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Cine-Theatro Central – Juiz de Fora – MG

Histórico

Cine-Theatro Central é um cine-teatro, de categoria popular, com prédio de grande beleza arquitetônica e artística, com capacidade para 2.150 pessoas sentadas, em estilo art déco, inaugurado em 30 de março 1929. Sua edificação é localizada na Praça João Pessoa, com fundos para rua Barão São João Nepomuceno; as laterais encontram-se as galerias Ali Halfeld e Azarias Vilela, referências do centro da cidade de Juiz de Fora (MG).

Com mais de 3 mil lugares, Cine-Theatro Central foi construido e inaugurado no lugar pertencido ao Polytheama, uma ampla casa de espetáculos de propriedade do empresário e político Francisco de Campos Valadares, então Presidente da Cia. Central de Diversões. O primeiro espetáculo na inauguração da nova casa de entretenimento foi a exibição do filme Esposa Alheia, produção dividida em oito atos. Foi exibido com a pompa devida pela ocasião, após a apresentação da Orquestra do teatro. Tal sessão inaugural contou com a ilustre presença de Antonio Carlos Ribeiro de Andrada, então Presidente do Estado de Minas Gerais.

Com a inauguração do Cine-Theatro Central, os cinemas Cine-Theatro Paz e Polytheama deixaram de funcionar. Quase um ano depois, no dia 17 de fevereiro de 1930, ele exibia o primeiro filme depois do advento do som: O cantor de Jazz. O projeto do Cine-Theatro Central reflete as aspirações culturais da sociedade juizforana das primeiras décadas do século XX, ditadas pelo estilo de vida europeu. A suntuosidade da ornamentação interna revela a visão da sociedade juizforana sobre si mesma, numa época em que a cidade colecionava títulos pomposos como a Manchester ou a Barcelona mineira, referências ufanistas industriais e a sua tradição cultural. Em contraste com o esplendor de seu interior, o prédio do Cine-Theatro Central apresentava fachadas que foram consideradas simples na época. Tal opinião devia-se ao fato de que a arquitetura do Central e distingue-se de outros imóveis construídos pela Pantaleone Arcuri no mesmo período – por ter um caráter inovador, orientado por linhas retas e pela tendência de geometrização da arquitetura Art Déco, concebida pelo arquiteto Raphael Arcuri.

Em alta na Europa e nos Estados Unidos, a Art Déco era uma novidade para Juiz de Fora, o que em 1927 levou o diretor de obras públicas municipais, ao analisar as plantas para liberar a licença para a construção do Central, a observar em seu parecer que a fachada simples poderia ser substituída futuramente por outra condizente com a importância da Halfeld. O Cine-Theatro Central recebeu grandes companhias líricas, orquestras e espetáculos teatrais. Os lugares de seus camarotes só eram vendidos durante apresentações de teatro e ópera, quando eram ocupados pelas famílias mais tradicionais da cidade: a elite do comércio, da indústria, da política e dos profissionais liberais – todos os engalanados para a grande de ocasião. O público também lotava o Central, aos sábados, entre a década de 40 e 50, para participar dos programas de auditório da Rádio Industrial, que traziam a Juiz de Fora grandes nomes da era do rádio, como as cantoras Adelaide Chiozzo e Eliana.

O Central é o principal exemplar arquitetônico de uma época em Juiz de Fora, os anos 20, período em que foram construídos importantes edifícios como o prédio do Banco de Crédito Real (1929) e a sede da Cia. Pantaleone Arcuri (1923 a 1927), o Palace Hotel (1929) e a Escola Normal (1930), símbolos do início da industrialização no Brasil, fase bem representada por Juiz de Fora e ainda pouco valorizada. Tombado pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o teatro sempre foi mais do que uma casa comercial. É um centro de cultura e alvo do afeto da população. Espaço cultural de uso múltiplo, o Central é um dos principais teatros do país. Seu palco foi projetado para apresentações de óperas, balés e orquestras, mas o teatro também teve sua importância fundamental no cinema. A exibição dos filmes era antecipada por um prefixo, a opereta Cavalleria Rusticana do italiano Pietro Mascagni.

O prédio do Cine-Theatro Central é um exemplo entre a arquitetura e as artes plásticas. O amplo e arrojado vão de estrutura metálica, sustentado sem pilares, deixa de ser mera estrutura para se transformar em objeto estético, sob a ação dos pincéis de Ângelo Biggi. Italiano radicado em Juiz de Fora após a Primeira Guerra Mundial, Biggi decorou o interior do teatro, produzido um dos grandes trabalhos da pintura mural da cidade. No teto, ele inseriu medalhões com efígies de grandes mestres da música: o alemães Richard Wagner e Ludwig van Beethoven, o italiano Giuseppe Verdi e o brasileiro Carlos Gomes. Nas paredes, abundante e compacta ornamentação. A obra dos Cine-Theatro Central assumiu importante papel ao inserir de Juiz de Fora no corredor cultural do eixo RJ-SP-BH, especialmente durante os anos 30 e 40, quando foi palco das grandes produções nacionais e estrangeiras, com apresentações destacadas companhias teatrais e líricas.

