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Cine Star – Juiz de Fora – MG

Histórico

Às vésperas de sua inauguração, em 1989, os empreendedores do Mister Shopping receberam entusiasmados a consulta da empresa carioca de Darze Cinemas sobre a possível operação de um cinema no então novo empreendimento de shopping. Proprietário do circuito Star do Rio de Janeiro, com o total de cerca de 25 salas, e durante muitos anos presidente da Federação de Exibidores, Roberto Darze sempre teve uma atuante participação política. Começou no ramo da exibição aos 16 anos, ajudando a família a cuidar de um cinema em Pilares. Carioca, nascido em 1937, comprou seu primeiro cinema, o Cine Coelho Neto, em 1954, e em seguida adquiriu o Cine Todos os Santos, onde até hoje funcionam os escritórios do grupo Darze. Atuando principalmente na Zona Norte do Rio, comprou logo depois o Cine Primavera, em Del Castilho, e o Regência, em Cascadura. Formado em direito pela Gama Filho, em 1977, com curso de administração de empresa na Fundação Getúlio Vargas (FGV), chegou a administrar 63 salas na cidade do Rio, no ano de 1980. Seu conjunto de salas cresceu por volta de 1976, quando comprou de uma só vez 17 salas do circuito Bruni, hoje já desativadas. Trabalha sempre assessorado por seu filho, Miguel Darze, que é superintendente do grupo e responsável pela programação das salas e pelas reformas dos cinemas da empresa. Em 1987, Roberto Darze já havia aberto seu primeiro cinema em shopping, no Star Rio Shopping, em Jacarepaguá. Apenas um detalhe parecia impedir o acordo: o projeto original do shopping não previa a utilização possível de uma sala de cinema no empreendimento. Certos da importância de uma nova sala de exibição para cidade e para o próprio empreendimento, os empresários resolveram aceitar o desafio. O autor do projeto arquitetônico do shopping, Luiz Cezar Falabella, conseguiu adaptar o projeto para instalação de uma sala com capacidade de comportar 200 lugares, seguindo uma tendência que mais tarde se tornaria padrão nacional. Essa operação pioneira veio demonstrar a viabilidade do funcionamento de pequenas salas em shopping centers na cidade, que àquela época contava somente com salas no formato tradicional dos grandes Cine-Theatros. O Cine Star funcionava em dois pisos da loja 273 do shopping: o térreo com 160 lugares, em duas sessões de cadeiras e um mezanino com 40 lugares. Suas paredes foram totalmente revestidas com carpete para eficiência acústica e foi também instalado ar-condicionado central. A visibilidade era perfeita para qualquer espectador sendo sua curva de visibilidade de mesmo gradiente da usada no Cinema Excelsior. A inauguração do Cine Star se deu no dia 20 de julho de 1989, com a exibição do filme “Um robô em curto-circuito”, em lançamento nacional. Seguindo uma tendência à época suas exceções mantinham horários fixos: 14h, 16h, 18h e 20h; comodidade que hoje muitos espectadores lamentam ter perdido. Entre as películas de maior sucesso de bilheteria, podem ser citadas “Uma linda mulher”, “Ghost” (exibido também em sessões fechadas para a Casa do Caminho), “Os Caça-fantasmas”, “Parque dos dinossauros” e os filmes infantis, que eram exibidos nas férias, principalmente os estrelados por Xuxa – que muitas vezes requeriam presença especial de seguranças para controle do público. Apesar do funcionamento economicamente rentável, a empresa Darze, devido a problemas internos, se desinteressou pela continuação de seus negócios na cidade não investindo na atualização e manutenção de suas salas. Assim, em 13 de junho de 2001, o Cine Star encerrou suas portas. Os aficionados guardam boas lembranças da sala, pela sua qualidade técnica, aconchego e comodidade. Frequentadores desde as primeiras sessões contam que a convivência no cinema era agradável, transmitindo uma atmosfera caseira. Lá, assistiram desde filmes de animação como “O Rei Leão” ao polêmico “Transpontting” e ainda a dois festivais de filmes nacionais, estando o filme “Como nascem os anjos”, de Murilo Salles. Havia uma curiosidade: a mesma empresa que gerenciava o espaço do Cine Star, a Darze, administrava também outras duas salas em um shopping vizinho, o Santa Cruz Shopping; era comum programar o mesmo título em cartaz simultaneamente em ambos os shoppings, só que alugava da distribuidora apenas uma cópia do filme para a sua exibição na cidade. Foram várias as vezes em que era comum ver o filme anunciado exibido ao mesmo tempo com uma diferença de poucos minutos entre as sessões. Diversas vezes, um funcionário do cinema pegava o primeiro rolo do filme, que terminava em uma das salas, ia correndo levá-lo, correndo com o enorme rolo nos braços, para a outra sala que iria exibi-lo novamente e assim sucessivamente até o final, quando o processo voltava a acontecer. Isso era um fato conhecido por alguns freqüentadores do cinema, mas certa vez provocou uma situação hilariante: após assistir ao filme Pulp Fiction, de Quentin Tarantino, um freqüentador, que só foi assisti-lo porque tinha sido muito bem recomendado por um amigo, ficou indignado ao final da sessão, disposto a receber o dinheiro de volta e a criar uma tremenda confusão com o gerente, insistindo que ele havia sido lesado alegando que os rolos haviam sido exibidos fora da ordem correta pelo projetista. O fato era que a história do filme se passa de forma descontinuada e o público não estava acostumado a esse tipo de linguagem. Foi uma luta convencer o freqüentador do contrário. Foi ali, no Cine Star que aconteceu, num sábado de abril de 1999, véspera das filmagens do meu primeiro curta-metragem “Calçadão”, que fiz a apresentação oficial da equipe técnica e o elenco do filme, como também a preparação dos figurantes com uma palestra feita por mim a todos que se dispuseram a participar da produção. O Cine Star funciona no Mister Shopping, 2º piso (R. Mister Moore, 70, loja 273), com uma sala de exibição de 200 lugares. Acesso pelos elevadores do shopping. Ar condicionado, poltronas acolchoadas, visibilidade razoável, som stereo, bomboniere e banheiros na entrada. Quem for de carro pode optar por estacionar no Shopping. O cinema já esteve interditado em 1999 por problemas com mofo. (FRMG)

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