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Emilinha Borba (1923-2005)

Biografia

Em 1943 é contratada pela Rádio Nacional, onde permanece por 27 anos, até 1970. O sucesso acontece em 1947, com a rumba Escandalosa, de Djalma Esteves e Moacir Silva, e em 1949 é escolhida a Favorita da Marinha. Emilinha é sucesso no Rádio e no Cinema, estreando em 1939, no filme Banana da Terra. Entre muitos outros, destacam-se Este Mundo é um Pandeiro (1947), Aviso aos Navegantes (1951) e Virou Bagunça (1960). Os números musicais em que ela aparece são aguardados com ansiedade pelo público. Dezenas de sucessos carnavalescos ficaram imortalizados na voz de Emilinha, como Chiquita Bacana, de 1949, Tomara que Chova, de 1951, Água Lava Tudo (1955), Corre, Corre Lambretinha (1958) e Mamãe eu Vou às Compras (1959). Rival de Marlene, as duas mantêm torcidas distintas, que dividem os programas de auditório em que participam. Ambas foram durante muitos anos as Rainha do Carnaval, cantando as marchinhas mais famosas daquele tempo, e fazendo parte do cast artístico da Rádio Nacional, uma das mais importantes da época. Marlene conquista o título em 1949 e Emilinha, em 1953. Era um dos concursos mais cobiçados do rádio. No ano seguinte, o prêmio foi de Ângela Maria. No início dos anos 1960 ainda consegue emplacar sucessos carnavalescos como Pó de Mico (1963), de Renato Araújo, Dora Lopes, Arildo de Sousa e Nilo Viana, e Mulata Iê-Iê-Iê (1965), de João Roberto Kelly. Cordão da Bahia (1975), é talvez, seu último sucesso carnavalesco.

Emília Savana da Silva Borba, em arte mais conhecida como Emilinha Borba, foi uma das mais populares cantoras brasileiras nascida no Rio de Janeiro (RJ) no dia 31 de agosto de 1923. Faleceu no Rio de Janeiro, no dia 03 de outubro de 2005.

Filha de Eugênio Jordão da Silva Borba e Edith da Silva Borba, Emília Savana da Silva Borba nasceu no bairro carioca da Mangueira.

Ainda menina e contrariando um pouco a vontade de sua mãe, apresentava-se em diversos programas de auditório e de calouros. Ganhou seu primeiro prêmio, aos 14 anos, no programa A Hora Juvenil, da Rádio Cruzeiro do Sul. Cantou também no programa Calouros de Ary Barroso, obtendo a nota máxima ao interpretar O X do Problema, de Noel Rosa. Foi também agraciada com 5 mil réis no programa de Ary Barroso. Logo depois, começou a fazer parte dos coros das gravações da Columbia.

Formou, na mesma época, uma dupla com Bidú Reis, chamada As Moreninhas. A Dupla se apresentou em várias rádios, durante cerca de um ano e meio. Logo depois, a dupla gravou para a Discoteca Infantil um disco em 78 RPM com a música A História da Baratinha, numa adaptação de João de Barro. Desfeita a dupla, Emilinha passou a cantar sozinha e foi logo contratada pela Rádio Mayrink Veiga, recebendo de César Ladeira o slogan Garota Grau Dez.

Em 1939, foi convidada por João de Barro para participar da gravação da marcha Pirulito, cantada por Nilton Paz, sendo que no disco seu nome não foi creditado, apenas o do cantor.

Em março do mesmo ano grava, pela Columbia e com o nome de Emília Borba, seu primeiro disco solo em 78 RPM, com acompanhamento de Benedito Lacerda e seu conjunto, com o o samba-choro Faça o mesmo, de Antônio Nássara e Eratóstenes Frazão, e o samba Ninguém escapa de Eratóstenes Frazão.

Ainda em 1939, foi levada por sua madrinha artística, Carmen Miranda, de quem sua mãe era camareira, para fazer um teste no Cassino da Urca. Por ser menor de idade e na ânsia de conseguir o emprego, alterou sua idade para alguns anos a mais. Além disso, Carmen Miranda emprestou-lhe um vestido e sapatos plataforma. Aprovada pelo empresário Joaquim Rolla proprietário do Cassino da Urca, foi contratada e passou a se apresentar como crooner, tornando-se logo em seguida uma das principais atrações daquela casa de espetáculos.

