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Cine Leblon – Rio de Janeiro – RJ

Histórico

Cinema Leblon, também conhecido como Cine Leblon, é um cinema de rua localizado na rua Avenida Ataulfo de Paiva, nº 391-A, esquina com a rua Carlos Gois, no coração do emblemático bairro do Leblon, na Zona Sul carioca. É pertencente ao Grupo Severiano Ribeiro. Foi inaugurado em 29 de setembro de 1951.

Inaugurado num sábado, com a projeção do filme Terceiro Homem, pertencia à Empresa Exibidora Luiz Severiano Ribeiro S.A., atual Grupo Severiano Ribeiro.

O Cinema Leblon não foi o único cinema construído no bairro, havia outro: o Cine Miramar seria inaugurado pela Companhia Brasileira de Cinemas, na rua General Artigas, nº 14, pouco depois, a 10 de novembro do mesmo ano de 1951, com 1259 lugares. As duas salas de exibição conviveram até 1973, quando o Cine Miramar (que em algum momento passara também a pertencer à Empresa Luiz Severiano Ribeiro) cerrou suas portas, sendo logo depois demolido.

Por ocasião da inauguração do Cinema Leblon, um cronista da revista Cine Repórter confirmava o padrão de um luxo discreto adotado pela Luiz Severiano Ribeiro, marcado por salas com grande capacidade de público, amplas e com interior ricamente ornamentado com mármores, espelhos e cristais.

(…) Luiz Severiano Ribeiro constrói cinemas cômodos, perfeitos tecnicamente, sóbrios e elegantes, mas com aquela elegância apurada das pessoas de bom gosto, isto é, sem exageros e requintes de “nouveau riche” (…). O Cine Leblon (…) é uma casa bem característica de Severiano Ribeiro. A fachada é simples, a sala de espera em mármore rosa prepara o freqüentador para o salão de projeção amplo, todo atapetado, um tapete grosso e macio de alto custo, e para as cômodas poltronas em couro. A refrigeração é perfeita.

O Cinema Leblon possuia uma lotação de 1294 lugares. Foi inaugurado, assim, em pleno boom do cinema na cidade, era considerado a maior diversão de todas as camadas sociais. O período compreendido entre o final da Segunda Guerra Mundial e o final dos anos de 1950 foi marcado pela expansão bastante positiva do comércio exibidor. Dados do IBGE demonstravam o crescimento avassalador da freqüência aos cinemas. No início da década de 1950, a população carioca atingiu a marca de dois milhões e meio de habitantes, o número de espectadores, que em 1944 era de cerca de 17 milhões e meio, em 1958, chegou a 60.539.219. Apesar disto, delineava-se no período uma nova crise do mercado exibidor.

Pouco depois, em 1954, exibidores prometiam fechar dezenas de cinemas, caso o governo federal não abrandasse o controle de preços das entradas. No final do ano, começaram a cumprir a ameaça, e um primeiro grupo de seis salas cerrou as portas ao mesmo tempo e definitivamente.

De 1955 em diante, o fechamento de cinemas prosseguiu em ritmo cada vez maior, o que era uma flagrante contradição atribuída a fatores conjunturais, como o congelamento do preço dos ingressos, mas, na visão da autora, resultantes de mudanças mais profundas em processo no país que lentamente tiraram dos negócios cinematográficos a base de sustentação social e econômica anterior. Na década seguinte, mais um fator se somaria a este quadro, a forte concorrência da televisão, contribuindo para as quedas enormes na venda de ingressos. Papel importante foi representado pela especulação imobiliária que exercia pressões às vezes irresistíveis sobre as salas existentes.

Projetos de vários exibidores de criar grandes salas em shopping centers foram adiados, e mais de 40 cinemas pouco rentáveis seriam fechados na década de 1970, notadamente do Centro e da Zona Sul. Alguns foram transformados em super mercados, outros, localizados em áreas valorizadas pela especulação imobiliária, foram demolidos para dar lugar a grandes hotéis e prédios comerciais ou residenciais.

Na década de 1970, intensifica-se o processo de divisão de salas de exibição, a exemplo do que ocorria em outras cidades. Tratava-se de uma solução encontrada pelos empresários do setor para a superação da crise que o atingia, e dava início a uma nova era para o cinema, a de salas pequenas e centralizadas. Tal medida tinha como vantagens uma diminuição relativa dos custos operacionais, melhor aproveitamento da disponibilidade de lugares, maior oferta de filmes numa mesma área, aumentando assim a rentabilidade.

Luiz Severiano Ribeiro Júnior, comandante do maior circuito exibidor do Brasil, afirmava ao Jornal Última Hora que enquanto eles espalham por aí que estou fechando cinemas, eu estou é abrindo.

O Cinema Leblon, que mantivera suas características originais, foi dividido em dois em 30 de setembro de 1975. Sendo reinaugurado no mês seguinte como Cinema Leblon 1, com capacidade para 714 espectadores, reduzida para 692 nos anos de 1990; e Cinema Leblon 2, com 370 lugares, reduzidos a 300, a exemplo do primeiro.

Diversas matérias de jornais da época previam o fechamento do Leblon: seu valor imobiliário pela localização em ponto nobre do bairro superava em muito sua rentabilidade como cinema o que parecia indicar a venda iminente.

