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Abdias do Nascimento (1914-2011)

Biografia

Abdias do Nascimento foi um ator, político, ativista social, escultor e escritor brasileiro nascido em Franca (SP) no dia 14 de março de 1914. Intelectual da maior importância no Brasil e no mundo, foi um dos maiores defensores da defesa da cultura e igualdade para as populações afro-descendentes no Brasil.

Em 1944, foi responsável pela criação do Teatro Experimental do Negro (TEN), que atuou no Rio de Janeiro entre 1944 e 1968. Foi a primeira companhia a promover a inclusão do artista afrodescendente no panorama teatral brasileiro.

Estreou no cinema em 1959, no filme O Homem do Sputnik.

A militância política de Abdias do Nascimento começou na década de 1930, quando integrou a Frente Negra Brasileira, em São Paulo. Participou, anos depois, da organização do 1º Congresso Afro-Campineiro, com o objetivo de discutir formas de resistência à discriminação racial. No início da década de 1940, em viagem ao Peru, assiste ao espetáculo O Imperador Jones, de Eugene O’Neill (1888-1953), no qual o personagem central é interpretado por um ator branco tingido de negro. Refletindo sobre essa situação, comum no teatro brasileiro de então, propõs-se a criar um teatro que valorizasse os artistas negros.

Nascimento permaneceu em Buenos Aires por um ano, estudando no Teatro Del Pueblo. Quando voltou ao Brasil, em 1941, foi preso por um crime de resistência, anterior a sua viagem. Detido na penitenciária do Carandiru, atualmente extinta, fundou o Teatro do Sentenciado e organizou um grupo de presos que escreviam e encenavam os próprios textos.

No Rio de Janeiro, com o apoio de uma série de artistas e intelectuais brasileiros, inaugurou o Teatro Experimental do Negro (TEN), em 1944, com a proposta de trabalhar pela valorização social do negro por meio da cultura e da arte. No primeiro ano de funcionamento, o TEN promoveu um curso de interpretação teatral, ministrado por Abdias do Nascimento, além de aulas de alfabetização e oficinas de iniciação à cultura geral, objetivando a formação de artistas e colaboradores. Dirigiu o espetáculo de estreia do grupo, O Imperador Jones, em 1945. No ano seguinte, participou como ator de duas outras peças de O’Neill produzidas pelo grupo: Todos os Filhos de Deus Têm Asas e O Moleque Sonhador. Ainda em 1946, comemorando dois anos de fundação do TEN, protagonizou trecho do espetáculo Otelo, de William Shakespeare (1564-1616), com a atriz Cacilda Becker (1921-1969).

Em seguida, o grupo passou a encenar uma série de novas peças da dramaturgia brasileira, focalizando questões de relevância para a cultura negra. Abdias do Nascimento dirigiu, em 1947, O Filho Pródigo, de Lúcio Cardoso (1912-1968), e também atuou na peça, a primeira escrita especialmente para o TEN, abordando a questão do negro em forma de parábola. No ano seguinte, atuou como ator e diretor em Aruanda, de Joaquim Ribeiro, colocando pela primeira vez no centro da representação elementos da religiosidade afro-brasileira. Montou Filhos de Santo, de José de Morais Pinho, em 1949.

Apropriou-se da tradição do teatro de revista para escrever Rapsódia Negra, encenada em 1952. Em 1957, participou como ator da montagem de seu segundo texto dramatúrgico, Sortilégio, fábula moral que fala do preconceito de raça com base em uma situação vivida pelo protagonista, com direção foi de Léo Jusi (1930). Anos mais tarde, escreveu uma segunda versão dessa peça, mesclando a ela aspectos da cultura africana, inspirada em sua estada de um ano na Nigéria,

Dirigiu, entre 1948 e 1951, o jornal Quilombo, órgão de divulgação do grupo e de notícias de outras entidades do movimento negro. Realizou a Conferência Nacional do Negro, em 1949 e, o 1º Congresso do Negro Brasileiro, em 1950. Em 1961, publicou o livro Dramas para Negros e Prólogos para Brancos, compêndio com peças nacionais que tratam da cultura negra, entre elas as montadas pelo TEN.

Devido à perseguição política, em 1968, Abdias do Nascimento partiu para um exílio que durou treze anos. Com a dissolução do TEN, deixou de atuar e dirigir no teatro, e sua militância ganha outras direções.

Fora do Brasil, atuou como conferencista e professor universitário, publicou uma série de livros denunciando a discriminação racial e dedica-se à pintura e pesquisa visualidades relacionadas à cultura religiosa afro-brasileira.

Ficou exilado por dez anos, entre 1968 e 1978. Na volta ao país, investiu na carreira política. Foi um dos fundadores do Partido Democrático Trabalhista (PDT), em 1981, no qual chegou a ser vice-presidente da legenda. Elegeu-se Deputado Federal em 1983 e, depois, Senador em 1997, sempre reivindicando um lugar para a cultura negra na sociedade.

