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Abelardo Barbosa (1916-1988)

José Abelardo Barbosa de Medeiros, em arte mais conhecido como Chacrinha, foi um apresentador de rádio e televisão brasileiro nascido no município pernambucano de Surubim, no dia 30 de setembro de 1916. Dono de um estilo próprio e incomum, é chamado pelo sociólogo Edgar Morin de O maior comunicador de massas do Brasil. Chacrinha respondia: Quem não se comunica se trumbica.

Filho de Antônio do Rêgo Medeiros e Aurélia Barbosa de Medeiros, passou a infância em Campina Grande, onde a família se radica. Embarcou no navio Bagé como baterista para animar a viagem dos passageiros.

Em 1936, ingressou na Faculdade de Medicina do Recife, passando depois a fazer parte, como percussionista, do conjunto musical Bando Acadêmico, mas desiste quando repete de ano. Na década de 1940 radicou-se no Rio de Janeiro e começou a trabalhar como locutor comercial na Rádio Vera Cruz, mas não dá certo, pois sua voz é estranha e tem sotaque nordestino.

[…] isso iria ter grande influência na minha carreira. Esse conjunto nasceu de uma cisão na Jazz Band Acadêmica, orgulho dos estudantes […] Fundada por Capiba, ou seja Lourenço da Fonseca Barbosa, meu primo em segundo grau, a Jazz Band era o máximo. Cada excursão que fazia era uma consagração. Tocou inclusive num baile do Teatro Municipal do Rio, em 1933, em benefício da Casa do Estudante do Recife. Mais tarde, não contando mais com Capiba, que tinha saído, foi até a Buenos Aires. Ficaram liderando, como violino e 2º sax, Vicente Lima e Teófilo de Barros Filho. Eram também da Jazz Band o Fernando Lobo e esse sertanista terrível, que tem pinta de Einstein, sem ser físico – o médico Noel Nütels. […] Mas houve um rolo danado entre os componentes da Jazz Band e desse chega pra lá nasceu o Bando Acadêmico […] Eu entrei como baterista regra 3, reserva do Malta Maranhão. […] Pouco a pouco o Bando foi conquistando popularidade. A verdade é que sem Capiba, um dos maiores compositores populares do Brasil, a Jazz Band havia perdido um bocado de sua autenticidade […]

Teve a sua primeira experiência numa emissora de rádio. Estudante de medicina e sócio do Centro Acadêmico de Medicina, foi convidado para dar uma palestra na Rádio Clube de Pernambuco. Escolheu como tema O álcool e suas consequências, sendo elogiado pela imprensa, mas seus colegas de turma diziam que ele era o pior locutor do mundo. Aceitou alguns outros trabalhos como locutor, para poder comprar livros para o curso, mas dizia não ter, na época, nenhum interesse pelo rádio.

Após três anos de curso foi convidado para ser baterista da orquestra do navio Bagé, partindo em turnê pela Europa e deixando para trás a carreira de médico.

[…] um dia, eu conversava com o Nelson Ferreira – o enorme compositor pernambucano, autor de “Evocação”, o frevo que em 1957 abafou no Carnaval carioca, lembram-se? – quando o telefone tocou. Nelson atendeu, era do Lloyd Brasileiro. Eles estavam à procura de um ou dois músicos que quisessem embarcar no navio “Bagé”, de partida para a Europa: Leixões, Vigo, Bordéus, Hamburgo. Estávamos em meados de 1939. […] O “Bagé” não chegou até a Alemanha, como estava previsto. A Segunda Guerra Mundial estourou quando estávamos em viagem. Em Bordéus o navio fez o ponto final. Alguns dias depois começou a longa viagem de volta.

Ao retornar, em 1940, em vez de ficar no Recife, viajou para o Rio de Janeiro, a convite do comandante do navio, onde deveria só então encerrar sua participação como baterista do conjunto musical do Bagé. Ao descer na capital do Brasil, resolveu não voltar ao Recife, afinal lá se encontravam os grandes jornais e as melhores oportunidades culturais do País.

