fbpx

Adhemar Gonzaga (1901-1978)

Adhemar de Almeida Gonzaga, em arte conhecido como Adhemar Gonzaga, foi um cineasta, jornalista, pesquisador, critico, ator, roteirista e produtor cinematográfico brasileiro nascido no Rio de Janeiro (RJ) no dia 26 de agosto de 1901.

Considerado uma das grandes personalidades da história do cinema brasileiro, foi um apaixonado pelo cinema desde a infância. Aos cinco anos já frequentava o Cine Santana. Iniciando-se como critico no final dos anos de 1920, logo se tornou um articulista regular de publicações como Para Todos, Palcos e Telas e Jornal do Rio. Formou o primeiro Clube de Cinema do Brasil, o Clube do Paredão, e lançou a revista Cinearte em 1926, que permaneceu ativa até 1942.

Adhemar Gonzaga ocupou a maior parte do seu tempo com atividades artísticas. Sempre se considerou um desenhista frustrado, desencorajado pela excelência de seus companheiros de redação, gente como J. Carlos, Kalixto, Luiz Sá.

Na infância, passada na casa da rua André Cavalcanti, Rio de Janeiro, onde nasceu em 1901, brincava com as imagens recortadas da revista Tico-Tico. Foi o embrião do seu cineminha particular, logo ampliado com fotogramas de filmes, conseguidos junto a profissionais como João Stamato, vizinho de rua, ou com o dono do Cinema Íris, que seu pai financiava secretamente. A paixão pelo cinema cresceu, assim como seu primeiro arquivo particular sobre o assunto, o que assustou seus pais. A solução foi destruir o arquivo e mandá-lo para o colégio interno em São Cristóvão, bairro que escolheria para sediar seu futuro estúdio.

Os estudos um pouco mais sistemáticos o aproximariam da escrita e do jornalismo, que praticava de forma amadora com a folha semanal O Colombo, sobre os acontecimentos de sua vizinhança. Mas a descoberta dentro da escola de um grupo de amigos igualmente apaixonados por cinema só fez crescer a paixão. Entre eles estava Pedro Lima, futuro companheiro nas campanhas da Revista Cinearte. O grupo fundou um cineclube, que na verdade consistia em um ponto de encontro para falar de filmes vistos no circuito comercial, e passou a se intitular de Big Four, em referência aos fundadores da United Artists.

A opção pelo cinema como arte seria importante no futuro, embora viesse a encontrar obstáculos de toda ordem. Uma outra paixão, o futebol, fixada em definitivo pela adoração pelo Flamengo, criava o intervalo necessário às preocupações cinematográficas.

Em 1920, recém saído da escola, ingressou no jornalismo, tornando-se um militante da causa do cinema brasileiro, assunto praticamente inexistente na imprensa da época. Com muita tenacidade frente às resistências, desconfianças e descréditos para com o tema, começa a inserir notas, fotos, comentários, críticas e pequenos artigos sobre os filmes e os profissionais de cinema em atividade no país.

Conquistou espaço próprio na revista Para Todos… e logrou convencer o dono da Sociedade Anônima O Malho a investir em uma revista só de cinema, onde realçaria a produção brasileira e discutiria seus problemas e contradições. O sucesso de Cinearte foi imenso, chegando a vender cerca de cem mil exemplares semanais. Como diretor da revista pode coordenar uma verdadeira campanha em prol do cinema brasileiro, conseguindo criar um movimento e uma mentalidade razoavelmente coordenados que desaguariam na formação da classe e na criação de uma ideologia de defesa do filme brasileiro.

Ato contínuo e natural, ingressou na produção e direção cinematográficas com seus colegas de redação. Barro Humano foi concebido como uma espécie de modelo de produção conseqüente para o país, por suas preocupações temáticas, suas inovações técnicas, sua estratégia de lançamento. O filme foi um grande sucesso, transformando-se no ponto de inflexão de sua carreira.

