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Inocência (1983)

Sinopse

Em fins do século XIX, no Brasil colonizado e rural, explode de forma velada, porém trágica uma grande história de amor. É tempo de malária, doenças bravas, costumes rígidos e princípios de honra. O sertão mineiro abriga uma natureza exuberante e um homem violento, ignorante, opressivo no trato com a família, sobretudo com as mulheres, e ingênuo. Mas também esconde nos casarões e nos corações os olhares furtivos, as juras de amor, as fugas ao luar, o limiar da paixão eterna e impossível. É neste cenário que acontece o amor de Cirino e Inocência. Cirino é médico viajante, agarrado ao velho compêndio de Chervoniz. Em suas andanças à cata de clientes, encontra Martinho Pereira, sertanejo que fora à Vila de Santana comprar quinino para sua filha Inocência, com malária. Menina bonita, frágil, sempre resguardada pelo pai e vigiada por um servo anão, ela não tem vontade própria e o pai já lhe escolheu um marido, Manecão, rico fazendeiro que representa a possibilidade de aumento de patrimônio para o velho Martinho. Mas ao entrar no quarto da menina, peça sagrada da casa e proibida para estranhos. Cirino de imediato se encanta por ela e não consegue mais esquecê-la. O hábito sertanejo de hospedar viajantes traz à casa de Martinho o alemão Meyer, cientista naturalista em pesquisas de insetos e plantas tropicais. Meyer carrega em sua bagagem, além de uma infinidade de tipos de borboleta, uma carta do irmão de Martinho, que o alegra muito e o faz ter grande simpatia pelo entomologista. Ignorante e analfabeto, o pai de Inocência se impressiona com a sabedoria e o objeto de estudo do estrangeiro; Martinho não só lhe oferece a casa, como também lhe concede a honra de apresentar a filha, já recuperada da febre. Meyer se surpreende com a beleza da menina e confessa sua surpresa pelo mau costume brasileiro de esconder as mulheres. O constrangimento é grande e o pai fica enfurecido com a ousadia do alemão. Os dias passam, Meyer caçando borboletas na floresta, Martinho indignado com seu hóspede, lamentando a ausência de Manecão que poderia tomar uma atitude, Cirino curando e procurando Inocência. Inocência se descobrindo apaixonada. Ela percebe que já não pode mais controlar seu coração: apesar de escondida, vigiada e sem vontade própria, ela vai se libertando através do amor de Cririno. Até que os dois se encontram, escondidos sob o luar do sertão, embriagados de paixão. No entanto Tico, o anão mudo, a tudo assiste. Cirino propõe fuga a Inocência, que não vê esperança para os dois – a promessa do pai a Manecão não pode ser quebrada. A única saída é Cirino pedir ao padrinho dela, a quem Martinho deve favores, que interceda por eles. O alemão parte, tirando um peso das costas do sertanejo, e Cirino também, a pretexto de buscar mais remédio para os doentes. É quando chega Manecão. Inocência se recusa a vê-lo e diz que só se casará com o homem que ama. Martinho atribui a Meyer a mudança em sua filha; o Manecão sai para matá-lo e Tico vai com ele. Na vila de Santana, ao apontar para o alemão, Manecão fica sabendo que não é ele e sim o doutor o amado de Inocência. Cirino conversa com o compadre de Martinho e este, impressionado com a paixão do rapaz, lhe promete uma resposta em três dias. É o tempo da tragédia. Inocência tenta fugir de casa mas o pai a impede; a doença recrudesce. Manecão acha Cirino, no local do encontro com o padrinho. Quando este chega, com a resposta positiva, é tarde demais. Separados, cerceados, Cirino e Inocência vivem um amor puro, eterno, libertador, acima do Bem e do Mal, mas para sempre impossível.

Inocência é um filme no estilo romântico ambientado no Brasil Imperial. A menina Inocência é acometida de malária e o médico Cirino é designado para tratá-la. Os dois se apaixonam, mas a jovem está prometida para um rico fazendeiro da região e seu pai coloca-se contra a relação. Barra de São João, distrito do município de Casimiro de Abreu (RJ) foi um dos cenarios utilizados como locação do filme, junto com Floresta da Tijuca, na cidade do Rio de Janeiro (e não no sertão de Mato Grosso, como no romance do Visconde de Taunay). Há duas versões anteriores, de 1915, dirigida por Vittorio Capellaro, e de 1948, dirigida por Luiz de Barros.

Inocência é um filme brasileiro de 1983, estrelado por Fernanda Torres, dirigido por Walter Lima Jr. e baseado no livro de mesmo nome do Visconde de Taunay. A fotografia é assinada por Pedro Farkas. Lucy Barreto e Luiz Carlos Barreto estiveram a cargo da produção, e a música é de Wagner Tiso.