No Rio, conseguiu alguns pequenos trabalhos, por indicação de um conterrâneo Medeiros Lima (que depois foi diretor do jornal Última Hora), nas Rádios Ministério da Educação e Vera Cruz. Nessa época, tentou retomar os seus estudos de medicina, matriculando-se na Escola de Medicina e Cirurgia, na Rua Mariz e Barros, mas não foi possível continuar por questões financeiras. Era preciso arranjar trabalho para sobreviver no Rio de Janeiro.

Conseguiu emprego como locutor na Rádio Tupi e, em 1943, na Rádio Sociedade Fluminense, de Niterói.

O início do sucesso, no entanto, foi o emprego que conseguiu como locutor na Rádio Clube de Niterói, onde surgiu o personagem Chacrinha. A Rádio funcionava numa pequena chácara, uma chacrinha, no bairro de Icaraí. Abelardo Barbosa convidado por Souza Barros, o proprietário da Rádio, conseguiu produzir um programa com músicas carnavalescas que denominou de Rei Momo da Chacrinha, em homenagem ao local onde se localizava a emissora.

O primeiro programa foi apresentado com Roberto Mendes, Moreira da Silva (o Tal) e a comediante Zezé Macedo. Moreira era o Rei Momo, entrevistado por Zezé Macedo sobre Carnaval, os sambas e as marchas da moda e Abelardo Barbosa era o locutor. O tema da abertura, que simulava um baile carnavalesco, foi composto por Guerra Peixe. O programa foi um grande sucesso. Depois que passou o Carnaval, por conta da proibição de se tocar música carnavalesca durante a Quaresma, o título do programa foi modificado para Cassino da Chacrinha.

Só tempos depois, o programa passou a chamar-se Cassino do Chacrinha, fazendo com que Abelardo Barbosa passasse a ser definitivamente conhecido como Chacrinha.

Devido ao sucesso do programa, Chacrinha passou a trabalhar em rádios com maior prestígio como, a Tamoio, a Guanabara e a Nacional.

Em 1947, casou-se com a carioca Florinda Barbosa, com quem teve três filhos homens: Jorge Abelardo e os gêmeos José Aurélio e José Renato.

Com a chegada da televisão no Brasil, em 1951, sua a carreira tomou um grande impulso. A TV era o veículo ideal para um comunicador. Chacrinha criou um estilo próprio de se vestir, que mesclava roupa de foliões com palhaços de circo.

O personagem Chacrinha é criado na década de 1950, na Rádio Clube de Niterói, ao estrear o programa O Rei Momo na Chacrinha, pois a rádio ficou literalmente dentro de uma chácara. Chacrinha aproveita os sons emitidos pelos gansos, patos e galinhas para compor seu programa. Com
o sucesso, é convidado a ir para a televisão, em 1956. Seu programa é sucesso por três décadas, nas TVs Tupi, Bandeirantes e Globo. Fez shows por todo o Brasil com suas famosas Chacretes. No cinema, participa de diversos filmes, sendo o primeiro Virou Bagunça, em 1960.

Em 1956, ele apresentou na TV Tupi o programa Rancho Alegre, para onde levou todos os seus bordões utilizados no rádio. O programa tornou-se logo um dos mais populares da televisão.

Apresentou, depois, a Discoteca do Chacrinha em diversas emissoras de televisão: a TV Tupi, a TV-Rio, a TV Excelsior e a TV Bandeirantes. O programa revelou e ajudou a fazer sucesso vários cantores populares da Música Popular Brasileira, como Elis Regina, Jorge Ben, Wanderléa, Erasmo Carlos, Wilson Simonal.