O passo seguinte foi a criação de um grande centro de produção para transformar o panorama artesanal da área em uma atividade industrial. A construção dos estúdios da Cinédia, primeiro estúdio de grande porte a surgir no Brasil, a partir de 1930, na prática o afastaria da carreira diretorial, à qual voltaria apenas ocasionalmente. Enfrentou o desafio de dotar o país com o que havia de mais moderno em termos de infra-estrutura, equipamentos e insumos. Preocupou-se também com a formação dos técnicos e com a formulação de um star-system brasileiro, catapultando nomes como Carmen Miranda, Grande Otelo, Dercy Gonçalves e Marlene para o estrelato absoluto. Mais do que isso procurou se cercar dos melhores diretores, destacando-se a figura de Humberto Mauro, e de projetos que acentuassem o viés nacionalista, tão ao seu gosto.

Ao assumir casualmente a condução de Alô, Alô, Carnaval, transformou-o no protótipo acabado das relações entre a cultura brasileira e a cultura estrangeira, associando-as às classes populares e à elite, respectivamente. A verve carioca e a musicalidade esfuziante das marchinhas e sambas inspiraram o tom de alegria e doce crítica que perpassaria em seguida as chamadas chanchadas. Suas obrigações cotidianas, porém, o colocaram essencialmente como um produtor.

Após o insucesso dos primeiros trabalhos de longa metragem, procurou diversificar a linha de produção da companhia, indo do filme publicitário ao documentário de encomenda. No terreno principal concebeu duas estratégias, o grande espetáculo e a comédia musical popular, a ser lançada preferencialmente na época do carnaval. Insiste na qualidade do acabamento, não poupando esforços em termos de incorporação de novas técnicas, materiais e equipamentos, sendo responsável pela introdução da revelação automática, da copiagem contínua, dos efeitos especiais, da gravação sonora ótica, da mixagem, da maquiagem pancromática, dos refletores de tungstênio, da dublagem, da grua, e de muitos outros avanços.

Obtém grande repercussão com filme como Alô, Alô, Brasil, Bonequinha de Seda, Samba da Vida, 24 horas de Sonho, Berlim na Batucada e sobretudo O Ébrio, um dos filmes mais populares de toda a história do cinema brasileiro.

Como ator, tem pequenas participações em mais de uma dezena de filmes, entre eles, Barro Humano (1928) e Bonequinha de Seda (1936).

As dificuldades de produção e exibição, porém, são enormes e se acentuam em contextos como a segunda guerra mundial, gerando dívidas que o levarão a vender o estúdio original no início dos anos 50. Impressionado com a criação de novos estúdios em São Paulo, muda-se para lá, acreditando poder encontrar um ambiente favorável à reabertura da empresa.

Decepcionado com os resultados, interessa-se de forma crescente pela pesquisa histórica, projetando uma História do Cinema Brasileiro, da qual só escreve os primeiros capítulos. Volta para o Rio de Janeiro e reabre o estúdio no distante bairro de Jacarepaguá. Lá alterna a condução da locação dos novos espaços com a organização de seu arquivo pessoal. Torna-se referência na área de pesquisa e contribui com a iconografia e as legendas do livro 70 Anos de Cinema Brasileiro.

No fim dos anos 60 dirigiu seu último longa metragem, o nostálgico Salário Mínimo. Dedicou-se, nos anos 70, a restaurar alguns dos clássicos da Cinédia. Em seus últimos anos de vida retornou ao jornalismo, assinando uma coluna diária no jornal O Dia.

Faleceu, aos 76 anos, de ataque cardíaco, no dia 29 de janeiro de 1978, no Rio de Janeiro, deixando um legado de paixão e obstinação pelo cinema brasileiro que o transformaram em um dos fundadores de nossa cinematografia.

Casou-se com a atriz Didi Viana, com quem teve uma filha, Alice Gonzaga, que mantém os estúdios em atividade e preserva sua obra até os dias de hoje.