Em 2006, criou o Dia Oficial da Consciência Negra, que a partir de então é comemorado dia 20 de novembro.

Publicou diversos livros, entre os quais, Sortilégio (1978) e Orixás: Os Deuses Vivos da África (1995).

Foi Professor Benemérito da Universidade do Estado de Nova York e Doutor Honoris Causa pelo Estado do Rio de Janeiro.

Filmografia

:: Filmografia como Ator ::

1962 :: Cinco Vezes Favela (Episódio: Escola de Samba Alegria de Viver)
1962 :: Terra da Perdição
1959 :: O Homem do Sputnik

:: Filmografia como Ele Mesmo ::

2013 :: Abdias Nascimento, de Aída Marques
2008 :: Abdias Nascimento – memória negra, de Antonio Olavo
2006 :: Balé de pé no chão: a dança afro de Mercedes Baptista
2005 :: Cinema de Preto

Publicações

NASCIMENTO, Abdias. Dramas para Negros e Prólogos para Brancos. : , 1961.
______. Sortilégio. : , 1978.
______. Orixás: Os Deuses Vivos da África. : , 1995.
Africans in Brazil: a Pan-African perspective (1997)
Race and ethnicity in Latin America – African culture in Brazilian art (1994)
Brazil, mixture or massacre? essays in the genocide of a Black people (1989)
Racial Democracy in Brazil, Myth or Reality?: A Dossier of Brazilian Racism (1977)
O Griot e as Muralhas, com Éle Semong. Rio de Janeiro, Pallas, 2006.[10]
O Quilombo. Edição em fac-smile do jornal dirigido por Abdias Nascimento.São Paulo, Editora 34, 2003.[11]
O Quilombismo,2a.ed Brasilia/ Rio de Janeiro. Centro de Estudos Afro-Orientais /Editora da Universidade Federal da Bahia EDUFBA, 2002.
O Brasil na Mira do Pan-Africanismo, Salvador, Centro de Estudos Afro- Orientais. Ed. EDUFBA, 2002.
Orixás: os Deuses Vivos da África/ Orishas: the Living Gods of Africa in Brazil. Rio de Janeiro/ Philadelphia: Intituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros/ Temple University Press, 1995.
A Luta Afro-Brasileira do Senado. Brasília: Senado Federal, 1991.
Povo Negro: A sucessão e a “Nova República”. Rio de Janeiro: Ipeafro, 1985.
Jornada Negro-Libertária. Rio de Janeiro: Ipeafro, 1984.
Axés do Sangue e da Esperança: Orikis. Rio de Janeiro: Achiamé e RioArte, 1983. (Poesia.)
Sitiado em Lagos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1981.
O Quilombismo. Petrópolis: Vozes, 1980.
Sortilégio II: Mistério Negro de Zumbi Redivivo. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979. (Peça de teatro.)
Sortilege: Black Mystery, trad. Peter Lownds. Chicago: Third World Press, 1978.
Mixture or Massacre, trad. Elisa Larkin Nascimento. Búfalo: Afrodiaspora, 1979.
O Genocídio do Negro Brasileiro. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1978.
Racial Democracy” in Brazil: Myth or Reality, trad. Elisa Larkin Nascimento, 2.ª ed. Ibadan: Sketch Publishers, 1977.
Racial Democracy” in Brazil: Myth or Reality, trad. Elisa Larkin Nascimento, 1.ª ed. Ile-Ife: University of Ife, 1976.
Teatro Experimental do Negro, 1959. (Peça de teatro.)

Bibliografia

Livros:

MÜLLER, Ricardo Gaspar (Org.). Teatro experimental do negro. Dionysos, Rio de Janeiro, n. 28, 1988. Edição especial.
NASCIMENTO, Abdias do (org.). Teatro Experimental do Negro: testemunhos. Rio de Janeiro: Edições GRD, 1966.
SILVA NETO, Antonio Leão da. Astros e estrelas do cinema brasileiro. 2. ed. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2010.

Internet:

ABDIAS – SITE OFICIAL. Disponível em: http://www.abdias.com.br/. Acesso em: julho de 2008.
DOUXAMI, Christine. O negro: a realidade de um sonho sem sono. Afro-Ásia, Universidade Federal da Bahia, n. 25-26, p. 313-363. Disponível em: http://redalyc.uaemex.mx/redalyc/pdf/770/77002609.pdf. Acesso em: novembro 2008. Acesso em: nov. 2008.
FOLHA.COM. Morre aos 97 anos o líder negro Abdias do Nascimento. Disponível em: . Acesso em: 24 maio 2011
HISTÓRIA DO CINEMA BRASILEIRO. . Disponível no endereço: http://www.historiadocinemabrasileiro.com.br/
NASCIMENTO, Abdias do. Teatro Experimental do Negro: trajetória e reflexões. Estudos avançados, São Paulo, v. 18, n. 50, jan-abr 2004. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142004000100019. Acesso em: nov. 2008.

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