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José Marinho (1933-2021)

José Marinho de Oliveira, em arte conhecido como José Marinho, foi um ator, professor, pesquisador, escritor, animador e produtor brasileiro nascido no município de Canhotinho (PE) dia 12 de fevereiro de 1933.

Caso raro de ator brasileiro que ficou internacionalmente conhecido porque aparece no centro do cartaz de um filme de sucesso mundial: Terra em Transe, de Glauber Rocha, representava alegoricamente o povo impedido de falar pelas mãos de Jardel Filho. Esse ator foi José Marinho, um pernambucano de boa cepa, de origem no alto agreste de Pernambuco, em Olho D’Água de Dentro, município de Canhotinho, figura carimbada dos filmes nacionais com uma trajetória de vida relacionada a grandes momentos da vida cultural brasileira.

Sua militância política vem desde 1957, com atuação no Teatro Adolescente do Recife, encenando Ariano Suassuna e se prolonga até 1964 no Teatro de Cultura Popular (TCP), projeto associado às políticas de intervenção cultural do governo Miguel Arraes semelhante ao Centro Popular de Cultura carioca.

O golpe militar de 1964 fez com que ele viesse para o Rio de Janeiro. A princípio associado aos palcos, o ator logo foi descoberto pelo cinema, começando aí uma longa carreira de grandes participações, a maioria em pequenos papéis de marcante potência.

Sua presença nas telonas é visível sobretudo em filmes de importantes diretores como Glauber Rocha, em Terra em Transe (1967), Rogério Sganzerla, no O Bandido da Luz Vermelha (1968), Roberto Santos, no A Hora e a Vez de Augusto Matraga (1965) e O Homem Nu (1968), Nelson Pereira dos Santos, nos El Justicero (1967), Amuleto de Ogum (1974), A Estrada da Vida (1980) e no Brasília 18% (2006), Miguel Borges, nos Perpétuo contra o Esquadrão da Morte (1967), Maria Bonita, Rainha do Cangaço (1968) e As Escandalosas (1970), Roberto Farias, Fernando Campos, Paulo Thiago, no Sagarana: o Duelo (1973) e Soledade (1976), e Tizuka Yamasaki, no Parahyba, Mulher Macho (1983), entre muitos outros.

No teatro, atuou na peças Se Correr o Bicho Pega, se Ficar o Bicho Come (1966), montada por Gianni Ratto da peça de Oduvaldo Vianna Filho, e Dom Quixote de la Mancha, em adaptação de Luiz Augusto Marones (1972). Na televisão, participou das telenovelas Roque Santeiro (1975), Cambalacho (1986) e O Rei do Gado (1997).

José Marinho teve também uma brilhante carreira acadêmica iniciando em 1971, no curso de Cinema da Universidade Federal Fluminense (UFF), a convite dos professores Fernando Barreto e Nelson Pereira dos Santos. Foi coordenador do então existente Setor de Cinema, vice-diretor do Instituto de Arte e Comunicação Social (IACS) e chefe do Departamento de Cinema e Vídeo. Obter o título de mestre pela Universidade de São Paulo (USP). Em 1998, sua dissertação transformou-se no livro Dos Homens e das Pedras: o Ciclo do Cinema Documentário Paraibano (1959-1979), uma aplicada reflexão sobre o documentário nordestino. Em 2000, aposentou-se. Pela sua dedicação ao ensino, recebeu o título de Professor Emérito pela UFF em 2004.

Ator versátil no teatro, no cinema e na TV, professor, pesquisador, animador e produtor, José Marinho teve, visceralmente, uma vida atrelada aos mais dinâmicos movimentos de atuação cultural e artística na cena brasileira contemporânea.

Faleceu, aos 88 anos de idade, no dia 13 de julho de 2021. O Departamento de Cinema e Vídeo, da Universidade Federal Fluminense, publicou nota de pesar em homenagem ao professor.

Filmografia

2011 :: Não se Preocupe, Nada Vai Dar Certo
2008 :: Que Cavação É Essa? (CM)
2006 :: A Última do Amigo da Onça (CM)
2006 :: Brasília 18%
2005 :: O Quintal dos Guerrilheiros (CM)
2004 :: Aqueles Dias (CM)
2004 :: Custo Zero (CM)
2004 :: Corrompendo Paulo (CM)
2003 :: Onde a Noite Acaba (CM)
2002 :: Bichos Urbanos (CM)
2000 :: Arábia (CM)
1997 :: Guerra de Canudos
1997 :: Miramar
1997 :: Meninas (CM)
1997 :: Polêmica (CM)
1990 :: Corpo em Delito
1987 :: Os Trapalhões no Auto da Compadecida
1985 :: Nem Tudo É Verdade
1985 :: O Rei do Rio
1983 :: Parahyba, Mulher Macho
1980 :: A Estrada da Vida
1980 :: Boi de Prata
1977 :: Gordos e Magros
1976 :: Soledade
1973 :: Sagarana: o Duelo
1974 :: Amuleto de Ogum
1970 :: As Escandalosas
1969 :: Meu Nome é Lampião
1968 :: Maria Bonita, Rainha do Cangaço
1968 :: Os Marginais
1968 :: O Bandido da Luz Vermelha
1968 :: A Vida Provisória
1968 :: Desesperado
1968 :: O Homem Nu
1968 :: Viagem ao Fim do Mundo
1967 :: El Justicero
1967 :: Perpétuo contra o Esquadrão da Morte
1967 :: Terra em Transe
1966 :: O Homem e sua Jaula
1965 :: A Hora e a Vez de Augusto Matraga

Publicações

MARINHO, José. Dos Homens e das Pedras: o Ciclo do Cinema Documentário Paraibano (1959-1979). Niterói: EDUFF, 1998.

Bibliografia

Livros:

ASSAF, Flávia. Boi de prata: política e cultura na estreia do sertão do Seridó no cinema terceiro-mundista brasileiro (1970-1980). : , 2017.
MONTEIRO, José Carlos; AMÂNCIO, Tunico; CORRÊA, Juliana. José Marinho: luzes do sertão, luzes da cidade. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2010.

Internet:

HISTÓRIA DO CINEMA BRASILEIRO. José Marinho. Disponível no endereço: http://www.historiadocinemabrasileiro.com.br/jose-marinho/
SANTOS, Isabela. Morre José Marinho, ator do filme “Boi de Prata”. Disponível no endereço: https://www.saibamais.jor.br/morre-jose-marinho-ator-do-filme-boi-de-prata. Acesso em: 13 jul. 2021.

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