Filmografia

:: Filmografia como Diretor ::

1974 :: São Luis do Maranhão (CM)
1974 :: Exército Brasileiro (CM)
1973 :: Iniciação Musical na Reforma do Ensino (CM)
1973 :: Alimentação (CM)
1970 :: Salário Mínimo
1955 :: Carnaval em Lá Maior
1946 :: Cidade de Bebedouro (CM)
1946 :: Carnaval de 1946 (CM)
1945 :: Loucos por Música
1945 :: Pif-Paf
1944 :: Romance Proibido
1944 :: Segurança de Voo (CM)
1941 :: Terceiro Congresso Sul Americano da RKO-Radio Filmes (CM)
1941 :: Ginástica em 1941 (CM)
1941 :: Arte Contemporânea (CM)
1937 :: A Mulher que Passa (CM)
1935 :: Alô, Alô, Carnaval
1935 :: Laranjas, Culturas e Doenças (CM)
1935 :: Encrenca Musical (CM)
1934 :: Em Defesa da Saúde (CM)
1933 :: A Voz do Carnaval
1933 :: Como se Edita um Jornal Moderno (CM)
1929 :: Barro Humano

:: Filmografia como Produtor ::

:: 24 horas de Sonho
1950 :: Anjo do Lodo
1949 :: Pinguinho de Gente
1946 :: O Ébrio
1944 :: Berlim na Batucada
1940 :: Pureza
1938 :: Alma e Corpo de uma raça
1938 :: Tererê Não Resolve
1937 :: Samba da Vida
1936 :: Bonequinha de Seda
1935 :: Alô, Alô, Brasil
1933 :: Canga Bruta
1931 :: Mulher
1929 :: Barro Humano

:: Filmografia como Ator ::

1963 :: O Quinto Poder
1944 :: Berlim da Batucada
1936 :: Bonequinha de Seda
1935 :: Alô, Alô, Brasil
1934 :: Honra e Ciúmes
1933 :: Canga Bruta
1930 :: Lábios sem Beijos
1929 :: Mulher (Inacabado)
1929 :: Fome
1929 :: Sangue Mineiro
1928 :: Barro Humano
1920 :: Convém Martelar
1919 :: Ubirajara

Bibliografia

Fontes de Referência

Livros:

ALMEIDA, Paulo Sérgio; OLIVEIRA, José Maria de. (org.). Quem é Quem no Cinema. Rio de Janeiro: Iluminuras, 2003.
GONZAGA, Adhemar; GOMES, Paulo Emílio Salles. 70 Anos de Cinema Brasileiro. Rio de Janeiro: Expressão e Cultura, 1966.
GONZAGA, Alice. 50 anos de Cinédia. Rio de Janeiro: Editora Record, 1987.
______.; AQUINO, Carlos. Gonzaga por ele mesmo. Rio de Janeiro: Record, 1989.
SILVA NETO, Antonio Leão da. Astros e estrelas do cinema brasileiro. 2. ed. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2010.

Internet:

BRANDÃO, Myrna Silvia. O imensurável legado de Adhemar Gonzaga para a memória cultural do Brasil. Disponível no endereço: https://www.jb.com.br/cadernob/cinema/2021/08/1032401-o-imensuravel-legado-de-adhemar-gonzaga-para-a-memoria-cultural-do-brasil.html. Acesso em: 25 ago. 2021.
FILMEB. Disponível no endereço: http://www.filmeb.com.br/
HISTÓRIA DO CINEMA BRASILEIRO. Adhemar Gonzaga. Disponível no endereço: http://www.historiadocinemabrasileiro.com.br/adhemar-gonzaga/

História do Cinema Brasileiro

História do Cinema Brasileiro

Qualquer interesse de envio de textos, dúvidas, opiniões, sugestões, acréscimos de conteúdo, relato de erros ou omissão de informações publicadas, entre em contato com a Coordenação Geral do História do Cinema Brasileiro pelo seguinte email: [email protected]

2 comentários sobre “Adhemar Gonzaga (1901-1978)

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.