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Cine Paraíso – Juiz de Fora – MG

Histórico

Cine Paraíso e a construção do prédio anexo (em novembro de 1950).

O Cine Paraíso, também conhecido como Cinema Paraíso, foi uma sala de cinema de bairro, localizado na rua São Mateus, n° 997, no coração do bairro São Mateus de Juiz de Fora (MG). Idealizado e construído por Orville Derby Dutra em 1951, foi concebido para ser fonte de renda do Instituto Maria, uma entidade filantrópica por ele presidida.

O empreendimento começou a funcionar antes mesmo do próprio instituto na sua finalidade principal que era de proteger crianças pobres. A ideia era de que o cinema fosse sua principal fonte de renda do instituto. Ele funcionou aproximadamente nove anos. Infelizmente, os custos operacionais eram muito altos e o instituto não conseguiu manter em funcionamento. O cinema foi inaugurado em 16 de maio de 1953 e seus espectadores não eram só os moradores do bairro. O cinema ficava perto do ponto final da linha do bom de, que vinha lotado do cedo cidade. Diariamente, havia sessões às 19h30 e as 21h30. A programação mudava a cada dois dias, mas os filmes de maior sucesso do ficavam em cartaz uma semana. Quando abriu, o cinema paraíso tinha como funcionários o bilheteiro, o faxineiro, o lanterninha, o gerente e e o operador de seus dois ajudantes para a operação das máquinas de projeção.

As poltronas eram de madeira de ótima qualidade. O mesmo se dizia do maquinário para exibição, apesar de se dedicava ao escuro, pois não era de carro de cobre figura no início, o cinema não era muito grande, as lentes eram boas e isso dava luminosidade muito boa na tela. O sol também era satisfatório. Todos os equipamentos foram comprados.

Em sua primeira fase com o cinema, o paraíso não exibia filmes mudos, somente sonoro lesados. Não predominava nenhum tipo especial de filmes, pois tudo dependia do contrato de distribuição e que este valor variava de acordo com produção do ano e exibia se o que tivesse. Havia na verdade uma lei “um por oito”, isto é, a cada oito filmes estrangeiros deveria se passar necessariamente o um filme brasileiro. Ele sempre cumpriram esta “lei”. Cumpriam por que achava que tinha obrigação de cumpri-las, mas também por que os filmes daquele tempo para sobretudo uma boa renda. contrariamente ao que pudesse pensar, o cinema era mantido pelo Instituto Maria pouco exibiu filmes religiosos. No entanto, e exibiu, por exemplo, um filme polêmico para a sua é, o sobre a vida de Martinho Lutero. O cinema foi o único da cidade que exibiu filme. Pois os outros cinemas submetiam essas pressões da igreja católica a quem não interessava a exibição desta produção da cidade. Para chamar a atenção do público, a companhia exibidor de filmes no cinema paraíso criou livretos com propaganda de seus filmes a exibir e ao mesmo tempo vende espaços para quem quisesse anunciasse os produtos nele. A exemplo de anunciantes com: Farmácia Santo Antônio, mercado de espetáculos, a brasileira, Casas Orion, Açougue São Mateus, o escritório de contabilidade e e muitos outros. Esta propaganda não se restringia apenas o barco mas há outros barcos que também o centro da cidade, onde muitas delas ainda está em atividade até hoje. Na capa deste livretos, vinha mensagens com: “Com a máxima satisfação entregamos esta nova casa de diversões, o Cine-Theatro Paraíso, o povo em geral e principalmente aos habitantes do populoso bairro de São Mateus, prometendo proporcionar sempre ótimo as exibições de cinema e futuramente números sadios de tela e palco. Se não medimos esforços em adquirir as mais afamado as poltronas da companhia cine os, enviadas especialmente de Curitiba, assim como as extraordinárias aparelhos da marca Cali modelo 12, de fabricar ações inglesas, cuja montagem foi confiado a competentes técnicos da cinematografia moderna. A direção do cine teatro paraíso entrega o público essa magnífica obra, que foi realizada com grandes esforços, esperando que cada um, sabe reconhecer e cuidar do devido carinho e selo, para mantermos a esta casa sempre em condições da apreciáveis e conforto ao. O vôo da Manchester mineira.

