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Cacilda Becker (1921-1969)

Cacilda Becker Yáconis, em arte conhecida como Cacilda Becker, foi uma atriz brasileira nascida em Pirassununga (SP), no dia 06 de abril de 1921. Foi um dos maiores mitos dos palcos nacionais.

Filha do imigrante italiano Edmundo Radamés Yáconis com Alzira Leonor Becker, Cacilda tinha duas irmãs, Dirce e Cleide, esta última também atriz, a grande Cleyde Yáconis.

Ainda pequena mudou-se para São Paulo, mas a separação dos pais fez com que a mãe e as três filhas voltassem ao interior, onde passam muitas necessidades. Nessa época, subiu ao palco pela primeira vez para dançar, no Teatro Polytheama.

Tinha apenas nove anos quando sua mãe viu-se obrigada a, sozinha, criar suas três filhas. Por este motivo, fixaram-se na cidade de Santos (SP), onde Cacilda ainda jovem frequentou os círculos boêmios e mais vanguardistas, já que por ser filha de pais pobres e separados não podia estabelecer amizade com pessoas da alta sociedade.

Sem nenhum recurso e com muita dificuldade, conseguem estudar. Numa apresentação de dança no Cine-Teatro Guarani, o crítico Miroel Silveira gosta do seu estilo, mas – devido às impossibilidades de se seguir uma carreira de dança no Brasil – foi indicada para a produtora teatral Maria Jacintha.

Mudou-se então para o Rio de Janeiro em 1941, ano em que iniciou sua carreira de atriz. A partir daí, atuou no Rio de Janeiro e em São Paulo, fazendo teatro, cinema e também rádio, como locutora.

Estreou no cinema em 1945 no inacabado A Moreninha, mas teve em Floradas na Serra (1954) sua melhor performance.

Cacilda começou no teatro paulista como atriz amadora e se profissionalizou em 1948. Neste ano, Nydia Lícia recusou um papel na peça Mulher do Próximo, de Abílio Pereira de Almeida, produzida pelo Teatro Brasileiro de Comédia, para não ter que beijar nem dizer a palavra amante em cena, pois isto podia lhe custar o emprego numa importante loja. Cacilda, que a substituiu, exigiu ser contratada como profissional, acabando com o velho preconceito de que artista sério deveria ser diletante.

Fez apenas dois filmes, Luz dos Meus Olhos em 1947 e Floradas na Serra em 1953, no auge da Companhia Cinematográfica Vera Cruz.

Em televisão, marcou presença em vários teleteatros nas décadas de 50 e 60 e fez apenas uma novela, Ciúmes em 1966 na TV Tupi. Foi no teatro que conseguiu todas as glórias e viveu personagens inesquecíveis. Teve uma rápida passagem pela companhia Os Comediantes, comandada por Ziembinski, e logo depois foi para o Teatro Brasileiro de Comédia, o TBC, onde ficou dez anos. Saiu em 1958, para montar sua própria companhia, Teatro Cacilda Becker, que dirigiu até o final da vida.

Em 30 anos de carreira, Cacilda Becker encenou 68 peças, no Rio de Janeiro e em São Paulo; fez dois filmes e uma telenovela na TV Tupi além de outras participações em teleteatros na televisão.

Produziu e dirigiu várias montagens e interpretou, ao longo de sua carreira, 68 personagens, com destaque, entre tantas outras, para A Dama de Pedra, A Dama das Camélias, Gata em Teto de Zinco Quente, César e Cleópatra, O Santo e a Porca, além dos seus trabalhos marcantes no palco também estão Pega Fogo, Adorável Júlia, Antígona, O Anjo de Pedra, Jornada de um longo dia para dentro da noite, A Visita da Velha Senhora, Quem tem medo de Virgínia Woolf? e Esperando Godot, com a qual inaugurou o Teatro Municipal de São Carlos com a peça Esperando Godot no começo de 1969, cuja representação foi acometida do mal que terminaria por matá-la.

Pois foi durante a apresentação do espetáculo Esperando Godot, que encenava junto com o marido Walmor Chagas, na capital paulista, em 06 de maio de 1969, que Cacilda Becker sofreu um derrame cerebral, em função de um rompimento de um aneurisma quando encenava a peça, e foi levada para o hospital, ainda com as roupas do seu personagem.

Após 38 dias, internada em coma no Hospital São Luiz, em São Paulo, Cacilda Becker veio a falecer no dia 14 de junho de 1969, aos 48 anos de idade, em decorrência do derrame cerebral. Seu corpo foi enterrado no Cemitério do Araçá, com a presença de uma multidão de admiradores.

Atriz completa, inteira, versátil, deixa uma lacuna até hoje vaga. É cultuada pela crítica, meio artístico e público em geral. Foi definida pelos colegas como a maior atriz brasileira, a melhor amiga de seus amigos e a mais combativa representante da classe teatral brasileira.

Do seu primeiro casamento com o jornalista Tito Fleury, teve um filho, Luiz Carlos, o Cuca (1949). Casou-se depois com o ator Adolfo Celi e, em 1958, com Walmor Chagas.

Filmografia

1953 :: Floradas na Serra
1947 :: Luz dos Meus Olhos
1945 :: A Moreninha (Inacabado)

Bibliografia

Livros:

ALMEIDA, Inez Barros de. Panorama visto do Rio: Teatro Cacilda Becker. Rio de Janeiro: Inacen, 1987
BECKER, Cacilda. Rio de Janeiro: Funarte / Cedoc. Dossiê Personalidades Artes Cênicas.
PRADO, Décio de Almeida. Exercício findo: crítica teatral (1964-1968). São Paulo: Perspectiva, 1987. 289 p. (Coleção debates; 199).
______. O teatro brasileiro moderno: 1930-1988. São Paulo: Perspectiva, 1988. (Debates, 211).
______. Peças, pessoas, personagens: o teatro brasileiro de Procópio Ferreira a Cacilda Becker. São Paulo: Companhia das Letras, 1993.
______. Teatro em progresso: crítica teatral, 1955-1964. São Paulo: Martins, 1964.
PRADO, Luís André do. Cacilda Becker: Fúria Santa. São Paulo, Geração Editorial, 2002.
SILVA NETO, Antonio Leão da. Astros e estrelas do cinema brasileiro. 2. ed. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2010.
VARGAS, Maria Thereza. Cacilda Becker: uma mulher de muita importância. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2013. (Coleção aplauso. Série Teatro Brasil /coordenador geral Rubens Ewald Filho).
______.; FERNANDES, Nanci (orgs.). Uma atriz: Cacilda Becker. São Paulo: Perspectiva, 1984.

Periódicos:

MICHALSKI, Yan. Uma década sem Cacilda, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 15 de junho, de 1979.
Programa do Espetáculo – Quem Tem Medo de Virginia Woolf? – 1965 Não catalogado

Internet:

HISTÓRIA DO CINEMA BRASILEIRO. Cacilda Becker. Disponível no endereço: http://www.historiadocinemabrasileiro.com.br/cacilda-becker/

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