fbpx

Cyll Farney (1925-2003)

Cilênio Dutra e Silva, em arte mais conhecido como Cyll Farney, foi um ator, produtor, diretor e cantor brasileiro nascido no no Rio de Janeiro (RJ) no dia 14 de setembro de 1925.

Começou a carreira artística como baterista no conjunto do irmão Farnésio, o Dick Farney. Os pseudônimos foram inventados pelo seu pai.

Sua beleza física e pinta de galã chamam a atenção do produtor cinematográfico Adhemar Gonzaga, que o levou para a Cinédia. Cyll Farney acabou sendo, junto com Anselmo Duarte, o grande galã da casa e identificado como um dos maiores galãs brasileiros.

Em 1947, contracenando com a estrela Marlene e Vera Nunes, o filme Um Beijo Roubado (1950), de Leo Marten, em que tocava bateria ao lado do irmão Dick, também estreante. O título original era Noites em Copacabana, mas foi vetado pela censura, o que atrasou sua estreia em dois anos.

Em seguida, Farney viajou para os Estados Unidos, onde ficou durante dois anos.

Como curiosidade, Farney contava que recusou comprar os direitos de um roteiro internacional por US$ 5 mil, por ter que se travestir, o que não ficaria bem para sua imagem de galã. Mais tarde esse roteiro transformou-se na clássica comédia Quanto Mais Quente Melhor, de Billy Wilder. Eu me arrependi de não ter feito aquele filme, o papel da Marilyn Monroe seria da Eliana, eu faria o do Tony Curtis e o Oscarito, o de Jack Lemmon. Todo mundo se lembra da fita, que se tornou um referencial quando se fala em comédia.

Na volta, foi o ator principal em Escrava Isaura, seguindo-se outros. Contratado pela Atlântida, estrelou mais de vinte chanchadas, entre elas Nem Sansão, Nem Dalila (1954) e Colégio de Brotos (1956).

Sempre faz o papel de moço bom, rico, que fica com a mocinha no final. No bom sentido, é rival de Anselmo Duarte, como principais galãs da época. Nessa grande época do Cinema Brasileiro, entre os anos 1950 e 1960, Cyll Farney mal podia sair às ruas, pois era perseguido pelas fãs. O assédio era tamanho que ele chegou a fundar, com alguns amigos como Anselmo Duarte, o Clube das Chaves, em Copacabana, onde só entravam cerca de 50 pessoas que tinham a chave.

, Cyll era sempre o bom moço, elegante e bem-vestido. Geralmente vivia nas telas um filho de papai rico que encantava a mocinha-cantora, e tudo acabava em festa numa boate. Não demorou muito para seu rosto ficar conhecido e a carreira deslanchar.

Em 1949 e em 1950, respectivamente, trabalhou com Fada Santoro em Escrava Isaura e Pecado de Nina. A partir daí, criou-se um ideal de par romântico que iria marcar sua trajetória artística. Quando foi contratado pela Atlântida, em 51, o galã fez oito filmes com outra referência das chanchadas: a atriz Eliana. Daí vieram os sucessos Aí Vem o Barão (51), Vamos com Calma (56) e O Espetáculo Continua (58). “Em 56 aconteceu um fenômeno chamado Colégio de Brotos. O filme foi a maior bilheteria da Atlântida e atingiu o maior faturamento do Grupo Severiano Ribeiro (GSR) daquele ano”. Ao mesmo tempo em que virava um símbolo de beleza entre as adolescentes em filmes como Carnaval em Atlântida (52) e Nem Sansão, Nem Dalila (54) – com Oscarito e Grande Otelo – Cyll procurava atuar em papéis mais complexos. Um deles foi no melodrama urbano Amei um Bicheiro (52), e a co-produção estrangeira Chico Viola Não Morreu (55), de Gilberto Abreu, no qual o ator interpretava Francisco Alves.

Certa vez disse que embora tenha participado de tantos filmes, sempre se repetia o mesmo papel. Eu era sempre o mocinho bonito de pele bronzeada, muito bem vestido, filho de um papai rico que encantava a minha namorada. Uma das únicas exceções em sua carreira foi Amei um Bicheiro, de 1952, em que interpretou Carlos, um contraventor do jogo de bicho. Ele ganhou o papel de Jardel Filho, que não tinha, segundo os diretores, o perfil ideal para viver um bicheiro. Eu aparecia na tela mal vestido e com a barba por fazer, mas, a não ser por esse filme, nunca me chamaram para fazer algo mais sério.

Com o fim das chanchadas, Farney teve algumas participações na televisão, como o seriado O Jovem Dr. Ricardo, levado ao ar pela TV Tupi do Rio de Janeiro entre 1958 e 1960, uma imitação ao Doutor Kildare americano. Participou também da novela Melodia Fatal, em 1963, na Excelsior, ao lado de Nívea Maria e Fúlvio Stefanini, sua única experiência no gênero.

