocante e proibitiva, afastou-se temporariamente do cinema, optando por trabalhar na televisão. Para a TV Cultura de São Paulo fez as séries: Personagens do Cinema Brasileiro, Caminhos do Curta, Raízes de Luz e Sombras, O Poeta e a Cidade, Cidade dos Meus Amores (série sobre cultura popular dos arredores de São Paulo), e O Grande Momento: 30 Anos Depois. Para a TV Globo/Globo Repórter, Sarapalha (adaptação do conto de João Guimarães Rosa), O Poço (adaptação do conto de Mário de Andrade) e Antes do Baile Verde (adaptação do conto de Lygia Fagundes Telles, e inúmeros documentários e casos especiais.

Em 1975, retorna ao cinema com As Três Mortes de Solano, baseado no conto A Caçada, de Lygia Fagundes Telles, primeiro longa-metragem realizado com os alunos da USP, Arroz e Feijão (1977), primeiro episódio do filme Contos Eróticos, (quatro estórias extraídas dos contos premiados no 1° Concurso de Contos Exóticos de Status), baseado no conto de Sérgio Toni, SESC Pompéia (1977/78), Os Amantes da Chuva (1978), baseado no argumento de Carlos Queirós Telles; Judas na Passarela (1979); Chic Fowle, Faixa Preta no Cinema (1981), sobre o lendário fotógrafo. Nasce uma Mulher e Bumba meu Boi, ambos em 1982 e Quincas Borba (1986), adaptação do romance de Machado de Assis – mal recebido pela crítica no Festival de Cinema de Gramado de 1987.

De volta à São Paulo, logo em seguida a sua participação nesse festival, Roberto morreu no aeroporto de Guarulhos, vítima de um infarto fulminante.

Professor de cinema na Escola Superior de Cinema de São Luís e ECA/USP, ambas em São Paulo, apoiou e incentivou o início de carreira de vários.

Filmografia

:: Filmografia como Diretor ::

1986 :: Quincas Borba
1982 :: Nasce uma Mulher
1982 :: Bumba meu Boi
1981 :: Chic Fowle, Faixa Preta no Cinema
1979 :: Judas na Passarela
1978 :: Os Amantes da Chuva
1977 :: Contos Eróticos (Episódio: Arroz e Feijão)
1975 :: As Três Mortes de Solano
1971 :: Um Anjo Mau
1968 :: O homem nu
1966 :: As Cariocas
1958 :: O Grande Momento
1957 :: Usina Votuporanga
1957 :: Bahia com H
1957 :: Viadutos de São Paulo

:: Filmografia como Roteirista ::

1979 :: Um Sonho Brasileiro
:: Parada 88
1977 :: Limite de Alerta
1975 :: Ponto Final
1974 :: O Predileto
1969 :: Juliana do Amor Perdido
1968 :: O homem nu
1967 :: Bebel, Garota Propaganda
1963 :: Gimba, Presidente dos Valentes
1958 :: O Grande Momento

:: Filmografia como Produtor ::

1967 :: Bebel, Garota Propaganda

:: Filmografia como Montador ::

:: Subterrâneos do Futebol
1965 :: Viramundo

:: Filmografia como Assistente de Direção ::

1955 :: Rio 40 Graus
1953 :: O Homem dos Papagaios
1954 :: O Craque
1954 :: Chamas no Cafezal
1957 :: Paixão de Gaúcho

Bibliografia

Fontes de Referência

Livros:

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