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Cine Palácio (RJ) voltará ao circuito em 2015, mas como um teatro

Notícia

FOTO Cine Palacio - RJDepois de cinco anos fechado, o Cine Palácio, na Cinelândia, está prestes a voltar a estar em cartaz. Só que atuando como teatro, como também já foi um dia. O Fundo Imobiliário Opportunity, que comprou o imóvel em dezembro de 2011, pesquisou com a prefeitura do Rio a história do local para fundamentar seu processo de restauração, já iniciado. E concluiu que sua maior vocação é servir de palco para encenações, uma vez que os cinemas atualmente utilizam salas bem menores do que a dele, de cerca de mil lugares.

Agora, é necessário firmar uma parceria com um operador de teatro para viabilizar a reestreia, prevista para o primeiro semestre de 2015. Com o novo Palácio entrará em cena um coadjuvante com porte de protagonista: um centro comercial de 36 lojas e três torres, totalizando mais de 70.000 m2 de área para locação, batizado de Passeio Corporate.

Segundo a assessoria de imprensa do Opportunity, o Palácio e o novo empreendimento — que ocupa quase todo o quarteirão que abrange as ruas das Marrecas, Evaristo da Veiga e Senador Dantas, num terreno de 109.923,83 m2 — serão integrados. O Passeio Corporate, que também está em construção, terá torres de 17 pavimentos e três subsolos com vagas para estacionamento. O projeto é do arquiteto Edmundo Musa. A restauração está a cargo do Terra Brasil.

O primeiro piso será um mall que juntará a galeria de lojas e o teatro, conectados por uma grande praça de alimentação. O acesso poderá ser feito pelas ruas do Passeio (onde estará o grande saguão arte-decó preservado), das Marrecas e Evaristo da Veiga. O empreendimento não terá cinemas, e as lojas ficarão só no térreo. As torres são para salas comerciais — explica o coordenador do projeto pelo Opportunity, Daniel Villas Boas, acrescentando que o antigo Cine Palácio está bastante descaracterizado. — Estamos usando uma foto de época para orientar os trabalhos. O local, que foi dividido em duas salas de cinema, voltará a ser uma grande sala de espetáculos.

Em nota, o fundo imobiliário diz que tem certeza de que a restauração e a operação do teatro contribuirão muito para a cultura na cidade e a revitalização da área do Passeio. “Esperamos fechar até o próximo ano a parceria com o operador que deverá obter as licenças necessárias para funcionamento do teatro junto aos órgãos competentes”, diz a nota.

— Não recebemos o projeto ainda, mas nossa leitura da proposta é boa. Afinal, além da restauração em si, ele será de bom uso para a cidade — diz o arquiteto Washington Fajardo, presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade. Será um final feliz para o prédio — que é eclético e tem influência neomourisca —, tombado pelo ex-prefeito Cesar Maia em 2008, quando o imóvel foi vendido pelo Grupo Severiano Ribeiro para os proprietários do Hotel Ambassador. Na época, a intenção do decreto era evitar que qualquer intervenção fosse feita sem prévia aprovação do Conselho Municipal de Proteção do Patrimônio Cultural do Rio, pois falava-se na intenção dos compradores de construir ali centros de convenções.

Como explicou o então secretário extraordinário de Promoção, Defesa, Desenvolvimento e Revitalização do Patrimônio e da Memória Histórico-Cultural, André Zambelli, o decreto municipal protege o edifício do cinema como um todo, e não apenas suas salas de projeção. Estas partes do imóvel já tinham sua finalidade cultural e sua capacidade asseguradas pela lei do Corredor Cultural.

A atual reforma vem em boa hora para o cinema, cuja fachada — recuperada em 2004, depois de ficar 30 anos coberta por placa de alumínio — está com vidraças quebradas e plantas brotando numa das varandas. O restauro anterior do prédio do arquiteto espanhol Adolfo Morales de Los Rios (o mesmo do Museu Nacional de Belas Artes, do café Assyrius do Teatro Municipal e do Centro Cultural da Justiça Federal, todos na Cinelândia), de 1906, custou R$ 350 mil. Na ocasião, o especialista em vitrais Riedel Freitas teve como modelo um único exemplar de vitral que sobrara e fotos antigas.

No Cine Palácio, um dos primeiros da cidade, foi exibido o primeiro filme sonorizado. Entre os convidados ilustres da sessão, no dia 28 de junho de 1929, estava o presidente Washington Luís.

História do Cinema Brasileiro

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