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Alberto Salvá (1938-2011)

Biografia

Alberto José Bernardo Salvá Contel, em arte mais conhecido como Alberto Salvá Contel ou simplesmente Alberto Salvá, foi um cineasta, roteirista, montador, produtor e professor de cinema brasileiro nascido em Barcelona (na Espanha), no dia 13 de abril de 1938, e radicado no Brasil desde 1952, naturalizando-se em 1961.

Ao lado de vários profissionais do Cinema Novo, estudou com o professor sueco Arne Sucksdorff no famoso curso promovido pelo Itamaraty no Museu de Arte Moderna no Rio de Janeiro em 1962-64. Em seguida, no mesmo ano, começou a dirigir e realizar curtas, como Paixão de Aleijadinho (1963) e A sala de milagres (1966).

Alberto Salvá assinou críticas de cinema no Jornal dos Sports (1964) e fundou o grupo Câmara (1966), uma cooperativa onde produziu, fotografou, montou e dirigiu dois longas divididos em episódios: Como vai, vai bem? (1968) e A Cama ao Alcance de Todos (1969). Em 1970, dirigiu seu primeiro longa, Vida e Glória de Um Canalha. Também foi fundador da produtora Thor Filmes, em 1972, junto com a cineasta e produtora Teresa Trautman, para quem dirigiu a fotografia de Os homens que eu tive (1973).

Alberto Salvá foi diretor, roteirista, produtor, fotógrafo e montador de quase todos os seus filmes. Na Globo, trabalhou em casos especiais, minisséries e no Globo Repórter. Dirigiu, ainda, Inquietações de uma mulher casada (1978), Ana, a libertina (1975), As Quatro Chaves Mágicas (1974), Revólveres não cospem flores (1972) e Um homem sem importância (1971). Em 2000, ministrou um curso de roteiro na Casa da Gávea e co-dirigiu com Eduardo Nunes PCN MATEMÁTICA, uma série de 12 programas educativos produzidos e exibidos pela TV Escola. Em 2004, passou a dar aula no Núcleo de Roteiro do Instituto Brasileiro de Audiovisual – Escola Darcy Ribeiro e teve o roteiro de O Senhor das Nuvens selecionado para o Concurso de Apoio ao Desenvolvimento de Roteiros Cinematográficos de Longa Metragem do MinC.

Em 2008, finaliza o longa-metragem Os seios de Deus, filme de baixo orçamento rodado e financiado de forma independente.

Tendo emigrado com a família para o Rio de Janeiro ainda adolescente, Alberto Salvá trabalhou como pedreiro, pintor de obras, escriturário e fotógrafo. Interessado desde cedo por cinema, em 1964 passou a assinar críticas de filmes no Jornal dos Sports e matriculou-se num seminário sobre documentário, ministrado pelo sueco Arne Sucksdorff, e promovido pelo Itamaraty no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

Em seguida passou a realizar curtas, sendo que já o primeiro, Paixão de Aleijadinho (1965), foi premiado como melhor documentário no Festival de Curtas-metragens da Bahia. Foi diretor de fotografia no média-metragem Nossa Escola de Samba (1964), de Manoel Gimenez, episódio do histórico longa Brasil Verdade, um dos marcos do surgimento do Cinema Novo.

Entre 1966-67, fotografou e montou vários curtas para o Instituto Nacional de Cinema e fundou o grupo Câmara, uma cooperativa a partir da qual produziu, fotografou, montou e dirigiu três episódios de Como Vai, Vai Bem? (1968), sua estréia em longas-metragens. No mesmo período, montou os longas Um Homem e Sua Jaula, de Fernando Cony Campos, e Edu, Coração de Ouro, de Domingos de Oliveira. Em 1972, fundou a produtora Thor Filmes, com Teresa Trautman, para quem foi diretor de fotografia em Os Homens que Eu Tive (1973).

No período da pornochanchada, fotografou, roteirizou e até dirigiu algumas comédias eróticas. Mas seus temas mais recorrentes são as dificuldades de relacionamento, analisadas de forma cômica, como em A Cama ao Alcance de Todos, ou dramática, como em Confissões de uma Mulher Casada. O que não o impediu de enveredar com qualidade autoral pelo relato autobiográfico existencial de Um Homem sem Importância, ou mesmo pelo cinema infantil, em As Quatro Chaves Mágicas, uma recriação do conto João e Maria dos irmãos Grimm).

Na TV Globo, dirigiu vários casos especiais, como Tudo Cheio de Formiga (1975), o primeiro especial em cores da televisão brasileira; além de documentários para o Globo Repórter, e episódios das séries Aplauso (1979), Carga Pesada (1980-81), Obrigado Doutor (1985) e Você Decide (1992).

Em 1983, fotografou Me Beija, de Werner Schünemann. Contratado para dirigir S.O.S. Sex Shop, desentendeu-se com o produtor Pedro Carlos Rovai, que acabou refilmando e remontando o material, creditando a direção a “Alberto S. Contel”.

