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Aristides Junqueira (1879-1952)

Biografia

FOTO Aristides JunqueiraAristides Francisco de Castro Junqueira, em arte mais conhecido como Aristides Junqueira, foi um cineasta, produtor e diretor de fotografia nascido em Ouro Preto (MG) em 28 de agosto de 1879. Foi um dos cineastas pioneiro do cinema brasileiro e, em particular, de Minas Gerais. Fotógrafo inovador, inventava e criava equipamentos, que naquela época somente as lentes eram importadas.

Filho de Antônio Francisco Junqueira, negociante na cidade de Ouro Preto, e Arminda Monteiro de Castro Junqueira, Aristides Junqueira estudou no Colégio de Itu (São Paulo) até os 16 anos, quando retornou a Ouro Preto, onde se matriculou na Faculdade de Direito, cursando até o terceiro ano. Com a transferência da capital do Estado para Belo Horizonte, que se chamava na época Cidade de Minas, mudou­-se para lá, acompanhado de seus pais, onde foi nomeado Coletor Federal. Casou­-se com Corina de Abreu Junqueira, de família maranhense radicada no Rio de Janeiro.

Atraído por seus pendores artísticos, pois, era pintor amador, exonerou-­se do cargo público e abraçou a arte fotográfica como profissão, havendo instalado em Belo Horizonte um estúdio fotográfico. A seguir, voltou-se para a cinematografia, arte então incipiente no Brasil, tendo sido Botelho, cineasta carioca, o pioneiro em nosso país da 7ª arte. Como se pode imaginar, enfrentou no início, sérias dificuldades, pois, para as menores coisas, dependia da Europa, tais como aquisição de aparelhos, acessórios, filmes, etc.

Em 1908, instala, já em Belo Horizonte, o ateliê Fotografia Artística e inicia suas experiências cinematográficas. Seu primeiro filme foi Reminiscências, um documentário de crônica familiar. Depois aventura-se na Amazônia e Pará, torna-se amigo dos índios e tenta uma aproximação com Lampião, nunca confirmada. Seu primeiro longa é Minas Gerais, de 1910, e o segundo Minas em Armas, de 1933. Todos os outros foram de curta duração.

No ano de 1909, Junqueira filmou Reminiscência, cuja cópia está depositada na Cinemateca Brasileira. Em 1910, realizou o filme Minas Gerais para ser exibido na Itália.

Em 1911, como cinematografista, Aristides fez parte da Comissão que representou o Brasil na Exposição de Turim, onde exibiu documentários sobre o nosso país, filmados por ele próprio e por colegas brasileiros. Permaneceu seis meses na Itália, época em que já dominava as línguas italiana e francesa.

Já no ano de 1913, filmou a família Bueno Brandão em 11 de julho desse ano.

Os seus filmes eram documentários sobre várias regiões do Brasil, que conhecia bem, principalmente o Norte e o Nordeste. Percorreu não somente o litoral como todo o interior, chegando à Bolívia e Guianas. Durante mais de trinta anos, fez seguidas incursões nessas regiões, sempre em busca da compreensão dos costumes, folclore e outros fatos que servissem de tema para seu jornal cinematográfico ­Cine Cruzeiro do Sul de A. Junqueira ­que era exibido em vários cinemas do país, através da distribuidora de filmes nacionais do Rio de Janeiro.

Em 1923, dando vazão ao seu espírito aventureiro, desceu o rio Araguaia até as proximidades da Ilha do Bananal, onde filmou os costumes de várias tribos de índios da região, principalmente os Xavantes. Como cicerone, levava em sua companhia um índio domesticado, de nome Uachurê, que ficara conhecendo em uma fazenda de amigos, no interior de Goiás.

Na edição de 04 de janeiro de 1926, o jornal O Globo fez uma entrevista com Junqueira a propósito do documentário No Coração do Brasil (ou Em Pleno Coração do Brasil). É notável o entusiasmo do cineasta, contagiante, como atesta o repórter: “Sentimos o homem que anteviu um mundo phantástico e que ainda procura os termos de uma medida possível”. E continua: O Sr. Junqueira fora a Goyaz especialmente para tirar um filme da posse do Presidente caiado, em 14 de julho último. Terminado este trabalho e impedido pelos acontecimentos revolucionários de regressar ao Rio, teve a ideia de filmar a vida dos índios….

Infelizmente a reportagem não fornece elementos sobre as características do documentário; preocupa­-se apenas em traduzir as impressões do cineasta, suas dificuldades de filmagem, os aspectos sociais e humanos de uma civilização primitiva. Da matéria, entretanto, podemos aquilatar o que teria sido o espírito de Junqueira, sua objetividade de documentarista, seu zelo pelo detalhe significativo; e, provavelmente, a sua perspectiva singular, autodidata, sem influências culturais e técnicas extrínsecas. Sabe-­se que além de Belo Horizonte, o filme foi exibido em São Paulo e outras capitais.

Foram encontradas anotações de Oswaldo Junqueira que atestaram seu desejo de filmar Lampeão; sabe­-se que a morte do cangaceiro impediu-­o de concretizar essa ideia.

Em 1930, durante a revolução que elevou Getúlio Vargas ao poder, Junqueira foi engajado como cinematografista, no posto de capitão, patente que possuía da antiga Guarda Nacional. Filmou combates na região do Sul de Minas, principalmente no Túnel, onde se travaram várias refregas. Segundo a mesma fonte, ele realizou muitos filmes sob encomenda para governos estaduais, principalmente do Norte e Nordeste; com temas bastante variados: exposições, posses, obras, procissões religiosas, etc….