Na década de 60, o galã deu um giro na carreira e passou a se dedicar à produção e direção de documentários. Fez duas co-produções com a Alemanha. Em 1963, produziu Manaus: Glória de uma Época e dirigiu Lana: Rainha das Amazonas, em 1964. Foi Diretor de Produção nos filmes Todas as Mulheres do Mundo, de Domingos Oliveira, Os Carrascos Estão Entre Nós, de Adolfo Chadler, e A Espiã Que Entrou em Fria, de Sanin Cherques.

Passou muito tempo na Europa e acabou ficando amigo de Roberto Rossellini e Ingrid Bergman. De volta ao Brasil, Cyll Farney ainda atuou na televisão. Mas, nesse veículo, seu trabalho iria se destacar por trás das câmeras; mais especificamente nos 16 anos em que administrou as campanhas publicitárias da Petrobras.

Depois de deixar a carreira de ator, em 1972, continuou ligado às câmeras, trabalhando como produtor em cerca de 14 filmes. Além de produtor, chegou a dirigir uma coprodução Brasil/Alemanha, Lana, Rainha das Amazonas. Cyll Farney manteve também um projeto pessoal, o Poeira de Estrelas, uma série de documentários biográficos enfocando nomes como Francisco Alves, Orlando Silva e outros grandes da música brasileira, resgatando a memória de artistas de sua geração.

Em 1981, ao lado de Paulo Lomba e Iracema Supeleto, fundou a Tycoon estúdio inicialmente focado para a publicidade e posteriormente locado muitas vezes para a Rede Globo no período anterior à inauguração do Projac.

Intérprete de 37 filmes em 54 anos de carreira, o carioca Cileno Dutra e Silva fez 22 chanchadas nos estúdios da Atlântida personificando o mesmo tipo. Como ator, sua última aparição artística foi durante a minissérie Hilda Furacão, da TV Globo.

Foi casado com Sônia Muller, com quem teve uma filha.

Cyll Farney fez parte da história do cinema brasileiro e veio a falecer aos 77 anos de idade, em 14 de março/abril de 2003, vítima de parada cardiorrespiratória, no Rio de Janeiro.

Filmografia

:: Filmografia como Ator ::

1977 :: Este Rio Muito Louco (Episódio: Fátima Todo Amor)
1976 :: O Pai do Povo
1976 :: Tem Folga na Direção
1974 :: Assim era a Atlântida
1973 :: Um Virgem na Praça
1972 :: A Infidelidade ao Alcance de Todos (Episódio: A Transa)
1972 :: Janaína, a Virgem Proibida
1969 :: O Impossível Acontece
1969 :: Incrível, Fantástico, Extraordinário (Episódio: A Ajuda)
1968 :: Juventude e Ternura
1968 :: O Rei da Pilantragem
1968 :: Rio dos Diamantes
1967 :: A espiã que entrou em fria
1964 :: Manaus, Glória de uma Época (Und Der Amazonas Schweight) (Alemanha)
1962 :: As Sete Evas
1962 :: Entre Mulheres e Espiões
1962 :: Copacabana Palace (The Girl Name) (Itália/França/Brasil)
1961 :: Quanto mais Samba melhor
1960 :: Duas Histórias – Cacareco Vem Aí
1960 :: Os Dois Ladrões
1959 :: Pintando o Sete
1959 :: O Homem do Sputnik
1958 :: É a Maior!
1958 :: E o Espetáculo Continua
1957 :: Garotas e Samba
1957 :: De Vento em Popa
1956 :: Colégio de Brotos
1956 :: Vamos com Calma
1956 :: Papai Fanfarrão
1955 :: O Golpe
1955 :: Chico Viola Não Morreu (Brasil/Argentina)
1955 :: Paixão nas Selvas (Conchita Und Der Ingenieur) (Alemanha/Brasil)
1954 :: Guerra ao Samba
1954 :: Nem Sansão, Nem Dalila
1953 :: Carnaval Atlântida
1952 :: Areias Ardentes
1952 :: Os Três Vagabundos
1953 :: Amei um Bicheiro
1951 :: Barnabé, Tu és meu
1951 :: Tocaia
1951 :: Aí Vem o Barão
1950 :: Um Beijo Roubado (Noites de Copacabana)
1950 :: O Pecado de Nina
1949 :: Escrava Isaura

:: Filmografia como Diretor ::

1964 :: Lana, Rainha das Amazonas (Lana – Königin Der Amazonen) (codir. Geza Von Cziffra) (Alemanha/Brasil)

:: Filmografia como Produtor ::

1967 :: A espiã que entrou em fria

Bibliografia

Fontes de Referência

Livros:

SILVA NETO, Antonio Leão da. Astros e estrelas do cinema brasileiro. 2. ed. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2010.

Internet:

HISTÓRIA DO CINEMA BRASILEIRO. Cyll Farney. Disponível no endereço: https://www.historiadocinemabrasileiro.com.br/cyll-farney/

História do Cinema Brasileiro

História do Cinema Brasileiro

Qualquer interesse de envio de textos, dúvidas, opiniões, sugestões, acréscimos de conteúdo, relato de erros ou omissão de informações publicadas, entre em contato com a Coordenação Geral do História do Cinema Brasileiro pelo seguinte email: [email protected]