Ainda em 1983, ganhou o concurso nacional de contos eróticos da revista Status, com Alice, que viria a ser a base para o roteiro de A Menina do Lado, uma história de amor entre um escritor quarentão (Reginaldo Farias) e sua vizinha adolescente (Flávia Monteiro, em seu primeiro papel). O filme, além de ter sido um grande sucesso comercial, ganhou prêmios nos festivais de Gramado e Natal.

No período Collor, Salvá foi produtor de Manobra Radical (1991), de Elisa Tolomelli. Em 1997, publicou pela Editora Revan o livro Sexo em Casa ou Tudo que Você Sempre Quis Fazer e Nunca Teve Coragem de Pedir.

A partir de 1990, começou a ministrar cursos de roteiro, a princípio no Parque Lage, na Casa da Gávea e na Casa de Cultura Laura Alvim, mais tarde nas Universidades Cândido Mendes e Estácio de Sá, e mais recentemente no Instituto Brasileiro de Audiovisual – Escola Darcy Ribeiro.

Lançou o curta Amigas em 2004. Em 2008, dirigiu o filme independente Na Carne e na Alma (que também teve o título de Deusa Cadela), com Karan Machado e Raquel Maia, baseado no livro homonimo de André Abi Ramia

O cineasta faleceu dia 13 de outubro de 2011, aos 73 anos, vítima de câncer de fígado.

Filmografia

:: Filmografia como Diretor ::

2008 :: Na Carne e na Alma (ou Deusa Cadela)
2000 :: Amigas
1997 :: O Bailarino e a Contorcionista
1996 :: Antártida, o Último Continente (co-dir. Monica Schmiedt)
1990 :: O Vendedor
1987 :: A Menina do Lado
1983 :: S.O.S. Sex Shop (ou “Como Salvar Meu Casamento”)
1982 :: O Ritual
1982 :: Sem Intermediários
1980 :: Baloeiros
1978 :: Inquietações de Uma Mulher Casada
1976 :: Os Maniacos Eróticos
1975 :: Ana, a Libertina
1972 :: Revólveres Não Cospem Flores
1971 :: As Quatro Chaves Mágicas
1971 :: Um Homem sem Importância
1970 :: Vida e Gloria de um Canalha
1969 :: A Cama ao Alcance de Todos (episódio “Primeira Cama”)
1968 :: Como Vai, Vai Bem? (episódios “Mulher à Vista”, “O Apartamento” e “Hei de Vencer”) (codir. Walquiria Salvá, Carlos Alberto Camuryano, Daniel Chutoriansky, Paulo Veríssimo e Carlos Alberto de Abreu)
1967 :: Sala dos Milagres
1966 :: Vítimas da Ambição (dir) (inacabado)
1966 :: Aspectos da Segunda Guerra Mundial
1966 :: Sol no Labirinto (co-dir. Fernando Cony Campos)
1965 :: Paixão de Aleijadinho

:: Filmografia como Roteirista ::

1981 :: Mulher Objeto
1978 :: Assim era a Pornochanchada
1978 :: Os Melhores Momentos da Pornochanchada
1976 :: As Desquitadas em Lua-de-Mel
1975 :: As Deliciosas Traições do Amor (Episódio ‘Dois é Bom… Quatro é Melhor‘)
1971 :: As Quatro Chaves Mágicas

:: Filmografia como Montador ::

1971 :: As Quatro Chaves Mágicas

:: Filmografia como Diretor de Fotografia ::

1996 :: Antártida, o Último Continente
1982 :: Sem Intermediários
1982 :: O Ritual
1978 :: Inquietações de Uma Mulher Casada
1976 :: Os Maniacos Eróticos
1975 :: As Deliciosas Traições do Amor (episódio: O Olhar)
1973 :: Os Homens Que Eu Tive
1972 :: Revólveres Não Cospem Flores
1968 :: Como Vai, Vai Bem? (episódios “Mulher à Vista”, “O Apartamento” e “Hei de Vencer”) (cofot. Luis Paulo Pretti)
1967 :: Sala dos Milagres
1966 :: A Linguagem da Dança
1965 :: Brasil Verdade (Episódio Nossa Escola de Samba)
1965 :: Calçadas do Rio
1965 :: Nossa Escola de Samba (cofot. Thomaz Farkas) (Episódio do longa Brasil Verdade)
1965 :: Paixão de Aleijadinho

Bibliografia

Livros:

SILVA NETO, Antonio Leão da. Dicionário de Fotógrafos do Cinema Brasileiro. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2011.

Internet:

WIKIPEDIA. Disponível no endereço: http://pt.wikipedia.org/wiki/Alberto_Salvá. Acesso em: 14 de maio de 2010.

História do Cinema Brasileiro

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