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Arrelia (1905-2005)

Biografia

FOTO Arrelia 01Waldemar Seyssel, em arte mais conhecido como Palhaço Arrelia ou simplesmente Arrelia, foi um ator, humorista e palhaço brasileiro nascido na cidade de Jaguariaíva (PR) no dia 31 de dezembro de 1905. Foi um dos palhaços mais famosos e queridos do Brasil e que continua no imaginário de gerações, mesmo após seu falecimento, ocorrido no dia 23 de maio de 2005.

Sua família tem origem na França, no Condado de Seyssel, região de Grenoble, quando seu avô, Júlio Seyssel, apaixonase por uma malabarista equestre. Não podendo casar-se sem o consentimento da família por ser nobre, ele abandona tudo, título e riqueza, e vai embora com o circo. Após percorrer vários países, a família vem para o Brasil com o Circo Charles Brothers, que foi montado em São Paulo. O pai de Waldemar, Ferdinando Seyssel criou o tipo Pinga-Pulha e também casa-se com uma filha de dono de circo. Mais tarde, com a ida de seu avô para o Chile, seu pai e seu tio Vicente montam sua própria companhia, o Circo Irmãos Seyssel que fica para Waldemar e seus irmãos. Antes de ser palhaço, Waldemar trabalha no circo fazendo malabarismo na cama elástica, no trapézio e nas barras com seus irmãos. Ele conta que, quando criança, era levado da breca, gostava de aborrecer arreliar todo mundo. Daí o apelido de Arrelia. Waldemar começa a trabalhar como palhaço em 1922 no Cambucí, em São Paulo. Entretanto, foi só em 1927, em Uberaba, que nasce o Arrelia, numa cena improvisada e bastante cômica, quando ele é obrigado a substituir um palhaço do circo. Seus irmãos o pintaram, vestiram e o empurraram para o picadeiro. Waldemar cai, faz trejeitos e caretas, levanta mancando e é aplaudido freneticamente pelo público.

Chegou a formar-se advogado pela USP, mas nunca exerceu a profissão.

Em 1942 estabeleceu-se em São Paulo, com o Circo dos Irmãos Seyssell. Trabalhou na companhia até 1953.

Waldemar Seyssel veio de uma família que se confunde com a história do circo no Brasil. Começou a atuar com seis anos de idade, no circo chileno de seu tio, irmão de sua mãe.

Sua família começou a se dedicar ao circo a partir do avô paterno – Julio Seyssel, que sempre morou na França. Era professor da Sorbonne, quando conheceu uma jovem espanhola, artista de um circo que excursionava pelo país. Fazia acrobacias em cima do cavalo e Júlio apaixonou-se por ela.

Sua família não queria o casamento, mas os dois resolveram se casar mesmo assim. Júlio deixou o cargo de professor e foi morar no circo. Tornou-se apresentador de números circenses. O casal acabou vindo para o Brasil com o Grande Circo inglês dos Irmãos Charles e ao invés de prosseguir com a excursão para outros países, ficou por aqui mesmo, dando origem a uma linhagem circense: filhos e netos, dedicados a arte circense. Arrelia tem mais cinco irmãos que foram do circo. O Palhaço Pimentinha, Walter Seyssel é filho de Paulo Seyssel, o Palhaço Aleluia, irmão de Arrelia.

Estreou no cinema em 1948 em Palhaço Atormentado. Atuou em muitos outros filmes como ator, sem se caracterizar de palhaço: entre eles, O Barbeiro que se vira (1958), Modelo 19 (1952) e Suzana e o Presidente (1950), com destaque para O Barbeiro que se Vira (1957) e Pluft, o Fantasminha (1964).

Depois de longos anos de trabalho dentro do circo, ele resolveu trocar o picadeiro pela televisão. Foi o primeiro da sua família a abandonar o circo pois falava que o circo não dava dinheiro suficiente para viver. Em 1953, ingressou na televisão, no programa Cirquinho do Arrelia, inicialmente na TV Paulista e depois na TV Record, em sua inauguração, ao lado de seu sobrinho Pimentinha. Em 1958, foi a vez de seus irmãos entrarem na TV e foram trabalhar com ele na TV Record, onde ficou no ar até 1974, fazendo enorme sucesso com as crianças do Brasil.