No mesmo ano de 1939, atuou no filme Banana da Terra, de Alberto Bynton e Rui Costa. Esse filme contava com um grande elenco: Carmen Miranda, Aurora Miranda, Dircinha Batista, Linda Batista, Almirante, Aloísio de Oliveira, Bando da Lua, Carlos Galhardo, Castro Barbosa, Oscarito e Virgínia Lane, a Vedete do Brasil.

Gravou seu primeiro disco em 1940, com acompanhamento de Radamés Gnattali e sua orquestra os sambas “O Cachorro da Lourinha” e “Meu Mulato Vai ao Morro”, da dupla Gomes Filho e Juraci Araújo. Nesse ano, apareceu nos filmes Laranja da China, de Rui Costa e Vamos cantar, de Leo Marten. Foi contratada pela Rádio Mayrink Veiga.

No ano seguinte, assinou contrato com a Odeon, gravadora onde sua irmã, a cantora Nena Robledo, casada com o compositor Peterpan já era contratada. Já com o nome de Emilinha Borba, lançou os sambas “Quem Parte leva Saudades”, de Francisco Scarambone, e “Levanta José”, de Haroldo Lobo e Valdemar de Abreu. Gravou ainda um segundo disco na Odeon com o samba “O Fim da Festa”, de Nelson Teixeira e Nelson Trigueiro, e a marcha “Eu Tenho Um Cachorrinho”, de Georges Moran e Osvaldo Santiago.

Em 1942, foi contratada pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro, desligando-se meses depois. Neste mesmo ano, o cineasta norteamericano Orson Welles estava filmando no Brasil, o documentário inacabado It’s All True (Tudo é Verdade). Nesta época, Linda Batista era a cantora mais popular do Brasil e a estrela absoluta do Cassino da Urca, de onde Orson Welles não saía.

Enquanto permanecia no Rio de Janeiro em farras e bebedeiras, Welles, iniciou um romance com Linda Batista. Até que colocou os olhos em Emilinha, já com postura de futura estrela. O cineasta não perdoou a pouca idade de Emilinha, nem o fato de ela namorar o cantor Nilton Paz. Começou a assediá-la, prometendo levá-la para Hollywood. Também enviava-lhe agrados e bilhetes em que se dizia o Rei do Café, mas Emilinha nem deu bola.

Linda Batista, ao saber o que estava acontecendo, descarregava suas frustrações na mãe de Emilinha, camareira no Cassino da Urca, humilhando-a sempre que podia. Até que um dia, Linda cerca Emilinha nos bastidores, dá-lhe alguns tapas e rasga seu melhor vestido com o qual ela se apresentaria dali a pouco.

Orson Welles deixou Emilinha em paz, e voltou para os Estados Unidos. Mas, desde essa época, Linda e Emilinha, nunca mais se deram bem. Segundo Jorge Goulart, Linda Batista usava de todo o seu prestígio como estrela absoluta do Cassino da Urca para dificultar a ascensão de Emilinha Borba naquele espaço.

Em Setembro de 1943 retornou ao cast daquela Emissora, firmando-se a partir de então, e durante os 27 anos que lá permaneceu contratada, como a “Estrela Maior” da emissora PRE-8, a líder de audiência.

Enquanto naquela emissora, Emilinha atingiu o ápice de sua carreira artística, tornando-se a cantora mais querida e popular do país. Teve participação efetiva em todos os seus programas musicais, bem como, foi a “campeã absoluta em correspondência” por 19 anos consecutivos (até quando durou a pesquisa naquela emissora) de 1946 à 1964.

Atuou no filme Todos por um, dirigido na Cinédia por José Cajado Filho em 1950, mesmo ano em que gravou os baiões Paraíba e Baião de dois, da dupla Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, que obtiveram grande sucesso, e os sambas Boa, de Marília Batista e Henrique Batista e Jurei, de Nássara e Valdemar de Abreu.

