fbpx

José Celso Martinez Corrêa

FOTO Jose Celo Martinez Correa 01José Celso Martinez Corrêa, em arte também conhecido como Zé Celso, é uma das pessoas mais importantes ligadas ao teatro brasileiro nascido na cidade de Araraquara (SP) no dia 30 de março de 1937. Destacou-se como um dos principais diretores, atores, dramaturgos e encenadores do Brasil.

Mudou-se para São Paulo em 1956. Seu trabalho, encarado às vezes como orgiástico e antropofágico que o definiu, na década de 1960, quando Zé Celso fundou e liderou a importante Teatro Oficina − grupo amador formado em 1961, quando integrava a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo − onde apresentava sua inquietude e irreverência, realizando trabalhos de caráter inovador. Nessa época, destacam-se as encenações de Pequenos Burgueses (1963) − peça que enfoca a Rússia às vésperas de sua Revolução e evidencia numerosos pontos de contato com a realidade nacional anterior ao golpe militar de 1964 −, O Rei da Vela (1967), de Oswald de Andrade − espetáculo-manifesto tornado emblema do movimento tropicalista − e Na Selva das Cidades (1969), obra de Bertolt Brecht que trata da profunda crise que atravessava o país e a equipe artística. Pequenos Burgueses, embora suspenso em abril de 1964 por autoridades militares que acabavam de tomar o poder, rendeu a José Celso todos os prêmios de melhor direção do ano e as críticas colocaram a produção como a mais perfeita encenação stanislavskiana do teatro brasileiro; a apresentação retornou aos palcos no mês seguinte.

No cinema, dirigiu o documentários O Parto (1975), Vinte e Cinco, em 1978, e O Rei da Vela, em 1971/1982. Participou, como ator, de alguns filmes como América do Sexo (1969) e A$$untina das Amérikas (1975).

Interessado em eventos culturais, artísticos e políticos, Zé Celso se intercala entre o cinema e o teatro: trabalhou em Encarnação do Demônio (2007), de José Mojica Marins (lançado em 2008), dirige e atua em inúmeras peças teatrais, ainda comandando o Teatro Oficina, mesmo depois de cinquenta anos − como em Santidade (2007). Por experimentar formas ousadas de se realizar uma peça teatral, Zé Celso já se viu entre críticas sensacionalistas. Num caso mais recente, sua peça Os Sertões, quando montada em 2005 em Berlim, Alemanha, causou polêmica na capital pelo fato dos atores ficarem nus em determinadas cenas. A imprensa sensacionalista alemã apelidou a montagem de “teatro pornô”.6 Há 26 anos, seu grupo Teatro Oficina luta contra o Grupo Silvio Santos. Embora José afirme que sua relação com Silvio Santos seja boa,7 não quer que o espaço do teatro seja vendido para o empresário que deseja construir um shopping center no terreno. Nesse embate, Celso já ganhou apoio de nomes como Milton Santos e Marilena Chauí.

Trabalhando − seja dirigindo, adaptando, ou realmente numa colaboração − com nomes que vão de Augusto Boal, Henriette Morineau, Fernanda Montenegro, Sérgio Britto, Raul Cortez, Bete Coelho e Flávio Império a Chico Buarque, William Shakespeare, Nelson Rodrigues, Max Frisch, Bertolt Brecht e Máximo Gorki, Zé Celso construiu um dos mais originais percursos dos palcos brasileiros. Com a realização de Vento Forte Para um Papagaio Subir (2008) − de sua própria autoria e montada primeiramente em 1958 − Celso prova que, mesmo com setenta anos, ainda está com a criatividade e disposição em vigor.

De 1955 à 1960, em São Paulo, Zé Celso entrou para o curso da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, mas não exerceu a profissão, ficando inconcluso. Pelo contrário, foi na faculdade que formou o Teatro Oficina.

Zé Celso começou profissionalmente no teatro com uma peça de sua autoria, Vento Forte para Papagaio Subir, em 1958, e A Incubadeira (1959), também de sua autoria. Com a direção de Amir Haddad, o Oficina produz as duas peças. A Engrenagem, encenada pelo grupo em 1960, tem o intuito de homenagear Jean-Paul Sartre que visitava o país; a peça foi traduzida e adaptada juntamente com Augusto Boal. Para Zé Celso e sua trupe, o ano de 1961 é marcante: o Oficina inaugura sua fase profissional com uma casa de espetáculos alugada na Rua Jaceguai. A empresa é composta pelos sócios Renato Borghi, José Celso Martinez Corrêa, Ronaldo Daniel (que depois se torna importante diretor na Inglaterra, como Ronald Daniels), Paulo de Tarso e Jairo Arco e Flexa.

