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A Flor do Lácio é Vadia (1978)

Sinopse

FOTO A Flor do Lacio e VadiaPoema inspirado no processo cultural brasileiro, declamado por entre as imagens impassíveis das ruínas do Forte Orange, em Itamaracá.

Texto do filme:

“O Brasil um dia foi um sonho de Maurício de Nassau – só que não deu certo. Numa manhã de sol, embriagado pelo cheiro dos canaviais, o príncipe da Companhia das Índias Ocidentais foi à janela do palácio e declamou para o povo:

“Eu vos prometo que esta república, criada pela fusão do gênio holandês com o temperamento brasileiro, será o paraíso abaixo do equador. Não haverá fome nem pobreza. Todos poderão entrar e sair deste território. O homem aqui será livre! Glória a ti, ó boi voador, símbolo do milagre que vamos gerar neste país”.

Glória a ti, ó boi voador. O Brasil, três séculos depois, iria andar a cavalo. Não há poesia na miséria, não há paraíso abaixo do equador, nem alegria geral nem seja o que for.

Tristes trópicos. Almas líricas, paisagens coloridas, crepúsculos barrocos e barrigas vazias. Tristes trópicos de barrigas vazias!

O milagre brasileiro! Ruínas, ruínas….A cordialidade nacional! Ruínas, ruínas…O Brasil pandeiro! Ruínas, ruínas…A morenice tropical! Ruínas, ruínas…A história viva! Ruínas, ruínas…E a fome relativa, lenta e gradual. Relativa, lenta e gradual! Ruínas, ruínas, ruínas….

Pensar: o cinema comporta discursos. Citar: a câmera é um objeto que mente. Lembrar: Calabar já foi brasileiro, Zumbi já foi brasileiro. O Brasil já foi português, já foi holandês, já fala inglês – não é de vocês. Dizer: o Brasil é um país que sente saudade do futuro. Não é brincadeira: é no duro.

Dormem agora, nesse instante, índios saqueados, operários famintos, favelados, banidos, deserdados.

Atenção para o refrão: o Brasil da Rede Globo não confere com o original! E o Super-8 é fogo: a cura do ócio dos filhos da nova classe média – mas nem sempre. Tente de novo. Fique de olho na tela. A esperança é a última que nasce – na certa.

Onde anda o Super-8 no coração do Brasil? Onde anda o Palhaço Degolado nos canaviais da pernambucália?

Tristes trópicos de batuques, preguiça, lirismo e barrigas vazias. O cinema comporta discursos, desde que o país se chame Brasil.
Dançar sobre as ruínas, dançar sobre as ruínas, dançar sobre as ruínas!”

Ficha Técnica

Por trás dos filmes, além dos atores, dos figurinos, das câmeras, da arte, do som e de outros elementos mais facilmente perceptíveis na construção qualquer longa metragem, há também um verdadeiro exército de profissionais dedicados a viabilizar cada detalhe do intrincado quebra-cabeça artístico, operacional, logístico e financeiro da produção audiovisual.

Veja logo abaixo a equipe técnica de A Flor do Lácio é Vadia (1978) que o portal História do Cinema Brasileiro pesquisou e agora disponibiliza aqui para você:

Direção: Geneton Moraes Neto
Filme Super-8
Local e data de realização: Recife, 1978
Texto e imagens: Geneton Moraes Neto
Locução: Jomard Muniz de Brito
Filmado nas ruínas do Forte Orange, na ilha de Itamaracá, Pernambuco.
Montagem: Geneton Moraes Neto, Lima
Prêmio: “Medalha de Ouro” Kodak para melhor direção para Geneton Moraes Neto, pelos filmes “A Flor do Lácio é Vadia” e “Esses Onze Aí” ( este, em parceria com Paulo Cunha ), no
II Festival de Cinema Super-8 do Recife, em 1978.

Bibliografia

História do Cinema Brasileiro

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