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Elyseu Visconti

Biografia

FOTO Elyseu ViscontiElyseu Visconti Cavallero, em arte mais conhecido como Elyseu Visconti, é um cineasta e diretor de fotografia brasileiro nascido no Rio de Janeiro (RJ) em 1939. Entre 1955 e 1960, estudou na Escola Nacional de Belas Artes do MAM, desenhava com Abelardo Zaluar e foi aluno de gravura de Oswaldo Goeldi.

De família de artistas, cuja casa era frequentada por intelectuais, poetas, escritores, artistas plásticos. Foi aluno, na escola de belas-artes, de Oswaldo Goeldi, Roberto Delamonica e Ivan Serpa.

Em 1959 faz estágio na Herbert Richers e em seguida vai trabalhar no departamento de cinema da TV Rio, onde o diretor era Walter Clark, que lhe consegue uma bolsa para estudar na França.

Na capital francesa, conheceu o realizador e etnólogo Jean Rouch. Morou, ainda, na antiga Tchecoslováquia, dedicando-se a ilustrações, a exemplo das realizadas para Os diários, de Franz Kafka. Em 1962, dirige seu primeiro curta, A Arte Barroca no Paraguai, em 16mm. Mora três anos na Europa onde estuda escola de cinema para televisão e faz estágios em diversos estúdios cinematográficos. Na Itália tem contato com Pier Paolo Pasolini, Luchino Visconti e Roberto Rosselini e ainda consegue tempo para fazer um filme sobre o nazismo na Tchecoslováquia. Retornando ao Brasil, nos anos da ditadura militar, voltou-se para o cinema autoral e antropológico.

Na volta integra o grupo do cinema marginal carioca. Dirige seu primeiro longa em 1970, o experimental Os Monstros de Babaloo, que fica dez anos preso na censura, amando do regime militar e no ano seguinte O Lobisomem, o Terror da Meia-Noite que também é apreendido. Durante uma semana, fica depondo no Dops, sendo investigado. Após esse episódio, se auto-exila no interior do Brasil para fazer uma antropologia visual, preocupando-se com as manifestações culturais do povo brasileiro. Nesse período tem como parceiros de pesquisa o antropólogo Gilberto Freyre e o folclorista Câmara Cascudo. Roda uma série de registros etnográficos como Boi Calemba, em 1979, sobre a festa do boibumbá no norte do país e Pastoril (1982). Atualmente trabalha como artista plástico, faz gravuras e desenhos expressionistas. Pretende levar uma exposição para a Alemanha. Tem pronto vários roteiros, em que negocia parcerias para poder realizá-los.

Na opinião de Visconti, hoje o cinema é uma cópia das novelas, mal influenciado pelo cinema americano. O Cinema Brasileiro se transformou numa agressividade banal. – trecho de entrevista extraída no Blog Filmes de Guerrilha, de Fernando Masini.

Autor de dois longas de ficção e mais de dez documentários, o cineasta Elyseu Visconti foi um dos principais expoentes do movimento de vanguarda que ficou conhecido como Cinema Marginal nos anos 1970.

Atento à produção cultural de seu tempo, o artista se permitiu trafegar por diferentes linguagens, como as artes plásticas, fotografia e pesquisas etnográficas. Com a câmera em mãos, o diretor sempre posicionou suas lentes aos aspectos antropológicos do país, sempre valorizando contextos do imaginário da cultura popular.

Sempre contestou o rótulo que recebeu décadas atrás. “Não sou maldito, não”, indignava-se, 43 anos depois de receber essa definição do cinema-novista Glauber Rocha. “Aquele mimado irresponsável era bem mais deputado que cineasta. Ao nos chamar de marginais, afastou-nos do interesse do público e da imprensa”.

Elyseu Visconti, depois de fazer seus dois longas-metragens de ficção, se autoexilou no Nordeste brasileiro, passando a fazer documentários, mais de 40 deles, com apoio de Gilberto Freyre e de Câmara Cascudo.

Em 2013, o artista, autor de Os Monstros de Babaloo (1970) e Lobisomem: O Terror da Meia-Noite (1971), foi tema da mostra Elyseu: A Cor do Olhar, que ficou em cartaz no CineSesc, em São Paulo. A homenagem reuniu filmes, fotografias e desenhos do artista.

Filmografia

:: Filmografia como Diretor ::

1973 :: Gorema e a Capadócia (CM)
1973 :: Paquistão (CM)
1973 :: Turquia (CM)
1972 :: Budismo no Ceilão (CM)
1972 :: Índia Mística (CM)
1971 :: Lobisomem: O Terror da Meia-Noite
1970 :: Os Monstros de Babaloo

:: Filmografia como Diretor de Fotografia ::

1971 :: Lobisomem: O Terror da Meia-Noite (cofot. Rogério Sganzerla)

Filmografia: 1962- A Arte Barroca no Paraguai (CM) (dir.); O Moleque e a Pipa (CM) (dir.); 1963-Cabeceiras (CM) (dir.); O Menino e a Pipa (CM) (dir.); Para-ti, Prostituição Indígena (CM) (dir.); 1965-Monólogo (CM) (dir.); 1966-Cidade e Parati (CM) (dir.); 1967-Semana da Cultura Brasileira em Praga (CM) (dir., fot.); 1968-Folia do Divino (CM) (dir.); 1969-Bom Jesus da Lapa, Salvador dos Humildes (CM) (dir., fot.), Corrida da Argola (CM) (dir.); Feira de Juazeiro (CM) (dir.); Festa de São Gonçalo (CM) (dir.); 1970- Arte Industrial (CM) (dir.); Atrás da Câmera (CM) (dir.); Eliseu Visconti, Arte Gráfica e Industrial (CM) (dir., fot.); Folguedos Populares (CM) (dir.); Giuventú (CM) (dir., fot.); Os Monstros de Babaloo (dir.); Romaria (CM) (dir.); 1971-As Sertanejas (CM) (dir.); 1971- Parreiras (CM) (dir.); 1972-A Fada do Oriente (cofot. Julio Bressane); 1977-Ticumbi (CM) (dir., fot.); 1978Caboclinhos Tapirapé (CM) (dir., fot.); Maracatu, Estrela da Tarde (CM) (dir., fot.); 1979-Boi Calemba (CM) (dir., fot.); Cavalo Marinho (CM) (dir., fot.); Feira de Campina Grande (CM) (dir., fot.); 1980-Cavalo Marinho da Paraíba (CM) (fot.); 1981-Guerreiro de Alagoas (CM) (dir., fot.); 1982-Pastoril (CM) (dir., fot.); 1987-Sindicalismo no Brasil (CM) (dir.); 1998-O Palhaço na Folia de Reis (CM) (dir.); 1999-Sertão Carioca (CM) (dir.); Encontro das Folias de Reis (CM) (dir.); 2002-Marrapaiá (CM) (dir.); Coroação do Rei de Congo (CM) (dir.).

:: Filmografia como Ele Mesmo ::

2011 :: Belair – O Filme

Bibliografia

Livros:

SILVA NETO, Antonio Leão da. Dicionário de Fotógrafos do Cinema Brasileiro. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2011.

Internet:

CURTA O CURTA. Disponível no endereço: http://curtaocurta.com.br/filme/eliseu-66.html. Acessado no dia 12 de março de 2014.
HISTÓRIA DO CINEMA BRASILEIRO. http://www.historiadocinemabrasileiro.com.br/elyseu-visconti/

História do Cinema Brasileiro

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