As matinês do circo do Palhaço Arrelia e posteriormente o Cirquinho do Arrelia da TV Record (de 1955 a 1966) fizeram parte do cotidiano da família paulistana. Deixou como marca registrada nessa cidade o popular bordão Como vai, como vai, como vai? Eu vou bem, muito bem…bem…bem!, a qual se se tornaria o refrão de uma música em ritmo de Marcha (música) Marcha cantada por ele.

Waldemar Seyssel começou em circo, saltando, passando depois pelo trapézio, pela cama elástica e em outras acrobacias, com seus dois irmãos, Henrique e Paulo. Mas quando o pai cansado deixou o circo, substituiu o nome artístico, usando o apelido de família que seu tio Henrique lhe dera: Arrelia. Seu primeiro parceiro foi o ator Feliz Batista, que fazia o palhaço de cara branca, vindo depois o irmão Henrique Sobrinho. Finalmente, quando trocou o circo pela televisão em 1953, teve como parceiro o palhaço Walter Seyssel Pimentinha, seu sobrinho.

Ele próprio diz ser um palhaço bem diferente. Alto e desengonçado, quando todos os palhaços excêntricos são baixos, sem sapatos de bicos imensos e finos e sem bengalas compridas, falando difícil sem saber e errando sempre. Enfim, é um tipo de rua, “um misto de gente que encontrei no circo, teatro, cinema, TV e na própria rua. Um tipo que vai indo aos trambolhões, mas vai indo, mesmo sem instrução e metido a sebo” *, fala Arrelia. Ele acredita muito no estudo acurado do personagem que vai representar e que o sucesso depende muito disso.

Definindo-se como palhaço fora de órbita, Arrelia citava grandes nomes da sua arte: Eduardo Neves, Benjamim de Oliveira, Polidoro, Caetano Namba, Serrano, Alcebíades e Henrique Seyssel, seu irmão e parceiro.

Arrelia popularizou a marcha Tudo bem, de autoria dele Manoel Ferreira e Antônio Mojica. O refrão usa seu conhecido bordão. A marcha pode ser ouvida em um dueto de Arrelia e Berta Loran no filme O Barbeiro que se vira de 1958.

A partir de 1992, passou a residir no Rio de Janeiro com sua segunda esposa, Dona Arlete, com quem viveu desde 1946. Participou de palestras em todo o Brasil, contando a história do circo e a sua, que naturalmente se misturam.

Em 1997, lançou o livro, Arrelia, uma autobiografia, editado pela IBRASA (Instituição Brasileira de Difusão Cultural), em São Paulo. De dois casamentos, tem quatro filhos, dez netos e oito bisnetos, sobreviveu à malária, viu seu circo pegar fogo e foi o primeiro palhaço da televisão brasileira.

Morreu em 23 de maio de 2005, no Rio de Janeiro, aos 99 anos de idade, vítima de pneumonia.

Filmografia

1965 :: Pluft, o Fantasminha
1958 :: Na corda bamba
1958 :: O Barbeiro que se vira
1956 :: O Brasil na Eletrônica (CM)
1955 :: Carnaval em Lá Maior
1954 :: A Sogra
1953 :: Destino em Apuros
1953 :: O Homem dos Papagaios
1952 :: Modelo 19 (Amanhã Será Melhor)
1951 :: O Cinema Nacional em Marcha (CM)
1950 :: Suzana e o Presidente
1950 :: A Vida é uma Gargalhada
1948 :: Palhaço Atormentado

Bibliografia

Livros:

SEYSSEL, Waldemar (o Arrelia). Arrelia e o Circo. São Paulo: Edições Melhoramentos, 1997.
SEYSSEL, Waldemar. O menino que queria ser palhaço. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1992.
SEYSSEL, Waldemar. Arrelia, uma autobiografia. São Paulo: Edição Ibrasa – Instituição Brasileira de Difusão Cultural Ltda., 1997.
SILVA NETO, Antonio Leão da. Astros e estrelas do cinema brasileiro. 2. ed. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2010.

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