Zacarias (1934-1990)

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Biografia

Mauro Faccio Gonçalves, mais conhecido como Zacarias, foi um ator, comediante, humorista e locutor de rádio brasileiro nascido no dia 18 de janeiro de 1934. Ficou conhecido do grande público e ganhou notoriedade pelo seu trabalho no grupo humorístico Os Trapalhões.

Mauro Faccio Gonçalves nasceu em uma família humilde com onze irmãos. Mauro é mineiro de Sete Lagoas, cidade do interior de Minas Gerais a 70 km da capital Mineira onde foi sepultado. Antes de se tornar famoso, foi vendedor de sapatos e trabalhou em uma fábrica de café[1], onde seu pai já trabalhava.

Mauro estudou no Colegio Diocesano Dom Silverio de Sete Lagoas. Começou a carreira no rádio em 1955, na Rádio Cultura de Sete Lagoas, num programa humorístico chamado Em Babozal Era Assim. No ano seguinte, formou-se técnico em contabilidade pela Escola Técnica de Comércio de Sete Lagoas. Através do humor, logo tornou-se conhecido pela habilidade de trocar de vozes, criando vários tipos completamente diferentes, e de imitar animais com rara perfeição.

Mudou-se para Belo Horizonte em 1957, onde tentou estudar Arquitetura, trabalhando ao mesmo tempo como bancário. Porém, dificuldades financeiras o impediram de iniciar o curso. Na capital mineira, Mauro trabalhou na Rádio Inconfidência, fazendo três programas, sendo que o que mais o marcou como comediante foi Arte Final. Logo veio o reconhecimento: foi considerado o melhor comediante do rádio de 1960 a 1963. Ainda em Belo Horizonte, fez sua estréia na televisão, na TV Itacolomi, no programa Tribunal de Calouros.

Em 1963, recebeu uma proposta para trabalhar na TV Excelsior do Rio de Janeiro, a convite de Wilton Franco.

Apesar da timidez – que inicialmente o impedia de trabalhar na televisão – Mauro estreou em um programa de calouros, onde criou cinco personagens, fazendo grande sucesso.

Mais tarde, foi para a TV Tupi, onde criou, no programa Café Sem Concerto, o personagem que marcou definitivamente sua carreira: Zacarias. Sua participação no programa fez com que Renato Aragão o convidasse para fazer parte de Os Trapalhões. Mauro foi o último a integrar o grupo, do qual já faziam parte Didi, Dedé e Mussum, completando assim a formação do quarteto em 1975.

Além do personagem Zacarias, Mauro Gonçalves também era a voz que interagia com o personagem Aparício, interpretado por Renato Aragão, e fez um filme com Roberto Machado, intitulado Deu a Louca nas Mulheres.

Em 1970, foi premiado pela sua interpretação na peça A Dama do Camarote. Permaneceu no grupo de Os Trapalhões até 1990, ano em que faleceu. Seu último filme foi Uma Escola Atrapalhada.

Zacarias era caracterizado pelo jeito infantil e ligeiramente afetado (embora sem conotação homossexual), pela peruca (Mauro Gonçalves era calvo) e pela risada característica. Mauro dizia que “Zacarias” era o nome de um galo que ele tinha na infância, e desde pequeno o chamavam assim.

Seu personagem foi o mais caricato de todos, marcado por seu dentes saltados e sua risada inconfundível, e pelo constante assédio à sua peruca (sempre alguém ou algo roubava sua peruca, a qual ele desesperadamente se esforçava para recuperar em meio a gritos e lamúrias). Outra característica sua era chorar feito criança ao ser agredido ou ofendido.

Devido a ação judicial movida pelos familiares relativa a direitos autorais, o personagem criado por Gonçalves teve seu nome alterado para “Zacaria” na série de quadrinhos editada pela Editora Abril.

Zacarias faleceu em 18 de março de 1990, aos 57 anos. Embora a família do ator tivesse omitido a razão de sua morte, o boletim médico liberado para a imprensa pela Clínica São Vicente, localizada na Gávea, no Rio de Janeiro diz que o ator teve insuficiência respiratória em consequência de uma infecção pulmonar, muitos rumores dizem que foi devido ao enfraquecimento de seu sistema imunológico devido a dietas e a boatos não confirmados sobre ele ter tido AIDS. De lá, seu corpo foi embalsamado e levado para Sete Lagoas, onde foi sepultado. Seu falecimento chocou muitas crianças, já que na época ele estava em plena atividade. Sem falar em seus dois companheiros Renato Aragão e Dedé Santana, que compareceram ao velório emocionadíssimos. Renato Aragão declarou que seu filho caçula havia morrido e que Zacarias nunca havia crescido, pois o considerava como um menino. Mussum não pôde comparecer por estar fora da cidade no triste dia.

Após o seu falecimento, em um processo movido em 1998, os familiares do humorista reivindicam uma indenização à Rede Globo referente ao pagamento dos direitos autorais do artista pelas retransmissões do programa Os Trapalhões, entre 1989 e 1998. O processo ainda não terminou.

Bibliografia

Links de Referência

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