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Bráulio Pedroso (1931-1990)

Biografia

Bráulio Nuno de Almeida Pedroso, em arte conhecido como Bráulio Pedroso, foi um cineasta, roteirista e autor brasileiro nascido em São Paulo (SP) em 1931.

Apesar de paulistano, Bráulio muda-se para o Rio de Janeiro e reflete, em sua produção dramatúrgica após os anos 70, o colorido dos tipos e situações cariocas, flagradas com humor, causticidade e agudo desenho psicológico.

Estréia como autor em 1965 com A Conspiração, abrindo o centro experimental implantado por Cacilda Becker (1921-1969) em sua residência. O Fardão é encenado por Antônio Abujamra (1932), em 1966, texto sobre um medíocre postulante à Academia Brasileira de Letras (ABL), pelo qual Bráulio ganha os prêmios Molière e Associação Paulista de Críticos Teatrais (APCT), de melhor autor. Em 1967, escreve em parceria com Walmor Chagas (1930-2013) Isso Devia Ser Proibido, peça interpretada por ele e Cacilda Becker no repertório do Teatro Cacilda Becker (TCB).

Em 1968, tem o texto curto O Negócio incluído na Primeira Feira Paulista de Opinião, espetáculo de Augusto Boal (1931-2009) montado no Teatro Ruth Escobar. Em 1970, com um revival do teatro de revista, cria um esfuziante veículo para Marília Pêra (1943) brilhar: A Vida Escrachada de Baby Stompanato e Joana Martini, com direção de Antônio Pedro Borges (1940), aproveitando personagens de sua telenovela Super Plá.

Um novo texto, dramático e soturno, surge em 1971, As Hienas, com direção de sua mulher, Marilda Pedroso. Encontro no Bar, de 1973, gira em torno da fossa, típico sentimento desses primeiros anos de 1970, marcando a vida intelectual brasileira sob a ditadura.

Volta à comédia em 1975, com O Deus Nos Acuda, integrando a Feira do Adultério, novo veículo para explorar o velho tema da troca de casais, dirigido por Jô Soares (1938). Festa de Sábado, uma incursão cômica e mordaz, é produzida em 1977, do mesmo modo que Dor de Amor, destacando Camilla Amado (1939) como protagonista.

As Gralhas, uma trilogia que parte de Franz Kafka (1883-1924) como inspiração, constitui sua mais estruturada criação dramática, com uma marcante encenação de Marcos Paulo (1951-2012), em 1978. Do ano seguinte, Lola Moreno, em co-autoria com Geraldo Carneiro (1952), é uma comédia musical interessante, sobre a vida de uma personagem imaginária do teatro rebolado, interpretada por Lucélia Santos (1957) em grande forma.

Após algum tempo de afastamento dos palcos, retorna em 1988 com Nicolau, por ele mesmo dirigido, e tendo Ítalo Rossi (1931-2011) no desempenho central. Ainda no mesmo ano, conhece uma nova produção, a de Morre um Coração Vulgar, reunindo Camilla Amado e Cláudio Marzo (1940) à frente do elenco.

Permanecem inéditas, embora editadas, A Fúria do Bucalão e É Dando que Se Recebe. Na TV Tupi, Bráulio escreve telenovelas de sucesso, como Beto Rockfeller, 1968. Na TV Globo, seus maiores êxitos são O Bofe, 1972; O Rebu, 1974, interessante utilização de metalinguagem, em que a ação ocorre num só dia; e Feijão Maravilha, 1979. Além de minisséries, casos especiais e outros formatos de programa, é autor de roteiros de cinema como Beto Rockfelller, Roberto Carlos a 300 km por Hora, Os Machões e Roleta Russa.

Acumulando expressivos prêmios em sua carreira, Bráulio visita, a convite, os Estados Unidos, em 1980, para um estágio cultural.

Apreciando O Fardão, uma de suas criações mais cheias de verve, assim escreve o crítico Sábato Magaldi (1927): “O diálogo é sempre do melhor rendimento cênico. […] O autor tem a intuição do efeito cênico imprevisto e cômico, o corte incisivo da fala. Achados excelentes espalham-se por toda a peça, com humor fino e sagaz. […] Fica patente em O Fardão que Bráulio ingressa no teatro profissional em uma faixa própria, que define sua originalidade. […] É possível que o autor tenha limitado propositadamente a mira para tornar-se mais acessível e merecer a confiança dos empreendimentos profissionais. A obra, de qualquer forma, parte para diversificar as linhas a que estamos habituados. Ninguém duvidará: eis um dramaturgo que tem tudo para enriquecer o nosso teatro.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 15 de agosto de 1990.

Bibliografia

Livros:

ALMEIDA, Inez Barros de. Panorama visto do Rio: Teatro Cacilda Becker. Rio de Janeiro: Inacen, 1987
CARVALHO, Tania. Ney Latorraca: uma celebração. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2004. 135 p. (Aplauso Especial). 792.092 L358c
MAGALDI, Sábato. Moderna dramaturgia brasileira. São Paulo: Perspectiva, 1998.
MICHALSKI, Yan: O Teatro sob Pressão – Uma Frente de Resistência. Rio de Janeiro: Zahar, 1989.

Internet:

BRÁULIO Pedroso. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa359329/braulio-pedroso. Acesso em: 11 de Ago. 2019. Verbete da Enciclopédia.
HISTÓRIA DO CINEMA BRASILEIRO. Bráulio Pedroso. Disponível no endereço: http://www.historiadocinemabrasileiro.com.br/braulio-pedroso/
SÉRGIO, Renato. Bráulio Pedroso: audácia inovadora. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2010.

História do Cinema Brasileiro

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2 comentários sobre “Bráulio Pedroso (1931-1990)

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