A “sobrevivência” do Leblon se deveu ao aumento expressivo nas taxas de freqüência aos cinemas verificada entre 1973 e 1975. Destino diferente teve o Miramar, citado acima, fechado em 1973, o que provavelmente aumentou o público consumidor de filmes do próprio bairro e da vizinha Ipanema, onde seriam fechados o Novo Pax (1952-1979), o Cine Pirajá (1936-1975), este último também de propriedade da Luiz Severiano Ribeiro, e o Cine Super Bruni 70, antigo Cine Astória (1942-1976). Pouco depois seria inaugurado o Leblon 2, no antigo balcão do Leblon, com 370 poltronas, e entrada pela rua Carlos Góes. O mesmo se deu com os cinemas São Luís, Tijuca e Cinema 2. Parte do público manifestou, em cartas a jornais, insatisfação pela falta de preocupação técnica da divisão que resultou em cubículos cinematográficos sem a qualidade de projeção das antigas salas.

Em 1979, fez-se obras no Leblon 1 para troca do piso e do estofamento das poltronas centrais.

O imóvel do cinema foi tombado provisoriamente pelo Decreto Municipal nº 20300/01, de 27 de julho de 2001, que criou a Área de Proteção do Ambiente Cultural do Leblon, a chamada APAC Leblon.

Apesar de o cinema ter sido fechado em julho de 2014, a obra só começou em novembro do ano passado. O imóvel fazia parte da Área de Proteção do Ambiente Cultural (Apac) do Leblon e era tombado pela prefeitura. Na época, o projeto chegou a ser vetado pelo Conselho Municipal de Proteção do Patrimônio Cultural. Mas o Grupo Severiano Ribeiro conseguiu o destombamento do cinema em setembro de 2014.

O Cine Leblon retornará com salas de cinema modernas, além de salas comerciais, estacionamentos e conveniências, mantendo suas características arquitetônicas originais, inspiradas no estilo Art Decó, originário dos anos de 1920.

O cinema fará parte de um a nova estrutura, o Centro Empresarial Luiz Severiano Ribeiro, que trará para o local maior segurança, infraestrutura e lazer. O novo empreendimento, concebido pelo arquiteto André Piva, para a Mozak Engenharia, ocupará o terreno, de 1.361m2, e contará com três salas de cinema de última geração, uma loja âncora de 987m2, um pólo gastronômico de aproximadamente mil metros quadrados, três subsolos, estacionamento e um edifício de sete pavimentos com 58 salas comerciais inteligentes, que terão de 47m2 a 207m2.

A fachada e o lobby do novo Cine Leblon foram pensados no estilo arquitetônico Art Déco dos anos 1920-30. Além disso, a ideia é recuperar o desenho original da década de 50 e repor os letreiros originais. Tudo para que os nostálgicos órfãos do cinema voltem a frequentar com muita alegria aquelas salas de exibição. Integrando o Centro Empresarial Luiz Severiano Ribeiro, promete trazer novo charme, sofisticação, tradição e comodidade ao tradicional endereço, no coração de um dos bairros mais charmosos do Rio.

Além de todos os diferenciais, o projeto celebra a sétima arte, resgatando o icônico Cine Leblon, trazendo de volta ao bairro a elegância digna de cinema.

Sua reinauguração é prevista para o ano de 2020.

Videos

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Galeria

Bibliografia

Livros:

GONZAGA, Alice. Palácios e poeiras: 100 anos de cinemas no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Record / FUNARTE, 1996.

Periódicos:

BOERE, Natália. Cine Leblon pode ganhar três salas de exibição. Jornal OGlobo. 13 de fev. 2017.
Cine Reporter. 1951.
Jornal OGlobo. 16 de out. 1979.

Internet:

A COR DA CASA. Cine Piva. Disponível no endereço: http://acordacasa.com.br/2017/02/17/cinepiva/. Acesso em: 23 de junho de 2017.
ANDRÉ PIVA ARQUITETURA. Cine Leblon. Disponível no endereço: http://www.andrepiva.com/pt-br/cine-leblon. Acesso em: 23 de junho de 2017.
APAC – PATRIMÔNIO CULTURAL. http://www0.rio.rj.gov.br/patrimonio/apac/anexos/bens_tomb_leblon/carlos_goes_64.pdf. Acesso em: 23 de junho de 2017.
HISTÓRIA DO CINEMA BRASILEIRO. Cine Leblon. Disponível no endereço: http://www.historiadocinemabrasileiro.com.br/cine-leblon/
OGLOBO. Cine Leblon pode ganhar três salas de exibição. Disponível no endereço: http://oglobo.globo.com/rio/cine-leblon-pode-ganhar-tres-salas-de-exibicao-20916060. Acesso em: 23 de junho de 2017.
OGLOBO. Decreto municipal destomba imóvel e pode salvar Cine Leblon de fechamento definitivo. Disponível no endereço: https://oglobo.globo.com/rio/decreto-municipal-destomba-imovel-pode-salvar-cine-leblon-de-fechamento-definitivo-13837403. Acesso em: 23 de junho de 2017.
URBE CARIOCA. Cinema Leblon – Causa perdida: the end. Disponível no endereço: http://urbecarioca.blogspot.com.br/2017/01/cinema-leblon-causa-perdida-end.html. Acesso em: 23 de junho de 2017.
URBE CARIOCA. Cinema Leblon destombado: já pode ser demolido. Disponível no endereço: http://urbecarioca.blogspot.com.br/2014/09/cinema-leblon-destombado-ja-pode-ser.html. Acesso em: 23 de junho de 2017.

História do Cinema Brasileiro

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