Consta seu último filme ser Aspectos do Nordeste do Brasil, de 1943, após o qual se dedica apenas a fotografias.

Mais velho, Junqueira fixou-­se definitivamente em Belo Horizonte, ocupando-­se a chefia do Serviço de Microfilmagem da Prefeitura de Belo Horizonte, no governo de Juscelino kubitschek.

Em 1936, filmou a escola de Viçosa quando o diretor Dr. Belo Lisboa fez a cobertura do Congresso Eucarístico Nacional realizado em Belo Horizonte.

Finalmente, cansado e já em idade madura, ressentindo­-se da concorrência dos colegas mais moços e em melhores condições financeiras, deixou a profissão, tendo­-se fixado em Belo Horizonte, onde instalou na Prefeitura o aparelho de microfilmagem que, por sugestão sua, fora adquirido pela administração Octacílio Negrão de Lima, tendo, entretanto, permanecido encaixotado nos porões da instituição. Com a subida de Juscelino kubitschek ao governo municipal, com o qual mantinha relações de amizade, foi convidado a montar o aparelho e ficar à frente do Serviço de Microfilmagem, tarefa que realizou durante alguns anos, até a sua morte.

Em 21 de maio de 1952, o cineasta vem a falecer, aos 72 anos, em Belo Horizonte, de câncer no pulmão. Apesar de não ter restado quase nada desses filmes, seu material disponível conhecido restringia­-se a algumas fotografias e poucas reportagens jornalísticas publicadas na época. Recentemente, encontramos no CRAV – Centro de Referência Áudiovisual trechos de Reminiscências, Casamento de Anitta Machado e Exma. Família Bueno Brandão, imagens de casamentos, carnavais, passeios, imagens posadas. Ainda sob a guarda da Polícia Militar, depositadas na cinemateca, foram encontrados (partes dos filmes) Minas em Armas, Minas Liberal e mais alguns títulos que não eram de conhecimento nem da própria Polícia Militar Mineira, comunicada por pesquisadores (em 1982-1983).

Filmografia

1943 :: Aspectos do Nordeste do Brasil
1941 :: Evolução do Rio de Janeiro no Estado Novo
1941 :: Getúlio Vargas, o Homem Providencial
1941 :: As Grandes Realizações do Estado Novo
1941 :: Presidente Getúlio Vargas Criador do Estado Novo
1941 :: Riquezas da Fauna da Amazônia
1940 :: Excursão do Presidente Getúlio Vargas ao Estado do Pará
1940 :: Visita do Presidente da República à Amazônia
1938 :: Cine Cruzeiro
1938 :: Congresso Eucarístico Debelo Horizonte
1937 :: Aves e Animais do Museu Goeldi
1937 :: Mossoró, na Terra do Sol
1937 :: Palmeira dos Índios
1937 :: Serviço de Fruticultura – Minas Gerais
1936 :: A Cidade de Ouro Preto
1936 :: O Dia da Pátria em Belo Horizonte
1936 :: Penedo
1936 :: Rio São Francisco
1936 :: Segundo Congresso Eucarístico Nacional
1936 :: O Segundo Congresso Eucarístico
1935 :: Cine Jornal Amazonense
1933 :: Minas em Armas (LM) (dir.)
1930 :: No Coração do Brasil
1930 :: Revolução de 1930 – I
1928 :: Aspectos da Excursão Presidencial à Zona da Mata
1928 :: Excursão Presidencial à Zona da Mata
1928 :: Visita do Presidente da República à Cidade de Juiz de Fora
1926 :: No Coração do Brasil (ou Em Pleno Coração do Brasil
1925 :: Às Margens do Araguaia
1924 :: Em Pleno Coração do Brasil
1921 :: O Rio das Velhas
1920 :: Chegada de SS.MM. os Reis da Bélgica no Rio de Janeiro (codir. João etc. hebehere)
1919 :: Mineração no Espírito Santo
1918 :: Engenho de Cana-de-Açúcar
1917 :: Ouro Velho
1915 :: Jardim Zoológico de Belém do Pará
1914 :: Operação Cirúrgica de Dois Xifópagos
1913 :: Propaganda de Lançamento da Revista Vita
1913 :: A Excelentíssima Família Bueno Brandão em Belo Horizonte no Dia 11 de Junho de
1913

1910 :: Aspectos da Inauguração da Estrada de Rodagem Belo Horizonte-Barreiro
1910 :: Minas Gerais (LM) (dir.)
1910 :: O Presidente do Estado e seus Familiares
1910 :: Minas Gerais
1909 :: Reminiscências
1909 :: Território do Acre
1907 :: Paes Leme
:: Casamento de Anitta Machado
:: Minas Liberal

Bibliografia

Livros:

GALDINO, Marcio da Rocha. Minas Gerais: ensaio de filmografia. Belo Horizonte: Secretaria de Cultura e Turismo de BH, 1983.

GOMES, Paulo Augusto. Pioneiros do Cinema em Minas Gerais. Belo Horizonte: Crisálida, 2008

SILVA NETO, Antonio Leão da. Dicionário de Fotógrafos do Cinema Brasileiro. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2011.

Dissertações:

MARQUES, Alexandre Pimenta. O Registro inicial do documentário mineiro: Igino Bonfioli e Aristides Junqueira. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós­ Graduação em Artes da Escola de Belas Artes – Universidade Federal de Minas Gerais, 2007.

Jornais e Periódicos:

. Reportagem de O GLOBO, edição de 04.01.1926, Rio de Janeiro.

. Cronologia do Cinema Mineiro, de Nicola Fallabella.

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