Em 1969, foi inaugurado uma segunda sala de projeções, anexo à sala principal o Cinema Festival, que funcionou conjuntamente até 1994.

Nos anos 70, com a platéia vazia, sinal dos tempos, bom mesmo era pagar o ingresso e assistir às sessões duplas.

O prédio Cine-Theatro Central foi tombado pelo município em 1988, por ser considerado um dos maiores teatros de Minas Gerais, além do grande valor arquitetônico e artístico que representa. Em 1975, a Companhia Central de Diversões teve seus prédios e instalações arrendados por uma companhia cinematográfica de São Paulo: a Cinematográfica Macrev Ltda.

Assim permanecendo até 1983, quando estes retornaram para a Companhia Central de Diversões. Em 1990, a empresa Cinematográfica Sercla arrendou os cinemas Central e Festival, permanecendo ate 1994, quando a Companhia Central de Diversões foi extinta.

Em 1994, o Cine-Theatro Central foi adquirido pela Universidade Federal de Juiz de Fora, com apoio dos Ministérios da Educação e Desporto e da Cultura e da Secretaria da Presidência da República.

De meados dos anos 50 e início dos anos 70, o Cine-Theatro Central foi cenário de concertos líricos do Teatro Experimental de Ópera de Juiz de Fora. Na década de 70, o teatro – uma das únicas casas do país adequada para receber quase todos os gêneros de espetáculos, integrou o Circuito universitário, que trouxe a Juiz de Fora alguns dos mais importantes nomes da MPB, como Milton Nascimento, Chico Buarque e Gonzaguinha. Apesar dos desgastes provocados pelo tempo, da precariedade das instalações elétricas e hidráulicas, sujeitando o patrimônio à ameaça de incêndio, resistiu como cenário cultural de grandes eventos nos anos 80 e início dos 90, época em que recebeu nomes como Tom Jobim e Arthur Moreira Lima e Wagner Tiso.

Desencadeou-se a campanha de aquisição do prédio e sua restauração. Adquirido pela Universidade Federal do Juiz de Fora (UFJF) em 1994, passou a ser gerenciado em parceria entre UFJF e prefeitura. E o custo da desapropriação da companhia franco-brasileira custou aos cofres públicos e a quantia de 2,1 milhões de dólares paga pelo Ministério da Educação através do governo federal e doado à universidade federal do juiz fora numa solenidade no dia 07 de maio de 1994.

No ano de 1995, o Cine-Theatro Central foi fechado para as obras de restauração, que recuperaram toda beleza e grandiosidade do teatro, que, re-inaugurado em 14 de novembro 1996 voltou a ser palco de grandes espetáculos. Seu prédio foi a primeira construção a de concreto armado da cidade. A empresa responsável pela restauração foi a Espaço Tempo, de Maximiniano e Martha Fontana. (FRMG)

Bibliografia

Livros:

FUNDAÇÃO CULTURAL ALFREDO FERREIRA LAGE. Memória da Urbe: bens tombados. Juiz de Fora: Funalfa Edições, 2004.

Trabalhos Acadêmicos:

SILVA, D.R.R. De Cine-Teatro à alma da cidade: Cine-Theatro Central e construções dos discursos da categoria patrimônio na cidade de Juiz de Fora. 2006. 168 f. Dissertação (Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia) – Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 2007.

Internet:

CINE-TEATRO-CENTRAL – SITE OFICIAL. Disponível em: http://www.theatrocentral.com.br/. Acessado em: 08 fevereiro 2013.
HISTÓRIA DO CINEMA BRASILEIRO. Disponível em: http://www.historiadocinemabrasileiro.com.br/cine-theatro-central/
INSTITUTO ESTADUAL DO PATRIMÔNIO HISTÓRIO E ARTÍSTICO DE MINAS
GERAIS. Bens culturais tombados. Disponível em: http://www.iepha.mg.gov.br/. Acessado em: 10 março 2013.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA. Disponível em: http://www.ufjf.br/. Acessado em: 08 fevereiro 2013.

Franco Groia

Franco Groia

Pesquisador com foco na história do Cinema Brasileiro e desenvolvimento do mercado audiovisual no Brasil, é o criador e Coordenador Geral do Portal 'História do Cinema Brasileiro'. É Professor Universitário na Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO) - Campus Juiz de Fora (MG). contato: [email protected]

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4 comentários sobre “Cine-Theatro Central – Juiz de Fora – MG

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