Elenco

Edson Celulari …. Cirino
Sebastião Vasconcelos …. Martim Pereira
Chica Xavier …. Maria Conga
Carlos Filipe …. Farmacêutico
Ney Villa Velha
Rainer Rudolph …. Mayer
Fernando Torres …. Cesário
Ricardo Zambelli …. Manecão
Chico Diaz …. Juca

Apresentando:
Kleber Santos …. Coelho
Manfredo Colassanti …. Padre
Fernanda Torres …. Inocência
Raimundo Reis …. Colono
Sandro Solviatti …. Leproso
Jorge Fino …. Tico

Ficha Técnica

Por trás dos filmes, além dos atores, dos figurinos, das câmeras, da arte, do som e de outros elementos mais facilmente perceptíveis na construção qualquer longa metragem, há também um verdadeiro exército de profissionais dedicados a viabilizar cada detalhe do intrincado quebra-cabeça artístico, operacional, logístico e financeiro da produção audiovisual.

Veja logo abaixo a equipe técnica de Inocência (1983) que o portal História do Cinema Brasileiro pesquisou e agora disponibiliza aqui para você:

Direção: Walter Lima Jr.
Roteiro: Walter Lima Jr.
Adaptação: Lima Barreto
Roteiro baseado: no livro de mesmo nome do Visconde de Taunay
Assistência de direção: Bruno Wainer e Carlos Wilson
Continuidade: Tereza Jessouroum
Produção: Lucy Barreto, Luiz Carlos Barreto e Antônio Calmon
Direção de produção: Fernando Silva
Produção executiva: Maria da Salete
Produtor associado: Walter Lima Jr., Luciola Villela e Maria da Salete
Assistência de produção: Juarez Preciozo, René Bittencourt e Cadu Dantas
Direção de Fotografia: Pedro Farkas
Câmera: Pedro Farkas
Assistência de câmera: Cezar Elias e Celsinho
Efeitos especiais de fotografia: Sérgio Farjalla
Fotografia de cena: Ana Jobim
Trucagens: João Mendes
Fotografia adicional: Antônio Luiz
Operador de VT: Ana Jobim
Eletricista: Guimarães
Assistente de eletrecista: Wildemilson Finizzola, Aroldo Telles e José Pereira
Maquinista: Paquetá
Auxiliar de maquinista: Carlão
Direção de som: Jorge Saldanha
Som direto: Jorge Saldanha
Mixagem: José Luiz Sasso e Denise Fontoura
Operador de microfone: Joaquim Santana
Contra-regra do som: Delanyr Dias
Montagem: Raimundo Higino
Assistente de montagem: Peri Santos e Lewis França
Montagem de som: Denise Fontoura
Figurinos: Diana Eichbauer
Cenografia: Ana Cláudia Ovale, Delanyr Dias e Carlos Liuzzi
Letreiros: Ricardo Van Steen e Ucho Carvalho
Programação visual: Ricardo Van Steen e Ucho Carvalho
Assistencia de cenografia: Ana Cláudia Ovale e Delanyr Dias
Contra-regra/acessórios de cenografia: Delanyr Dias
Montagem de cenário: Cosme
Maquiagem: Ana Grega
Guarda-roupeira: Maria da Guia
Assistência de figurino: Viviane Sampaio
Música: Wagner Tiso
Empresa de figuração: Visual | Populares de Barra de São João
Companhia Produtora: L.C.B. Produções Cinematográficas
Companhia Co-Produtora: Embrafilme – Empresa Brasileira de Filmes S.A.
Companhia Produtora Associada: Merlin Produções Cinematográficas Ltda.

Dados adicionais de música
Título da música: Azulão;
Música de: Ovale, Jayme e Bandeira, Manuel;
Intérprete(s): Costa, Telma

Título da música: Tristezas do Jeca;
Música de: Oliveira, Angelino de;

Título da música: Luar do Sertão
Música de: Cearense, Catulo da Paixão

Prêmios

Instituto Nacional do Livro, 1969.
Segundo Coral no Festival do Novo Cinema Latino-Americano de Havana, 1983 – CU.
Melhor Direção, Melhor Ator Coadjuvante (Vasconcelos, Sebastião, Melhor Fotografia (Farkas, Pedro) e Prêmio Especial da Crítica – Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, 1983.
Melhor Roteiro (Lima Jr., Walter – Associação Paulista dos Críticos de Arte, 1983.
Melhor Filme e Melhor Diretor – Prêmio Air France de Cinema, 1983.
Prêmio Coral, 2o. – Festival do Novo Cinema Latino-Americano, 1983 – Havana-Cuba.
Prêmio de Melhor Diretor de 1983 – Associação Brasileira de Cineastas ABRACI, 1984.

Bibliografia

Livros:

MATTOS, Carlos Alberto. Walter Lima Junior: Viver Cinema. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2002.
TAUNAY, Visconde de. Inocência. Porto Alegre: L&PM, 1999.

Fontes utilizadas:
CB/Transcrição de letreiros-Cat
CB/Ficha Filmográfica
CCSP/LMP
Embrafilme/Catálogo 1986
CA/AF

Fontes consultadas:
FBR/16

Observações:
FBR/16 aponta Wagner Tiso em música original e Walter Lima Jr. em trilha sonora.
Participou do 16º Festival de Brasília (1983), Brasília – DF.

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