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Armando Bogus (1930-1993)

Biografia

Armando Assad Bógus, em arte mais conhecido como Armando Bógus, foi um ator brasileiro nascido na cidade de São Paulo (SP) no ano de 1930. Faleceu na mesma cidade, no ano de 1993.

Teve infância normal, mas na fase escolar acabou expulso dos colégios São Luis e Arquidiocesano, por precocidade socialista, um agitador, segundo ele mesmo diz. Foi reprovado em dois vestibulares.

Intérprete de grande expressividade e sinceridade cênica, construiu uma carreira alternando participações no teatro e na televisão, com personagens simpáticos e muito próximos dos espectadores.

Estreou no teatro, fazendo uma ponta em Pif-Paf (A Dama de Copas), com direção e autoria de Abílio Pereira de Almeida, em 1949. Integrou as equipes de Esses Fantasmas, de Eduardo De Filippo; e Moral em Concordata, novo texto de Abílio Pereira de Almeida, ambos produzidos pelo Teatro Maria Della Costa, TMDC, com direção de Flaminio Bollini, em 1956.

Estreou profissionalmente em teatros da TV Excelsior, a convite de Abílio Pereira de Almeida. Seu primeiro sucesso é na peça O Auto da Compadecida, no ano de 1957. Integra o grupo Os Jograis, ao lado de Rubens de Falco.

Seu primeiro destaque surge como o João Grilo de Auto da Compadecida (Auto Sacramental Nordestino), do original de Ariano Suassuna, dirigido por Hermilo Borba Filho, produção de 1957. No ano seguinte, junto com Antunes Filho e outros companheiros, fundou o Pequeno Teatro de Comédia, equipe responsável por algumas boas realizações nas quais Bógus encontrou excelentes oportunidades de criação: Alô …36-5499, de Abílio Pereira de Almeida, em 1958; Pic-Nic, de William Inge, em 1959; e sobretudo Plantão 21, de Sidney Kingsley, no mesmo ano, espetáculo que eletriza a platéia.

Estreou na televisão em 1963, na novela Gente como a Gente e não para mais, acumulando sucessos como Alma de Pedra (1966), Minas de Prata (1966), Redenção (1966), Sangue do meu Sangue (1969) e A Próxima Atração.

Em 1964, Bógus sobe ao palco para interpretar o monólogo O Ovo, com direção de Jean-Luc Descaves, em grande forma, arrebatando prêmios. No ano seguinte, junto com sua esposa Irina Grecco, Adhemar Guerra e novamente com Antunes Filho e outros artistas, fundou o Teatro da Esquina, que ajudou a definir o perfil teatral da época. Desde o início de suas atividades, marcaram a cena cultural com excelentes criações: Oh, Que Delícia de Guerra!, de Charles Chilton em colaboração com Joan Littlewood e o grupo Theatre Workshop, numa direção de Ademar Guerra, 1966; A Megera Domada, de Wlliam Shakespeare, encenação cheia de verve de Antunes Filho que destaca Irina Grecco, mulher de Bógus, no desempenho central. A mesma companhia lança, em 1967, o excepcional Marat-Sade, de Peter Weiss, competente encenação de Ademar Guerra que conta com os primorosos trabalhos de Bógus, vivendo Marat, e Rubens Corrêa, como Sade, num duelo de interpretações que resulta em prêmios.

Destaque na montagem brasileira de Hair, em 1969, sob o comando de Ademar Guerra, volta, em 1972, com o mesmo diretor, a capitanear a montagem de Missa Leiga, polêmico texto de Chico de Assis, singela mas emocionante encenação realizada numa fábrica desativada, numa produção de Ruth Escobar, desdobrada em temporadas no Rio de Janeiro, na Europa e na África.

Em 1972, integrou o elenco do seriado televisivo Vila Sésamo e ficou nacionalmente conhecido. A partir daí, colecionou personagens marcantes, como o turco Nassib em Gabriela (1975), seguindo-se de Roque Santeiro (1985), Bambolê (1987), Bebê a Bordo (1988), Tieta (1989), Meu Bem, meu Mal (1990), Pedra sobre Pedra (1992) e Sex Appeal (1993), sua última novela.

Ao longo dos anos 70, integra os elencos de El Grande de Coca-Cola, dirigido por Luiz Sérgio Person no recém-inaugurado Auditório Augusta; Brecht Segundo Brecht, coletânea de poemas e canções do autor alemão encenada por Ademar Guerra, em 1974; e Caminho de Volta, de Consuelo de Castro, montagem de Fernando Peixoto para a companhia de Othon Bastos, em 1975.

Em 1986, alcançou grande sucesso de público com a montagem de Bonifácio Bilhões, de João Bethencourt, lotando durante anos os teatros que ocupa. Em 1974, novamente ao lado de Irina Grecco, está em Lulu, de Frank Wedekind, numa sensível composição dramática.

Armando Bógus atuou também na TV, tornando-se querido do grande público ao interpretar o turco apaixonado Nacib, na novela da TV Globo Gabriela, inspirada na obra de Jorge Amado. Na apreciação da crítica Regina Helena, tratando de Missa Leiga: Quanto a Armando Bógus, este é seu mais importante papel e sua mais eficiente e madura criação. Bógus domina o papel. Com segurança, muita técnica e ao mesmo tempo muita emoção. Uma emoção medida, profunda, exata. Não há nada a mais ou a menos na atuação deste ator que há muito tempo pode ser considerado como um dos melhores do país e que encontra, agora, a melhor oportunidade de sua carreira.

No cinema, estreou em 1958, no filme Macumba na Alta. Entre outros, tem papel de destaque em O Cortiço (1977).

Ao lado de Lima Duarte e Stênio Garcia, foi um dos mais finos intérpretes do homem brasileiro, tornando seus personagens tão reais que passam a integrar a paisagem afetiva de cada espectador.

Faleceu em 02 de maio de 1993, aos 63 anos de idade, vítima de leucemia, em São Paulo.

Filmografia

1982 :: Os Campeões …. Mário
1979 :: Por Um Corpo de Mulher
1979 :: Teu, Tua
1979 :: Paula – A História de uma Subversiva
1978 :: J.J.J., o Amigo do Super-Homem …. João Juca Júnior (J.J.J.)
1978 :: O Cortiço
1977 :: Maria Bonita
1976 :: O Mundo em que Getúlio viveu …. Narrador
1976 :: Doramundo
1972 :: Dez Jingles para Oswald de Andrade (CM) (narração)
1972 :: D. Pedro Volta ao Ipiranga (CM) (narração)
1970 :: Parafernália, o Dia de Caça
1969 :: A Compadecida …. João Grilo
1968 :: Anuska, Manequim e Mulher …. amigo de Sabato
1959 :: Moral em Concordata …. Chico
1958 :: Macumba na Alta

Bibliografia

Fontes de Referência

Livros:

HELENA, Regina. Missa Leiga. In: ANUÁRIO das Artes. São Paulo: APCA, 1972.
SILVA NETO, Antonio Leão da. Astros e estrelas do cinema brasileiro. 2. ed. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2010.

Internet:

HISTÓRIA DO CINEMA BRASILEIRO. Armando Bógus. Disponível no endereço: http://www.historiadocinemabrasileiro.com.br/armando-bogus/

História do Cinema Brasileiro

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3 comentários sobre “Armando Bogus (1930-1993)

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