Em 1968, foi para a Rede Globo de Televisão, onde apresentava dois programas: A Hora da Buzina, aos domingos, quando com sua famosa buzina gongava os candidatos a cantor que não agradavam, perguntando Vai para o trono, ou não vai? e, a Discoteca do Chacrinha, às quartas-feiras, onde criou as famosas chacretes, moças bonitas que dançavam e enfeitavam o programa, com coreografias e roupas provocantes e nomes artísticos exóticos, como Rita Cadillac, a mais famosas delas, Índia Amazonense, Fernanda Terremoto, Suely Pingo de Ouro e Sandra Veneno.

Foi o criador de diversas frases e expressões que o tornaram conhecido e ficaram famosas, sendo repetidas por todo o País: Terezinhaaaaa! Vocês querem bacalhau? (uma alusão às Casas da Banha, rede de supermercado que o patrocinou durante muito anos); Eu vim para confundir, e não para explicar; Quem não comunica se trumbica (muito citadas pelo estudiosos da comunicação); Em televisão nada se cria, tudo se copia.

Chacrinha sempre acolheu os novos movimentos musicais brasileiros, como a Jovem Guarda, nos anos 1960; o Tropicalismo, que sacudiu a música popular e a cultura brasileiras entre os anos de 1967 e 1968, capitaneado por Caetano Veloso e Gilberto Gil, e o rock dos anos 1980.

Nos anos 1970, Chacrinha foi para a TV Bandeirantes, retornando, em 1982, à Rede Globo, onde apresentou seu Cassino até o final da vida.

O Velho Guerreiro, como passou a ser chamado, foi homenageado pela Escola de Samba Império Serrano, em 1987 e, nesse mesmo ano, recebeu da UniverCidade, do Rio de Janeiro, o título doutor honoris causa.

Abelardo Barbosa, o Chacrinha, líder de audiência na televisão brasileira por três décadas, morreu no dia 30 de julho de 1988.

[…] O humor do Chacrinha é também o humor do povo. Igualzinho à graça dos humoristas da multidão, esses caras que criam apelidos, ditos e piadas geniais que ninguém sabe quem inventa. […]

Morreu em 30 de junho de 1988, aos 70 anos de idade, de câncer no pulmão, no Rio de Janeiro, deixando uma lacuna que dificilmente será preenchida.

(Péricles do Amaral, Tudo na mais perfeita ordem, 1969).

Filmografia

1987 :: Leila Diniz
1983 :: Aventuras de um Paraíba (de Marco Altberg)
1980 :: Fênix (CM)
1979 :: Milagre, o Poder da Fé
1976 :: Já não se Faz Amor como Antigamente (Episódio: O Noivo)
1976 :: Intimidade
1974 :: As Delícias da Vida
1972 :: Paixão de um Homem
1970 :: Pais Quadrados, Filhos Avançados
1970 :: Amor em Quatro Tempos
1969 :: Pobre Príncipe Encantado
1969 :: Como Vai, Vai Bem?
1968 :: Balada da Página Três
1967 :: Carnaval Barra Limpa
1967 :: Opinião Pública
1966 :: Na Onda do Iê-Iê-Iê
1966 :: 007 1/2 no Carnaval
1962 :: Rio à Noite
1961 :: Três Colegas de Batina
1960 :: Virou Bagunça

Bibliografia

Livros:

AMARAL, Péricles do. Tudo na mais perfeita confusão. In: BARBOSA, Abelardo. Chacrinha é o desafio: memória. 2. ed. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1969. p. 183-192.
BARBOSA, Abelardo. Chacrinha é o desafio: memória. 2. ed. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1969.
COELHO, Frederico Oliveira. Quem quer bacalhau? História: Revista da Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro, ano 3, n. 32, p. 32-35, maio 2008.
SILVA NETO, Antonio Leão da. Astros e estrelas do cinema brasileiro. 2. ed. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2010.

Internet:

HISTÓRIA DO CINEMA BRASILEIRO. Chacrinha. Disponível no endereço: http://www.historiadocinemabrasileiro.com.br/chacrinha/
GASPAR, Lúcia. Chacrinha. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/. Acesso em: 01 jul. 2016.

História do Cinema Brasileiro

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