Em 1951, lançou a marcha-baião Bate o bombo, de Humberto Teixeira, e a marcha Tomara que chova, de Paquito e Romeu Gentil, um de seus grandes sucessos carnavalescos, com acompanhamento de Guio de Moraes e Seus Parentes, e a marcha Festa brava, de João de Barro, e o samba Perdi meu lar, de Geraldo Pereira e Arnaldo Passos, com acompanhamento de Radamés Gnatalli e sua orquestra. Participou ainda de outro filme de sucesso, Aviso aos navegantes, dirigido na Atlântida por Watson Macedo. Atuou também em Aí vem o barão, também na Atlântida, e do mesmo diretor. Com Ivon Curi gravou a toada Noite de luar, de José Maria de Abreu, Alberto Ribeiro e Ivon Curi.

Atuou em mais dois filmes em 1952, É Fogo na Roupa, de Watson Macedo e Barnabé tu és meu, da Atlântida, com direção de José Carlos Burle. Nesse ano, gravou o samba Fora do samba, de Peterpan, Amadeu Veloso e Paulo Gesta, a marcha Nem de vela acesa, de Paquito e Romeu Gentil, e com Jorge Goulart, o samba Sua mulher vai ao baile comigo, de Caribé da Rocha e Evenor. No ano seguinte, participou dos filmes O Destino em Apuros, da Multifilmes, e Aí vem o general, de Alberto Atillio. Nesse ano, gravou as marchas Bananeira não dá laranja, de João de Barro, e “Catumbi encheu”, de Rutinalo e Norival Reis, e os sambas “Você sabe muito bem”, de Lourival Faissal, Bené Alexandre e Getúlio Macedo, e “Pelo amor de Deus”, de Humberto Teixeira e Felícia Godoy. Gravou na Todamérica com Albertinho Fortuna a marcha “Felipeta”, de Antônio Almeida, e o samba “Olha a corda”, de Antônio Almeida e João de Barro.

Em 1953, foi eleita a Rainha do Rádio pela Associação Brasileira do Rádio apenas com o voto popular, sem patrocínio comercial obtendo praticamente o triplo dos votos da segunda colocada.

Atuou nos filmes Caprichos do amor, de H. Rangel e O petróleo é nosso, de Watson Macedo em 1954, ano em que gravou com o Trio Madrigal o bolero “Vaya com Dios”, de Russel e Pepper, com versão de Joubert de Carvalho. Gravou também nessa época o samba “Parabéns São Paulo!”, de Rutinaldo, a marcha “Aí vem a marinha”, de Moacir Silva e Lourival Faissal, o samba-canção “Os meus olhos são teus”, de Peterpan, e o bolero “Noite de chuva”, de Peterpan e José Batista. Nesse ano, gravou na RCA Victor em dueto com o radialista César de Alencar a valsa “Noite nupcial”, de Peterpan, e o samba “Os quindins de Iaiá”, de Ary Barroso.

Atuou em 1966 nos filmes 007 1/2 no Carnaval, da Copafilmes Copacabana, com direção de Vitor Lima, e Virou bagunça, da Cinedistri, com direção de Watson Macedo.

De 1968 a 1972, Emilinha esteve inativa por problemas de saúde. Teve edema nas cordas vocais e, após três cirurgias e longo estudo para reeducar a voz, voltou a cantar.

Com o advento da televisão, suas aparições vão ficando cada vez mais raras, agravado por um edema nas cordas vocais que a levou a fazer três cirurgias. Esses fatos abreviaram o final de sua carreira. Gravou, ao todo, 89 LPs (discos com seis músicas de cada lado), 71 compactos e 117 discos de 78 rotações – totalizando mais de 600 músicas – e é, sem dúvida, uma das maiores cantoras que tivemos. Em 1995, ainda era a personalidade brasileira que mais havia saído em capa de revistas no País: 350 vezes.

Na televisão, participou ainda da minissérie Chiquinha Gonzaga, em 1999, pela Globo e do programa Retratos Brasileiros – Eliana Macedo, em 2000, pelo Canal Brasil.

Em 2003, após 22 anos sem gravar um trabalho só seu, a Favorita da Marinha lançou o CD Emilinha Pinta e Borba, com participações de diversos cantores como Cauby Peixoto, Marlene, Ney Matogrosso, Luís Airão, Emílio Santiago, entre outros, vendendo este de forma bem popular, na Cinelândia, em contato com o público, assim como Eliana Pittman e Agnaldo Timóteo e, também lançou no início de 2005, o CD Na Banca da Folia, para o carnaval do mesmo ano, com a participação do cantor Luiz Henrique na primeira faixa – Carnaval Naval da Favorita e de MC Serginho na quinta faixa, Marcha-Funk da Eguinha Pocotó, conforme informa o site Cantoras do Brasil.

