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Aída (2020)

Sinopse

Ópera é uma emoção única. Uma relação linda entre o profano e o sagrado (com a junção de) todas as mazelas humanas, destaca Bia Lessa logo na abertura do documentário, que traz depoimentos de inúmeros profissionais que estavam envolvidos nesta super produção que estrearia em 28 de março e imagens de bastidores da montagem. A diretora cênica e cenógrafa lembra da linguagem contemporânea, misturando o moderno com o tradicional, que procurou imprimir neste projeto ambicioso para a ópera de Verdi.

Para contar a trágica história de amor e guerra de Aída, uma trama calcada no amor impossível, na guerra, polarização e intolerância nos tempos de Egito dos faraós, em guerra com a Etiópia, Bia Lessa situava a narrativa para o momento em que vivemos, com uma visão acentuada da dominação sobre os povos negros, com reflexão crítica e menos romantizada.

Foram meses de pré-produção que contou com a consultoria de importantes profissionais em suas diferentes áreas de atuação. Do arquiteto Paulo Mendes da Rocha, ao jornalista, crítico e escritor Irineu Franco Perpetuo, que traçou um panorama histórico cultural, passando por Lorenzo Mammì, graduado em música, doutor em filosofia e professor de História da Filosofia Medieval na USP, por Cássio de Araújo Duarte, doutor em arqueologia especializado em Egiptologia pelo Museu de Arqueologia e Etnologia (USP) e até mesmo pelos textos do crítico literário Edward Said, um dos mais importantes intelectuais palestinos.

Na montagem que traria uma ópera para dentro de um museu, integrantes da equipe de cenografia relatam, no documentário, os desafios técnicos de produção para colocar em pé, com o uso de traquitanas, as dezenas de caixas de papelão que comporiam o cenário. O artista plástico João Loureiro descreve as esculturas de elefantes e girafas, e um esqueleto de 10 metros de comprimento, e dividido em pedaços, que estariam no palco. A montagem também traria imagens de corpos dilacerados que retratam as barbáries de uma guerra, feitas pelo fotógrafo Miguel Rio Branco.

Sobre as quase 500 peças que vestiriam o elenco, a figurinista Sylvie Le Blanc comenta sobre os desenhos e o processo criativo para os figurinos dos solistas, atores, bailarinos e integrantes do coro. Outra que dá o seu depoimento é Maira Himmelstein.

Na parte musical, o maestro Mário Zaccaro destaca a participação dos 87 integrantes do Coro Lírico, grupo que, logo nos primeiros ensaios, chamou a atenção do barítono norte-americano de origem afrodescendente Brian Major – que reviveria o rei Amonasro após interpretar o personagem na casa de Opera de Columbus, Ohio, Estados Unidos. O maestro Roberto Minczuk, diretor musical da montagem e regente da Orquestra Sinfônica Municipal, lembra a história de opressão e escravidão de Aída e o desafio de trazer o outro lado, o lado trágico. Uma opressão exercida pelo Egito ao povo etíope e ainda presente nos dias de hoje.

Outra que aparece no documentário é a soprano estadunidense Marsha Thompson, que teve sua estreia internacional marcada pela interpretação da personagem central da ópera no Teatro alla Scala, em Milão, e convidada pelo Municipal. Ela destaca que qualquer mulher de hoje em dia que represente o tráfico humano poderia interpretar Aída, que é uma escravizada no contexto da obra. Dividindo o papel com Marsha, a soprano brasileira Marly Montoni comenta que precisou mergulhar nos estudos sobre a África e a Etiópia para incorporar a personagem.

O barítono David Marcondes, integrante do Coro Lírico Municipal e que em Aída se revezaria com Brian Major como o rei Amonasro, se emociona ao falar que pela primeira vez no Theatro Municipal de São Paulo nenhum solista de pele branca precisaria ser pintado para interpretar um papel de um afrodescendente.

Os minutos finais são dedicados a maestrina Naomi Munakata, que desde julho de 2016 ocupava o posto de regente titular do Coral Paulistano, trabalhava na montagem de Aída e nos deixou em março, em decorrência de complicações por infecção de Covid-19.

Ficha Técnica

Por trás dos filmes, além dos atores, dos figurinos, das câmeras, da arte, do som e de outros elementos mais facilmente perceptíveis na construção qualquer longa metragem, há também um verdadeiro exército de profissionais dedicados a viabilizar cada detalhe do intrincado quebra-cabeça artístico, operacional, logístico e financeiro da produção audiovisual.

Veja logo abaixo a equipe técnica de Aída (2020) que o portal História do Cinema Brasileiro pesquisou e agora disponibiliza aqui para você:

Direção: Bia Lessa

Brasil | Documentário | cor | 61 min. | 2020

Classificação Indicativa: Livre

Bibliografia

Livros:

Internet:

HISTÓRIA DO CINEMA BRASILEIRO. Aída. Disponível no endereço: http://www.historiadocinemabrasileiro.com.br/aida/

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