Como empreendedor e idealizador, Orville era sempre teve um perfil muito dinâmico. Assim, por esse pensamento, ele construiu para o Cinema Paraíso antes de construir Instituto Maria a fim de poder ter uma boa renda, o que durante nove anos foi somente uma ilusão ou, pois renda, o cinema nunca deu. Assim, o cinema também dava lugar a o outros tipos de programação, como diversas sessões de teatro se, com grupos até fora da cidade até o teatro de marionetes, que fazia grande sucesso à época. Populares católicos diziam que o Cine Paraíso seria administrado por espíritas. Isto causou um certo desconforto em parte dos católicos que frequentam o bairro de São Mateus. Dizem que os padres proibiam seus fiéis de frequentar o cinema pois era mantido por uma organização Espírita. Uma curiosidade interessante foi que certa vez que programaram passar somente filmes japoneses no Cine Paraíso. Naquela época, ninguém passava filmes japoneses em uma determinada época em Juiz de Fora. Então, chegou-se a fazer um contrato com uma companhia distribuidora de filmes japoneses e eles alugaram filmes para o Cine São Luiz e para o Cine Palace. Havia um filme “O Corpo Amarelo”, que contava uma história psicológica ou de um menino que pintava seu corpo de amarelo e as pessoas queriam entender qual problema do menino que aparecia com a cor amarela e isso acaba sendo foco de estudo na psicologia. Foi um filme de alta qualidade e que fez muito sucesso no Rio de Janeiro também. Fora isso, a programação do Cine Paraíso, em regra, predominava filmes americanos.

Os distribuidores nessa época não eram fáceis. Os distribuidores de filmes alugavam o as cópias e cobrava o máximo possível o isso faz parte do mercado. a companhia central de diversões muitas vezes forneceu os filmes para serem exibidos no cinema paraíso, como também para vários cinemas de bairro da cidade. chegava-se a cobrar o 60% das renda pelo aluguel da copa do filme e o exibidor praticamente não conseguiu obter um lucro.

O cinema paraíso passou de diversos filmes pagando 60% pelo aluguel das suas cópias. A taxa de 50% e era a rotina. Quase todo domingo era 50%. O cinema levava certa vantagem por ser um cinema de bairro. Assim, seria quase impossível a lançar de grandes filmes, porque o mais renda que desse um cinema de barro, nunca pode dar a mesma renda que daria no cinema do centro.

Deste modo, foram feitos muito poucos bons lançamentos no paraíso. Mas em compensação, uma produção era muito alta, havia muitas cenas mexicanos, que naquele tempo era uma sensação. Havia filmes brasileiros, as mais famosas chanchadas de Oscarito. Havia além disso, o cinema italiano e o cinema americano e que era o que o mandava. o cinema francês também tinha o seu público. Resultado: a companhia central de diversões não tinha condições de dar escoamento todos os produções lançadas durante o ano. Então, o cinema paraíso ficava com as sobras, e pegava as boas reprises. Conseqüentemente, tinham sempre sessões de lotadas, embora isso não garantisse boas rendas devido ao pagamento de 50% de aluguel e sobre a cópia exibida, o que determinava uma pequena lucratividade.

O paraíso procurava manter-se atualizado em frente à competição acirrada do mercado exibidor. Quando foi lançado o formato “cinemascope” na cidade, através da abertura do Cine Excelsior, o paraíso e colocou o cinemascope também. Depois passaram a trabalhar com cava o metálico, ou seja, o tipo de carro vão envolvido por uma capa de cobre que dava uma luminosidade muito maior do que o comum. e as lentes eram especiais aquelas que abrem ainda mas a imagem. quando paraíso inaugurou seu formato em “cinemascope”, instalou-se ali a maior tela da cidade: era uma tela de 10m de comprimento, o que não havia necessidade, não se justificava mais era propaganda que se fazia, por ser a maior existente na região.

O paraíso e encerrou suas atividades a em 1967. O local funcionou como depósito de merenda escolar da prefeitura de Juiz de Fora até que, e início da década de 80, foi alugado para a mesma que reabriu o espaço como cinema. Reformado e reativado em 1986, pelo então Prefeito Tarcísio Delgado, o Cine Paraíso se transformou desde então na melhor alternativa ao circuito comercial ganhando ares de cineclube. Exibia sempre filmes de grande qualidade artística, rejeitados pelos cinemas comerciais, a preços baixos. O projeto Cine Clube Paraíso tinha grande frequência de público, sobretudo nos fins de semana.

Em abril de 1990, o Cine Paraíso foi definitivamente fechado pelo então Prefeito Carlos Alberto Bejani que alegou que a prefeitura não possuía recursos financeiro para continuar arcando com o aluguel do imóvel. Com a mudança de política da administração municipal, o Cine Paraíso foi fechado e, no mesmo espaço, passou a funcionar como uma casa de shows e danceteria, a Front. Por fim, seu terreno foi vendido a uma construtora da cidade, que realizou a demolição completa da edificação em 1999.

Em seu curto período em que permaneceu em funcionamento, o Cine Paraíso deixou saudosos os cinéfilos da cidade, que lá tiveram a oportunidade de assistir a uma programação de qualidade, com opção à mesmice do circuito comercial local.

Franco Groia

Franco Groia

Pesquisador com foco na história do Cinema Brasileiro e desenvolvimento do mercado audiovisual no Brasil, é o criador e Coordenador Geral do Portal 'História do Cinema Brasileiro'. É Professor Universitário na Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO) - Campus Juiz de Fora (MG). contato: [email protected]

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