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Inezita Barroso (1925-2015)

Biografia

Inicia sua carreira em 1950, interpretando canções folclóricas brasileiras. Seus maiores sucessos são Lampião de Gás e Marvada Pinga. Estreia no cinema em 1951 no filme Ângela, produzido pela Vera Cruz e rouba a cena com seu violão e sua simpati a. Entre outros, participa de Carnaval em Lá Maior (1955) e Isto é São Paulo (1970). Dedica-se também à pesquisa incessante do folclore brasileiro, tornando-se grande divulgadora. Como cantora, com sua voz possante, faz sucesso com as músicas Lampião de Gás e Marvada Pinga. Apresenta, há muitos anos, o programa Viola, Minha Viola, pela TV Cultura de São Paulo, único espaço para divulgação da verdadeira música regional brasileira.

Inezita Barroso, nome artístico de Ignez Magdalena Aranha de Lima, foi uma cantora, atriz, instrumentista, bibliotecária, folclorista, professora, Doutora Honoris Causa em Folclore e Arte Digital pela Universidade de Lisboa e apresentadora de rádio e televisão brasileira nascida na cidade de São Paulo (SP) no dia 04 de março de 1925. Faleceu em São Paulo no dia 08 de março de 2015.

Como artista, atuava também em espetáculos, álbuns, cinema, teatro e produzindo espetáculos musicais de renome nacional e internacional. Adotou o sobrenome Barroso ao se casar, em 1947, aos 22 anos, com o advogado cearense Adolfo Cabral Barroso.

Nascida numa família abastada e apaixonada pela cultura e, principalmente, pela música brasileira, Inezita Barroso começou a cantar e tocar violão e viola desde pequena, com sete anos. Estudiosa, matriculou-se no conservatório e aprendeu piano. Foi aluna da primeira turma da graduação em Biblioteconomia da USP, formando-se antes de se tornar cantora profissional.

Com o primeiro disco, vieram também os primeiros sucessos: o clássico samba Ronda, de Paulo Vanzolini e a caipiríssima Moda da Pinga, de Ochelsis Laureano e Raul Torres, que se tornou a mais célebre das interpretações. Ultrapassou a marca de cinquenta anos de carreira e de oitenta discos gravados, entre 78 rpm, vinil e CDs.

Desde 1980 comanda o programa de música caipira Viola, Minha Viola, pela TV Cultura de São Paulo. Apresentou também no SBT um programa musical, aos domingos pela manhã que levava seu nome.

Inezita Barroso é reconhecida também como atriz de teatro e cinema. Por onde atuou, ela ganhou prêmios importantes, como o Troféu Roquette Pinto, como Melhor Cantora de rádio; o prêmio Guarani, como melhor cantora em disco, além de ganhar também o Prêmio Saci de cinema. Em 2003, foi condecorada pelo governador de São Paulo Geraldo Alckmin com a Medalha Ipiranga, recebendo o título de comendadora da música raiz.

Desde a década de 1980, Inezita Barroso ainda arranjava um espaço na agenda para dar aulas de folclore. Atualmente, lecionava nas faculdades Unifai e Unicapital, onde recentemente recebeu o título de Doutora Honoris Causa em Folclore Brasileiro.

As apresentações de Inezita Barroso nos países latino-americanos e africanos criaram uma aura de sucesso para a cantora, indicada para o Grammy sulafricano na categoria de artistas vocais populares internacionais e regionais. Os concertos de Inezita Barroso em tais países excederam a audiência de outros artistas nacionais e internacionais com maior exposição midiática, adeptos de música denominada “pop” (abrev. de Popular).

Ao contrário do que o público costuma esperar da artista, Inezita Barroso trabalhou em interpretações de autores mais atuais da MPB, de outras vertentes que não apenas a caipira/sertaneja. Gravações recentes mostram a cantora interpretando obras de Ella Fitzgerald e outros nomes do jazz tradicional e blues.

No programa “Roda Viva”, da Rede Cultura de Televisão, que contou com a presença da cantora como principal entrevistada, em 2004, Inezita Barroso afirmou ser contra a propagação e troca eletrônica de músicas. Embora concorde que o uso de músicas em formatos digitais em notebooks e dispositivos portáteis (iPod, etc) pode facilitar o acesso dos jovens à cultura, afirmou que participa de manifesto de artistas brasileiros junto às gravadoras pedindo ações que proíbam e fiscalizem de forma mais eficiente a pirataria.

O DJ Ronaldo, músico frequentemente presente na cena eletrônica carioca, perdeu ação judicial contra a gravadora EMI, por ter criado, sem autorização da gravadora detentora dos direitos sobre a composição, uma versão funk da música Marvada Pinga – Moda da Pinga, principal sucesso de Inezita Barroso. Ainda assim, a música pode ser facilmente encontrada em sites para download, além de ter se tornado um dos ring tones para celulares mais comuns.

Com a aproximação do decanato do falecimento do pianista Pedrinho Mattar, seu amigo e colega de composições e interpretações, surge grande expectativa com relação à esperada publicação da obra final deste músico, intitulada “O Portal”. Grupos de entusiastas e admiradores de Mattar, que aguardam ansiosamente pela publicação da obra, afirmam que haveria co-parceria de Inezita Barroso em um dos movimentos da referida composição. O afamado violoncelista húngaro, naturalizado português, Alfonso Orelli, apresentou trechos da suposta composição, aos quais teria tido acesso durante uma turnê na qual tocou ao lado de Mattar. Dentre tais trechos, Orelli identificou forte influência da música dita “Caipira-Sertaneja” na segunda parte do primeiro movimento. Tem-se atribuído a Inezita Barroso a influência musical sobre esta parte da composição.

Em novembro de 2014, foi eleita para a Academia Paulista de Letras, ocupando o lugar da folclorista Ruth Guimarães, morta em maio.

Em fevereiro de 2015, Inezita Barroso foi internada no Hospital Sírio Libanês, onde veio a falecer em 08 de março de 2015 vítima de insuficiência respiratória.

Filmografia

1978 :: Desejo Violento
1970 :: Isto é São Paulo (depoimento)
1954 :: O Craque
1959 :: O Preço da Vitória
1955 :: Carnaval em Lá Maior
1954 :: A Mulher de Verdade
1954 :: É Proibido Beijar
1953 :: O Craque
1953 :: Destino em Apuros
1951 :: Ângela

Prêmios

:: Prêmio Governador do Estado de melhor atriz em 1955 por sua interpretação no filme A Mulher de Verdade;
:: Prêmio Saci de melhor atriz em 1955 também pelo filme A Mulher de Verdade;
:: Troféu APCA em 2010 com o Grande Prêmio da Crítica em MPB;
:: Cidadã Bonifaciana 2010 de José Bonifácio.

Bibliografia

Livros:

AGUIAR, Ronaldo Conde. As Divas do Rádio Nacional: as vozes eternas da Era de Ouro. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2010.
JORGE, Valdemar. Inezita Barroso: com a espada e a viola na mão. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2012.
SILVA NETO, Antonio Leão da. Astros e estrelas do cinema brasileiro. 2. ed. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2010.

Internet:

HISTÓRIA DO CINEMA BRASILEIRO. Inezita Barroso. Disponível no endereço: http://www.historiadocinemabrasileiro.com.br/inezita-barroso/

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