A estréia de José Celso como diretor vem com A Vida Impressa em Dólar, de Clifford Odetts, e a peça abre a programação da nova estadia do grupo na casa de espetáculos alugada. Entre o elenco, estava Eugênio Kusnet que, por ser conhecedor profundo do Método Stanislavski, colaborou na preparação dos atores. Essa montagem fez com que Celso ganhasse o prêmio de revelação de diretor pela Associação Paulista de Críticos de Teatro. Depois da montagem de Todo Anjo é Terrível, em 1962, a equipe encena Pequenos Burgueses, de Máximo Gorki, que teve enorme repercussão. Pequenos Burgueses rende a José Celso todos os prêmios de melhor direção do ano.

Zé Celso nasceu em Araraquara, e cresceu com o escritor Ignácio de Loyola Brandão. Seu nome é muito respeitado nos meios teatrais brasileiros, seja dirigindo, adaptando, ou colaborando, com nomes que vão de Augusto Boal, Henriette Morineau, Raul Cortez, Bete Coelho e Flávio Império à Chico Buarque, William Shakespeare, Nelson Rodrigues, Max Frisch, Bertolt Brecht e Máximo Gorki. Zé Celso construiu um dos mais originais percursos dos palcos brasileiros.

É irmão do também diretor Luís Antônio Martinez Corrêa, assassinado em 1987.

Filmografia

:: Filmografia como Ator ::

2019 :: Horácio
2009 :: Meu Amigo Cláudia
2008 :: Encarnação do Demônio …. O Mistificador
2006 :: Árido Movie …. Meu Velho
2002 :: Lara …. Vendedor humilde
1982 :: A Caminho das Índias …. Degradado
1976 :: A$$untina das Amerikas
1974 :: Um Homem Célebre
1972 :: Gracias Señor (CM)
1969 :: América do Sexo

:: Filmografia como Diretor ::

1983 :: O Rei da Vela
1975 :: 25 (codir. Celso Luccas)
1975 :: O Parto (codir. Celso Luccas)

:: Filmografia como Roteirista ::

1983 :: O Rei da Vela
1975 :: 25
1975 :: O Parto
1971 :: Prata Palomares

:: Filmografia como Ele Mesmo ::

:: EVOÉ! Retrato de um antropófago
2009 :: Palavra (En)Cantada
2008 :: Jards Macalé – Um Morcego na Porta Principal
2006 :: A Mochila do Mascate
2003 :: Glauber o Filme, Labirinto do Brasil
1980 :: Fênix

Bibliografia

Livros:

LABAKI, Aimar. José Celso Martinez Corrêa. São Paulo: PubliFolha, 2002.
CORRÊA, José Celso M. O Rei da Vela, manifesto do Oficina. In: O Rei da Vela. São Paulo, 1967. Programa do espetáculo.
DORT, Bernard. Uma comédia em transe. Le Monde, Paris, abr. 1968, traduzida e republicada no segundo programa de O Rei da Vela, cit.
MICHALSKI, Yan. José Celso Martinez Corrêa. In.: ______. Pequena enciclopédia do teatro brasileiro contemporâneo. Rio de Janeiro, 1989. Material inédito, elaborado em projeto para o CNPq.
SILVA, Armando Sérgio da. Oficina: do teatro ao te-ato. São Paulo: Perspectiva, 1981.
SILVA NETO, Antonio Leão da. Astros e estrelas do cinema brasileiro. 2. ed. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2010.

Internet:

HISTÓRIA DO CINEMA BRASILEIRO. José Celso Martinez Correa. Disponível no endereço: http://www.historiadocinemabrasileiro.com.br/jose-celso-martinez-correa/

História do Cinema Brasileiro

História do Cinema Brasileiro

Qualquer interesse de envio de textos, dúvidas, opiniões, sugestões, acréscimos de conteúdo, relato de erros ou omissão de informações publicadas, entre em contato com a Coordenação Geral do História do Cinema Brasileiro pelo seguinte email: [email protected]

Um comentário em “José Celso Martinez Corrêa

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.