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2º Festival de Cinema Infantil – É Tudo Criança

No momento em que descobriam o mundo, a casa se tornou o único espaço possível. Representações do futuro, as crianças enfrentam no presente a dura experiência da pandemia. Sobre elas e para elas, o 2º Festival de Cinema Infantil – É Tudo Criança começa sua segunda edição no próximo dia 7 de junho de 2021. O evento, totalmente on-line e gratuito, leva para a tela das casas 41 produções audiovisuais, além de uma programação recheada por cinejornais diários, bate-papos, uma oficina de história em quadrinhos e webinários refletindo sobre o ser criança. Para sua segunda edição o Festival É Tudo Criança foi contemplado com os recursos do edital estadual da Lei Aldir Blanc.

Na sessão de abertura, o festival exibe, às 18h, o clássico do cinema infantil brasileiro Menino Maluquinho – O Filme, de Helvécio Ratton, que conversa com o público um pouco antes. Dividido em quatro mostras – Infâncias Plurais, Sabiá, Minas Gerais e Criança Faz Cinema –, o evento disponibiliza 39 curtas-metragens em seu site até o dia 11 de junho de 2021.

Logo na segunda edição ele consegue estar no Brasil e no mundo inteiro por conta do on-line. Esse formato veio para ficar no É Tudo Criança e, no futuro, o virtual vai andar de mãos dadas com o presencial, aposta Iano Oliveira, o coordenador do evento surgido em Leopoldina, na Zona da Mata mineira. Para Paula Duarte, curadora do festival ao lado de Arthur Fiel, Francine Rodrigues, Igor Barbosa e Lorena Bicchieri, o ambiente virtual permite mais liberdade para a criação de novos arranjos reflexivos, além de possibilitar fruições intimistas. “Estamos em distanciamento físico, mas o festival propicia uma aproximação social”, defende ela. As crianças podem ser crianças em casa, vendo outras crianças na tela, participando, sonhando junto, imaginando junto, acrescenta Oliveira.

Infância, segundo o É Tudo Criança, não é palavra que se conjuga no singular. São infâncias, muitas e múltiplas. O que mais me chamou atenção na seleção dos filmes, num primeiro momento, foi a sensibilidade com que as narrativas tratavam as vivências infantis. Temos uma diversidade de infância que existem e coexistem no Brasil, atesta o curador Arthur Fiel, destacando a variedade de temáticas e gêneros presentes no conjunto. A diversidade na infância aqui vai além do corpo, do tom de pele ou do cabelo, o que também está presente. É um tanto mais subjetivo e faz pensar sobre a experiência das crianças no mundo em que estão inseridas, que não é, de forma nenhuma, diferente do dos adultos. Elas, talvez, sejam mais potentes em seus enfrentamentos por não abrirem mão de usar a imaginação como ferramenta de luta e resistência, pontua.

Não dá para reduzir a infância numa forma homegeneizada. E na seleção dos filmes buscamos isso, concorda Paula, explicando que o conceito é a tônica da Mostra Infâncias Plurais, enquanto a Mostra Criança Faz Cinema reúne curtas criados em contextos educativos. Sabiá, outra mostra, aglutina obras que possibilitam diálogos com a natureza e a Mostra Minas Gerais reflete sobre territórios e um ser mineiro distante de estereótipos. No dia 11, o É Tudo Criança encerra a segunda edição exibindo o inédito Dentro da caixinha – Segredo de criança, de Guilherme Reis. O longa musical foi rodado na Zona da Mata e faz sua estreia nacional no evento.

Dos traumas às mais sutis alegrias, os filmes do festival, conforme Fiel, desbravam sentimentos distintos sob o ângulo infantil. A criança não está apartada das dores do mundo, aponta o curador, chamando atenção para narrativas nas quais as crianças são as próprias solucionadoras dos conflitos. Segundo ele, as produções também permitem a percepção de um ponto de virada: Durante muito tempo, mesmo nos conteúdos infantis, predominavam os diretores homens nas obras. Para nossa grata surpresa, a maioria dos conteúdos do festival é assinada por mulheres. Isso é algo extremamente relevante e que a gente espera encontrar no cinema brasileiro para além do núcleo infantil.