Emilinha continuou fazendo espetáculos pelo Brasil inteiro, tendo marcado presença, nos seus três últimos anos de vida, em vários estados brasileiros como Pernambuco, Ceará, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Bahia.

Sua arte, admirada e aplaudida por milhões, sempre foi em prol da cultura popular e, assim, carismática Emilinha Borba, cuja trajetória artística, pontilhada de sucessos, personifica-se como verdadeira e autêntica representante da Era de Ouro do Rádio Brasileiro.

Em fevereiro de 2004, Emilinha foi hospitalizada após cair da cama e fraturar o braço direito. Em junho de 2005, ela esteve internada de novo após cair de uma escada e sofrer traumatismo craniano e hemorragia intra-cerebral.

Emilinha Borba faleceu na tarde do dia 03 de outubro de 2005, de infarto fulminante, enquanto almoçava em seu apartamento no bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro, aos 82 anos. Deixou um filho e três netos.

Seu corpo foi velado durante toda a noite e pela manhã, por amigos, familiares e fãs, na Câmara dos Vereadores no Rio de Janeiro e sepultado no Cemitério do Caju.

Filmografia

1975 :: Assim Era Atlântida
1967 :: Carnaval Barra Limpa
1966 :: 007 1/2 no Carnaval
1961 :: Virou bagunça
1960 :: Entrei de Gaiato
1959 :: Garota Enxuta
1959 :: Mulheres à Vista
1958 :: Cala a boca, Etelvina
1958 :: É de Chuá!
1958 :: De Pernas Pro Ar
1957 :: Garotas e Samba
1957 :: Com Jeito Vai
1956 :: Eva do Brasil
1956 :: Vamos com Calma
195 :: Caprichos do Amor
1955 :: Carnaval em Marte
1955 :: Guerra ao Samba
1955 :: Trabalhou Bem, Genival
1955 :: O Rei do Movimento
1954 :: O petróleo é nosso
1953 :: Destino em apuros
1954 :: Aí vem o General
1952 :: Tudo Azul
1952 :: É fogo na roupa!
1951 :: Barnabé tu és meu
1950 :: Todos por um
1950 :: Aviso aos navegantes
19 :: Aí vem o barão
1949 :: Eu estou aí?
1948 :: É com este que eu Vou
1948 :: Folias Cariocas
1948 :: Poeira de estrelas
1947 :: Este Mundo é um Pandeiro
1946 :: Segura esta Mulher
1945 :: Não Adianta Chorar
1944 :: Romance de um Mordedor
1944 :: Tristezas não Pagam Dívidas
194 :: Laranja da China
1942 :: Astros em Desfile (CM)
1940 :: Vamos cantar
1938 :: Banana da Terra

Bibliografia

Livros:

AGUIAR, Ronaldo Conde. As Divas do Rádio Nacional: as vozes eternas da Era de Ouro. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2010.
ALBIN, Ricardo Cravo. O livro de ouro da MPB – A História de nossa música popular de sua origem até hoje. Rio de Janeiro: Ediouro, 2003.
AZEVEDO, M. A . de (NIREZ) et al. Discografia brasileira em 78 rpm. Rio de Janeiro: Funarte, 1982.
CARDOSO, Sylvio Tullio. Dicionário Biográfico da música Popular. Rio de Janeiro: Edição do autor, 1965.
MARCONDES, Marcos Antônio. (ED). Enciclopédia da Música popular brasileira: erudita, folclórica e popular. 2. ed. São Paulo: Art Editora/Publifolha, 1999.
SEVERIANO, Jairo e MELLO, Zuza Homem de. A canção no tempo. Volume 1. São Paulo: Editora: 34, 1999.
SILVA NETO, Antonio Leão da. Astros e estrelas do cinema brasileiro. 2. ed. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2010.
VASCONCELOS, Ari. Panorama da música popular brasileira – volume 2. Rio de Janeiro: Martins, 1965.

Internet:

HISTÓRIA DO CINEMA BRASILEIRO. Emilinha Borba. Disponível no endereço: http://www.historiadocinemabrasileiro.com.br/emilinha-borba/

História do Cinema Brasileiro

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