A organização entende que Aprender é o verbo primeiro para as crianças e, por consequência, para o festival, que espera servir como aliado da educação, principalmente neste momento em que a tela é um mediador no processo de ensino-aprendizagem na maior parte do país. O festival tem essa potência de estar junto da educação, proporcionando outros momentos para o ensino à distância. O festival se estabelece nessa conexão entre cinema e educação, confirma o coordenador Iano Oliveira. Muito antes dos filmes chegarem ao streaming do festival, duas oficinas, de desenho e de animação, foram realizadas para crianças de Leopoldina, cidade natal do evento. Neste sentido, a organização foi até suas casas e entregou kits para que as crianças executassem as atividades, cujo resultado é o curta Play, produzido a muitas mãos distantes entre si.

Durante o É Tudo Criança será realizada uma nova oficina, desta vez de história em quadrinhos. O objetivo, de acordo com Iano, é contribuir para uma educação acerca do consumo de imagens, algo fundamental no universo infantil, principalmente neste momento de pandemia. A imagem banalizada, sem cuidado, que reproduz a violência está muito mais acessível e isso é um perigo muito grande quando falamos do público infantil. O festival atua na contramão disso, com a intenção de criar um ambiente de coletividade e leveza, observa, para em seguida concluir: Queremos ser uma boa alternativa nessa cadeia de difusão de imagens.

Programação

Filme de Abertura

Menino Maluquinho – O Filme

Mostra Infâncias Plurais

“Lily’s Hair”, de Raphael Gustavo da Silva (GO)
“Assombramitos”, de Elizangela da Silva Guimarães (BA)
“ErêKauã”, de Paulo Accioly Lins de Barros (AL/RJ)
“Nova Iorque”, de Leandro Tabosa do Nascimento (PE)
“Dádiva”, Evelyn Santos (SP)
“Foguete”, de Pedro Henrique Rodrigues Chaves (DF)
“Gabi”, de Claudio Furton (SP)
“A incrível aventura das sonhadoras crianças contra lixeira furada e capitão sujeira”, de Beatriz Ohana Rocha (RJ)
“Assum Preto”, de Bako Machado (PE)
“Dia do Manguezal”, de Beatriz Lindenberg (ES)
“O tempo que ficou”, de Renata Prado de Moraes (PR)
“O dia em que o mar chegou até Bento”, de Fernanda Vidigal Rachid Silva (MG/ Cuba)
“Muda”, de Isabella Pannain (MG)
“Sem Filtro”, de Louise Ribeiro e Vitória Campos (SP)
“Mariquinha no mundo da imaginação”, de Tina Xavier (MS)
“A menina com um buraco na mão”, de Alice Cruz e Sergio Kauffmann (RJ)

Mostra Minas Gerais

“Dia de Maria”, de Jáder Barreto Lima
“Vida Dentro de Um Melão”, de Helena Frade
“Meu Melhor amigo”, de Laly Cataguases
“A Menina Robô”, de Igor Amin
“Pila Pilão”, de Giuliana Danza
“Poética de Barro”, de Giuliana Danza
“O Menino pobre que sonhava ser jogador”, de Italo Produções
“A vida é coisa que segue”, de Bruna Schelb Corrêa

Mostra Sabiá

“Mata”, de Ian Campos (RJ)
“Jamary”, de Begê Muniz (AM)
“Se a vida te der um anzol”, de ULI Dile (RJ)
“Cuna”, de Camilla Campos e Gabi Etnger (SE)
“Mar à Vista em: Viagem no Tempo”, de Luana Almeida (AL)
“Terra que FALA – Macaxeira, MANDIOCA ou aipim?! ELA É NOSSA!”, de Sandra Calaça

Mostra Crianças Faz Cinema

“Life Game”, de Renatta Barbosa, Erick Dônola e Lucas Raváglia (MG)
“A galinha Ruiva”, de Irson Jr (ES)
“O menino que foi na casa do vento do Norte”, de Irson Jr (ES)
“Pare este monstro!”, de Miguel e JR Ferreira (MG)
“Vento Viajante”, de Beatriz Lindenberg (CE)
“O monstro do mercado sul”, de Yuri Barbosa (DF)

Bibliografia

FESTIVAL DE CINEMA INFANTIL – É TUDO CRIANÇA. http://www.festivaletudocrianca.com.br

História do Cinema Brasileiro

História do Cinema Brasileiro

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